. "E por causa do testemunho de Jesus Cristo". Que isto signifique para que seja reconhecido o Divino Humano do Senhor vê-se pela significação de 'testemunho', que é o reconhecimento de coração (de que se tratou acima, nºs 10 e 27); e pela significação do nome 'Jesus Cristo', que é o Senhor quanto ao Divino Humano (de que também se tratou acima, nº 26). Estas palavras foram ditas a respeito da igreja dos gentios, que deve receber o Divino Vero e reconhecer o Divino Humano do Senhor. Que sejam ditas a respeito da igreja dos gentios vê-se logo acima (nº 50). A Igreja Cristã de fato reconhece o Divino do Senhor, mas não o Divino Humano; por esse motivo, quando pela doutrina pensam e falam sobre o Senhor, separam Seu Humano do Divino e fazem Seu Humano semelhante ao humano de outro homem, quando todavia no Seu Humano está o Divino, como a alma no corpo. Esta é também a causa por que eles não podem ter idéia alguma do Divino; e, no entanto, a idéia conjunta, porque é pensamento. E, todavia, sem conjunção com o Divino por meio do pensamento e da afeição, ou, o que o mesmo, por meio da fé e do amor, não há salvação. Diz-se que a conjunção por meio do pensamento e da afeição é o mesmo que a conjunção por meio da fé e do amor, porquanto aquilo que creio, nisso penso, e ao que amo tenho afeição. Crer no invisível não está longe de crer no íntimo da natureza, no que a mente tende a cair quando indulgencia suas fantasias. Todavia, cada um tem gravado do céu, por um influxo contínuo dali, um ínsito de querer ver o seu Divino e, na verdade, sob a forma Humana. [2] Esse ínsito está nos simples e também nas pessoas íntegras (vê-se na obra O Céu e o Inferno o nº 82). Por causa disso, todos eles, se também viveram a vida de caridade, são recebidos pelo Senhor e agraciados com o céu. Os outros não podem receber, porque não foram conjuntos. (Todos os anjos no céu, e também os que foram sapientíssimos nos tempos antigos, e todos os que têm fé espiritual, isto é, em quem a fé vive, tanto nesta Terra como em todo o universo, vêem no pensamento o seu Divino, porque reconhecem o Divino Humano e, por isso, são aceitos pelo Senhor; vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, nºs 280-310, na obra O Céu e o Inferno, nºs 79-86, 316 e 321, e no opúsculo Das Terras no Universo, nºs 7, 40, 41, 65, 68, 91, 98, 99, 107, 121, 141, 154, 158, 159 e 169). Visto que esse ínsito, que existe pelo céu em cada um, foi quase rejeitado nos eruditos do mundo, e assim o acesso ao Divino foi obstruído, por isso foi instaurada pelo Senhor uma nova igreja nas nações que não extirparam essa idéia e, com a idéia, a fé. Se esse ínsito foi extirpado do mundo cristão, isso surgiu primeiro da nação babilônica, que separou do Divino o Humano do Senhor, para que o maior dentre eles fosse reconhecido como vigário14 do Humano do Senhor e, assim, transferiram para si mesmos o Seu poder Divino, dizendo que o Senhor recebeu do Pai esse poder, quando, porém, Ele o recebeu de Si mesmo, porque recebeu de Seu Divino. Assim, nem mesmo querem ouvir a respeito do Divino Humano (vê-se nos Arcanos Celestes, nº 4738). Mas, a respeito deste assunto, porque é o primeiro de todos na igreja, muitas coisas serão mencionadas na seqüência.