. "Assim como Eu também venci e sento com o Pai em Seu trono". Que isto signifique assim como, comparativamente, o Divino Bem é unido ao Divino Vero no céu, vê-se pela significação de 'vencer', quando se trata do Senhor mesmo, que é unir o Divino Bem ao Divino Vero. Como isto se faz por meio de tentações e vitórias, por isso se diz: 'Assim como Eu venci'. (O Senhor uniu o Divino Bem ao Divino Vero por meio de tentações admitidas em Seu Humano e, então, por contínuas vitórias, como se vê na Doutrina da Nova Jerusalém, nºs 201, 293 e 302). Que 'sentar com Meu Pai em Seu trono' signifique o Divino Bem unido ao Divino Vero no céu é porque pelo 'Pai', quando referido pelo Senhor, entende-se o Divino Bem que esteve n'Ele desde a concepção, e pelo 'Filho' entende-se o Divino Vero, um e outro no céu; e pelo 'trono' entende-se o céu (como se disse acima). Esse Divino do Senhor nos céus se chama Divino Vero, mas é o Divino Bem unido ao Divino Vero. (Que seja assim, vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 13, 133, 139 e 140). [2] Que se faça uma comparação dos homens da igreja com o Senhor mesmo, ao se dizer: 'Ao que vencer, dar-lhe-ei sentar-se comigo em Meu trono, assim como Eu também venci e sento com o Pai em Seu trono' é porque a vida do Senhor no mundo foi um exemplo segundo o qual os homens da igreja devem viver, como Ele mesmo disse em João: "Um exemplo vos dei, para que, assim como Eu fiz a vós, também vós façais; (...) se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes" (Jo. 18:15, 17). Assim é que o Senhor fez comparação consigo mesmo também em outras passagens, como nas seguintes. Em João: Jesus disse: "Como o Pai Me amou, assim Eu vos amei; permanecei no Meu amor (...) assim como Eu guardei os mandamentos de Meu Pai, e permaneço no Seu amor" (Jo. 15:9, 10); no mesmo: "Não são do mundo, assim como do mundo Eu não sou; (...) assim como Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo" (Jo. 17:16, 18); no mesmo: "Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio" (Jo. 20:21); no mesmo: "Eu lhes dei a glória que Me deste, para que sejam um, assim como nós somos um; Eu neles, Tu em Mim; (...) Pai, aqueles que Me deste, quero que onde Eu estou, também eles estejam comigo, para que vejam a Minha glória, a qual Me deste. (...) Fiz-lhes conhecido o Teu nome, e o farei conhecido [ainda], para que o amor que Me deste esteja neles, e Eu neles" (Jo. 17:22-24, 26). O Senhor falou a respeito de Sua conjunção com os homens assim como fala de Sua conjunção com o Pai, isto é, de Seu Humano com o Divino que está n'Ele. A causa disso é que o Senhor não é conjunto ao proprium do homem, mas ao o que é Seu nele. O Senhor remove o proprium do homem e lhe dá do Seu, e nisso habita nele. Que seja assim, é algo que também se conhece na igreja, como se vê pela prece habitual e pela exortação feita aos que se aproximam do sacramento da Ceia, ocasião em que se proferem estas palavras: "Se, com um coração verdadeiramente penitente, e com uma fé viva, recebemos este santo sacramento, pois então comemos espiritualmente a carne de Cristo e bebemos o Seu sangue, então habitaremos em Cristo e Cristo em nós, e somos um com Cristo e Cristo conosco52" e em João 6:56. (Mas estas coisas podem ser compreendidas melhor pelo que foi mostrado na obra O Céu e o Inferno, nºs 11 e 12). Daí se vê agora por que o Divino do Senhor recebido pelos anjos e pelos homens faz o céu e a igreja neles e eles são um com o Senhor, assim como Ele e o Pai são um. [3] Para que se saiba ainda de que modo se deve entender o que o Senhor diz, que Ele Se senta com o Pai em Seu trono, cumpre saber que o 'trono de Deus' é o céu (como se mostrou no artigo acima), e o céu é céu pelo Divino que procede do Senhor. E esse Divino se chama Divino Vero, mas é o Divino Bem unido ao Divino Vero (como acima se disse). O Senhor mesmo não está no céu, mas acima dos céus, e aparece aos que estão nos céus como um Sol. Aparece como um Sol porque é o Divino Amor, e o Divino Amor aparece aos anjos como o fogo solar, donde vem, ainda, que o 'fogo sagrado' na Palavra significa o Amor Divino. D'Ele como Sol procedem a Luz e o Calor. A Luz que procede, por ser a Luz espiritual, é o Divino Vero, e o Calor, por ser o Calor espiritual, é o Divino Bem. Este, a saber, o Divino Bem, se entende pelo "Pai nos céus". (O Senhor é o Sol do céu, e a Luz e o Calor dali são o Divino Vero unido ao Divino Bem, como se vê na obra O Céu e o Inferno, nºs 166-125 e 126-140; e o céu é céu pelo Divino que procede do Senhor, nºs 7-12). Daí se pode ver o que se entende na Palavra por 'Pai nos céus' e por 'Pai celeste', como em Mateus: Fazei bem aos inimigos, "para que sejais filhos de vosso Pai, que está nos céus" (Mt. 5:44, 45); no mesmo: "Sede perfeitos, assim como é perfeito o vosso Pai nos céus" (Mt. 5:48); no mesmo: "Vós, que sois maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que Lhe pedem" (Mt. 7:11); no mesmo: "O que faz a vontade do Pai, que está nos céus, entrará no reino dos céus" (Mt. 7:21); no mesmo: "Toda plantação que o Pai celeste não plantou será erradicada" (Mt. 15:13). E, além disso, em outras passagens (como Mt. 5:16; 6:1, 6, 8; 12:50; 16:17; 18:14, 19, 35; Mc. 11:25, 26 e Lc. 11:13). [4] Que pelo 'Pai' se entenda o Divino Bem, pode-se ver também por esta expressão em Mateus: "Não desprezeis a nenhum desses pequeninos, pois os seus anjos (...) vêem sempre a face de Meu Pai, que está nos céus" (Mt. 18:10); que eles 'vejam a face do Pai que está nos céus' significa que recebem do Senhor o Divino Bem; que não vejam a Sua face, vê-se por essas palavras em João: Ninguém jamais viu o Pai (Jo. 1:18; 5:37; 6:46). O mesmo se pode ver por estas palavras em Mateus: "A ninguém chameis vosso Pai na terra, pois Um é vosso Pai, que está nos céus" (Mt. 23:9). É evidente que não é proibido a ninguém chamar 'pai' ao seu pai na terra, nem isso é proibido aqui pelo Senhor, mas é dito assim porque pelo 'Pai' se entende o Divino Bem, e "Ninguém é bom senão um, Deus" (Mt. 19:17). (O Senhor falou assim porque pelo 'Pai', na Palavra de ambos os Testamentos, se entende, no sentido espiritual, o bem, como se vê nos nºs 3703, 5902, 6050, 7833 e 7834; e também o céu e a igreja quanto ao bem, nºs 2691, 2717, 3703, 5581 e 8897; e pelo 'Pai', onde o Senhor fala, se entende o Divino Bem do Seu Divino Amor, 2803, 3704, 7499, 8328 e 8897.)