AE 171

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. "E que não conheceram as profundezas de Satanás, como dizem". Que isto signifique o enleamento com eles pode-se ver pelo seguinte: os amores de si e do mundo são os que reinam nos infernos, e esses amores são inteiramente opostos aos amores ao Senhor e para com o próximo, que reinam no céu. 'Satanás', pelo qual se entende o inferno (vê-se acima, nº 120), inspira continuamente os amores de si e do mundo, e esses o homem recebe também pelo prazer, visto que estão nele pelo hereditário e, assim, são o seu proprium; assim o inferno se insinua no homem e o enleia. Estas são as coisas significadas por 'profundezas de Satanás'. Todavia, poucos há que saibam disso, porque esses amores, visto que são o proprium do homem pelo hereditário, arrastam para si mesmos a mente do homem por meio de atrações do prazer e, assim, desviam-na dos prazeres dos amores do céu, a ponto de não saber o que são os prazeres do céu. Esses prazeres, ou seja, dos amores de si e do mundo, são o que fecham o homem interno e abrem o externo; e quanto mais este se abre, mais aquele se fecha, até que finalmente o homem esteja em total escuridão quanto às coisas que são do céu e da igreja, ainda que na claridade quanto às que são de si e do mundo. (Essas coisas, porém, se vêem mais plenamente descritas na obra O Céu e o Inferno, isto é, nos parágrafos nºs 13-19, onde se mostrou que o Divino do Senhor no céu é o amor a Ele e a caridade para com o próximo, como também nos parágrafos nºs 551-565, em que se mostrou que todos os que estão nos infernos acham-se nos males e, daí, nos falsos pelos amores de si e do mundo, e, nos nºs 566-575, onde se mostrou que esses amores são o fogo infernal. Mostrou-se, além disso, na Doutrina da Nova Jerusalém, nºs 65-83, onde se tratou desses dois amores).

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