. (Vers. 8) "Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim". Que isto signifique que Ele governa todas as coisas, desde as primeiras por meio das últimas, e, assim, todas as coisas do céu pela eternidade vê-se pela significação de 'Alfa e Ômega', que é primeiro e último, ou, nos primeiros e nos últimos; e quem está nos primeiros e nos últimos também governa as intermediárias, por conseguinte, todas as coisas. Estas expressões se dizem do Divino Humano do Senhor, pois se referem a Jesus Cristo, e por esses nomes se entende o Seu Divino Humano (vê-se acima, nº 26), pelo que o Senhor está nos primeiros e nos últimos. Que, porém, Ele governe todas as coisas, desde as primeiras e por meio das últimas é um arcano que ainda não pode ser percebido, pois o homem não sabe coisa alguma a respeito dos graus sucessivos em que os céus foram distinguidos e nos quais também se acham os interiores do homem, e pouco sabe sobre o fato de que o homem, quanto à carne e os ossos, está nos últimos. Tampouco percebe de que maneira os intermediários são regidos pelos primeiros por meio dos últimos. E, não obstante, o Senhor veio ao mundo para Se revestir de um Humano, a este glorificar, isto é, torná-lo Divino até o último, ou seja, até a carne e os ossos, para que assim governasse todas as coisas. Sabe-se na igreja que o Senhor Se revestiu desse Humano e o levou consigo ao céu, pois que nada de Seu corpo deixou no sepulcro. E sabe-o também pelas palavras d'Ele aos discípulos, dizendo: "Vede as Minhas mãos e os Meus pés, que Sou Eu mesmo; [apalpai-Me] e vede, pois um espírito não tem carne e ossos como Me vedes ter" (Lc. 24:39). Assim, por esse modo o Senhor está nos últimos. E como tornou Divinos até esses últimos, por isso Se pôs no poder Divino de governar todas as coisas desde as primeiras por meio das últimas. Se o Senhor não tivesse feito isso, o gênero humano nesta Terra teria perecido de morte eterna. Mas este arcano não será levado mais adiante, porque se deve saber muitas coisas pelas quais se pode formar e adquirir uma idéia a respeito do governo do Senhor desde os primeiros por meio dos últimos. (No entanto, alguma coisa pode entrar no entendimento pelas coisas que foram mostradas nos Arcanos Celestes, as quais são: os interiores influem sucessivamente nos externos até o extremo ou último, e aí também têm existência e subsistência, nºs 634, 6239, 6465, 9216 e 9217; não somente influem sucessivamente, mas também formam no último o que é simultâneo, de onde vem a ordem, nºs 5897, 6451, 8603 e 10099; assim, todas as coisas interiores estão mantidas em conexão desde um primeiro por meio do último, nº 9828, e na obra O Céu e o Inferno, nº 297; assim, nos últimos está a força e o poder, nº 9836; daí, também, o último é mais santo do que os interiores, nº 9824; e, assim, 'primeiro e último' significa todas as coisas, nºs 10044, 10329 e 10335. Sobre os graus sucessivos em que os céus foram distintos, e nos quais também foram distintos os interiores do homem vê-se na obra O Céu e o Inferno, nº 38). Também foi dito que o Senhor é o 'Princípio e o Fim', e por isso se entende de eternidade em eternidade; mas isso não pode ser explicado à compreensão além do que foi explicado acima (nº 23), passagem essa que deve ser consultada.