. (Vers. 12) "E ao anjo da Igreja em Pérgamo escreve". Que isto signifique para recordação daqueles que na igreja estão em tentações vê-se pela significação de 'escrever', que é para recordação (de que se trata no nº 8620); pela significação de 'anjo', que é o que recebe o Divino Vero e, no sentido supremo, o Divino Vero mesmo procedente do Senhor (de que se tratará a seguir); e pela significação de 'Igreja em Pérgamo' que são aqueles que na igreja estão em tentações. Que estes sejam os que se entendem pela 'Igreja em Pérgamo' é evidente pelas coisas que foram escritas a ela, as quais se seguem; de outro modo não se pode saber o que é significado por cada uma das sete Igrejas. Porque, como se mostrou acima, não se entende aqui igreja alguma em Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia, mas todos aqueles que são da igreja do Senhor e, por cada uma delas, algo que faz a igreja no homem. E visto que a primeira coisa da igreja são as cognições do vero e do bem e a afeição do vero espiritual, por isso se trata disso em primeiro lugar, a saber, nos escritos ao anjo da Igreja em Éfeso e ao da Igreja em Esmirna; das cognições do vero e do bem no que foi escrito ao anjo da Igreja em Éfeso e da afeição do vero espiritual no que foi escrito ao anjo da Igreja em Esmirna. E visto que ninguém pode se imbuir das cognições do vero e do bem quanto à vida e persistir na afeição do vero espiritual a menos que suporte tentações, por isso se trata a este respeito nos escritos à Igreja em Pérgamo. Daí aparece a ordem em que se seguem as coisas que são ensinadas sob os nomes das sete igrejas. [2] A razão por que se diz 'ao anjo da Igreja escreve' e não 'à igreja' é que pelo 'anjo' é significado o Divino Vero, que faz a igreja, pois o Divino Vero ensina de que maneira o homem deve viver para que se torne uma igreja. Que pela 'anjo', na Palavra, em seu sentido espiritual, não se entenda anjo algum, mas, no sentido supremo, o Divino Vero procedente do Senhor e, no sentido relativo, aquele que o recebe, pode-se ver pelo fato de que todos os anjos são recipientes do Divino Vero procedente do Senhor, e que nenhum anjo é anjo por si, mas é anjo na proporção que o recebe. Porque os anjos, mais do que os homens, sabem e percebem que todo bem do amor e todo vero da fé não vem deles mesmos, mas do Senhor. E como o bem do amor e o vero da fé fazem a sua sabedoria e inteligência, e estas são o anjo todo, por isso sabem e dizem que são somente recipientes do Divino procedente do Senhor e, assim, são anjos no grau em que o recebem. Assim é que querem que 'anjos' seja entendido espiritualmente, que é abstratamente das pessoas, a saber, os Divinos Veros. Pelo Divino Vero se entende ao mesmo tempo o Divino Bem, porquanto procedem unidos do Senhor (vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 13 e 140). [3] Ora, como o Divino Vero procedente do Senhor faz o anjo, por isso, no sentido supremo na Palavra, pelo 'anjo' se entende o Senhor mesmo, como em Isaías: "O Anjo das faces de JEHOVAH os livrou; no Seu amor e na Sua compaixão Ele os redimiu e os tomou, e os carregou todos os dias da eternidade" (Is. 63:9); em Moisés: "O anjo que me remiu de todo mal" os "abençoe" (Gn. 48:16); no mesmo: "Eis que envio um Anjo diante de ti, para te guardar no caminho (...) tem cuidado diante de Suas faces, porque Meu nome está no meio d'Ele" (Êx. 23:20-23). [4] Como o Senhor, quanto ao Divino Vero, é chamado 'Anjo', por isso também os Divinos veros no sentido espiritual se entendem pelos 'anjos', como nas seguintes passagens: "O Filho do homem enviará os Seus anjos, que ajuntarão de Seu reino todas as coisas que servem de tropeço; (...) na consumação do século, os anjos sairão e separarão os maus do meio dos justos" (Mt. 13:41, 49); Na consumação do século, o Filho do homem "enviará os Seus anjos com grande voz de trombeta, e reunirá os eleitos desde os quatro ventos" (Mt. 24:31); "Quando o Filho do homem vier em Sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então Se assentará no trono de Sua glória" (Mt. 25:31); Disse Jesus: "Doravante vereis o céu se abrindo, e os anjos de Deus descendo e subindo sobre o Filho do homem" (Jo. 1:51). Nessas passagens, no sentido espiritual, pelos 'anjos' se entendem os Divinos veros e não os anjos, assim como nas passagens anteriores, que na consumação do século 'os anjos ajuntarão todas as coisas que servem de tropeço', 'os maus serão separados do meio dos justos', 'os eleitos serão ajuntados dos quatro ventos com grande voz de trombeta' e que 'o Filho do homem com os anjos Se assentará no trono da glória'. Aí não se entende que os anjos fariam isso em união com o Senhor, mas que só o Senhor o faria por Seus Divinos veros, porquanto os anjos não têm poder alguma por si mesmos, mas todo poder pertence ao Senhor por Seu Divino Vero (vide na obra O Céu e o Inferno, nºs 230-233. O mesmo se entende pelo fato de que 'os anjos seriam vistos subindo e descendo sobre o Filho do homem', a saber, que os Divinos veros estão n'Ele e vêm d'Ele. [5] Em outras passagens, também, pelos 'anjos' se entendem os Divinos veros que vêm do Senhor, por conseguinte, o Senhor quanto aos Divinos veros; por exemplo: Que aos sete anjos foram dadas sete trombetas e que esses anjos tocaram as trombetas (Ap. 8:2, 6-8, 10, 12, 13; 9:1, 13, 14). Diz-se que foram dadas trombetas aos anjos e que eles as tocaram, porque pelas 'trombetas' e o 'clangor' delas é significado o Divino Vero que deve ser revelado (vide acima, nº 55). Coisa semelhante também se entende Pelos anjos combatendo contra o dragão (Ap. 12:7, 9); Pelo anjo voando no meio do céu, tendo o Evangelho eterno (Ap. 14:6); Pelos sete anjos derramando sete taças (Ap.16:1-4, 8, 10, 12); Pelos doze anjos sobre as doze portas da nova Jerusalém (Ap. 21:12). Que isto seja assim, ver-se-á na seqüência. [6] Que pelos 'anjos' se entendam os Divinos veros que são provenientes do Senhor vê-se claramente em David: JEHOVAH "faz de Seus anjos, ventos, e de Seus ministros um fogo inflamado" (Sl. 104:4), que significa o Divino Vero e o Divino Bem, pois o 'vento' de JEHOVAH, na Palavra, significa o Divino Vero, e Seu 'fogo' o Divino Bem. (É como se pode ver pelas coisas mostradas nos Arcanos Celestes, por exemplo, que o 'vento das narinas' de JEHOVAH é o Divino Vero, nº 8286; que os 'quatro ventos' são todos os veros e bens, nºs 3708, 9642 e 9668; que, assim, 'respirar', na Palavra, significa o estado da vida da fé, nº 9281, do que é evidente o que é significado por JEHOVAH' soprou' nas narinas de Adão (Gn. 2:7); O Senhor 'soprou' sobre os discípulos (Jo. 20:22); E por ser dito que 'o vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem' (Jo. 3:8), a cujo respeito se vê nos nºs 96, 97, 9229, 9281 e, além disso, nos nºs 1119, 3886, 3887, 3889, 3892 e 3893. Que o 'fogo inflamado' seja o Divino Amor e, daí, o Divino Bem, vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 133-140, 566-568, e, acima, nº 68). [7] Que o 'anjo' signifique o Divino Vero procedente do Senhor vê-se claramente pelo seguinte, no Apocalipse: "Mediu o muro" da Nova Jerusalém "cento e quarenta e quatro côvados, medida de homem, que é a do anjo" (Ap. 21:17); que o muro de Jerusalém não seja 'medida de anjo', qualquer um pode ver, mas são todos os veros que protegem, os quais se entendem ali pelo 'anjo', o que é evidente pela significação do 'muro de Jerusalém' e pela significação do número 'cento e quarenta e quatro'. (O 'muro' significa todos os veros que protegem, vê-se no nº 6419; o número 'cento e quarenta e quatro' significa todos os veros em conjunto, nº 7973; a 'medida' significa a qualidade da coisa quanto ao vero e ao bem, nºs 3104, 9603 e 10262. Vide, também, essas coisas explicadas quanto ao sentido espiritual no opúsculo Da Nova Jerusalém e sua Doutrina, nº 1). [8] Visto que pelos 'anjos', na Palavra, são significados os Divinos Veros, por isso os homens pelos quais os Divinos veros [são ensinados] são chamados 'anjos', como em Malaquias: "Os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento [scientiam], e de sua boca busquem a lei, porque anjo de JEHOVAH é ele" (Ml. 2:7); ele é chamado 'anjo de JEHOVAH' pelo fato de ensinar o Divino Vero; não que ele seja um anjo de JEHOVAH, mas o Divino Vero que ele ensina. Sabe-se também, na igreja, que ninguém pode estar no Divino Vero por si. Os 'lábios', aí, também significam a doutrina do vero, e a sua 'lei' o Divino Vero mesmo. (Que os 'lábios' signifiquem a doutrina do vero, vê-se nos nºs 1286 e 1288; e que a 'lei' signifique o Divino Vero mesmo, nºs 3382 e 7463). [9] Assim é, também, que João Batista foi chamado 'anjo': Jesus disse: Ele é aquele de quem está escrito: Eis que envio Meu anjo diante de Tua face, que preparará o Teu caminho diante de Ti" (Lc. 7:27). A razão por que ele foi chamado 'anjo' é que por ele, no sentido espiritual, é significada a Palavra, que é o Divino Vero, igualmente a Isaías (vê-se nos 7643 e 9372). E, o que é significado, isto se entende pela pessoa na Palavra (vê-se nos nºs 665, 1097, 1361, 3147, 3670, 3881, 4208, 4281, 4288, 4292, 4307, 4500, 6304, 7048, 7439, 8588, 8788, 8806 e 9229). [10] Foi dito que pelos 'anjos', na Palavra, em seu sentido espiritual, se entendem os Divinos veros procedentes do Senhor, porque esses fazem os anjos; e quando eles os pronunciam, não os pronunciam por si, mas pelo Senhor. Que isto seja assim, os anjos não somente sabem, mas também percebem. O homem que crê que nada da fé vem de si mesmo, mas de Deus, também sabe isso, mas não o percebe. Que nada da fé proceda do homem, mas tudo de Deus, é porque nada do vero, que tenha vida, vem do homem, mas de Deus, pois o vero pertence à fé e a fé pertence ao vero.