. "Isto diz o Primeiro e o Último". Que isto signifique o Senhor que, pelo Divino Humano, governa todas as coisas, desde as primeiras e por meio das últimas, vê-se pela significação de 'Primeiro e Último' quando se refere ao Senhor, que é o que governa todas as coisas, desde as primeiras e por meio das últimas (de que se tratou acima, nº 41). Que seja o Senhor quanto ao Divino Humano que aqui e na seqüência fala aos anjos das Igrejas, pode-se ver pelo capítulo precedente, onde coisas semelhantes foram ditas a respeito do Filho do homem, e o Filho do homem é o Senhor quanto ao Divino Humano (vide acima, nº 63). Isto é claramente evidente pela coleção de expressões, a saber, no capítulo precedente o Filho do homem é descrito sendo Visto "no meio de castiçais de ouro (...) tendo na Sua mão direita sete estrelas" (Ap. 1:13, 16); estas mesmas coisas introduzem o que foi escrito ao anjo da Igreja em Éfeso, nestes termos: "Isto diz Aquele que tem as sete estrelas na Sua mão direita, Aquele que anda no meio dos castiçais de ouro" (vers. 1 deste capítulo). [2] No capítulo precedente o Filho do homem foi descrito assim: "Eu sou o Primeiro e o Último, e o que vive, e fui morto, e eis que vivo no século dos séculos" (Ap. 1:17-18); estas palavras introduzem aqui o que foi escrito ao anjo da Igreja em Esmirna, nestes termos: "Isto diz o Primeiro e o Último, que foi morto e vive" (vers. 8). No capítulo precedente o Filho do homem é descrito assim: "De Sua boca foi vista sair uma espada larga, afiada, de dois gumes" (Ap. 1:16); isto introduz o que foi escrito ao anjo da Igreja em Pérgamo, nestes termos: "Isto diz Aquele que tem a espada larga, afiada, de dois gumes" (Ap. 1:12). No capítulo precedente o Filho do homem foi visto ter: Olhos como chama de fogo, e pés semelhantes ao latão reluzente, como que inflamados numa fornalha" (Ap. 1:1 4-15); estas palavras introduzem o que foi escrito ao anjo da Igreja em Tiatira, nestes termos: "Isto diz o Filho de Deus, que tem Seus olhos como chama de fogo, e Seus pés semelhantes ao latão reluzente" (AP. 1:18). [3] Ocorre semelhantemente antes do que foi escrito aos anjos das três Igrejas restantes, de que se trata no capítulo seguinte. Por aí se pode ver que é o Filho do homem que diz as coisas que são escritas às igrejas. E como pelo 'Filho do homem' se entende o Senhor quanto ao Divino Humano (como se mostrou acima, nº 63), segue-se que todas as coisas que foram escritas às igrejas vêm do Divino Humano do Senhor. E daí também se segue que o Divino Humano é tudo em todas as coisas da igreja, assim como é tudo em todas as coisas do céu. Aqui, também, pelo fato de ser o 'Primeiro e o Último', é significado que o Senhor, pelo Seu Divino Humano, governa todas as coisas, desde as primeiras, por meio das últimas. Que o Senhor quanto ao Divino Humano seja tudo em todas as coisas do céu, vide, na obra O Céu e o Inferno, os nºs 7-12, 78-86 e as restantes ali. E como o Senhor é tudo em todas as coisas do céu, é, também, tudo em todas as coisas da igreja, pois a igreja é o reino do Senhor nas terras. Posso assegurar que ninguém que está na igreja e não reconhece o Senhor pode entrar no céu. Reconhecer o Divino do Senhor em Seu Humano é pensar em Seu Divino quando pensa em Seu Humano. A razão por que assim se deve pensar é porque todo o céu procede de Seu Divino Humano, como se pode ver demonstrado na obra O Céu e o Inferno, do princípio ao fim, e acima, na explicação sobre o Apocalipse, nºs 10, 49, 52, 82.