. "Graça a vós e paz". Que isto signifique o prazer do vero e do bem vê-se pela significação de 'graça', que é o prazer do vero, a cujo respeito se tratará a seguir, e pela significação de 'paz', que é o prazer do bem da inocência e do amor (de que se tratou na obra O Céu e o Inferno, onde se fala do estado de paz no céu, nºs 284-290). Que 'graça' seja o prazer do vero é porque há duas coisas que procedem do Senhor, uma e outra unidas na origem, mas distinguidas naqueles que as recebem. Pois há os que recebem o Divino Vero mais do que o Divino Bem e há os que recebem o Divino Bem mais do que o Divino Vero. Os que recebem o Divino Vero mais do que o Divino Bem estão no reino espiritual do Senhor e, assim, são chamados espirituais. Mas os que recebem o Divino Bem mais do que o Divino Vero estão no reino celeste do Senhor e, assim, são chamados celestes. (A respeito desses dois reinos no céu e na igreja vê-se na obra O Céu e o Inferno os nºs 20-28). Aos que estão no reino espiritual o Senhor concede que estejam na afeição do vero por causa do vero, e este Divino é que se chama graça. Assim é que, quanto mais alguém está nessa afeição, mais está na graça Divina do Senhor. Não existe outra graça Divina no homem, espírito ou anjo senão a de ser afetado pelo vero porque é vero, porquanto nessa afeição eles têm o céu e a bem-aventurança (vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, nºs 232, 236 e 238; e em O Céu e o Inferno, nºs 395-414). Quer se diga afeição do vero ou prazer do vero, é a mesma coisa, pois não existe afeição sem prazer. [2] É isto em particular que se entende por 'graça' na Palavra, como em João: "E o Verbo se fez carne, e habitou em nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e verdade; (...) por sua plenitude nós todos recebemos graça por graça; porque a lei foi dada por Moisés, a graça e verdade se fez por Jesus Cristo" (Jo. 1:14, 16, 17). Como a graça é a afeição e o prazer do vero, por isso se diz 'graça e verdade'. Em Lucas, depois que o Senhor explicou na sinagoga a profecia de Isaías a respeito de Si mesmo, assim, o Divino Vero, "Todos se maravilharam com as palavras de graça que saíam de Sua boca" (Lc. 6:22). Os Divinos Veros que o Senhor pronunciou são chamados 'palavras de graça que saíam de sua boca', porque são aceitáveis, gratas e prazerosas. Em geral, a graça Divina é todo aquilo que é dado pelo Senhor; e como tudo o que é dado se refere à fé e ao amor, e a fé é a afeição do vero do bem, por isso essas coisas são entendidas em particular pela graça Divina. Pois ser dotado da fé e do amor, ou da afeição do vero do bem, é ser dotado do céu, assim, da bem-aventurança eterna.