Texto
. Como os espíritos possuem assim todas as coisas pertencentes ao pensamento e à vontade do homem, e os anjos as que são ainda mais interiores, e assim o homem fica conjuntíssimoa eles, é por isso que o homem não podeaperceber e sentir outra coisa, senão que é ele mesmo que pensa e quer. Com efeito, com as comunicações na outra vidaacontece assim: Em uma sociedade onde há espíritos semelhantes, cada um crê ser seu o que é de um outro; é por isso que osbons espíritos, quando chegam a uma sociedade celeste, logo entram em toda a inteligência e sabedoria dessa sociedade, de tal sorte que eles outra coisa não sabem senão que essa inteligência e essa sabedoria estão neles; assim também acontece com o homem e com o espírito que está junto a ele. As coisas que influem do inferno pelos espíritos são os males e os falsos, mas as que influem do céu pelos anjos são os bens e os veros; assim, por meio desses influxos opostos entre si, o homem é mantido no meio, portanto, no livre. As coisas que influem pelos anjos, porque influem por meio de coisas mais interiores, não aparecem assim ao sentido externo, como as que influem dos maus espíritos. Os anjos também são tais que não querem de modo algum ouvir que os influxos do bem e do vero procedem deles, mas sim que se diga que eles procedem do Senhor. Eles ficam indignados quando se pensa de modo diferente, pois estão na percepção manifesta de que isso é assim, e nada amam mais do que querer e pensar não por si próprios, mas pelo Senhor. Ao contrário, os maus espíritos ficam irritados quando se lhes diz que eles não pensam e não querem por si próprios, porque isso é contra o prazer de seus amores; e ficam mais indignados quando se lhes diz que a vida não está neles, mas que ela influi. Quando se lhes mostra isso por viva experiência, o que muitas vezes foi feito, então eles de fato confessam que isso é assim, porque não podem falar contra a experiência; contudo, depois de um breve prazo eles o negam, e então não querem que isso seja mais confirmado pela experiência.