. ‘E os pôs diante do faraó’;que signifique a insinuação nos conhecimentos, vê-se pela representação de ‘faraó’, que é o conhecimento no geral (n. 799, 6015); a insinuação é significada por ‘pô-los diante dele’, pois o fim para o qual os tinha apresentado era para que insinuasse, a saber, os veros da igreja, pois esses veros são os filhos de Jacó. Acercados veros, que eles devem ser insinuados nos conhecimentos da igreja, foi visto(n. 6004, 6023, 6052); mas por ser isso hoje coisa desconhecida, deve-se ilustrar: Os conhecimentos da igreja são hoje as coisas pertencentes ao sentido literal da Palavra, nesses conhecimentos, a não ser que os veros provenientes do sentido interno sejam insinuados, a mente pode ser arrastada a toda heresia; quando, porém, os veros foram insinuados nesses conhecimentos, então a mente não pode ser arrastada para as heresias. [2] Por exemplo, aquele que haure do sentido literal da Palavra, que Deus se ira, pune, induz em tentações, lança no inferno e faz o mal, esse pode ser arrastado a falsas ideias a respeito de Deus, como a de que do Bem mesmo, que é Deus, pode provir também o mal, assim, o que é oposto a Ele mesmo, quando na realidade o bem vem do bem, e o mal vem do mal. Mas esse conhecimento mostra-se sob uma outra face se nele são insinuados os veros interiores; por exemplo, este vero, que é o mal no homem que faz com que ele se enfureça, que o conduz a tentações, o pune, o precipita no inferno, e que por si próprio produz continuamente males; e que essas coisas aconteçam como com as leis nos reinos, as leis provêm do rei, mas os males do castigo não vêm do rei, eles vêm dos que fazem os males. [3] Depois também este vero, que é dos infernos que todo mal provém, e que o mal lhes é permitido porque ele é inevitável no interesse do homem, porquanto este se acha no mal, e a sua vida provém daí; razão por que, a não ser que ele seja deixado no mal, não pode estar no livre nem ser, portanto, reformado. Contudo, de fato de Deus não vem senão o bem, pois o quanto o homem permite, Deus converte o mal em bem. [4] E também este vero, que os veros muitíssimo gerais devem ser primeiro cridos, e depois devem ser esclarecidos por meio dos veros singulares, assim, este conhecimento geral: que todas as coisas que existem, sejam elas quais forem, vêm de Deus, portanto, também os males da pena; mas depois é necessário aprender o modo como essas coisas vêm de Deus, depois a qualidade e a origem daquilo que se faz por permissão. [5] Igualmente este vero: que todo culto de Deus não pode deixar de começar por um santo temor, em que há esta crença, que Deus recompensa os bons e castiga os maus. Os simples e as crianças devem crer nisso, porque eles não compreendem ainda o que é a permissão; e isso, segundo as palavras do Senhor: “Temei antes Aquele mesmo Que pode destruir não somente o corpo, mas também a alma na gehenna” (Mt. 10:28); quando, pois, no começo, pelo temor eles não ousam fazer o mal, o amor é sucessivamente insinuado com o bem, e então eles começam a saber e a perceber que de Deus não procede senãoo bem, e que o mal procede deles mesmos; e, por fim, que todo mal procede do inferno. [6] Além disso, aqueles que estão no céu percebem que nada senão o bem procede de Deus; mas os que estão no inferno dizem que todo mal procede de Deus, porque Ele o permite e não o tira; mas se responde aos dentre eles que estão no mundo dos espíritos, que se o mal lhes fosse retirado, eles não teriam vida alguma, e que também não haveria para o homem que está no mal; e que o mal que está neles pune a si mesmo segundo a lei; e que pelos males da pena eles afinal se abstêm de praticar males; e também quea pena dos males é adefesa dos bons. Acrescente-se a isso que os que estão no mal, e também os que estão em um culto externo sem o culto interno, como estiveram os judeus, devem estar inteiramente no temor por Deus e crer que Ele pune, uma vez que por causa dotemor por Deus eles podem fazer o bem, mas nunca por amor. [7] Quando esses veros e muitos outros são insinuados nesse conhecimento, ele se mostra sob uma face inteiramente diferente, porquanto esse conhecimento torna-se então como um vaso transparente, no qual os veros que brilham através fazem com que esse vaso não seja de outra forma senão como um único vero geral.