. "Que compres de Mim ouro provado no fogo, para que te enriqueças". Que isto signifique que do Senhor adquirissem para si o bem genuíno para que pudessem receber os veros da fé vê-se pela significação de 'comprar', que é adquirir e apropriar a si (de que se trata nos nºs 4397, 5374, 5397, 5406, 5410 e 5426); pela significação de 'ouro provado no fogo', que é o bem genuíno, assim, o bem proveniente do Senhor (de que se tratará a seguir); e pela significação de 'para que te enriqueças' que é para que possa receber a vida da fé. Que 'enriquecer-se' signifique isto é porque as 'riquezas' e os 'recursos' significam as cognições do vero e do bem, e os 'ricos' são os que têm inteligência por elas; aqui, os que estão na fé por elas, porque aqui se trata daqueles que estão na doutrina da fé só. Daí se vê que 'comprar de Mim ouro provado no fogo e enriquecer-se' significa que adquiram do Senhor, para si, o bem genuíno, para que possam receber a vida da fé. [2] Dir-se-á primeiro de que maneira essas coisas devem ser compreendidas. Foi dito muitas vezes, anteriormente, que não existe vero que seja vero em si senão pelo bem; por conseguinte, tampouco existe fé que seja fé senão pela caridade, pois o vero que em si é vero não existe a não ser que nele haja a vida espiritual, e a vida espiritual está aí quando é formada pelo bem da caridade, porque o vero é a forma do bem, e o bem é o ser do vero e, assim, também é a sua vida, e o bem não vem de outra parte senão do Senhor. E quando o bem vem do Senhor, então o vero que procede do bem visa primeiramente ao Senhor e também ao próximo e ao seu bem, pois o Senhor influi com o bem e por este forma o vero que é o vero da fé, e faz com que a vista espiritual do homem vise ao Senhor e o próximo. (Que isto seja assim, vê-se mostrado na obra O Céu e o Inferno, nºs 145 e 251, a saber, que o Senhor olha os anjos e os homens na fronte, e estes olham o Senhor pelos olhos, em razão de que a fronte corresponde ao bem do amor, e os olhos correspondem ao entendimento iluminado, por conseqüência, os veros que são da fé. E, também, na mesma obra, nºs 17, 123, 124, 142-144, 510, mostrou-se que no mundo spiritual todos se voltam para seus amores, e aqueles que reconheceram o Senhor e creram n'Ele voltam-se para Ele e d'Ele têm o bem e pelo bem há iluminação quanto aos veros). Por aí se pode ver que o bem genuíno, que é significado por 'ouro provado no fogo' vem do Senhor somente. [3] Uma vez que nos escritos ao anjo dessa Igreja se trata daqueles que vivem segundo a doutrina da fé só, e como aqueles que nela se confirmaram - que, por causa disso, foram chamados eruditos no mundo - puderam ajuntar falsos aos veros e induzir a aparência de que era a verdadeira doutrina, por isso me foi concedido falar com alguns deles na outra vida. E como as coisas que foram mutuamente ditas podem servir de ilustração, vou citá-las. Esses eruditos, pela opinião que tiveram no mundo, achavam que a fé existisse sem a caridade, e que o homem é justificado por ela só. A conversa deles era extremamente engenhosa, dizendo que a fé existe sem a caridade, pelo fato de ela ser anterior, e por ela o homem estar no bem. Disseram: "Quem não pode crer que existe um Deus? que a Palavra é Divina? e coisas semelhantes que, se não forem cridas, não podem ser recebidas e estar no pensamento do homem". Concluíram daí que a fé existe sem a caridade, porque precede ou é anterior; e, se existe, é salvífica, porque o homem não pode fazer o bem por si; por isso, se ela não salvasse, todos pereceriam. Sem a fé não há a presença de Deus no homem, e, se não houvesse a presença de Deus, o mal reinaria e ninguém poderia ter bem algum. Isto, disseram, é o que se entende pela justificação pela fé só. Mas foi-lhes mostrado que não há fé a não ser que haja ao mesmo tempo a caridade; e o que disseram ser a fé são somente cognições, que são as primeiras coisas em cada homem, ou seja, que há um Deus, que a Palavra é Divina e coisas semelhantes. E essas cognições não estão no homem, mas na entrada que dá acesso a ele, a qual é a sua memória, antes de estarem em sua vontade. E quanto mais estão em sua vontade, mais estão no homem mesmo, pois a vontade é o homem mesmo. E quanto mais estão na vontade, mais estão em sua vista, que é a fé. Esses conhecimentos que precedem e que, à vista natural, se parecem com a crença, não se tornam da fé antes disso. Assim é que a vista das cognições, que se acredita serem da fé, afasta-se do homem sucessivamente conforme ele começa a pensar o mal por querer o mal, e também se afasta dele após a morte, quando se torna espírito, se esses pensamentos não foram enraizados em sua vida, isto é, na vontade ou em seu amor. [4] Seja isto ilustrado por uma comparação com o estômago nas aves e nos amimais da terra, ao qual chamam de estômago ruminatório. Eles ajuntam seus alimentos ali primeiro e, depois, gradativamente, os tiram dali e comem, e assim nutrem o sangue. Assim os alimentos se tornam de sua vida. Esse estômago corresponde à memória no homem, e o homem é dotado de memória em vez disso porque o homem é espiritual; nela ele primeiro ajunta a comida espiritual, que são as cognições, e, em seguida, tira-as dali ruminando, por assim dizer, pensando e querendo, apropria-os a si e os faz de sua vida. Por esta comparação, embora trivial, pode-se ver que os pensamentos não são implantados na vida senão por se querê-los e, daí, fazê-los, sendo semelhantes a alimentos não digeridos no estômago ruminatório, que ou apodrecem ou são vomitados. Além disso, o ciclo da vida do homem é saber, compreender, querer e fazer, pois sua vida espiritual se inicia pelo saber, em seguida é continuada no compreender, depois no querer e, finalmente, no fazer. Donde se vê que as cognições estão somente na entrada da vida quando estão na memória, e ainda não estão plenamente no homem senão quando nos atos, e mais plenamente nos atos quanto mais plenamente estiverem no entendimento e na vontade. [5] Mostrou-se, além disso, que a fé das cognições, antes de se tornar fé da vida, é uma fé histórica, cuja qualidade é notória, a saber, que se crê que algo é assim porque outro o disse. Esta, antes de se tornar propriamente do homem, é estranha ou de outro homem nele. E, também, é essa fé histórica que é a fé das coisas desconhecidas, pois se diz que se deve crer ainda que não se compreenda e, até, que não se deve examinar com o entendimento, quando, todavia, a fé espiritual é tal que nela os veros mesmos são vistos e, assim, são cridos. No céu, ninguém crê em vero algum a não ser que o veja ou tenha visto, pois eles dizem: "Quem pode crer que algo é assim, a menos que veja? Talvez seja um falso". E ninguém pode crer no falso senão os maus, pois os maus, pelos males, vêem os falsos, enquanto os bons, pelo bem, vêem os veros. E como o bem é procedente do Senhor, também a visão do vero procedente do bem vem do Senhor. Os anjos vêem os veros porque a luz do céu em que estão é o Divino Vero procedente do Senhor. Por isso, todos aqueles em quem essa luz está, mesmo no mundo, têm a visão do vero. (Sobre a luz do céu, e que ela seja assim, vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 126-140). [6] Mostrou-se, em seguida, que a caridade e a fé agem em comum e entram ao mesmo tempo no homem; assim, quanto mais o homem está na caridade, mais está na fé, porque a fé, quanto à essência, é a caridade, exatamente como o vero, quanto à essência, é o bem, pois o bem, quando tem existência em espécie ou em forma, é o vero. Assim, a caridade é a fé, pois o bem é da caridade e o vero é da fé. Também, um ama o outro e se conjunta ao outro, pelo que um não existe a não que exista juntamente com o outro. Isto foi ilustrado pelo pensamento do homem, que é de seu entendimento, e pela afeição, que é de sua vontade; pensar sem afeição é impossível, pois a essência mesma do pensamento é a afeição ou o amor. O homem pode até pensar em todas as coisas que sabe da doutrina da igreja, mas por uma afeição natural, que é a afeição ou amor da glória, da reputação, da honra e do ganho. Essa afeição, porém, não faz com que o pensamento seja espiritual, mas, sim, a caridade, que é a afeição espiritual mesma. Esta, quando se conjunta aos pensamentos, faz a fé, e, depois, quanto mais o homem está nessa afeição, mais vê com o pensamento as coisas que são de sua fé, as quais se chamam veros, e as reconhece, porque provêm de seu espírito mesmo, assim, de sua vida espiritual mesma. Isto é o que também se chama iluminação; assim é que ninguém pode ser iluminado pela Palavra a não ser que esteja na afeição do vero espiritual. Existe, de fato, uma iluminação semelhante naqueles que se confirmaram nas coisas tais que são da doutrina da fé só e da justificação por ela, mas essa iluminação é uma iluminação fátua, porquanto os falsos podem ser confirmados igualmente aos veros, assim como todas as heresias que reinam tanto entre os judeus quanto entre os católicos. Também, uma luz semelhante existe após as confirmações naqueles que são chamados naturalistas e negam Deus e a Palavra Divina, além de todas as coisas da igreja, do mesmo modo que existe naqueles que se confirmaram na fé só e na justificação por ela. (Que a luz da confirmação seja uma luz natural e não espiritual, existente também nos maus, vê-se no nº 8780). [7] Mas, voltemos à fé, que, quanto à essência, é a caridade. Essa fé se aperfeiçoa continuamente pelas coisas tais que a confirmam, pois pela luz espiritual sempre se vêem mais veros e todos estes se conjuntam ao bem da caridade e o aperfeiçoam. Assim é que o homem tem inteligência e sabedoria, até que, finalmente, tenha a sabedoria angélica. Além disso, aqueles que estão somente nas cognições da fé, e não na vida segundo eles, crêem que o homem pode facilmente receber a fé, se não no mundo, decerto na outra vida. Dizem consigo: "Acaso não posso crer, quando ouvir e vir que isso é assim?" Mas estão muito enganados, pois aqueles que não receberam a fé espiritual no mundo, jamais podem recebê-la depois, ainda que tenham ouvido e visto milhares de vezes. A razão disso é que essa fé não está no homem, mas fora dele. Que isto seja assim, pode-se ver claramente pelo fato de que todos os que vêm do mundo são recebidos primeiro pelos anjos e bons espíritos, e são instruídos de todas as maneiras, e até se lhes mostram muitas coisas ao vivo e à vista, mas, ainda assim, não recebem; por isso, afastam-se deles e se aproximam daqueles que não estão em fé alguma. [8] Foi-lhes dito também que se a fé fosse recebida só por saber e pensar, seria recebida por todos, maus e bons igualmente, e, assim, ninguém seria condenado. Acima (nº 239) se viu que a caridade, que é a afeição espiritual, não pode jamais existir em alguém a menos que saiba os veros, se examine segundo eles, receba-os e viva uma vida nova em conformidade com os veros. Daí se segue que a vida da fé é a caridade, e que nada da fé existe na vida senão na medida em que existir caridade e, também, quanto mais da caridade existir na fé, mais se é conduzido pelo Senhor, mas quanto mais da caridade não existir aí, mais se é conduzido por si mesmo; e quem é conduzido por si mesmo, e não pelo Senhor, não pode pensar no bem e ainda menos pode querer e fazer o bem que seja bem em si, pois do proprium do homem não procede senão o mal. Quando, porém, pensa no bem e quer e faz o bem pelo proprium, é somente por causa de si e por causa do mundo, os quais são os fins de suas obras, e os fins são amores que o conduzem. E o homem não pode ser tirado de seu próprio ou ser elevado a não ser que, quanto às coisas que são da vida, olhe para o Senhor; por essa visão ele é conjunto ao céu e, daí, o Senhor lhe dá a afeição espiritual. Quando estas e aquelas coisas foram ditas, foi concedido àqueles com quem conversei sobre este assunto estar na luz espiritual , luz essa que é tal que nela se podem ver os veros tão claramente como se vêem os objetos no mundo em sua luz. E, então, aqueles que estavam na doutrina da fé só e na justificação por ela não puderam deixar de afirmar que assim é. Mas, tão logo essa luz lhes foi tirada, e eles foram postos novamente em sua luz, que era uma luz natural, não puderam ver outra coisa senão que a vista das cognições é a fé que salva, e, assim, que os falsos, de que fizeram de sua fé, são veros. Os falsos se tornam da fé quando os males são da vida. [9] Mas, voltemos à explicação das palavras deste versículo, que são: 'Recomendo-te que compres de Mim ouro provado no fogo, para que te enriqueças', pelas quais é significado que do Senhor adquirissem para si o bem genuíno para que pudessem receber os veros. E deve-se mostrar agora que o 'ouro', na Palavra, significa o bem do amor. Isto se pode ver pelas seguintes passagens. Em Malaquias: "Eis que Eu envio o Meu anjo, que preparará o caminho diante de Mim, e de súbito virá ao Seu templo o Senhor, a quem vós buscais, e o Anjo da aliança, a quem vós desejais (...) assentar-se-á refinando e purificando a prata, e purificará os filhos de Levi, e os depurará como o ouro e a prata, para que sejam os que trazem a JEHOVAH mincha em justiça" (Ml. 3:1, 3); estas palavras foram ditas a respeito do advento do Senhor; diz-se que JEHOVAH há de enviar 'o anjo que preparará o caminho diante d'Ele', e pelo 'anjo' se entende João Batista, como se sabe; por 'diante d'Ele' ou diante de JEHOVAH se entende o Divino mesmo do Senhor; pelo 'templo', ao qual virá, se entende o Seu Divino Humano; que este também seja chamado 'Anjo da aliança' é porque por ele há conjunção dos homens e dos anjos com o Divino mesmo, pois 'aliança' é conjunção; pela 'prata' que, 'assentando-se, refinará e purificará' se entende o vero do bem; pelos 'filhos de Levi' se entendem todos os que estão no bem da caridade e, daí, nos veros da fé; por isso se diz que 'os depurará como ouro e como prata'; diz-se isso porque o 'ouro' significa o bem, e a 'prata' o vero daí; por 'trazer a JEHOVAH mincha em justiça' se entende o culto do Senhor pelo bem da caridade. (O 'templo' significa o Divino Humano do Senhor, como se vê acima, nº 220; a 'aliança' significa a conjunção, como se vê nos Arcanos Celestes, nºs 665, 666, 1023, 1038, 1864, 1996, 2003, 2021, 6804, 8767, 8778, 9396 e 10632; a 'prata; significa o vero do bem, nºs 1551, 1552, 2954 e 5658; 'mincha' significa o bem do amor e da caridade, nºs 4581, 9992-9994, 10079 e 10137; 'justiça' se diz do bem, nºs 2235 e 9857). Assim, 'trazer mincha em justiça significa o culto pelo bem do amor. [10] Em Zacarias: "Duas partes em toda a terra serão cortadas, expirarão, mas a terça parte será deixada nela; todavia, passarei a terça parte pelo fogo e os refinarei assim como se refina a prata, e os provarei assim como se prova o ouro" (Zc. 13:8, 9); por 'toda a terra' não se entende toda a terra, mas toda a igreja; nem por 'terça parte' se entende a terça parte, mas alguns na igreja; 'passá-la pelo fogo e refinar assim como se refina a prata, e provar assim como se prova o ouro' significa purificá-los das falsidades e dos males, para que sejam implantados o bem e o vero. (A 'terra', na Palavra, é a igreja, como se vê nos nºs 662, 1066, 1068, 1262, 1413, 1607, 2928, 3355, 4447, 4535, 5577, 6516, 9325 e 9643; a 'terça parte' significa alguns, nº 2788). Há, nas passagens citadas, comparações da prata e do ouro com o vero e o bem, mas, na Palavra, todas as coisas que servem de comparação também correspondem e, daí, têm significação (vê-se nos nºs 3579 e 8989). Como o 'ouro provado no fogo' significa o bem do amor purificado dos males, por isso foi ordenado Que o ouro e a prata capturados dos midianitas fossem passados pelo fogo e, assim, fossem purificados (Nm. 31:22, 23). [11] Que o 'ouro' signifique o bem do amor e da caridade, vê-se mais amplamente pelas seguintes passagens. Em Oséias: "Israel abandonou o bem, o inimigo o perseguirá (...) de seu ouro e de sua prata fizeram ídolos para si" (Os. 8:3, 4); que 'de sua prata e de seu ouro fizeram ídolos' signifique que converteram o vero e o bem em falsos e males, vê-se pelo fato de se dizer: 'Israel abandonou o bem, e o inimigo o perseguirá'; o 'inimigo' é o falso do mal e o mal do falso. [12] Em Joel: "O que sois vós para Mim, Tiro e Sidon? (...) Minha prata e Meu ouro tomastes, e as coisas desejáveis dos bens levastes para vosso templo, e os filhos de Judah e o filhos de Jerusalém vendestes aos filhos dos gregos, para os removerdes para longe de seus termos" (Jo. 3:4, 6); por 'Tiro e Sidon' se entendem aqueles que, na igreja, estão nas cognições do vero e do bem; aqui, aqueles que as perverteram e aplicaram aos falsos e aos males do falso; isto é significado por 'Minha prata e Meu ouro tomastes, e as coisas desejáveis dos bens levastes para vosso templo'; 'prata' significa o vero, 'ouro' o bem, e as 'coisas desejáveis dos bens' significam os vero e bens derivados, que são as cognições do sentido da letra da Palavra; 'levar para seu templo' significa converter em culto profano; por 'vender os filhos de Judah e os filhos de Jerusalém aos filhos dos gregos' se entende que transformaram todos os veros do bem em falsos do mal; por 'removê-los para longe de seus termos' se entende distante dos veros mesmos. (Que por 'Tiro e Sidon' se entendam aqueles que, na igreja, estão nas cognições do vero e do bem, vê-se no nº 1201; que pelos 'filhos de Judah e filhos de Jerusalém' se entendam todos os veros do bem é porque pelos 'filhos' são significados os veros, nºs 1729, 1733, 2159, 2623, 2803, 2813, 3373, 3704, 7499, 8897 e 9807; por 'Judah' a igreja celeste, nºs 3654 e 6364; por 'Jerusalém' a igreja onde há a doutrina genuína, nºs 3654 e 9166; que pelos 'filhos dos gregos' se entendam os falsos é porque os 'gregos' significam as nações que estão nos falsos, como se vê no nº 50 [acima]). [13] Em Ezequiel: "Os negociantes de Scheba e Raama (...) pelas principais de todas as coisas aromáticas e por toda pedra preciosa e ouro, deram a tuas negociações" (Ez. 27:22); e, no mesmo: "Na tua sabedoria e inteligência alcançaste para ti riquezas, e fizeste ouro e prata em teus tesouros; (...) estiveste no Eden, jardim de Deus; toda pedra preciosa era tua cobertura (...) e ouro" (Ez. 28:4, 13); nestas duas passagens se trata também de Tiro, pela qual, como acima se disse, se entendem aqueles que, na igreja, estão nas cognições do vero e do bem. (Pelas suas 'negociações' se entendem essas cognições mesmas; por 'Scheba e Raama' também se entendem aqueles que estão nesses conhecimentos, nºs 1171 e 3240; pelos 'aromáticos' são significados os veros que são agradáveis, porque vêm do bem, nºs 4748, 5621, 9474, 9475, 10199 e 10254; pelas 'pedras preciosas' são significados os veros que são formosos, porque vêm do bem, nºs 9863, 9865, 9868, 9873 e 9905; pelo 'jardim do Eden' são significadas a inteligência e a sabedoria daí, nºs 100, 108, 1588, 2702 e 3220). Ora, visto que por essas coisas são significadas as cognições do vero e do bem, e por 'ouro e prata' os bens e veros mesmos, e como por eles são adquiridas toda inteligência e sabedoria, por isso se diz: 'na tua inteligência e sabedoria alcançaste... ouro e prata em teus tesouros'. [14] Nas Lamentações: "Como se escureceu o ouro! Como se mudou o ouro puríssimo! Foram espalhadas as pedras da santidade na cabeça de todas as ruas; os filhos de Sião (...) estimados como o ouro puro, como foram reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro" (Lm. 4:1, 2); trata-se aí da devastação da igreja; o 'ouro' que se escureceu e o 'ouro puríssimo' que se mudou significam os bens da igreja; as 'pedras de santidade' que foram espalhadas na cabeça de todas as ruas significam os veros daí, que foram falsificados; os 'filhos de Sião' que foram estimados como ouro puro significam os veros da igreja anterior; os 'vasos de barro, obra das mãos do oleiro' significam os males da vida pelos falsos da doutrina, os quais vêm da própria inteligência. [15] Em Ezequiel: "Ornei-te de enfeite, e pus braceletes em tuas mãos, e um colar em teu pescoço (...) assim foste ornada de ouro e de prata, e tuas vestes de linho fino, de seda e de bordado (...) e tomaste os teus vasos ornados do Meu ouro e da Minha prata que te dera, e fizeste para ti imagens com as quais cometeres escortação" (Ez. 16:11, 13, 17, 18); aí se trata de Jerusalém, pela qual é significada a igreja quanto à doutrina (como acima); o 'enfeite' de que foi ornada significa em geral todos os veros do bem e a inteligência daí (nºs. 10536 e 10540); os 'bracelestes nas mãos' significam em particular os veros do bem (nºs. 3103 e 3105); o 'colar no pescoço' significa a conjunção dos veros e bens interiores com os exteriores, ou dos espirituais com os naturais (nº 5320); o 'linho fino' significa o vero genuíno, e a 'seda' significa o mesmo, resplandecente pelo bem interior (nºs. 5319 e 9469); o 'bordado' significa o conhecimento que é do homem natural (nº 9688); as 'imagens' com as quais cometeria escortação são as falácias dos sentidos, que aparentam ser veros àqueles que estão nos falsos; 'cometer escortação' com eles é concluir pelos falsos (que 'cometer escortação' signifique imbuir-se dos falsos, vê-se acima, nº 141). Por aí se vê que por essas coisas neste capítulo se descreve a igreja, como era, logo que foi instaurada pelo Senhor, e como se tornou depois. [16] Em Isaías: "Eis que suscito contra eles os medos, que não estimarão a prata e não se deleitarão com o ouro, cujos arcos despedaçarão os jovens (...) o olho deles não poupará os filhos" (Is. 13:17, 18); pelos 'medos' se entendem os que são contra os veros e bens da igreja; por isso se diz deles 'que não estimarão a prata nem se deleitarão com o ouro' (a 'prata' é o vero da igreja, e o 'ouro' é o seu bem); os seus 'arcos' significam os doutrinais do falso combatendo contra os veros e os bens (nºs. 2686 e 2709); os 'jovens' que eles despedaçarão significam os inteligentes pelos veros (nº 7668); os 'filhos' que eles não pouparão significam os veros mesmos. [17] No mesmo: "Multidão de camelos te cobrirá (...) todos virão de Scheba, carregarão ouro e incenso, e anunciarão os louvores de JEHOVAH (...) Em Mim as ilhas confiarão, e os navios de Társis para trazer os teus filhos de longe, e com eles a sua prata e o seu ouro" (Is. 60:6, 9); trata-se aí do advento do Senhor, e pela 'multidão de camelos' se entendem todos os que estão nas cognições do vero e do bem (nºs. 3048, 3071, 3143 e 3145); por 'Scheba', de onde virão, se entende de onde vêm essas cognições mesmas (nºs. 1171 e 3240); por 'ouro e incenso', os quais carregarão, se entendem os bens e os veros do bem, que são daí agradáveis; pelo 'ouro' os bens, e pelo 'incenso' esse veros (nºs. 9993, 10177 e 10296); pelas 'ilhas' que 'confiarão' se entendem as nações que estão no culto Divino, porém mais afastadas dos veros da igreja (nº 1158); pelos 'navios de Társis' se entendem as cognições gerais do vero e do bem, que contêm mais cognições em particular (nºs. 1977 e 6385); pelos 'filhos que trarão de longe' se entendem os veros mais afastados; os 'filhos' são os veros (como acima), e 'de longe' são os mais afastados (nºs. 1613 e 9487); 'com eles a sua prata e o seu ouro' significa as cognições do vero e do bem neles. O mesmo é significado pelos Sábios que vieram do oriente ao lugar onde Cristo nasceu e ofereceram ouro, incenso e mirra (Mt. 2:11); eles ofereceram essas coisas porque elas significavam os bens e veros interiores e exteriores, que são as ofertas agradáveis a Deus. [18] Em David: "Curvar-se-ão diante d'Ele todos os reis, e todas as nações O servirão; (...) salvará as almas dos pobres; (...) e viverá, e dar-lhes-á do ouro de Scheba" (Sl. 72:11, 13, 15); também aí se trata do advento do Senhor; pelos 'reis' que se curvarão diante d'Ele e pelas 'nações' que O servirão se entendem todos os que estão nos veros do bem; (os 'reis' são aqueles que estão nos veros, como se vê acima, nº 31, e as 'nações', aqueles que estão no bem, também como se vê acima, nº 175); pelos 'pobres' aos quais salvará se entendem aqueles que não estão nas cognições do vero e do bem, mas, não obstante, oa desejam (vê-se também acima, nº 239); pelo 'ouro de Scheba', do qual lhes dará, se entende o bem do amor no qual o Senhor conduz pelas cognições (o que é 'Scheba', viu-se há pouco, acima). [19] Em Ageu: "Suscitarei todas as nações, para que venham ao eleito de todas as nações, e encham de glória esta casa (...) Minha é a prata e [Meu] é o ouro; (...) a glória desta última casa será maior do que a da anterior" (Ag. 2:7-9); também estas palavras são a respeito do advento do Senhor; pelas 'nações' se entendem os que estão no bem e, daí, nos veros; pela 'casa' se entende a igreja (nº 3720); pela 'glória' que a encherá se entende o Divino Vero (nºs. 4809, 5922, 8267, 8427 e 9429); pela 'prata' e pelo 'ouro' que 'Me' pertencem se entendem o vero e o bem, que procedem do Senhor somente. [20] Em Zacarias: "Serão ajuntadas as riquezas de todas as nações ao redor; ouro, prata e vestimentas em grande abundância" (Zc. 14:14); pelas 'riquezas de todas as nações' se entendem as cognições onde quer que estejam, mesmo nos maus; pelo 'ouro', pela 'prata' e pelas 'vestimentas em grande abundância' se entendem os bens e veros espirituais e naturais. O mesmo é significado por Ouro, prata e vestimentas, que os filhos de Israel pediram aos egípcios, quando partiram de entre eles (Êx. 3:22; 11:2, 3; 12:35-36); por que motivo se fez isso e o que isso envolve, vê-se nos Arcanos Celestes (nºs. 6914, 6917), a saber, para que fosse representado que dos maus se tira o que têm e se dá aos bons (segundo as palavras do Senhor em Mateus 25:28, 29 e Lucas 19:24, 26); e que fizessem para si amigos do mamon injusto (segundo as palavras do Senhor em Lucas 16:9); pelo 'mamon injusto' se entendem as cognições do vero e do bem naqueles que não as possuem justamente, que são aqueles que não aplicam à vida. [21] Em David: "Filhas de reis estão entre as tuas preciosas, à tua direita está a rainha, em ouro fino de Ofir; (...) toda gloriosa, dentro está a filha do rei, suas vestes entretecidas de ouro" (Sl. 45:9, 13); aí se trata do Senhor, e pela 'filha do rei' se entende a igreja que está na afeição do vero, que é descrita por 'filhas de reis estão entre Suas preciosas", pelas quais se entendem as afeições mesmas do vero; por 'estar a rainha à Sua direita, em ouro fino de Ofir' se entende o reino celeste do Senhor, que está no bem do amor; por 'suas vestes entretecidas de ouro' se entende que os veros são provenientes do bem. [22] Em Mateus: Jesus disse aos discípulos que enviou para evangelizar que não possuíssem ouro, nem prata nem bronze em seus cintos (Mt. 10:9), pelo que foi representado que nada de bem e de vero tivessem por si mesmos, mas pelo Senhor, só, que de graça lhes daria todas as coisas. Como o 'ouro' significava o bem do amor, por isso A mesa sobre a qual punha os pães das faces era coberta de ouro (Êx. 25:23, 24); Semelhantemente, o altar do incenso, que era por isso chamado de altar dourado (Êx. 30:3); E, por isso, o castiçal era feito de puro ouro (Êx. 25:31, 38); Como também os querubins (Êx. 25:28); E também por isso a arca era coberta de ouro por dentro e por fora (Êx. 25:11); do mesmo modo que muitas coisas no templo de Jerusalém, porque a tenda, onde ficava a arca, os querubins, a mesa sobre a qual ficavam os pães das face, o altar do incenso e o castiçal, representava o céu, igualmente ao templo; por conseguinte, o 'ouro' ali significava o bem do amor, e a 'prata' significava o vero do bem. [23] Visto que as coisas santíssimas do céu eram representadas pelo ouro no templo, por isso Quando Belshazar bebeu vinho nos vasos de ouro tirados do templo e, ao mesmo tempo, adorou os deuses de ouro, de prata, de ferro, de madeira e de pedra, apareceu uma escritura na parede: Numerado, pesado e dividido, e naquela noite ele foi morto (Dn. 5:2 e seq.), porque por esse ato era significada a profanação do bem. Além disso, pelo 'ouro', no sentido oposto na Palavra, é significado o mal do amor de si, e pela 'prata' o falso daí, como em Moisés: A prata e o ouro das nações eles não cobiçassem, porque eram abominações, nem os trouxessem à sua casa, mas fossem amaldiçoados, porque deviam ser abominados e detestados (Dt. 7:25, 26); mas, a respeito dessa significação do 'ouro' e da 'prata' se dirá abaixo.