. "E os que ouvem as palavras da profecia". Que isto signifique os que vivem segundo a doutrina do céu vê-se pela significação de 'ouvir', que é 'perceber e obedecer (de que se tratou nos nºs 2542, 3869, 4653, 5017, 7216, 8361, 8990, 9311, 9397 e 10061); assim, é também viver segundo a doutrina, pois os que percebem e obedecem vivem segundo ela; e vê-se pela significação de 'palavras da profecia', que são os veros que pertencem à doutrina do céu. Com efeito, 'palavras' são veros (nºs. 4092 e 5075) e 'profecia' é a doutrina (nºs. 2534 e 7269). Esta é a doutrina do céu, porque é a profecia da Palavra que é procedente do céu. Que 'ouvir' seja obedecer e viver é porque, nos anjos celestes, as coisas que eles ouvem entram na vida. Como, porém, isso é uma coisa desconhecida, vou esclarecer em poucas palavras. Ao homem foram dados dois sentidos que servem como meios de receber as coisas pelas quais ele é reformado, a saber, o sentido da visão e o sentido da audição. Os demais sentidos são para outros usos. As coisas que entram pelo sentido da visão entram em seu entendimento e o iluminam; por isso a visão significa o entendimento iluminado, pois o entendimento corresponde à visão do olho, assim como a luz do céu corresponde à luz do mundo. As coisas que entram pelo sentido da audição entram no entendimento e na vontade ao mesmo tempo; por isso a 'audição' significa a percepção e a obediência. Daí é que nas línguas humanas é hábito dizer 'ouvir alguém' e também 'ouvir', 'dar ouvidos' e 'escutar'. Por 'ouvir alguém' se entende perceber, e por 'dar ouvidos' se entende obedecer, como também por 'ouvir', e ambas as coisas se entendem por 'escutar'. Isso emana nas línguas humanas a partir do mundo espiritual, no qual está o espírito do homem. Mas também se dirá de onde vem isso no mundo espiritual. [2] Os que se acham na província do ouvido são obediências pela percepção. (Que todos os que estão no mundo espiritual se achem em alguma província, que é nomeada segundo os membros, órgãos ou vísceras do homem, porque a estes correspondem, vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 87-102). E a província do ouvido está no eixo do céu; por isso, nela, ou nos que nela estão, influi todo o mundo espiritual com a percepção de que se deve fazer assim e assim, pois esta é a percepção reinante no céu. Assim é que aqueles que ali se acham são obediências pela percepção. Que as coisas que entram pelo ouvido entrem imediatamente pelo entendimento na vontade, é o que pode ser ainda mais ilustrado pela instrução dos anjos do reino celeste, que são sapientíssimos. Eles recebem toda a sua sabedoria pela audição e não pela visão, pois tudo o que ouvem sobre o Divino eles recebem na vontade pela veneração e pelo amor, e fazem disso a sua vida. E como o recebem prontamente na vida e não na memória primeiro, por isso esses anjos não falam sobre as coisas da fé, mas, quando elas são mencionadas pelos outros, respondem somente: "Sim, sim" ou "não, não", segundo as palavras do Senhor em Mateus (5:37). Por aí se vê que a audição foi dada ao homem principalmente para receber a sabedoria, mas a visão para receber a inteligência. Sabedoria é perceber, querer e fazer, e inteligência é saber e perceber. (Que os anjos do céu recebam a sabedoria pela audição e não pela visão, vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 270 e 271; e, além disso, sobre esses anjos, nos nºs 20-28).