. ‘E viveremos, nós e o nosso húmus, servos de faraó’;que signifique a submissão total, vê-se pela significação de ‘nós e o nosso húmus’, que são os receptáculos do bem e do vero, como logo acima (n. 6135, 6136, 6137); e pela significação de ‘servos’, que é estar sem o livre proveniente do proprium (n. 5760, 5763), assim, a submissão total. Pelos receptáculos se entendem as formas mesmas do homem, pois os homens não são nada senão formas recipientes da vida procedente do Senhor, e essas formas são tais, pela hereditariedade e pelo agir na vida, que recusam a vida espiritual procedente do Senhor. Esses receptáculos, quando foram tão abdicados que neles não há mais o livre proveniente do proprium, há submissão total. O homem que está sendo regenerado é, por fim,continuamentereduzido a esse estado, por repetidas desolações e sustentações, de modo tal que não queira mais ser seu, mas sim do Senhor; e quando se torna pertencente ao Senhor, chega nesse estado, que, quando é deixado a si, ele se perturba com dor e ansiedade, e quando é retirado desse estado, ele torna a entrar em sua satisfação e bem-aventurança. Em tal estado estão todos os anjos. [2] O Senhor, para tornar alguém bem-aventurado e feliz, quer uma submissão total, isto é, que ele não seja quanto a uma parte seu e quanto a uma parte do Senhor, já que então haveria dois senhores aos quais o homem não poderia servir ao mesmo tempo (Mt. 6:24). A submissão total é também entendida pelas palavras do Senhor em Mateus: “Quem ama o pai e a mãe acima de Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho e a filha acima de Mim, não é digno de Mim” (10:37); pelo ‘pai e a mãe’ são significadas, em geral, as coisas que são próprias do homem pela atividade. O proprium do homem é também significado pela alma em João: “Quem ama a sua alma, perdê-la-á, mas quem odeia a alma neste mundo, pela vida eterna conservá-la-á; se alguém Me serve, siga-Me; então onde Eu estiver, aí também Meu servo será624” (12:25, 26); a submissão total é ainda significada pelas palavras do Senhor em Mateus: “Outro discípulo disse: Senhor, permite-me primeiro ir e sepultar o meu pai; mas Jesus lhe disse: Segue-Me; e deixa aos mortos sepultar os seus mortos” (8:21, 22). [3] Que deve haver submissão total, vê-se manifestamente pelo primeiro preceito da igreja: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua mente, e de todas as tuas forças; este é o primeiro preceito” (Marcos, 12:30); assim, como o amor ao Senhor não provém do homem, mas do Senhor mesmo, por isso, ‘todo o coração’, ‘toda a alma’, ‘toda a mente’ e ‘todas as forças’, que são recipientes, devem pertencer ao Senhor, consequentemente, deve haver submissão total. Tal é a submissão que é significada por “viveremos, nós e o nosso húmus, servos de faraó”, visto que pelo‘faraó’ é representado o natural no geral, que está sob o auspício do celeste interno e, no sentido supremo, sob o auspício do Senhor, Que neste sentido é ‘José’.