. "E as tuas obras, e as últimas mais numerosas que as anteriores". Que isto signifique os externos provenientes daí vê-se pela significação de 'obras', que são os externos em que estão os internos, pois as obras são os últimos efeitos em que os internos juntamente se apresentam e ali estão em série, formando seu último e seu pleno. Chamam-se internos às coisas que pertencem ao pensamento e à vontade, e, falando espiritualmente, as coisas que são do amor e da fé. Estas estão nas obras, donde as obras são os últimos. (Os interiores que pertencem à mente influem sucessivamente nos externos até os extremos ou últimos e aí existem e subsistem, como se vê nos nºs 634, 6239, 6465 e 9215-9216; também formam no último o simultâneo, em que série, nºs 5897, 6451 e 8603; todo o homem está nos atos ou nas obras, e aquilo que está somente no querer e não no fazer ainda não existe, quando o homem pode fazer, como se vê na obra O Céu e o Inferno, nºs 465 e 476).
[2] A isto quero acrescentar um arcano que ainda não se conhece. Após a morte, o espírito do homem aparece numa forma humana tal qual foi a vida de sua afeição no mundo; numa forma bela se esteve na vida de amor celeste e numa forma não bela se esteve na vida de amor terrestre. Daí é que os anjos são formas do amor e da caridade. Mas eles não têm uma forma tão bela pela afeição do pensamento e da vontade somente, mas pelas afeição do pensamento e da vontade nos feitos ou nas obras, pois os feitos ou obras pela afeição da vontade e do pensamento, ou do amor e da fé, fazem a aparência externa do espírito, por conseguinte, a beleza de sua face, seu corpo e sua linguagem. A razão disso é que, assim como os interiores terminam nos atos ou obras como em seus externos, também terminam na forma externa do corpo, pois é notório que tudo o que é da vontade do homem termina nos extremos do corpo. A parte na qual não termina a vontade não é uma parte do corpo, como é evidente até pelos menores atos do corpo, os quais fluem todos do gesto da vontade e apresentam-se nos extremos no corpo (vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 59, 60, e no opúsculo Do Juízo Final, nºs 30, 31).
[3] A mesma coisa pode ser vista no fato de que o espírito é inteiramente como a sua vontade e não como a sua vontade que não vai para o ato quando pode - essa vontade é somente um pensamento, no qual aparece como o querer - mas é como uma vontade real que não deseja outra coisa senão agir. Essa vontade é a mesma coisa que o seu amor; segundo ela é o espírito e a sua forma humana. A vontade ou o amor é o espírito mesmo, como se vê acima, nº 105, e na obra O Céu e o Inferno, nº 479, donde procede que se diz tantas vezes na Palavra que o homem deve 'praticar os preceitos' e que ele é retribuído segundo os 'feitos', isto é, segundo o amor no feitos, mas não segundo o amor sem os feitos, se os pode fazer.
[4] Diz-se 'conheço as tuas obras, e as últimas mais numerosas que as anteriores'. Pelas 'últimas, mais numerosas' se entende que são mais plenas de amor após a conjunção do homem interno com o externo, porque quanto mais o interno é conjunto ao externo, mais existe do que é interno nos externos, conseqüentemente, nos feitos ou nas obras, pois os externos ou obras não são outra coisa senão os efeitos dos interiores que pertencem à vontade e, daí, ao pensamento. E os efeitos tiram tudo o que é seu dos internos, pelos quais existem, assim como o movimento de seu esforço. O esforço no homem é a vontade, e o movimento daí é a ação.
[5] Pelas coisas que foram explicadas neste versículo pode-se ver em que ordem é descrita a conjunção do interno com o externo no homem da igreja, a saber, o interno por 'conheço as tuas obras e a tua caridade'; o bem do interno e o seu vero por 'teu ministério e tua fé'; a conjunção do interno com o externo pela 'perseverança'; e os externos provenientes daí por 'conheço as tuas obras, e as últimas mais numerosas que as anteriores'. Mas que essas coisas estejam envolvidas nessas palavras, ninguém pode ver pelo sentido da letra, mas pelo sentido espiritual que se encerra no sentido da letra.
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