Texto
. Antes de se poder transmitir alguma coisaa respeito do influxo eda operação da alma no corpo, importa saber bem que o homem interno é formado à imagem do céu e o homem externo à imagem do mundo, de tal modo que o homem interno é um céu na mínima forma, e o externo é um mundo na mínima forma, portanto, um microcosmo. Que o homem externo seja a imagem do mundo, pode-se ver pelos sentidos externos, ou do corpo. Com efeito, a orelha foi formada para toda a natureza da modificação do ar; os pulmões para toda a natureza da pressão do ar; como também o envoltório do corpo, que é contido em sua forma pela pressão do ar ambiente. Os olhos foram formados para toda a natureza do éter e da luz; a língua para o sentido das partes que se dissolvem e flutuam nos líquidos, e, ao mesmo tempo, com o pulmão, a traqueia, a laringe, a glote, a garganta, e os lábios, para o poder de modificar convenientemente o ar, donde resultam os sons articulados ou palavras, e os sons harmônicos. As narinas foram formadas para o sentido das partes que flutuam na atmosfera; o tato, que existe ao redor do corpo inteiro, foi formado para o sentido das mudanças de estado no ar, a saber, para o sentido do frio e do calor, bem como para o sentido dos corpos líquidos e para o sentido dos corpos sólidos [gravium]. As vísceras interiores, para as quais a atmosfera aérea não pode entrar, são contidas em uma conexão e em uma forma por um ar mais sutil, que se chama éter; sem mencionar que todos os segredos da natureza interior foram inscritos nesse homem e lhe foram aplicados, como todos os segredos mecânicos, todos os físicos, todos os químicos, todos os ópticos. A partir disso se pode ver que toda a natureza foi conduzida paraconformar o externo do homem; daí vem que os antigos tenham denominado microcosmo o homem.
[2] Assim comoentão o homem externo foi formado à imagem de todas as coisas do mundo, assim também o homem interno foi formado à imagem de todas as coisas do céu, isto é, à imagem das coisas celestes e espirituais, que procedem do Senhor, pelas quais e nas quais há o céu. As coisas celestes ali são todas as coisas que pertencem ao amor ao Senhor e àcaridade para com o próximo, e as coisas espirituais ali são todas as coisas da fé; essas coisas em si mesmas são tantase tais que a língua nunca pode pronunciar a milionésima parte delas. Que o homem interno tenha sido formado à imagem de todas essas coisas, é o que se apresenta visivelmente nos anjos, que, quando aparecem diante da vista interna, assim como apareceram diante da minha, afetam os íntimos somente por sua presença, pois o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo dimanam deles e penetram, e as coisas que daí provêm, a saber, as que pertencem à fé, resplandecem fora deles e afetam. Por esse fato e por outros testemunhos, vi claramente que o homem interno, porque foi criado para que seja um anjo, é um céu na mínima forma.
[3] A partir dessas explicações, pode-se agora ver que, no homem, o mundo espiritual foi conjunto ao mundo natural;consequentemente, que, nele, o mundo espiritual influi no mundo natural de um modo tão vivo, que ele apercebe isso se simplesmente presta atenção. Daí também se vê claramente o que vem a ser a interação da alma com o corpo, a saber, que é propriamente a comunicação das coisas espirituais que pertencem ao céu com as naturais que pertencem ao mundo, e que a comunicação se faz por meio do influxo e se efetua segundo a conjunção. Essa comunicação, que acontece por meio do influxo segundo a conjunção, é hoje desconhecida por esse motivo, porque todas e cada uma das coisas são atribuídas à natureza, e que nada se sabe a respeito do espiritual, que hoje está tão afastado, que, quando se pensa a respeito dele, mostra-secomo nulo.