. "E darei a cada um de vós segundo as suas obras". Que isto signifique a bem-aventurança eterna conforme o seu interno no externo vê-se pela significação de 'obras', que são as coisas que pertencem ao amor e, daí, à fé (de que se tratou acima, nºs 98 e 116); e que elas estejam nos feitos ou nas obras, vê-se acima, nº 157; e pela significação de 'dar a cada um segundo a obra', que é a bem-aventurança eterna, pois toda bem-aventurança e todo prazer são do amor e segundo o amor (de que também se tratou acima, nº 146). Aqui, por 'dar a cada um segundo a sua obra' é significada a bem-aventurança eterna segundo o interno no externo, porque aqui se trata daqueles que estão no interno ao mesmo tempo em que no externo, e da conjunção de ambos (vide acima, nº 150). Diz-se bem-aventurança eterna segundo o interno no externo porque toda bem-aventurança do céu no homem, no espírito e no anjo influi pelo interno em seu externo, pois o interno deles é formado para a recepção de todas as coisas do céu, e o externo para a recepção de todas as coisas do mundo. Por esse motivo, a bem-aventurança celeste existe unicamente naqueles em que o interno foi aberto e formado à imagem do céu, mas não naqueles em que o interno foi fechado; a bem-aventurança destes é segundo o prazer da honra, da glória e do ganho, que é o prazer do homem enquanto vive no mundo. (Mas, após a morte, quando o homem se torna espírito, esse prazer é mudado no que lhe é correspondente, que é algo repugnante e medonho, como se vê na obra O Céu e o Inferno, nºs 485-490. E que a bem-aventurança do céu, que se chama regozijo celeste, exista somente naqueles que estão no interno e, daí, no externo, vê-se na mesma obra, nºs 395-414; e sobre o que são o interno e o externo, na Doutrina da Nova Jerusalém, nºs 36-53).