. "Mas sinagoga de Satanás". Que isto signifique a doutrina de todos os falsos com eles, pode-se ver pela significação de 'sinagoga', que é a doutrina (de que se tratará a seguir) e pela significação de 'Satanás', que é o inferno de que procedem todos os falsos. Há dois gêneros de inferno, um em que se acham os que estão nos males e outro em que se acham os que estão nos falsos do mal. O inferno em que se acham os que estão nos males se chama, numa palavra, diabo; e o inferno em que se acham os que estão nos falsos do mal se chama, numa palavra, Satanás. Que os infernos sejam nomeados assim é o que ignoram aqueles que nada sabem a respeito dos infernos e que a respeito do diabo adquiriam a noção de que fora criado como anjo de luz e, por se tornar rebelde, foi precipitado com sua turba e, assim, fez-se o inferno. Que os infernos se chamem 'diabo' e 'Satanás', vê-se, na obra O Céu e o Inferno, os nºs 311, 544 e 553; e, no opúsculo Do Juízo Final, no capítulo onde se mostrou que o céu e o inferno provêm do gênero humano, nºs 14-112). [2] Além disso, cumpre saber que todos os bens e veros são procedentes do céu desde o Senhor, assim como todos os males e falsos procedem dos infernos. Quem crê que os bens e veros venham de outra parte senão dos céus desde o Senhor está muito enganado. O homem é somente um receptáculo deles e para onde se volta daí recebe; se se volta para o céu, o que se faz pelos bens do amor e veros da fé, então recebe do Senhor os bens e veros; mas, se se volta para o inferno, o que se faz pelos males do amor e falsos da fé, então recebe dos infernos os males e falsos. Ora, visto que todos os males e falsos são provenientes dos infernos, e os infernos são chamados, numa palavra, ou diabo ou Satanás, segue-se que pelo 'diabo' são também significados todos os males, e por 'Satanás', todos os falsos. Daí é, agora, que pela 'sinagoga de Satanás' é significa a doutrina de todos os falsos. [3] A 'sinagoga' significa a doutrina porque na sinagoga se ensinava e ali também eram resolvidas as disputas doutrinais. Que se ensinava nas sinagogas, é evidente em Mt. 4:23; 9:35; 13:54; Mc. 1:21, 22, 29, 39; 6:2; Lc. 4:15, 16, 44; 13:10, 14; Jo. 18:20. Que as disputas doutrinas eram resolvidas nas sinagogas, pode-se concluir pelo que se diz em Mt. 10:17; Mc. 13:9; Lc. 12:11; 21:12; Jo. 9:22; 12:42; 16:2, 3. Que tenha havido uma doutrina de todos os falsos na nação judaica pode-se ver pelas muitas coisas que se conhecem a respeito dessa nação, a saber, negaram o Senhor, quiseram um Messias cujo reino estivesse na terra e os promovesse acima de todas as nações no mundo, puseram todo culto nos externos e rejeitaram os internos do culto que pertencem à fé e ao amor para com o Senhor, e aplicavam a si todas as coisas na Palavra e a esta falsificaram pelas tradições que inventavam (vide Mt. 15:6-9; Mc. 7:1-13). Além disso, a qualidade dessa nação quanto aos seus interiores, desde o início, pode ser vista pelo cântico de Moisés (Dt. 32) e por outras passagens, além das que foram referidas, dos Arcanos Celestes, na Doutrina da Nova Jerusalém, nº 248).