. (Vers. 7) "Eis que vem com as nuvens" . Que isto signifique que o Senhor há de Se revelar na Palavra pelo sentido interno vê-se pela significação de "vir", quando se trata do Senhor, que é revelar-Se; e pela significação de "nuvens", a saber, os Divinos veros nos últimos, por conseguinte, a Palavra na letra, pois a Palavra quanto ao sentido da letra é o Divino Vero nos últimos. E visto que cada coisa ali contém um sentido interno ou espiritual, por isso, 'vir com as nuvens' é revelar-Se por esse sentido. As 'nuvens' significam os Divinos veros nos últimos em virtude das aparências no mundo espiritual. Ali aparecem nuvens em variadas luzes; no céu íntimo ou terceiro numa luz inflamada, no céu médio ou segundo numa luz branca, e no céu mais externo ou primeiro numa luz mais densa. E qualquer um ali sabe que elas significam o Divino Vero proveniente do Senhor por meio dos anjos, pois quando o Divino Vero procedente do Senhor, Divino que é a própria luz celeste, passa pelos anjos, aparece ali como nuvens, mais puras ou mais densas segundo a inteligência dos anjos. Vi muitas vezes essas nuvens e também percebi o que elas significam. Daí é que, pelas 'nuvens', como as que aparecem aos olhos dos homens no mundo, é significado o Divino Vero nos últimos; e como a Palavra na letra é o Divino Vero nos últimos, por isso é significada pelas 'nuvens'. [2] Quem não sabe que as 'nuvens' significam isso pode crer que o Senhor há de vir nas nuvens para o juízo final, e há de aparecer em gloria, segundo Suas palavras nos Evangelistas, onde diz: "Então se verá o sinal do Filho do homem no céu; (...) e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e muita glória" (Mt. 24:30; Mc. 13:26; Lc. 21:27). A 'consumação do século', de que aí se trata, é o último tempo da igreja, e o advento do Senhor é, então, a revelação d'Ele e do Divino Vero que vem d'Ele, na Palavra, pelo sentido interno. O Senhor não Se revela em outra parte senão na Palavra, nem de outro modo senão pelo sentido interno; 'poder e glória' também significam a Palavra no sentido interno. (Isto hoje está cumprido, a saber, o século está consumado e o juízo final realizado, e também o Senhor veio nas nuvens do céu, isto é, revelou o sentido interno da Palavra, como se pode ver no opúsculo Do Juízo Final, do principio ao fim, também na obra O Céu e o Inferno, nº 1 e, depois, na Doutrina da Nova Jerusalém, nºs 249-266. A 'consumação do século' significa o último tempo da igreja, como se vê nos nºs 4535 e 10622. O 'advento do Senhor' é a revelação do Divino Vero pelo sentido interno, nºs 3900 e 4060. As 'nuvens' são o sentido da letra da Palavra, nºs 4060, 4391, 5922, 6343, 6752, 8106, 8781, 9430, 10551 e 10574. A 'glória' significa o Divino Vero no céu, assim, o sentido interno, porque este é o Divino Vero no céu, nºs 5922, 9429 e 10574. Que se diga 'virá em poder' é porque todo poder pertence ao Divino Vero que vem do Senhor; vê-se no O Céu e o Inferno, nºs 228-233 e 539). O mesmo se entende pelas palavras do Senhor ao principal dos sacerdotes: "Jesus disse" ao principal dos sacerdotes: "De agora em diante vereis o Filho do homem assentado à direita do poder, e vindo nas nuvens do céu" (Mt. 26:64; Mc. 14:62); o 'Filho do homem' é o Senhor quanto ao Divino Vero; 'sentar-Se à direita do poder' é Sua onipotência; 'vir nas nuvens do céu' é a revelação do Divino Vero a respeito d'Ele na Palavra, pois ali Se revelou e também cumpriu todas as coisas que estão contidas no sentido interno, no qual se trata principalmente da glorificação de Seu Humano. [3] O mesmo é significado pelas 'nuvens' nas passagens seguintes. Em Daniel: "Eu via (nas) visões da noite e eis que vinha com as nuvens do céu um semelhante a Filho do homem" (Dn. 7:13). No Apocalipse: "Olhei, e eis uma nuvem branca; e na nuvem estava assentado um semelhante a Filho do homem, tendo uma coroa posta em Sua cabeça" (Apoc. 14:16, 16). Em Isaías: " Eis JEHOVAH assentado numa nuvem ligeira* (leve?)" (Is. 19:1); em David: "Cantai a Deus, louvai o Seu nome, exaltai Aquele que cavalga sobre as nuvens" (Sl. 68:4); no mesmo: "JEHOVAH faz das nuvens o Seu carro, anda sobre as asas do vento" (Sl. 104:3). Quem não pode ver que essas palavras não podem ser entendidas segundo o sentido da letra, a saber, que JEHOVAH Se 'senta nas nuvens' e que 'faça das nuvens o Seu carro'? Quem pensa espiritualmente pode saber que JEHOVAH está em Seu Divino Vero, pois este procede d'Ele e, por conseguinte, é este Divino Vero que aí se entende pelas 'nuvens'. Por isso também se diz que 'JEHOVAH faz das nuvens o Seu carro', pois pelo 'carro' é significada a doutrina do vero (vê-se nos nºs 2762, 5321 e 8215). [4] É semelhante nas passagens seguintes, como em Isaías: "Destilai, ó céus, de cima, e as mais altas nuvens [chovam] justiça" (Is. 45:9); em Naum: "O caminho de JEHOVAH [é] com nuvem e procela, e as nuvens o pó de Seus pés" (Nm. 1:3); em David: "Atribuí vós a força a Deus, cuja excelência está sobre Israel e cuja força nas mais altas nuvens" (Sl. 68:34); em Moisés: "Não [há outro], ó Jeshurum, semelhante a Deus, que cavalga no céu em teu auxílio, e na Sua magnificência sobre as nuvens" (Dt. 33:26); em David: "Uma testemunha fiel nas nuvens" (Sl. 89:37). Por aí se pode ver o que é significado pelo fato de que "uma nuvem encheu o átrio interior" (Ez. 10:3, 4); que uma nuvem pousava sobre a tenda (de que se fala muitas vezes em Moisés) e também que Quando Jesus foi transfigurado, foi visto em glória, e uma nuvem encobriu Seus três discípulos, e da nuvem lhes foi dito: "Este é Meu Filho amado" (Mt. 17:1-10; Mc. 9:1-11; Lc. 9:28-36). (Vide também o que foi dito na obra Das Terras no Universo, nº 171, a respeito de o Senhor ser visto numa nuvem, no meio dos anjos).