. "E confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante de Seus anjos". Que isto signifique que estarão no Divino Bem e, daí, no Divino Vero, vê-se pela significação de 'confessar o nome,' que é a fim de que sejam segundo a qualidade do estado da vida deles, pois 'confessar', quando se refere ao Senhor, quer dizer conceder que sejam, pois aquilo que o Senhor diz ou confessa a respeito do homem ou anjo que está no bem do amor e da fé, isso Ele dá e provê, porque todo bem do amor e da fé vem d'Ele. Assim é que 'dizer', na Palavra, quando se trata do Senhor, significa instruir, iluminar e prover, como se vê-nos nºs 5361, 6946, 6951, 7019, 8095, 10234 e 10290. (Que pelo 'nome' se entenda a qualidade do estado da vida vê-se acima, nº 148); pela significação de 'Pai,' quando o Senhor o diz, que é o Divino Bem que está n'Ele e vem d'Ele (de que se tratará a seguir); e pela significação de 'anjos' que é o Divino Vero, que também vem do Senhor (de que se tratou acima', nº 130). Assim, é evidente que por 'confessarei seu nome diante de Meu Pai e diante de Seus anjos' é significado que estarão no Divino Bem e no Divino Vero. [2] Que pelo 'Pai,' quando a Senhor o diz, se entenda o Divino Bem que está no Senhor e vem do Senhor é porque o Senhor chamou de Seu 'Pai' o Divino que estava n'Ele desde a concepção, o qual era o Ser mesmo de Sua vida, Divino esse que Ele uniu ao Seu Humano quando estava no mundo. Que o Divino do Senhor, que estava n'Ele desde a concepção, tenha sido chamado 'Pai,' vê-se claramente pelo fato de o Senhor ter ensinado que Ele é um com o Pai, como em João: "Eu e o Pai somos um" (Jo. 10:30); no mesmo, "Crede que o Pai está em Mim, e Eu no Pai" (Jo. 10:38); no mesmo, "Quem vê a Mim vê o Pai que Me enviou" (Jo. 12:45); no mesmo, "Se conhecêsseis a Mim, também conheceríeis a Meu Pai, e desde agora O conheceis, e O tendes visto. Disse Felipe: Senhor, mostra-nos o Pai (...) Jesus diz: Há tanto tempo estou convosco e não Me conheceste, Felipe? Quem vê a Mim vê o Pai. Como, pois, tu dizes: Mostra-nos o Pai? Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? (...) O Pai que permanece em Mim faz as obras; crede-Me que Eu estou no Pai e o Pai em Mim" (Jo. 14:7-11); no mesmo, "Se Me conhecêsseis, também conheceríeis a Meu Pai" (Jo. 8:19); no mesmo, "Não estou só, porque o Pai está comigo" (Jo. 16:32). [3] Visto que o Senhor é um com o Pai, por isso, também, Ele diz: Que todas as coisas do Pai são Suas, e todas as Suas coisas são do Pai (Jo. 17:10); Que todas as coisas que o Pai tem são suas (Jo. 16:15); Que o Pai deu todas as coisas na mão do Filho (Jo. 3:35; 13:3); Como todas as coisas Lhe foram entregues pelo Pai, [por isso] ninguém conhece o Filho senão o Pai, nem o Pai senão o Filho (Mt. 11: 27; Lc.10: 22); E que ninguém vê o Pai, a não ser o Filho, que está no seio do Pai (Jo.1:18; 6:46); Que a Palavra estava em Deus, e Deus era a Palavra, "e a Palavra se fez Carne" (Jo. 1:1, 2, 14); pelo que também é evidente que são um, pois se diz que 'a Palavra estava em Deus, e Deus era a Palavra'; em seguida, que o Humano do Senhor também é Deus pois se diz: 'E a Palavra se fez Carne'. Como todas as coisas do Pai são também do Senhor, e como são um, por isso o Senhor, quando subiu ao céu, disse aos discípulos: "Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra" (Mt. 28:18), pelo que Ele ensinava que se aproximassem do Senhor, somente, porque só Ele pode todas as coisas, conforme também lhes dissera antes: 'Sem Mim nada podeis fazer' (Jo.15: 5). Assim se vê como se entende estas palavras: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai a não ser por Mim" (Jo. 14:6), a saber, quando alguém se aproxima do Senhor, aproxima-se do Pai. [4] Que o Senhor tenha tantas vezes nomeado o Pai como se fosse outra pessoa, foi por muitas razões, dentre as quais há também esta: é porque pelo 'Pai', no sentido interno ou espiritual se entende o Divino Bem, e pelo 'Filho' o Divino Vero, um e outro no Senhor e vindo do Senhor. De fato, a Palavra foi escrita por correspondências, assim, tanto para os homens quanto para os anjos; por isso, diz-se 'Pai' para que os anjos, que estão no sentido interno da Palavra, percebam o Divino Bem do Senhor, e 'Filho de Deus' e 'Filho do homem', como foi dito, para que eles percebam o Divino Vero. (Como se pode ver pelo que foi mostrado nos Arcanos Celestes, ou seja, que o 'Pai', na Palavra, significa o bem, nºs 3703, 5902, 6050, 7833 e 7834; que o 'Pai' significa a igreja quanto ao bem, assim o bem da igreja, e 'mãe' a igreja quanto ao vero, assim, o vero da igreja, nºs 2691, 2717, 3703, 5581 e 8897; que o Senhor chamou 'Pai' o Divino Bem que estava n'Ele pela concepção, e que era o Ser da vida de onde veio o Seu Humano, nºs 2803, 3704, 7499, 8328 e 8897; que o Senhor é reconhecido como Pai no céu, porque são um, nºs 15, 1729 e 3690; que o Senhor é também referido como 'Pai' na Palavra, nºs 2005; que o Senhor é também o Pai para aqueles que são regenerados, porque estes recebem d'Ele uma nova vida e a vida d'Ele, nºs 2293, 3690 e 6492; que o 'Filho de Deus' e 'Filho do homem' é o Senhor quanto ao Divino Humano e quanto ao Divino Vero procedente, acima, nºs 63, 151 e 166.) Ora, considerando que todos os que vêm ao céu devem estar ao mesmo tempo em um e outro, tanto no bem quanto no vero, pois ninguém pode estar em um sem estar ao mesmo tempo no outro, uma vez que o bem é o ser do vero e o vero é o existir do bem, e considerando que o 'Pai' significa o Divino Bem e 'os anjos ' significam o Divino Vero, ambos proveniente do Senhor, por isso foi dito: 'Confessarei o seu nome diante do Pai e diante de Seus anjos', igualmente ao que se diz nos Evangelhos: "Todo aquele que Me confessar diante dos homens, Eu o confessarei diante de Meu Pai que está nos céus" (Mt. 10:32); "Todo aquele que Me tiver confessado diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus" (Lc. 12: 8). [5] Visto que o 'Pai' significa o Divino Bem e os 'anjos' o Divino Vero, por isso também o Senhor diz: "Quando o Filho do homem vier em Sua glória, do Pai e dos santos anjos" (Lc. 9:26; Mt. 16:27); aqui, o Senhor Se refere à Sua glória como a 'gloria do Pai e dos anjos', pois diz 'em Sua glória, do Pai e dos santos anjos', mas, em outra passagem, diz 'glória do Pai com os anjos' e, ainda em outra passagem, 'Sua glória com os anjos', como em Marcos: "Quando vier na glória de Seu Pai com os santos anjos" (Mc. 8:38); e em Mateus: 'Quando vier em Sua glória, e todos os santos anjos com Ele" (Mt. 25: 31). Como apêndice, deve-se acrescentar aqui que, se se assumir como doutrina e se reconhecer que o Senhor é um com o Pai, e que Seu Humano é Divino pelo Divino n'Ele, ver-se-á luz em cada coisa da Palavra, pois é o que assumido como doutrina e reconhecido pela doutrina está na luz quando a Palavra é lida; o Senhor mesmo, de Quem procede toda luz e a Quem pertence todo o poder, os esclarecerá. Mas se, por outro lado, se assumir como doutrina e se reconhecer que o Divino do Pai é outro que não o Divino do Senhor, não se verá luz em parte alguma da Palavra, porque o homem que está nessa doutrina se volta de um Divino para outro, isto é, do Divino do Senhor que ele pode ver, o que se faz pelo pensamento e pela fé, para o Divino que ele não pode ver, pois o Senhor diz: "Nunca ouvistes a voz do Pai, nem vistes a Sua aparência" (Jo. 5:37; e também 1:18). E é impossível crer num Divino e amar um Divino em que não se pode pensar sob alguma aparência.