. "Dos que se dizem judeus e não são, mas mentem". Que isto signifique os que se crêem estar nos veros, quando, todavia, estão nos falsos vê-se pela significação de "Judah", que, no sentido supremo, é o Senhor quanto ao amor celeste, no sentido interno é o reino celeste do Senhor e a Palavra e, no sentido externo, a doutrina da Palavra que é da igreja celeste (de que se tratou acima, nº 119). Daí é que 'dizer-se judeu' significa crer que se está na doutrina genuína, assim, nos veros mesmos; e pela significação de 'mentir', que é estar nos falsos, pois pela 'mentira', na Palavra, é significado o falso da doutrina (de que se tratou nos nºs 8908 e 9248). Os que estão na fé só e em nenhuma caridade não sabem que estão nos falsos, porque se crêem estar nos veros, quando, todavia, do falso princípio de que a fé, só, salva, fluem falsos numa série contínua, pois um princípio arrasta todas as coisas para seu partido, porque com ele devem ser conexas. Daí é que eles têm tanta ignorância nas coisas do céu e da igreja. Que eles tenham ignorância pode-se ver pelo fato de que não sabem o que é o amor celeste que é o amor ao Senhor, o que é o amor espiritual que é a caridade para com o próximo, o que é o próximo, o que é o bem, o que é conjunção do bem e do vero, o que é a vida espiritual, o que é a afeição espiritual, o que é a consciência, o que é o livre arbítrio, o que é a regeneração, o que é a tentação espiritual, o que é e por que é o Batismo, o que é por que é a Santa Ceia, o que é o sentido espiritual da Palavra, o que é o céu e o inferno e que um e outro provêm do gênero humano e que são muitas outras coisas. De sua ignorância fluem os falsos quando pensam nesses assuntos, pois, como foi dito acima, não podem pensar com iluminação alguma nem ter visão interna alguma sobre qualquer assunto espiritual. (Vejam-se, além disso, as coisas mostradas nos Arcanos Celestes sobre este assunto, a saber, que a fé separada da caridade seja uma fé nula, nºs 654, 724, 1162, 1176, 2049, 2116, 2343, 2349, 3849, 3868, 6348, 7039, 7822, 9780 e 9783; que essa fé pereça na outra vida, nºs 2228 e 5820; que, quando a fé só é assumida como princípio, os veros sejam contaminados pelo falso princípio, nºs 2435; que eles não se deixem persuadir, porque é contra o princípio, nºs 2385; que os doutrinais da fé, só, destruam a caridade, nºs 6353 e 8094; que aqueles que estão na fé separada da caridade estejam interiormente nos falsos de seu mal, embora não o saibam, nºs 7790 e 7950; que, por isso, o bem não lhes possa ser conjunto, nºs 8981 e 8993; que a fé separada do amor e da caridade seja como a luz do inverno, na qual todas as coisas da terra entorpecem e não se produz colheita, frutos e flores; mas que a fé proveniente do amor ou caridade seja como a luz da primavera ou do verão, na qual todas as coisas florescem e são produzidas, nºs 2231, 3146, 3412 e 3413; que a luz invernal, qual é a da fé separada da caridade, se transforme em densas trevas quando a luz do céu influi e que, então, os que estão nessa fé sejam tomados de cegueira e estupidez, nºs 3412 e 3413; que aqueles que separam da caridade a doutrina e a vida estejam nas trevas, por conseguinte, na ignorância dos veros e nos falsos, nº 9186; que se lancem nos falsos e, daí, nos males, nºs 3325 e 8094; os erros e os falsos em que se lançam, nºs 4721, 4730, 4776, 4783, 4925, 7779, 8313, 8765 e 9224; que a Palavra esteja fechada para eles, nºs 3773, 4783 e 8780; que não vejam nem atentem para todas as coisas que o Senhor falou tantas vezes sobre o amor e a caridade, e sobre os frutos ou os bens nos atos, e a respeito deles, nºs 1017 e 3416; que não saibam o que é o bem, por conseguinte, o que o amor celeste e o que é a caridade, nºs 2417, 3603, 4126 e 9995; que os simples de coração, e mesmo os sábios, saibam o que é o bem da vida, portanto, o que é a caridade e não o que é a fé separada, nºs 4741 e 4754.)