. (Vers. 14): "E ao anjo da Igreja em Laodicéia escreve". Que isto signifique aqueles que estão na fé só, assim, os que estão na fé separada da caridade vê-se pelo sentido interno ou espiritual de todas as coisas que foram escritas ao anjo dessa Igreja, pois o essencial de cada igreja que está envolvido no que foi escrito a cada igreja não é evidente senão por esse sentido. Com efeito, estas são coisas proféticas e todas as coisas proféticas, assim como todas as coisas da Palavra em geral, foram escritas por meio de correspondências a fim de que por elas haja conjunção do céu com a igreja. A conjunção se faz pelas correspondências, pois o céu, ou os anjos ali, entendem espiritualmente todas as coisas que o homem entende naturalmente, e entre as coisas naturais e espirituais há uma perpétua correspondência e, pelas correspondências, uma conjunção tal a que existe entre a alma e o corpo. Assim é que a Palavra foi escrita num tal estilo, de outro modo não haveria ali alma nem por conseguinte, o céu; e, se não existisse o céu, ela não seria Divina. Daí é, pois, que se diz que pelo sentido interno ou espiritual de todas as coisas que há no que foi escrito a cada igreja se torna evidente o que se entende por cada igreja. Assim, no que foi escrito ao anjo dessa Igreja, trata-se daqueles que estão na fé só, ou na fé separada da caridade. Diz-se fé separada da caridade e por aí se entende a fé separada da vida, pois a caridade pertence à vida; por isso, quando é separada da vida, ela não está no homem, mas fora dele, porquanto reside somente na memória e, daí, termina no pensamento, sem entrar na vontade do bem e daí no ato; não está nele, mas fora dele. É que a memória e, assim, o pensamento, são apenas como um átrio pelo qual se entra na casa; a casa é a vontade. Tal é a fé só, ou a fé separada da caridade. (Qual é essa fé, vê-se, além disso, na Doutrina da Nova Jerusalém, nºs 108-122 e, também, no opúsculo Do Juízo Final, nºs 33-39; na obra O Céu e o Inferno, nºs 270, 271, 364, 482 e 526; como também acima, na Explicação do Apocalipse, nºs 204, 211, 212 e 213. Além disso, o que é a caridade e o que é o próximo, na Doutrina da Nova Jerusalém, nºs 84-107; na obra O Céu e o Inferno, nºs 13-19, 528-535; e acima, na Explicação, nºs 182, 198 e 213.