. "E o nome da cidade de Meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu desde o Meu Deus". Que isto signifique a doutrina da nova igreja que está nos céus vê-se pela significação de 'cidade do Meu Deus', que é a doutrina do Divino Vero (de que se tratará a seguir); pela significação de 'nova Jerusalém', que é a igreja quanto à doutrina (de que se tratou no opúsculo Doutrina da Nova Jerusalém, nº 6); e pela significação de 'que desce do céu desde o Meu Deus', que é a que procede do céu desde o Divino Vero ali. Por 'Deus', na Palavra, se entende o Divino Vero, como se vê acima, nºs 220 e 222). E como o Divino Vero, que está no céu e que dali desce, vem do Senhor somente, por isso o Senhor o chama 'Seu Deus'. Que a 'cidade do Meu Deus' signifique a doutrina do Divino Vero parece, à princípio, algo remoto da intuição, porque é com dificuldade que a mente pode pensar em doutrina quando se nomeia a 'cidade', como também pensar em igreja quando se nomeia 'terra'. No entanto, pelas 'cidades' ou 'urbes', na Palavra, em seu sentido espiritual, não se entende outra coisa. A razão disso é que a idéia de cidade é meramente natural, mas a idéia da doutrina na cidade é espiritual. Os anjos, por serem espirituais, não podem ter outra idéia a respeito de 'cidade' senão da nação quanto à doutrina que ali há, assim como não têm outra idéia a respeito de 'terra' senão da nação quanto à igreja ou quanto à religiosidade que há ali. Outra razão é, também, que as sociedades em que os céus foram distintos são, em sua maioria, cidades, e todas diferem entre si quanto à recepção do Divino Vero no bem; daí é, também, que os anjos têm a idéia da doutrina do vero quando se nomeia 'cidade'. (Os céus são distintos em sociedade segundo as diferenças do bem do amor e da fé, como se vê na obra O Céu e o Inferno, nºs 41-50, e as suas habitações são dispostas em forma de cidades, nº 184 ali). [2] Que as 'cidades' ou 'urbes' na Palavra signifiquem a doutrina, pode-se ver por muitas passagens ali, das quais vou citar somente as seguintes. Em Jeremias: "Eis que te tenho posto por cidade fortificada (...) contra toda a terra" (Jr. 1:18); isto foi dito ao profeta porque 'profeta', na Palavra, significa aquele que ensina o vero e, num sentido abstrato, a doutrina do vero. Como isto é significado pelo 'profeta', por isso foi-lhe dito: 'Tenho-te posto por cidade fortificada', pela qual é significada a doutrina do vero que protege contra os falsos. (Pelo 'profeta', na Palavra, é significado aquele que ensina o vero e, num sentido abstrato, a doutrina do vero, como se vê nos nºs 2534 e 7269). No mesmo: "Desceu (...) a coroa de vossa honra; as cidades do meio-dia foram fechadas" (Jr. 13:18, 19); trata-se aí da falsificação do vero, e por 'descer a coroa da honra' se entende a inteligência; por 'cidades do meio-dia foram fechadas' se entendem todas as coisas da doutrina que, de outro modo, estariam na luz. (A 'coroa' é a inteligência e a sabedoria, como se vê acima, nºs 126 e 218; e o 'meio-dia' é o estado de luz, como se vê na obra O Céu e o Inferno, nºs 148, 149 e 151). [3] Em Isaías: "Fizeste (...) conselhos de longe, em verdade, em fidelidade; e fizeste da cidade um montão, da cidade fortificada uma ruína, da cidade um palácio de estrangeiros, para que não seja edificada perpetuamente. Por isso Te honrará um povo forte, a cidade das nações poderosas Te temerá" (Is. 25:1-3); aí se trata da devastação da igreja precedente e da instauração de uma nova. A devastação da igreja quanto à doutrina se entende por 'fizeste da cidade um montão, da cidade fortificada uma ruína, um palácio de estrangeiros'; e a instauração de uma nova igreja quanto à doutrina se entende por 'honrar-Te-á um povo forte, a cidade das nações poderosas Te temerá'. No mesmo: "Naquele dia cantar-se-á um cântico na terra de Judah, nossa cidade forte; porá a salvação por muros e muralha; abrirá as portas para que entre uma nação justa que guarde a fidelidade" (Is. 26:1, 2); 'cidade forte', aqui, significa a doutrina do vero genuíno que os falsos não podem destruir; 'muros e muralha' significam os veros que protegem, e 'portas' significam a admissão (como acima, nº 208); a 'nação justa que guarda a fidelidade' são os que estão no bom e, daí, nos veros. [4] No mesmo: "Como caíste do céu, ó Lúcifer (...) cortado estás na terra (...) que fez do mundo um deserto, suas cidades destruiu (...) Prepara os filhos de sua matança, para que não ressurjam e possuam a terra, e se encham de cidades as faces da terra" (Is. 14:12, 17, 21); por 'Lúcifer', aí, entende-se Babel47, onde todo vero da doutrina da igreja foi falsificado ou aniquilado; 'fez da cidade um deserto e suas cidades destruiu' significa que assim se fez à igreja e sua doutrina; 'prepara os filhos de sua matança para que não ressurjam' significa que seus falsos devem ser destruídos; 'e possuam a terra, e se encham de cidades as faces da terra' significa para que haja a igreja e a doutrina ali. No Apocalipse: "A cidade grande fez-se em três partes, e as cidades das nações ruíram" (Ap. 16:19); também aí se trata de Babel; a doutrina de seus falsos é o que se entende por 'a cidade se fez em três partes', e a doutrina dos males provenientes daí se entende pelas 'cidades das nações' que 'ruíram'. [5] Em David: "Os redimidos de JEHOVAH (...) errarão no deserto, na solidão do caminho, não acharão cidade de habitação; famintos e sedentos (...) conduziu-os por um caminho reto, para irem à cidade de habitação" (Sl. 107:2, 4, 5, 7); 'errar no deserto e na solidão do caminho' é na penúria de conhecimentos do vero e do bem; 'não achar cidade de habitação' é não achar uma doutrina do vero segundo a qual vivam; 'famintos e sedentos' são os que têm desejo de saber o bem e o vero; 'conduzi-los por um caminho reto, para irem à cidade de habitação' é conduzi-los no vero genuíno e na doutrina da vida. Em Isaías: "Eu disse: Até quando, Senhor? Ele disse: Até que sejam devastadas as cidades e estejam sem habitantes, e as casas até que não haja homem nelas, e a terra seja reduzida à solidão" (Is. 6:11); aí se trata da devastação total da igreja; as 'cidades' são os veros da doutrina; as 'casas' são os seus bens e a 'terra' é a igreja. [6] No mesmo: "A terra será esvaziada (...) a terra ficará confundida (...) a terra será profanada sob seus habitantes; (...) a cidade vazia será quebrada e serão fechadas todas as casas (...) clamor pelo vinho nas ruas (...) o que resta na cidade é assolação, e a porta foi ferida até à devastação" (Is. 24:3-5, 10-12); trata-se, aqui também, da devastação da igreja; a 'terra' que foi esvaziada, confundida e profanada é a igreja; a 'cidade' é o vero da doutrina; a 'casa' é o seu bem; o 'vinho' pelo qual havia 'clamor nas ruas' é o vero falsificado da doutrina sobre o qual há contestação e indignação. [7] Em Sofonias: "Cortarei as nações (...) desolarei as suas ruas, e serão devastadas as suas cidades" (Sf. 3:6); 'nações' são os que estão nos males; 'desolar as ruas' é fazê-lo aos veros, e 'devastar as cidades' é fazê-lo às doutrinas. Em Jeremias: "Um leão subiu da sarça (...) para reduzir a tua terra à desolação, para que tuas cidades sejam destruídas (...) Vi o Carmelo [transformado] em deserto, e todas as suas cidades desoladas (...) por isso pranteará a terra (...) toda cidade a fugir à voz dos cavaleiros e dos flecheiros; (...) toda cidade está deserta, e nem um homem habita nela" (Jr. 7:26-29); o 'leão [que sobe] da sarça' é o falso do mal; a 'terra' é a igreja; as 'cidades' são os veros da doutrina; o 'Carmelo' é a igreja espiritual; a 'voz dos cavaleiros e dos flecheiros' diante da qual a cidade fugirá é o raciocínio e o combate dos falsos. [8] No mesmo: "Virá o devastador sobre toda a cidade, para que a cidade não fuja, e pereçam os vales e sejam destruídas as planícies" (Jr. 48:8); por estas palavras também se descreve a devastação total da igreja, até que não subsista vero algum da doutrina. No mesmo: "Eis que do norte sobem águas que se tornarão em torrente inundante, e inundarão a terra (...) a cidade e os habitantes nela" (Jr. 47:2)' pela 'torrente inundante' é também significada a devastação. No mesmo: "Se santificardes o dia do Sabbath (...) entrarão pelas portas desta cidade reis e príncipes (...) montados em carros e sobre cavalos (...) e esta cidade será habitada na eternidade" (Jr. 17:24, 25); pela 'santificação do Sabbath', no sentido espiritual, é significado o santo reconhecimento do Divino Humano do Senhor e Sua conjunção com o céu e a igreja; pelos 'reis e príncipes' que entrarão pelas portas da cidade são significados os veros da igreja; que 'montarão em carros e sobre cavalos' significa que estarão nos veros da doutrina e na inteligência; a 'cidade', que aqui é Jerusalém, é a igreja quanto à doutrina. Este é o sentido espiritual destas palavras, tal como é no céu. [9] Em Zacarias: "Assim disse JEHOVAH : Voltarei a Sião, e habitarei no meio de Jerusalém; (...) e as ruas da cidade se encherão de meninos e meninas brincando nas ruas" (Zc. 8:3-5); aqui, por 'Sião' não se entende Sião, nem por 'Jerusalém' se entende Jerusalém, mas por 'Sião', a igreja celeste, e por 'Jerusalém' essa igreja quanto à doutrina do vero. Daí é que se diz 'cidade da verdade'. Pelas 'ruas da cidade' são significados os veros da doutrina; pelos 'meninos e meninas brincando nas ruas' são significadas as afeições do vero e do bem. ('Sião' significa a igreja celeste, como se vê nos nºs 2362 e 9055; por 'Jerusalém' é significada a igreja quanto à doutrina, como se vê nos nºs 402, 3654 e 9166 e no opúsculo Doutrina da Nova Jerusalém, nº 6; pelas 'ruas' são significados os veros da doutrina, nº 2336; pelos 'meninos e meninas' são significadas as afeições do vero e do bem em que há a inocência, nºs 3067, 3110, 3179, 5236 e 6742; 'brincar' é o que pertence à festividade interior que é da afeição do vero e do bem, nº 10416). [10] Como 'Sião' significa a igreja celeste e 'Jerusalém' a igreja quanto à doutrina do vero, por isso Sião se chama 'cidade de JEHOVAH', e Jerusalém 'cidade santa', 'cidade de Deus' e 'cidade do grande Rei', como em Isaías: 'Chamar-te-ão cidade de JEHOVAH, Sião do Santo de Israel' (Is. 60:14). Em Ezequiel: O profeta viu sobre um alto monte a estrutura da cidade no meio-dia, e o anjo mediu o muro, as portas, as câmaras e os pórticos da entrada; e o nome da cidade era JEHOVAH-ali (Ez. 40:1 e seq.; 48:35). Em Isaías: "Eis que JEHOVAH Se fez ouvir até a extremidade da terra. Dizei à filha de Sião: Eis que vem a tua salvação (...) tu serás chamada cidade procurada" (Is. 62:11, 12); em David: "Do modo como ouvimos, assim vimos na cidade de JEHOVAH Zebaoth, na cidade de nosso Deus; Deus a estabeleça na eternidade" (Sl. 48:8) (O que é a igreja celeste e o que é a igreja espiritual vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 20-28). Que essas duas cidades se chamem 'cidades santas', vê-se em Isaías: "Tuas cidades santas se transformaram em deserto; Sião se transformou em deserto e Jerusalém em desolação" (Is. 64:10). Jerusalém, em particular, se chama 'cidade santa' no Apocalipse: As nações "pisarão a cidade santa" (Ap. 11:2); em outra passagem: "Eu vi a santa cidade (...) descendo de Deus desde o céu" (Ap. 21:2); em Mateus: "O diabo tomou Jesus à cidade santa" (Mt. 4:5); e no mesmo: "Saídos dos túmulos (...) entraram na santa cidade" (Mt. 27:53). [11] Jerusalém é referida como 'cidade santa' porque significava a igreja quanto à doutrina do vero, e o Divino Vero procedente do Senhor é o que se chama 'santo' (vê-se nos nºs 6788, 8302, 9229, 9820 e 10361). Essa cidade, sem tal representação e significação não seria de maneira nenhuma santa, mas profana, como se pode ver pelo fato de que foi nela que rejeitaram o Senhor e O crucificaram, pelo que também foi chamada de 'Sodoma e Egito' (Ap. 11:8). Como, porém, significava a igreja quanto à doutrina do vero, não só foi chamada 'cidade santa', mas também 'cidade de Deus' e 'cidade do grande Rei'. Em David: "[Há um] rio cujas correntes alegraram a cidade de Deus, o santuário da habitação do Altíssimo; Deus está no meio dela" (Sl. 46:4, 5); no mesmo: "Grande JEHOVAH ... na cidade de nosso Deus; (...) formoso de sítio (...) a cidade do grande Rei" (Sl. 48:1, 2); e em Mateus: "Não jureis pela terra, porque é o escabelo dos pés de Deus; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei" (Mt. 5:35). Jerusalém foi chamada 'cidade de Deus' porque por 'Deus', na Palavra do Velho Testamento, se entende o Divino Vero procedente do Senhor (vê-se acima, nºs 220 e 222). E Jerusalém foi chamada 'cidade do grande Rei' porque pelo 'Rei', quando se trata do Senhor, é significado igualmente o Divino Vero procedente d'Ele (vê-se também acima, nº 31). Daí vem que Jerusalém se chame 'cidade da verdade' (Zc. 8:3). [12] Em Isaías: "Assim disse JEHOVAH, Redentor teu e Formador desde o útero: Torno vazios os sinais dos mentirosos, faço voltar atrás os sábios e faço insensata a ciência deles; (...) dizendo a Jerusalém: Serás habitada, e às cidades de Judah: Sereis edificadas, e erguerei as suas devastações" (Is: 44:24-26); aí se trata da rejeição da igreja cuja doutrina vem da própria inteligência e da instauração de uma nova cuja doutrina vem do Senhor. A doutrina da própria inteligência se entende por 'Torno vazios os sinais das mentirosos, faço voltar atrás os sábios, e faço insensata a ciência deles'; e a doutrina que vem do Senhor se entende por 'dizendo a Jerusalém: Serás habitada; e às cidades de Judah: Sereis edificadas'. [13] Em Jeremias: "Não vês o que eles fazem nas cidades de Judah e nas ruas de Jerusalém? (...) Farei cessar das cidades de Judah e das ruas de Jerusalém a voz de regozijo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva, porque a terra se tornará devastação" (Jr. 7:17, 34); as 'cidades de Judah' e as 'ruas de Jerusalém' também significam, aqui, os veros da doutrina; 'voz de regozijo e voz de alegria' é o prazer pela afeição do bem e do vero; 'voz de noivo e voz da noiva' são essas afeições mesmas que, tendo cessado, se entendem por 'a terra se tornará devastação'; a 'terra' é a igreja. [14] Em Isaías: "Misturarei Egito com Egito, para que combatam, o varão contra o seu irmão e o um varão contra o seu companheiro; cidade contra cidade, reino contra reino (...) Naquele haverá cinco cidades na terra do Egito falando com lábio de Canaan e jurando a JEHOVAH Zebaoth (...) naquele dia haverá um altar para JEHOVAH no meio do Egito" (Is. 19:2, 18-19); pelo 'Egito' se entende o homem natural e seu conhecimento; pela expressão 'combatam o varão contra o irmão e o varão contra o companheiro' se entende que combatem contra o bem e o vero; 'cidade contra cidade, e reino contra reino' significa doutrina contra doutrina e igreja contra igreja; 'naquele dia' significa o advento do Senhor e, então, o estado daqueles que são naturais e estão nos conhecimentos verdadeiros; as 'cinco cidades na terra do Egito falando com lábio de Canaan' significam os veros genuínos da doutrina da igreja, em abundância ('cinco' são muitos ou abundância, 'cidades' são os veros da doutrina; 'lábio de Canaan' significa os veros genuínos da igreja); 'altar de JEHOVAH', aí, significa o culto pelo bem do amor. [15] No mesmo: "Foram devastadas as veredas, cessou o que passa pelo caminho (...) repugnou as cidades, não considera o homem; a terra pranteia, desfalece; o Líbano murchou" (Is. 33:8, 9); as 'veredas', que foram devastadas, e o 'caminho' em que não se passa são os veros que conduzem ao céu, quais são os veros da igreja; 'repugnar as cidades' é fazê-lo aos veros da igreja; 'não considerar o homem' é não considerar o vero e o bem; a 'terra' que pranteia e desfalece é a igreja quanto ao bem; o 'Líbano' que murchou é a igreja quanto ao vero. [16] No mesmo: "Canta, ó estéril, que não pariu (...) porque muitos mais são os filhos da desolada do que os filhos da casada; (...) amplia o lugar de tua tenda (...) a tua semente herdará as nações, e farão com que sejam habitadas as cidades desoladas" (Is. 54:1-3); a 'estéril' que não pariu significa as nações nas quais ainda não há os veros da Palavra; os 'filhos da desolada' são os veros que elas hão de aceitar; os 'filhos da casada' são os veros naqueles que estão na igreja; 'ampliar o lugar da tenda' é que seu culto vem do bem; 'semente' é o vero daí; as 'nações' que ela herdará são os bens; as 'cidades' que serão habitadas são as doutrinas daí. [17] Em Jeremias: "Trarei sobre eles todo bem (...) com prata comprarão campos, e isto sendo escrito na escritura (...) nas cidades de Judah (...) e nas cidades do monte, e nas cidades da planície, e nas cidades do meio-dia" (Jr. 32:42, 44; 33:13); estas palavras se dizem a respeito daqueles que, na igreja, estão no bem e nos veros daí; 'comprar campos com prata' é adquirir para si o bem da igreja por meio dos veros; 'escrever na escritura' é implantar na vida; 'cidades de Judah e cidades do monte' são os veros da doutrina que terão aqueles que são do reino celeste do Senhor; 'cidades da planície e cidade do meio-dia' são os veros da doutrina que terão aqueles que estão no reino espiritual do Senhor. [18] Em Mateus: "Vós sois a luz do mundo; não pode estar oculta a cidade que está posta num monte; nem se acende uma candeia e a colocam sob um cesto" (Mt. 5:14, 15); estas palavras foram ditas aos discípulos, pelos quais são significados todos os veros e bens em conjunto; por isso se diz: 'vós sois a luz do mundo', porque a 'luz' significa o Divino Vero e a inteligência daí. Como estes são significados por 'vós sois a luz do mundo', por isso se diz: 'não pode estar oculta a cidade que está posta num monte; nem se acende uma candeia e a colocam sob um cesto', pois a 'cidade posta num monte' significa o vero da doutrina proveniente do bem do amor, e pela 'candeia' é significado em geral o vero do bem e a inteligência daí. [19] No mesmo: "Todo reino dividido contra si mesmo é devastado, e toda cidade dividida contra si mesma não subsiste" (Mt. 12:25); o 'reino' significa, no sentido espiritual, a igreja; a 'cidade' e a 'casa', o vero e o bem de sua doutrina, os quais não subsistem mas são dissipados se não concordarem em unanimidade. [20] No mesmo: Jesus enviou doze discípulos, dizendo-lhes: "Não andeis pelo caminho das nações, e na cidade dos samaritanos não entreis; ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mt. 10: 5, 6) o 'caminho dos gentios' em que não iriam significa o falso do mal; a 'cidade dos samaritanos' em que não entrariam significa a falsa doutrina daqueles que rejeitam o Senhor; as 'ovelhas perdidas da casa de Israel' significam aqueles que estão no bem da caridade e, daí, na fé ('Israel' são todos eles, onde quer que estejam). Que a 'cidade dos samaritanos' signifique a falsa doutrina daqueles que rejeitam o Senhor é porque os samaritanos O não admitiram (vê-se em Lc. 9:52-56). [21] No mesmo: Jesus disse: "Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra" (Mt. 10:23); aqui, pela 'cidade' também se entende a doutrina do falso proveniente do mal; que, onde ela estiver, a doutrina do vero não seja recebida, entende-se por "se fossem perseguidos numa cidade fugissem para outra". [22] Em Lucas: "O pai de família, indignado, disse ao servo: Vai depressa às ruas e becos da cidade, e introduz aqui os pobres, mancos, aleijados e cegos" (Lc. 14:21); 'irem às ruas e becos da cidade' significa que buscassem ali onde estão os que recebem os veros da doutrina, pois 'ruas' e 'becos' são os veros da doutrina (como acima), e 'cidade' é a doutrina; os 'pobres, mancos, aleijados e cegos' significam aqueles que não estão nos veros e nos bens, mas os desejam. (Vê-se nos Arcanos Celestes e na Doutrina da Nova Jerusalém, nº 107, o que particularmente é significado por 'pobres' e o que é significado por 'mancos, aleijados e cegos). [23] No mesmo: Um homem nobre, indo receber um reino (...) deu aos seus servos dez minas para negociarem; quando retornou, mandou chamar os servos: "Veio o primeiro, dizendo: Tua mina rendeu dez minas, ao qual ele disse: Bom servo, porque sobre o mínimo foste fiel, terás autoridade sobre dez cidades. Logo veio o segundo, dizendo: Senhor, tua mina produziu cinco minas, ao qual ele disse: Sê tu, também, sobre cinco cidades" (Lc. 19:12-19 e seq.). No sentido espiritual, por estas palavras são significadas mais coisas do que podem ser expostas em poucas linhas. Dir-se-á somente que pelas 'cidades' aí não se entendem cidades, mas as coisas doutrinais do vero e do bem, e por 'ter autoridade sobre elas' se entende ter inteligência e sabedoria; por 'dez' se entende muitos, e por 'cinco', alguns. (Que 'dez', na Palavra, signifique muito, vê-se nos nºs 988, 3107, 4638 e 9757; e que 'cinco' signifique alguns, nºs 4683 e 9604). Por aí se pode ver, agora, que pelo 'nome da cidade do Meu Deus, a nova Jerusalém que desce dos céus desde o Meu Deus' significa a doutrina da nova igreja, que está nos céus. (Essa doutrina também foi dada num opúsculo específico intitulado Da Nova Jerusalém e sua Doutrina Celeste).