. (Vers. 14) "E Sua cabeça e os cabelos eram brancos". Que isto signifique o Divino nos primeiros e nos últimos vê-se pela significação de 'cabeça', quando se trata do Senhor, a cujo respeito foram ditas essas palavras, a saber, que é o Divino nos primeiros, de que se tratará a seguir; pela significação de 'cabelos', que é o Divino nos últimos, de que também se tratará a seguir; e pela significação de 'brancos', que é puro. 'Alvo' e 'branco' significam o que é puro, como se vê nos nºs 3301, 3993, 4007 e 5319. Que a 'cabeça', quando se trata do Senhor, seja o Divino nos primeiros é porque a cabeça é a parte suprema do homem, e nela estão os seus primeiros, que são chamados princípios, dos quais se derivam as coisas que se fazem no corpo. Com efeito, na cabeça estão o entendimento e a vontade, dos quais, como de seus primeiros ou princípios, fluem as demais coisas, que são da vida ulterior do homem, como a fala e todas as ações. Que, porém, os 'cabelos', quando se trata do Senhor, sejam o Divino nos últimos, é porque os cabelos são os últimos, pois eles crescem dos últimos no homem e neles os primeiros terminam. Por esse motivo, quando se diz 'cabeça e cabelos' entendem-se os primeiros e os últimos. [2] Quem sabe que 'cabeça' significa os primeiros e 'cabelos' os últimos, mesmo nas coisas espirituais, e que os primeiros e os últimos significam todas as coisas (como acima se mostrou, no nº 41), esse pode saber muitos arcanos do sentido interno, onde essas coisas são nomeadas, tais como: O nazireu não cortaria a cabeleira de sua cabeça, pois ela, como se disse, era o nazireado de Deus sobre a sua cabeça, e, cumpridos os dias, rapá-la-ia e a consagraria (Nm. 6:1-21); como também, que A força de Sansão estava nos cabelos; e, ao serem cortados, ele ficou fraco; e quando cresceram, voltou a ter força (Jz. 16:13 ao fim); e também que Quarenta e dois meninos foram despedaçados por ursos, porque zombaram de Eliseu chamando-o calvo (2Re. 2:23-24); e que Elias se vestia de uma túnica peluda (2Re. 1:8); E João Batista, de pelo de camelos (Mc. 1:6). E, além disso, o que significam 'cabeça', 'cabelos', 'barba' e 'calvície', onde são nomeados na Palavra. [3] O nazireu não cortaria a cabeleira porque ela, como se disse, era o nazireado de Deus sobre a sua cabeça; e, cumpridos os dias, cortá-la-ia e a consagraria, porque o nazireu representava o Senhor nos primeiros e nos últimos, e o Seu Divino nos últimos é o Seu Humano, que se fez Divino até à carne e aos ossos, que são os últimos. Que isso tenha ocorrido até à carne e aos ossos, é evidente pelo fato de que nada foi deixado no sepulcro, e que Ele disse aos discípulos que tinha carne e ossos, os quais um espírito não tem (Lc. 24:39-40). E quando o Divino mesmo é Divino até nos últimos, então a partir das primeiras Ele governa todas as coisas por meio das últimas, como se pode ver pelo que foi dito e mostrado acima, nº 41, principalmente pelas que foram citadas nos Arcanos Celestes, a saber, que as coisas interiores influem sucessivamente nas exteriores até o extremo ou o último, e aí existem e subsistem, nºs 634, 6239, 6465, 9215 e 9216. E não somente influem sucessivamente, mas também formam no último um simultâneo, do que vem a ordem, nº 5897, 6451, 8603 e 10099. Por isso, todas as coisas interiores estão contidas em conexão, desde a primeira e por meio da última, nº 9828 e, na obra O Céu e o Inferno, nº 297. Por isso, também, o último é mais santo do que os interiores, nº 9824. E, por isso, nos últimos estão a força e o poder, nº 9836. Assim é, então, que o nazireado foi instituído. Por fim, ele consagraria seu cabelo, lançando-o no fogo do altar, porque isso representava o santo Divino, e o 'fogo do altar' significava esse santo (nºs. 934, 6314 e 6832). [4] Por aí também se pode ver por que Sansão tinha força nos cabelos (Jz. 16:13 ao fim), pois foi dito que Era nazireu deste o útero da mãe (Jz. 13:7; 16:17). Assim também era que Não era lícito ao sumo sacerdote e seus filhos, nem aos levitas, cortar o cabelo e fazerem-se calvos (Lv. 10:6; 21:5, 10; Ez. 44:20), e também que Cortar a barba (que também significa coisas semelhantes) era vergonhoso entre o povo israelita (2Sm. 10:4, 5). Quarenta e dois meninos foram despedaçados por ursos por terem zombado de Eliseu, chamando-o calvo, porque Elias e Eliseu representavam o Senhor quanto à Palavra, que é o Divino Vero, cuja santidade e força está nos últimos a partir dos primeiros, como se disse pouco acima. Assim, como a 'calvície' significava a privação destes, por isso tal fato se deu. Os 'ursos' também significam o vero nos últimos. Que Elias e Eliseu tenham representado o Senhor quanto à Palavra, vê-se nos nºs 2762 e 5247. Por aí também é evidente por que Elias se vestia de uma 'veste peluda' e João, 'de pelo de camelos'. Com efeito, João Batista, semelhantemente a Elias, representava o Senhor quanto à Palavra, razão porque ele foi também chamado de Elias (vê-se nos nºs 7643 e 9372). [5] Quando se entende isso, pode-se saber o que é significado pela 'cabeça', pelos 'cabelos', pela 'barba' e pela 'calvície' na Palavra, como em Isaías: "Naquele tempo o Senhor tosquiará (...) pelo rei da Assíria, a cabeça, e os pelos dos pés, e também a barba consumirá" (Isa. 7:20). No mesmo: "Em todas as cabeças há calvície, e toda barba é rapada" (Isa. 15:2). Em Jeremias: "Pereceu a verdade, e foi cortada da boca deles; tonsura o cabelo e lança-o fora" (Jr. 7:28, 29). Em Ezequiel: "Toma uma navalha e passa sobre a cabeça e a barba" (Ez. 5:1); No mesmo: "Em toda face haverá vergonha, e em todas as cabeças a calvície" (Ez. 7:18). No mesmo: "Toda cabeça se tornou calva" (Ez. 29:18). Em Amós: "Farei subir (...) a calvície sobre toda cabeça" (Am. 8:10). Em David: "Deus ferirá a cabeça dos inimigos, o topo dos cabelos dos que andam em culpa" (Sl. 68:21). Nestas e em outras passagens, por 'tonsurar a cabeça', 'rapar a barba' e 'fazer-se calvo' é significado privar de todo vero e bem, pois o que é privado dos últimos é também privado dos anteriores, pois os anteriores existem e subsistem nos últimos, como acima foi dito. No mundo espiritual também aparecem uns que são calvos, e fui instruído que são assim os que abusaram da Palavra e aplicaram o sentido da letra, que é o Divino Vero nos últimos ali, às coisas nefandas e, assim, foram privados de todo vero. São, também, maliciosíssimos; muitos deles são da nação babilônica. Os anjos, porém, aparecem com decentes cabeleiras.