. ‘Porque nenhum pasto [há] para o rebanho que teus servos têm’; que signifique que faltam os conhecimentos nos quais estão os bens que pertencem ao vero, vê-se pela significação de ‘pasto que [há] para o rebanho’, que são os conhecimentos, nos quais estão os veros que pertencem ao bem; assim, ‘nenhum pasto’ são os conhecimentos em que não há os bens do vero. O ‘pasto’, no sentido interno, é aquilo que sustenta a vida espiritual, e é principalmente o vero do conhecimento, porquanto a alma do homem o deseja assim como o corpo deseja a comida; daí vem as nutrições, razão por que ‘pastar’ é ser instruído (n. 5201). Que os conhecimentos e os veros sustentem a alma do homem, evidencia-se manifestamente pelos desejos de saber no homem, depois, também pela correspondência da comida com os conhecimentos (n. 1480, 3114, 4792, 5147, 5293, 5340, 5342, 5576, 5579, 5915). Essa correspondência se manifesta também no homem quando ele come comida; se isso acontece durante o falar e o ouvir, os vasos que recebem o quilo se abrem, e ele é nutrido mais plenamente do que quando se estivesse só. Os veros espirituais e as instruções nesses veros teriam um semelhante efeito nos homens se estes estivessem na afeição do bem. Que os veros nutram a vida espiritual, isso é manifesto sobretudo nos bons espíritos e nos anjos no céu; estes e aqueles estão em um contínuo desejo de conhecer e de saber; e quando essa comida espiritual lhes falta, eles ficam na desolação, e na preguiça da vida e na fome, e nãose restabelecem e se elevam à bem-aventurança de sua vida senão quando se satisfaz os desejos deles. No entanto, para que os conhecimentos sirvam à nutrição salutar da alma, deve haver neles a vida proveniente dos bens que pertencem ao vero; se a vida daí proveniente não estiver neles, os conhecimentos de fato sustentam a vida interior do homem, mas a sua vida natural, porém não a vida espiritual. [2] Que o ‘pasto’, no sentido interno, seja aquilo que sustenta a vida espiritual do homem, é também evidente por outras passagens na Palavra, como em Isaías: “Dei-te em aliança do povo; para restituíres a terra, ...para dizer aos presos: Saí; aos que estão em trevas: Aparecei. Pastarão sobre os caminhos, e em todas as encostas [estará]o pasto deles” (49:8, 9); ‘pastar nos caminhos’ está por ser instruído nos veros; que os ‘caminhos’ sejam os veros, foi visto (n. 627, 2333); e que ‘pastar’ seja ser instruído, n. 5201; ‘em todas as encostas [estará] o pasto’ está por ser sustentado a partir do bem, visto que as encostas, assim como as montanhas, são os bens do amor (n. 795, 796, 1430, 2722, 4210). [3] Em Jeremias: “Ai dos pastores que perdem e dispersam o rebanho do Meu pasto!” (23:1); o ‘pasto’ está em lugardas coisas que sustentam a vida espiritual. No mesmo: “Tornaram-se os príncipes de Sião como cervos, não acharam pasto” (Lm. 1:6); ‘não acharam pasto’ está por que não encontraram o vero que pertence ao bem. [4] Em Ezequiel: “Eu, Eu buscarei o meu rebanho, em pasto bom os apascentarei, e nas montanhas da altura de Israel estará o seu aprisco; assim [se] deitarão em um aprisco bom, e um pasto gordo pastarão sobre as montanhas de Israel” (34:11, 14); o ‘pasto bom e gordo sobre as montanhas de Israel’ está pelos bens que pertencem ao vero. No mesmo: “Será que é pouco para vós, o pasto bom pastais, o resto, porém, dos vossos pastos calcais aos pés?” (Ez. 34:18); semelhantemente. Em Oseias: “Eu te conheci no deserto, na terra da sequidão. Como [houve] o pasto deles, então foram saciados; e foram saciados, então elevou-se618 o coração deles” (13:5, 6). Em Joel: “Suspira a besta, perplexos estão os gados de boispor isso, que não [há] pasto para eles, e também os rebanhos de gado miúdo foram desolados” (1:18). Em Davi: “JEHOVAH [é] o meu Pastor, ...em pastos de erva me fará deitar, a águas de repouso me conduzirá, a minha alma restabelecerá” (Sl. 23:1, 2, 3). No mesmo: “JEHOVAH nos fez, e não nós, Seu povo, e rebanho do Seu pasto; 619por isso, nós [somos] d’Ele,povo d’Ele, e rebanho de Seu pasto” (Sl. 100:3); [5] O ‘pasto’ [ou pastagem], nessas passagens, estão em lugar dos veros em que o homem é instruído, aí em lugar de tais veros que visam a vida espiritual. Com efeito, a vida espiritual é tal que, se esse pasto lhe faltar, ela por assim dizer definha e murcha, como o corpo quando lhe falta comida. Que o pasto seja o bem e o vero que restabelecem e sustentam a alma ou espírito do homem, vê-se claramente pelas palavras do Senhor em João: “Eu sou a porta, por Mim, se alguém entrar, será salvo, e entrará e sairá, e pasto achará” (10:9); o ‘pasto’ está em lugardos bens e veros para aqueles que reconhecem o Senhor e buscam a vida somente por Ele.