. ‘Pelos cavalos’;que signifique os conhecimentos provenientes do intelectual, vê-se pela significação dos ‘cavalos’, que são as coisas intelectuais (n. 2760, 2761, 2762, 3217, 5321); e como eles são predicados do Egito, pelo qual são significados os conhecimentos, os ‘cavalos’, aqui, são os conhecimentos provenientes do intelectual. Cumpre dizer o que são os conhecimentos provenientes do intelectual. Há no homem um intelectual e há um voluntário, e os dois estão não só no seu homem interno, mas também no externo; o intelectual no homem aumenta e cresce desde sua infância até a sua idade viril, e consiste na intuição das coisas a partir do que pertence à experiência e ao conhecimento, e depois, a partir da intuição das causas pelos efeitos, bem como das consequências a partir da ligação das causas. Assim, o intelectual consiste na compreensão e percepção de tais coisas que pertencem à vida civil e moral. Ele existe a partir do influxo da luz proveniente do céu, é por isso que cada homem, quanto ao intelectual, pode ser aperfeiçoado. O intelectual é dado a cada um segundo a aplicação, segundo a vida e segundo a índole, e a ninguém falta, contanto que se seja de uma mente sã; e ele é dado ao homem com o propósito de que ele possa estar no livre e na escolha, isto é, no livre de escolher o bem ou o mal. A não ser que ele tenha um intelectual tal qual foi descrito, ele não pode fazer isso por si mesmo, portanto, coisa alguma poderia lhe ser apropriada. [2] Deve-se saber, além disso, que é o intelectual do homem que recebe o espiritual, de sorte que ele é o recipiente do vero e do bem espiritual. De fato, nada do bem, isto é, da caridade, e nada do vero, isto é, da fé, pode ser insinuado em alguém que não tem o intelectual, mas o bem e o vero são insinuados de acordo com o seu intelectual; é até por isso que o homem não é regenerado pelo Senhor antes que ele esteja na idade adulta, quando possui o intelectual; antes disso, o bem do amor e o vero da fé cai como uma semente em um húmus inteiramente estéril. E quando o homem foi regenerado, então o seu intelectual presta esse uso: que ele vê e percebe o que é o bem e, daí, o que é o vero, porquanto o intelectual transporta as coisas pertencentes à luz do céu para aquelas que pertencem ao lume da natureza, donde vem que aquelas coisas apareçam nestas como as afeições interiores do homem em uma face não simulada. E como o intelectual presta esse uso, por isso, na Palavra, em muitas passagens onde se trata da igreja espiritual, trata-se também do intelectual dessa igreja. Em outro lugar, pela Divina Misericórdia do Senhor, se tratará desse assunto. [3] Sendo assim, pode-se agora ver o que se entende pelos conhecimentos provenientes do intelectual, a saber, que são os conhecimentos que confirmam as coisas que o homem compreende e percebe intelectualmente, quer essas coisas sejam males, ou quer sejam bens; são esses os conhecimentos que são significados na Palavra pelos ‘cavalos provenientes do Egito’, como em Isaías: “Ai dos que descem ao Egito por auxílio e se apoiam sobre cavalos! E [se] confiam sobre carros porque [são] muitos, e sobre cavaleiros porque são muito fortes, e não olham para o Santo de Israel, e não buscam a JEHOVAH; ... Pois o Egito [é] homem, não Deus, e os seus cavalos, carne, não espírito” (31:1, 3); os ‘cavalos oriundos do Egito’ estão em lugar dos conhecimentos oriundos de um intelectual pervertido. [4] Em Ezequiel: “Rebelou-se contra ele, enviando seus embaixadores ao Egito, para que lhe desse cavalos, e muito povo. Será que prosperará? Será que escapará o que faz isto?” (17:15); os ‘cavalos oriundos do Egito’ estão também em lugar dos conhecimentos provenientes do intelectual pervertido, que são consultados nas coisas da fé; e não se crê na Palavra, isto é, no Senhor, a não ser a partir deles; assim, nunca se crê, pois no intelectual pervertido reina o negativo. [5] Que tais conhecimentos tenham sido destruídos, é isso representado pelo fato de que os cavalos e os carros do faraó foram submersos no mar de Suph; e como esses conhecimentos são significados pelos ‘cavalos’, e as coisas doutrinais pelos ‘carros’, por isso os cavalos e os carros são ali tantas vezes mencionados (ver Êx. 14:17, 18, 23, 26, 28); e daí no cântico de Moisés e de Miriam: “Entrou o cavalo de faraó, depois seu carro, depois os seus cavalos, no mar, mas JEHOVAH fez voltar sobre eles as águas do mar. ... Cantai a JEHOVAH, porque exaltando exaltou-Se, ao cavalo e ao seu cavaleiro lançou no amar” (Êx. 15:19, 21). [6] Semelhantes conhecimentos são também significados pelo que foi prescrito ao rei sobre Israel em Moisés: “Se um rei desejam, do meio dos irmãos será posto sobre eles um rei, de modo que não se multipliquem por eles os cavalos, nem reconduza o povo ao Egito,para que multiplique cavalos” (Dt. 17: 15, 16). o ‘rei’ representava o Senhor quanto ao Divino Vero (n. 1672, 1728, 2015, 2069, 3009, 3670, 4575, 4575, 4581. 4789, 4966, 55044, 5068), assim, quanto à inteligência, uma vez que esta, quando é genuína,provém do Divino Vero. Que a inteligência deve ser adquirida por meio da Palavra, que é o Divino Vero, mas não por meio dos conhecimentos provenientes doproprium intelectual, é significado por isso, que ‘o rei não devia multiplicar os cavalos nem reconduzir o povo ao Egito para que multiplicasse os cavalos’.