. "D'Aquele que é e que foi e que virá". Que isto signifique d'Aquele que é tudo em todas as coisas do céu e da igreja de eternidade em eternidade vê-se pela significação de 'que é e que foi e que virá', que é de eternidade em eternidade, e também que é tudo em todas as coisas do céu e da igreja. Que seja de eternidade em eternidade é porque todos os tempos na Palavra não significam tempos, mas estados da vida (como se pode ver pelo que foi dito e mostrado na obra O Céu e o Inferno a respeito dos tempos no céu, nºs 162-169). E como todos os tempos significam estados da vida, por isso, quando se trata do Senhor, eles significam um estado infinito, e o estado infinito quanto ao tempo é a eternidade. Que todos os tempos estejam envolvidos em 'que é e que foi e que virá', é evidente. Podem-se dizer muitas coisas a respeito do eterno, que é o Senhor somente, mas não seriam compreendidas pelo homem natural, cujos pensamentos são baseados principalmente nos tempos, no espaço e na matéria, quando, todavia o eterno não inclui em si essas coisas. Por isso, se o homem pudesse pensar sobre o eterno como os anjos do céu pensam, poderia alcançar alguma idéia disso e, assim, também compreender o que é a expressão 'de eternidade', que é significada por 'que foi', e também o que é a previdência Divina que está em todas as coisas desde a eternidade, e o que é a providência Divina que está em todas as coisas na eternidade. Por conseguinte, tudo o que procede do Senhor é de eternidade em eternidade, e, se assim não fosse, o céu e o universo não subsistiriam. Mas ainda não é o tempo de ir ainda mais adiante neste arcano (vê-se algo a respeito na obra O Céu e o Inferno, nº 167). Cumpre saber apenas isto, que a mesma coisa se entende por 'JEHOVAH' e por 'que é, que foi e que virá', porquanto o 'é', que é JEHOVAH, envolve o precedente, 'que foi' e também envolve o futuro, 'que virá'. Assim, significa de eternidade na eternidade.
[2] Que 'é' signifique de eternidade, também se sabe no mundo cristão, pelo salmo de David, onde se diz:
"Anunciarei o estatuto: JEHOVAH Me disse: Tu és Meu Filho, Eu hoje Te gerei" (Sl. 2:7).
Sabe-se que estas palavras foram ditas a respeito do Senhor, e que por 'hoje' se entende de eternidade. (Também o 'amanhã', na Palavra, significa a eternidade, como se vê no nº 3998). Que a expressão 'que é, que foi e que virá' também signifique tudo em todas as coisas do céu e da igreja é porque significa o eterno, e o eterno não pode ser exprimido no céu por outra coisa senão o Divino. A razão é porque o infinito não pode cair na idéia angélica e ainda menos na humana. E o eterno é o existir infinito proveniente do ser infinito. Mas somente isso cai na idéia: que o eterno, que é o Divino quanto ao existir, é tudo em todas as coisas do céu e da igreja, porque todo o céu não é céu pelo proprium dos anjos, mas pelo Divino do Senhor. Tampouco a igreja é igreja pelo proprium dos homens, mas pelo Divino do Senhor. Com efeito, todo bem do amor e todo vero da fé vêm do Senhor, e o bem do amor e o vero da fé fazem o céu e a igreja. Anjos e homens são apenas recepções, e quanto mais recebem, mais há neles o céu e a igreja. (Mas, estas coisas podem ser vistas, mais esclarecidas, na obra O Céu e o Inferno, nºs 7-12, onde se mostrou que o Divino do Senhor faz o céu, e que o Divino que faz o céu é o Divino Humano, que é o Divino Existir procedente do Divino Ser, nºs 78-86).
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