. (Vers. 8) "E ao anjo da Igreja em Esmirna, escreve". Que isto signifique para recordação daqueles que estão na igreja, que querem entender a Palavra e ainda não entendem, e, assim, ainda estão em poucas cognições do vero e do bem, os quais, todavia, desejam de coração, vê-se pela significação de 'escrever', que é para recordação (como acima, nº 95); e pela significação de 'ao anjo da Igreja em Esmirna' que são aqueles que, na igreja, querem entender a Palavra e ainda não entendem, e, assim, estão em poucas cognições do vero e do bem, os quais, todavia, desejam de coração. Que estes sejam entendidos pelo 'anjo da Igreja em Esmirna' vê-se pelas coisas que foram escritas a esse anjo, que se seguem, pois de nenhum outro modo se pode saber o que se entende pelo anjo de cada igreja, senão pelo que foi escrito a ele, no sentido interno.
[2] Nas palavras ditas ao anjo da Igreja de Éfeso, citadas há pouco, acima, foram descritos aqueles que estão nas cognições do vero e do bem e não ao mesmo tempo, ou ainda não, na vida segundo as cognições. Agora, descrevem-se aqui aqueles que estão nas cognições do vero e do bem ao mesmo tempo que estão na vida segundo as cognições. Por conseguinte, estes últimos são os que estão na afeição do vero por uma origem espiritual, enquanto os primeiros são os que estão na afeição do vero por uma origem natural. Os que estão na afeição do vero por uma origem natural visam primeiramente a si mesmos e ao mundo e, assim, são naturais; mas os que estão na afeição do vero por uma origem espiritual visam primeiramente ao Senhor e ao céu e, assim são espirituais. A afeição ou amor do homem ou olha para baixo ou olha para cima; os que visam a si e ao mundo olham para baixo, mas os que visam ao Senhor e ao céu olham para cima. Os interiores do homem, que pertencem à sua mente, realmente olham para onde está seu amor ou afeição, pois o amor os determina, e qual é a determinação dos interiores do homem que são de sua mente, tal permanece o homem na eternidade, após a morte. Olhar para baixo ou para cima é fazê-lo pelo amor por meio do entendimento, assim, pelas coisas que formam e fazem o entendimento, que são as cognições do vero e do bem.
[3] Foi dito que as coisas escritas ao anjo da Igreja em Éfeso tratam daqueles que, na igreja, estão nas cognições do vero e do bem e ainda não ao mesmo tempo na vida segundo esses conhecimentos, assim, os que estão na afeição do vero por uma origem natural; e foi dito que, agora, as coisas escritas ao anjo da Igreja em Esmirna tratam daqueles que estão nas cognições do vero e do bem e ao mesmo tempo na vida segundo esses conhecimentos, assim, daqueles que estão na afeição do vero por uma origem espiritual. A razão disso é que aquele é o primeiro estado da igreja e este é o segundo, pois ninguém pode ser introduzido na igreja e ser formado para o céu a não ser por meio das cognições da Palavra; sem eles o homem não conhece o caminho para o céu, e sem eles o Senhor não pode habitar nele. Pode-se saber que sem as cognições do vero e do bem provenientes da Palavra ninguém sabe coisa alguma a respeito do Senhor, do céu angélico, da caridade e da fé. O que o homem não sabe, nisso ele não pode pensar; assim, não pode querer nem, por conseguinte, crer e amar isso; daí é evidente que o homem aprende o caminho do céu por meio das cognições. Também se pode saber que sem as cognições do vero e do bem provenientes da Palavra o Senhor não pode estar presente e conduzir o homem, pois naquele que nada sabe a respeito do Senhor, do céu, da caridade e da fé, a sua mente espiritual, que é a mente superior e deve ver pela luz da céu, é vazia e nada tem do Divino em si; e, no entanto, o Senhor não pode estar no homem senão naquilo que é Seu nele, isto é, nas coisas que procedem d'Ele. Assim é que se diz que o Senhor não pode habitar no homem a não ser que o homem esteja nas cognições do vero e do bem provenientes da Palavra e, assim, na vida. Daí se segue, como resumo, que o homem natural não pode de forma alguma se tornar espiritual sem as cognições do vero e do bem provenientes da Palavra.
[4] Que pelo 'anjo da Igreja em Esmirna' sejam entendidos aqueles que, na igreja, querem entender a Palavra e ainda não entendem, e, assim, estão ainda em poucas cognições do vero e do bem, os quais, todavia, desejam, é porque esses estão na afeição do vero espiritual. E os que estão na afeição do vero espiritual também estão na vida de caridade, pois daí há para eles a afeição espiritual. O espiritual não existe para o homem de nenhuma outra origem senão da caridade. Os que estão nessa afeição aplicam-se à Palavra e nada desejam mais do que entendê-la, e como há ali coisas inumeráveis que eles não entendem, porquanto a Palavra é espiritual em seu seio, e isto inclui arcanos infinitos, por isso o homem, enquanto ainda vive no mundo e então vê pelo homem natural, pouco pode estar nas cognições do vero e do bem, mas somente nos mais gerais, nos quais podem, não obstante, serem implantadas coisas inumeráveis quando ele vier ao mundo espiritual ou céu. O homem que está na afeição do vero por uma origem espiritual sabe muito mais do que conhece, pois as cognições gerais que estão nele são como vasos que podem ser cheios de muitas coisas e também são realmente cheios quando ele vem ao céu.
[5] Que isto seja assim, pode-se saber somente pelo fato de que todos os anjos que há no céu são procedentes do gênero humano e, todavia, a sabedoria deles é tal que é descrita por coisas inefáveis e incompreensíveis, como se sabe. (Que os anjos do céu não venham de outra origem senão do gênero humano, vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 311-317, e no opúsculo Do Juízo Final, nºs 14-22). Esse enchimento de inteligência e de sabedoria é o que se entende pelas palavras do Senhor em Lucas:
"Medida boa, recalcada, sacudida e transbordando vos deitarão no regaço" (Lc. 6:38);
em Mateus:
"Ao que tem, ser-lhe-á dado, para que tenha em abundância" (Mt. 13:12; 25:29);
e em Lucas:
Disse o Senhor ao servo que da mina que lhe foi dada adquiriu dez minas: "Como no pouco foste fiel, terás autoridade sobre dez cidades" (Lc. 19:16, 17);
aí, por 'dez' é significado o muito e o pleno, e pelas 'cidades', a inteligência e a sabedoria. (Que 'dez' signifique o muito e o pleno, vê-se nos nºs 1988, 3107 e 4638; e que as 'cidades' signifiquem as coisas que pertencem à inteligência e à sabedoria, nºs 2449, 2712, 2943, 3216, 3584, 4492, 4493 e 5297).
[DOWNLOAD]
[VERSAO IMPRESSA]
Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.