Texto
. ‘Viemos para peregrinar na terra’; que signifique que para procurar a vida nos conhecimentos, vê-se pela significação de ‘peregrinar’, que é ser instruído, depois, viver (n. 1463, 2025); assim, ‘vir para peregrinar’ é para procurar a vida; e pela significação da ‘terra’, aqui a terra do Egito, que é onde há o conhecimento, assim, é o conhecimento. Que o ‘Egito’ seja o conhecimento, isso já foi mostrado muitas vezes. Para compreender que a vida do vero está nos conhecimentos, ou que os veros procuram a sua vida nos conhecimentos, deve-se saber que todas as coisas que estão no mundo espiritual e, daí, todas as coisas que estão no mundo natural, buscam alguma coisa ulterior em que esteja e ponha em ação a causa no efeito, a fim de que produza continuamente alguma coisa. Esse ulterior é por assim dizer um corpo, e aquilo que procura estar no ulterior é por assim dizer uma alma. Esse esforço não cessa senão nos últimos da natureza, onde se encontram as coisas inertes. No mundo natural isso se mostra por cada coisa; do mesmo modo no mundo espiritual, no fato de que o bem procura viver nos veros, e os veros buscam viver nos conhecimentos, os conhecimentos viver nos sensuais, e os sensuais viver no mundo.
[2] Quanto ao que diz respeito especificamente aos veros nos conhecimentos, cumpre saber que os veros interiores podem, na realidade, ser insinuados nos conhecimentos, mas os veros não têm vida ali antes que o bem esteja neles. A vida está no bem e, desde o bem, nos veros, e assim desde o bem, por meio dos veros, nos conhecimentos; então o bem é equivalente à alma para os veros, e por meio dos veros para os conhecimentos, que são equivalentes ao corpo; em uma palavra, a caridade para com o próximo vivifica e anima a fé, e, por meio da fé, os conhecimentos pertencentes à mente natural.
[3] Há poucos hoje que saibam que os veros e os conhecimentos são distintos entre si; a causa é porque poucos estão nos veros da fé proveniente da caridade, e os veros nos quais não há a caridade não são outra coisa senão conhecimentos, porquanto eles estão na memória não de outra maneira senão como nela estão as outras coisas; mas quando os veros da fé provêm da caridade, ou quando neles há caridade, então eles se distinguem perceptivelmente dos conhecimentos, e se elevam, às vezes, acima deles, e então eles olham abaixo de si os conhecimentos617. Esse fato pode tornar-se evidente sobretudo pelo estado do homem depois da morte; então ele pode pensar e falar racionalmente a respeitodos veros e dos bens da fé, e isso muito mais perspicazmente do que na vida do corpo; mas ele não pode extrair de sua memória nenhum dos conhecimentos; esses estão nele como coisas esquecidas e obliteradas, embora ele os tenha todos consigo (ver os n. 2475, 2476, 2477, 2479, 2480 ao 2486). Daí se pode ver que os veros da fé, que em si são espirituais, e os conhecimentos, que em si são naturais, são distintos entre si; e que os veros da fé são elevados acima dos conhecimentos, para o céu, por meio da afeição que pertence ao bem da caridade.