. "E todos [os da igreja] conhecerão que Eu sou o que esquadrinha os rins e os corações". Que isto signifique o conhecimento por parte de todos os que são da igreja de que somente o Senhor conhece e examina os exteriores e os interiores que são da fé e do amor vê-se pela significação de 'esquadrinhar', quando se trata do Senhor, que é que somente Ele sabe e examina; pela significação de 'rins', que são os veros da fé e a purificação deles quanto aos falsos (de que se tratará a seguir); e pela significação de 'corações', que são os bens do amor. Que o 'coração' signifique o bem do amor é porque há duas coisas que reinam no homem das quais vem a vida de seu corpo, a saber, o coração e o pulmão. E como todas as coisas que há no corpo do homem correspondem àquelas que há em sua mente, também há ali duas coisas que reinam, a saber, a vontade e o entendimento. Esses dois reinos da mente correspondem aos dois reinos do corpo, ou seja, a vontade ao coração e sua pulsação, e o entendimento ao pulmão e sua respiração. Sem essa correspondência o corpo não vive, nem mesmo quanto a uma partícula sua. Como o coração corresponde à vontade, também corresponde ao bem do amor; e como o pulmão corresponde ao entendimento, também corresponde aos veros da fé. Dessa correspondência é que o 'coração' significa o amor e a 'alma' significa a fé. Daí vem que se dizem tantas vezes na Palavra 'de coração' e 'da alma', pelo que se entende pelo amor e pela fé. (Como, porém, tratou-se muitas vezes dessa correspondência nos Arcanos Celestes, elas se vêem ali mostradas mais plenamente, ou seja, que o 'coração', na Palavra, significa o amor e, porque significa o amor, também significa a vontade, nºs 2930, 3313, 7542, 8910, 9050, 9113 e 10336; o coração corresponde às coisas que são do amor no homem, e o pulmão às coisas que são da fé nele, nºs 3883-3896; no céu há uma pulsação como a do coração e uma respiração como a do pulmão, nºs 3884, 3885 e 3887; a pulsação do coração ali é segundo o estado do amor, e a respiração do pulmão segundo o estado da fé, nºs 3886-3889; o influxo do coração no pulmão se dá como o influxo no bem no vero e também como o influxo da vontade no entendimento, e ainda segundo o influxo do amor na fé; há semelhantes comunicações e conjunções, nºs 3884, 3887-3889, 9300 e 9495; sobre o influxo do céu no coração e no pulmão, pela experiência, nº 3884; segundo essa correspondência, na Palavra, 'de coração' e 'da alma' significam pelo amor e pela fé, nºs 2930 e 9050). Que a conjunção do espírito do homem com o seu corpo seja por meio da respiração do pulmão e da pulsação do coração, e que, por isso, cessando estes, o homem morra quanto ao corpo mas viva quanto ao espírito, vê-se na obra O Céu e o Inferno; e que, quando cessa a pulsação do coração, o espírito se separe, em virtude de o coração corresponder ao amor, que é o calor vital, vê-se no nº 447, além de outras coisas sobre essa correspondência que se vêem ali, nº 95. Que os 'rins' signifiquem os veros da fé e a purificação deles quanto aos falsos é porque a purificação do sangue acontece nos rins, e pelo 'sangue', na Palavra, é significado o vero (vê-se nos nºs 4735 e 9127); a mesma coisa é também significada pelo órgão que purifica. Também, toda purificação quanto aos falsos se faz por meio dos veros. Daí é evidente o que significa na Palavra que JEHOVAH ou o Senhor 'esquadrinha os corações e os rins', isto é, que Ele examina os veros da fé e os bens do amor, e os separa dos falsos e males. [2] Isto é significado pelos 'rins' nas passagens seguintes. Em Jeremias: "JEHOVAH Zebaoth, Juiz de justiça que prova os rins e o coração" (Jr. 11:20); no mesmo: "Plantaste-os, também se arraigaram; medram, também dão fruto; Tu [estás] perto da sua boca, e longe dos seus rins; JEHOVAH (...) ver-me-ás, e provarás meu coração" (Jr. 12:2, 3); 'perto da boca e longe dos rins' é o vero somente na memória e, daí, em algum pensamento quando o homem fala, mas não na vontade e, daí, no ato. É o vero na vontade e, daí, no ato, que separa e dissipa os falsos. O vero na vontade e, daí, no ato, é querer e fazer o que o homem sabe e pensa ser o vero. É esse vero em particular que se entende pelos 'rins'. [3] No mesmo: "Eu, JEHOVAH, que esquadrinho o coração e provo os rins, e para dar a cada um segundo os seus caminhos, e segundo o fruto de suas obras" (Jr. 17:10); 'esquadrinhar o coração' é purificar o bem separando o mal; 'provar os rins' é purificar o vero separando o falso; por isso se diz 'para dar a cada um segundo os seus caminhos, e segundo o fruto de suas obras'; 'caminhos' são os veros que pertencem à fé, e 'fruto das obras' são os bens que pertencem ao amor. (Os 'caminhos' são os veros que pertencem à fé, como se vê acima, nº 97; e o 'fruto das obras' são os bens que pertencem ao amor, nºs 98, 109 e 116). [4] No mesmo: "JEHOVAH Zebaoth, que prova o justo, que vê os rins e o coração" (Jr. 20:12); e em David: "Estabelece o justo, pois quem prova os corações e os rins é o Deus justo" (Sl. 7:9); o 'justo' está em lugar dos que amam praticar o vero e o bem; os veros e os bens desses são purificados pelo Senhor, o que se entende por 'que vê' e 'que prova os rins e os corações'. Em David: "Prova-me, JEHOVAH, e tenta-me; examina meus rins e meu coração" (Sl. 26:2); visto que os veros são separados dos falsos e os bens são separados dos males por meio de tentações, por isso se diz 'tenta-me'. No mesmo: "Agravado [está] o meu coração, e dou-me picadas em meus rins; mas eu sou tolo, nada conheço" (Sl. 73:21, 22); por essas palavras se descreve a infestação do bem por parte do mal e do vero por parte do falso. No mesmo: "Eis que desejas a verdade nos rins, e no oculto me fazes conhecida a sabedoria" (Sl. 51:6); aqui, os 'rins' são expressos por outro vocábulo na língua original, o qual envolve tanto a separação entre os falsos e os veros quanto entre os males e os bens; daí é evidente que pelos 'rins' são significadas a purificação e a separação. [5] No mesmo: "Bendirei JEHOVAH, que me aconselhou; também nas noites os meus rins me repreendem" (Sl. 16:7); as 'noites' significam o estado do homem quando os falsos se levantam; o combate que então há dos veros com eles é significado por 'repreendem-me os rins'. No mesmo: "Mesmo as trevas não fazem trevas diante de Ti, mas a noite é clara como o dia; como as trevas assim é a luz; pois Tu possuis os meus rins (...) não se escondeu de Ti o meu osso39, quando no oculto fui formado" (Sl. 139:12, 13, 15); 'trevas' são os falsos, e 'luz' são os veros; 'possuir os rins' é conhecer os falsos e os veros no homem; daí se diz 'não se escondeu de Ti o meu osso, quando no oculto fui formado', pelo que é significado nenhum falso que se fez ficou escondido. (As 'trevas' são os falsos e a 'luz' são os veros, como se vê na obra O Céu e o Inferno, nºs 126-140; e o 'osso' é o vero no último da ordem e, no sentido oposto, o falso; vê-se nos Arcanos Celestes, nºs 3812, 5560, 5565, 6592 e 8005). [6] Porquanto os 'rins' significavam os veros purificados dos falsos, por isso nos sacrifícios se queimavam somente as gorduras e os rins (vê-se em Êx. 29:13; Lv. 3:4, 10, 15; 4:9 e outras passagens). A razão por que somente as gorduras e os rins eram queimados sobre o altar era porque as 'gorduras' significavam os bens do amor, e os 'rins' os veros da fé. (As 'gorduras' ou 'banhas' significam os bens do amor, como se vê nos nºs 353, 5943, 6409 e 10033; os 'rins' significam os veros da fé que examinam, purificam e rejeitam de si os falsos; isso vem da correspondência, pois todas e cada uma das coisas do corpo correspondem, como se pode ver na obra O Céu e o Inferno, onde em seu capítulo se mostrou que há correspondência de todas as coisas do céu com todas as coisas do homem, nºs 87-102; e, ali, a respeito dos rins, nºs 96 e 97). Quem jamais saberia - a menos que soubesse que há tal correspondência - por que tantas vezes na Palavra se diz de JEHOVAH ou o Senhor que Ele é 'que esquadrinha e prova os rins e o coração? Além disso, a respeito da correspondência dos rins, da uretra e da vesícula, vê-se nos Arcanos Celestes, nºs 5380-5386. 'Esquadrinhar os rins e o coração' significa também examinar os exteriores e os interiores do homem, porque o vero está fora e o bem está dentro; e o bem espiritual, que em sua essência é o vero e significado em particular pelos 'rins', é o bem exterior, enquanto o bem celeste, que é significado em particular pelo 'coração', é o bem interior. (Isto pode ser visto mais claramente pelas coisas que foram mostradas na obra O Céu e o Inferno, nºs 20-26, a respeito do reino espiritual e do reino celeste).