. (Vers. 3) “E ninguém pôde no céu, nem sobre a terra, nem debaixo da terra, abrir o livro nem olhar para ele”. Que isto signifique a manifestação de que ninguém há absolutamente que conheça e perceba por si mesmo o estado da vida de todos e de cada um em particular vê-se pela significação de ‘e ninguém pôde abrir o livro nem olhar para ele’, ou seja, que ninguém há que por si mesmo conheça e perceba os estados da vida de todos no geral e de cada um em particular (de que se tratou logo acima, n. 303); e pela significação de ‘no céu, nem sobre a terra, nem debaixo da terra’, que é não somente que ninguém há em parte alguma, mas também que ninguém há absolutamente. De fato, pelo ‘céu’, por ‘sobre a terra’ e por ‘debaixo da terra’ se entendem os três céus, e por todos ali se entende o céu em todo o conjunto. E como o céu é céu pelo Divino Vero, o qual influi do Senhor e é recebido pelos anjos – e não, absolutamente, por alguma inteligência própria dos anjos, pois essa não é inteligência alguma – daí, pelas mesmas palavras é significado que ninguém tem [esse conhecimento e essa percepção] por si. Que os anjos no céu, igualmente aos homens no mundo, tenham um proprium que, considerado em si mesmo, nada é senão o mal, vê-se na obra O Céu e o Inferno (n. 592); e visto que o mal não recebe coisa alguma da inteligência e da sabedoria, segue-se que os anjos, igualmente aos homens, por si mesmos nada entendem do vero, mas entendem-no somente pelo Senhor. a razão de os anjos serem tais é porque todos os anjos são oriundos do gênero humano, e cada homem retém o seu proprium após a morte, e são desviados dos males que são de seu proprium e mantidos no bem pelo Senhor. (Que todos os anjos sejam oriundos do gênero humano e que nenhum deles tenha sido criado desde o princípio vê-se no opúsculo Juízo Final, n. 14-22; e que todos sejam desviados do mal e mantidos no bem pelo Senhor vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 166).
[2] Que ‘no céu’, ‘sobre a terra’ e ‘debaixo da terra’ signifiquem os três céus é porque os anjos que estão no terceiro céu ou supremo habitam em montanhas; os que estão no segundo céu ou médio, em colinas; e os que estão no primeiro céu ou ínfimo, abaixo deles, em planícies e vales. Porque o mundo espiritual, onde estão os espíritos e os anjos, é inteiramente como no mundo natural, onde estão os homens, ou seja, há terras, colinas e montanhas; e, quanto à aparência, a semelhança é tal que em nada difere absolutamente. Por isso, também, após a morte os homens mal sabem outra coisa senão que ainda vivem na terra, e quando se lhes dá oportunidade de olhar para nossa terra, não veem coisa alguma diferente. Além disso, os anjos que estão no céu ínfimo chamam de “céu” o lugar onde habitam os anjos do terceiro céu, porque fica no alto, acima deles, mas chamam de ‘terra’ o lugar onde eles mesmos habitam. Além disso, o céu terceiro ou supremo, que está nas montanhas, não aparece aos que estão abaixo ou sobre a terra a não ser como diante de nós aparece a região suprema da atmosfera coberta de uma nuvem branca e tênue, assim, tal como o céu diante de nós. Daí se pode ver o que se entende aqui em particular por ‘no céu, sobre a terra e debaixo da terra’. (Mas, a respeito disso, veem-se muitas coisas na obra O Céu e o Inferno, onde se trata das aparências no céu, n. 170-176, e das habitações e moradas dos anjos, n. 183-189).
[3] Visto que os homens não sabiam que há semelhantes superfícies da terra em ambos os mundos, o natural e o espiritual, por isso, quando liam a Palavra, não podiam perceber de outro modo senão que pelo ‘céu’ e pela ‘terra’ ali se entendem o céu visível diante de nossos olhos e a terra habitável pelos homens. Daí nasceu a opinião a respeito da destruição do céu e da terra, e da criação de um novo céu e uma nova terra, no dia do juízo final, quando, todavia, pelo ‘céu’ e pela ‘terra’ ali se entende o céu e a terra onde estão os espíritos e anjos, e, no sentido espiritual, a igreja onde estão anjos e homens (pois entre os anjos há uma igreja igualmente assim como entre os homens, como se vê na obra O Céu e o Inferno, n. 221-227). Diz-se no sentido espiritual porque o anjo não é anjo nem o homem é homem pela forma humana que os dois têm, mas pelo céu e pela igreja neles. Assim é que pelo ‘céu’ e pela ‘terra’ onde habitam anjos e homens é significada a igreja; pelo ‘céu’ a igreja interna e também a igreja com os anjos, e pela ‘terra’ a igreja externa e também a igreja com os homens. Como, todavia, dificilmente se pode crer que pela ‘terra’ na Palavra se entende a igreja, pelo fato de que não se sabe ainda que em cada coisa da Palavra encerra um sentido espiritual, pelo que a ideia material se adere e mantém o pensamento fixo na significação mais próxima do vocábulo, quero ilustrar e confirmar isso por muitas passagens.
[4] Em Isaías:
“Eis que JEHOVAH evacua a terra e a esvazia, e agita a sua superfície;... evacuando será evacuada a terra, e despojando será despojada... chorará e ficará confundida a terra habitável, o mundo ficará confundido;... a terra será profanada debaixo de seus habitantes;... por causa disso a maldição comerá a terra;... e serão queimados os habitantes da terra, e o homem deixado será raro. ... Clamor sobre o vinho nas ruas... será banida a alegria da terra;... haverá no meio da terra... como a sacudidura da oliveira, como os respigos, quando foi consumada a vindima. ... Da extremidade da terra ouvimos cânticos: Glória ao Justo. ... As cataratas do alto foram abertas, e foram abalados os fundamento da terra; confrangendo fendeu-se a terra, rompendo rompeu-se a terra; abalando abalou-se a terra; cambaleando cambaleia a terra como um ébrio; será abalada daqui para lá como uma rede; ... mas há de ser que naquele JEHOVAH visitará o exército da altura na altura, e os reis da terra que estão sobre a terra” (Is. 24:1, 3-6, 11, 13, 16, 18-21).
Aqui se manifesta claramente que pela ‘terra’ não se entende a terra, mas a igreja. Sejam expostas e examinadas cada uma dessas coisas. Quem está na ideia espiritual, quando ouve ser nomeada a ‘terra’, não pensa na terra mesma, mas na nação [gente] ali e em sua qualidade. Ainda mais é o caso com aqueles que estão no céu. Esses, por seres espirituais, percebem a igreja. Trata-se aqui dela destruída. Sua destruição quanto ao bem do amor e ao vero da fé, os quais a constituem, é descrita pelas expressões ‘JEHOVAH evacua a terra e a esvazia’, ‘evacuando será evacuada a terra’, ‘despojando será despojada’, ‘chorará e ficará confundida’, ‘será profanada’, ‘a maldição a comerá’, ‘as cataratas do alto foram abertas, e foram abalados os seus fundamentos’, ‘confrangida’, ‘fendida’, ‘abalada’’ e ‘cambaleia como um ébrio’. Estas coisas não podem ser ditas a respeito da terra nem da nação [gente], mas a respeito da igreja.
[5] No mesmo:
“Eis que vem o dia de JEHOVAH... para pôr a terra em assolação, e destrua dela os pecadores; pois as estrelas dos céus e as suas constelações não luzirão sua luz; o sol será entenebrecido em seu nascimento, e a luz não fará resplandecer o seu lume;... farei o homem na terra mais raro que o ouro puro... por causa disso abalarei os céus, e a terra será movida de seu lugar” (Is. 13:9, 10, 12, 13);
que a ‘terra’ aqui seja a igreja é evidente por cauda uma dessas coisas entendidas no sentido espiritual. Aí se trata de seu fim, quando não houver mais vero e bem, ou quando não houver mais fé e caridade. Pois pelas ‘estrelas’ e ‘constelações’ que não luzem são significados os conhecimentos do vero e do bem; pelo ‘sol’ que é entenebrecido no seu nascimento é significado o amor; pela ‘lua’ que não faz luzir o seu lume é significada a fé; pelo ‘homem’ que se tornará mais raro que o ouro puro é significada a inteligência e sabedoria. Daí se vê o que significa ‘Eis que vem o dia de JEHOVAH para pôr a terra em assolação;... abalarei os céus, e a terra será movida de seu lugar’. O ‘dia de JEHOVAH’ é o fim último da igreja, quando há o juízo; a ‘terra’ é a igreja. Que a terra mesma não seja movida de seu lugar é o que se pode ver, mas que a igreja é removida onde não houver amor e fé; ‘mover do lugar’ significa remover do estado anterior.
[6] No mesmo:
“Eis... o Senhor como inundação de granizo, uma tempestade de massacre, como inundação de águas poderosas... derrubará em terra com a mão;... consumação e decisão ouvi da parte do Senhor Jehovih Zebaoth sobre toda a terra” (Is. 28:2, 22).
Estas coisas são a respeito do juízo sobre os que são da igreja citada. O dia do juízo, quando ocorre o fim da igreja, se entende por ‘consumação e decisão ouvi da parte do Senhor Jehovih Zebaoth sobre toda a terra”; por isso se diz que é ‘como inundação de granizo, uma tempestade destruidora, como inundação de águas poderosas... derrubará em terra com a mão’; pelo ‘granizo’ e sua ‘inundação’ são significados os falsos que destroem os veros da igreja; pelo ‘massacre’ e sua ‘tempestade’ são significados os males que destroem os bens da igreja; pelas ‘águas poderosas’ são significados os falsos do mal. (Que pela ‘inundação’ e pelo ‘dilúvio’ seja significada a imersão nos males e falsos e, assim, a destruição da igreja, vide nos n. 660, 705, 739, 756, 790, 5725 e 6853 [nos Arcanos Celestes]; o mesmo é significado pela ‘derrubada em terra’ ou a precipitação).
[7] No mesmo:
“A terra tornar-se-á em pez ardente... de geração a geração será devastada” (Is. 34:9, 10);
pelo ‘pez ardente’ é significado todo mal que brota do amor de si, pelo qual a igreja perece completamente e é devastada; por isso se diz: ‘A terra tornar-se-á em pez ardente... de geração a geração será devastada’. Quem não vê que tais coisas não são ditas sobre a terra mesma?
[8] No mesmo:
“A terra pranteia, desfalece; o Líbano se envergonha e murcha” (Is. 33:9);
a ‘terra’, também aí, é a igreja, da qual se diz ‘prantear e desfalecer’ quando os falsos começam a ser aceitos e reconhecidos em lugar dos veros; por isso se diz que ‘o Líbano se envergonha e murcha’; pelo ‘Líbano’ é significado o mesmo que pelo ‘cedro’, a saber, o vero da igreja.
[9] Em Jeremias:
“Subiu o leão de sua sarça, e o destruidor de nações partiu... de seu lugar para fazer de tua terra uma desolação, para que tuas cidades sejam destruídas... Vi a terra, e eis que estava vácua e vazia, e [olhei] para os céus, e que não havia a luz deles; vi as montanhas, e eis que foram abalados, e todas as colinas demolidas... Disse JEHOVAH: Toda a terra será desolada... por isso a terra pranteia, e os céus em cima se enegrecerão” (Jr. 4:7, 23-24, 27, 28);
aí se trata também da devastação da igreja, que ocorro quando não há mais vero e bem, mas, em lugar desses, o falso e o mal. Essa devastação é descrita pelo ‘leão que sobre de sua sarça, e o destruidor de nações partiu de seu lugar’; o ‘leão’ e o ‘destruidor das nações’ significam o falso e o mal que devastam; as ‘montanhas’ que são abaladas e as ‘colinas’ que são demolidas significam o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo; que estes sejam significados pelas ‘montanhas’ e ‘colinas’ é porque, nos céus, habitam nas montanhas os que estão no amor ao Senhor, e nas colinas os que estão na caridade para com o próximo (como foi dito nas premissas e também na obra O Céu e o Inferno, n. 188, como também nas notas ali, letra c [na edição princeps]); pelos ‘céus’, onde ‘não há luz’ e que ‘serão enegrecidos’ são significados os interiores dos homens da igreja que, quando são fechados pelos males e falsos, não admitem a luz do céu, mas, em lugar dela, as trevas do inferno. Por aí se pode ver o que é significado pela frase ‘o leão e destruidor das nações fará a terra uma desolação’, e também por ‘vi a terra, e eis que estava vácua e vazia’, e, ainda, por ‘toda a terra será assolada, por isso a terra pranteia’, a saber, aí não se entende a terra, mas a igreja.
[10] No mesmo:
“Até quando pranteará a terra, e a erva de todo o campo [se secará]? Por causa da malícia dos habitantes nela serão consumidas as bestas e as aves? ... Toda a terra está desolada, porque nenhum varão põe em seu coração. Sobre todas as colinas no deserto vieram os que assolam, porque a espada de JEHOVAH devora desde o fim da terra até o fim da terra... semearam trigo e ceifaram espinhos” (Jr. 14:4, 11-13);
que a ‘terra’ aqui signifique a igreja, vê-se pelo fato de se dizer que ‘a terra pranteará e a erva de todo o campo [se secará]’, e que ‘serão consumidas as bestas e as aves por causa da malícia dos habitantes nela’ e ‘porque nenhum varão põe em seu coração’. Pela ‘erva de todo o campo’ é significado todo vero e bem da igreja, e pelas ‘bestas e aves’ são significadas as afeições do bem e do vero; e como pela igreja é significada a ‘terra’ e se trata dela devastada, por isso se diz ‘sobre todas as colinas no deserto viveram os que assolam, porque a espada de JEHOVAH devora desde o fim da terra até o fim da terra... semearam trigo e ceifaram espinhos’; pelas ‘colinas no deserto’ sobre as quais vieram os que assolam são significadas as coisas que são da caridade; o ‘deserto’ é onde não existe o bem por não existir o vero; pela ‘espada de JEHOVAH’ é significado o falso que destrói o vero; ‘do fim da terra até o fim da terra’ significa toda a igreja; por ‘semear trigo e ceifar espinhos’ é significado tomar da Palavra os veros do bem e convertê-los em falsos do mal (o “trigo” são os veros do bem, e os ‘espinhos’ são os falsos do mal).
[11] Em Isaías:
“Sobre a terra do meu povo subirão espinhos e cardos;... o palácio ficará deserto, a multidão de cidades será abandonada” (Is. 32:13, 14);
os ‘espinhos e cardos’ que subirão da terra significa o falso e o mal; o ‘palácio’ que ficará deserto significa onde o bem habita; e a ‘multidão de cidades’ que será abandonada significa onde estão os veros, pois ‘cidade’ significa a doutrina do vero.
[12] No mesmo:
“Cardos e sarças estarão sobre toda a terra; todas as montanhas, por sua vez, que serão cavadas com enxada, não chegarão ali o temor do cardo e da sarça, mas serão envio (**) dos bois e pisadas das ovelhas” (Is. 7:24, 25);
‘cardos e sarças’ significam o falso e o mal; daí é evidente o que significa ‘cardos e sarças estarão sobre toda a terra’; pelas ‘montanhas’ que serão ‘cavadas com a enxada’ são significados os que fazem o bem pelo amor do bem; neles não há o falso e o mal, mas o bem, tanto o natural quanto o espiritual, o que significado por ‘não chegarão ali o termo do cardo e da sarça, mas serão envio de bois e pisadas das ovelhas’; pelo ‘boi’ é significado o bem natural, e pela ‘ovelha’ o bem espiritual.
[13] Em Ezequiel:
“Tua mãe [foi] uma leoa, entre os leões se deitou; ...criou um dos seus filhotes... devastou as cidades; a terra foi desolada, e a sua plenitude, pela voz de seu rugido” (Ez. 19:2, 3, 7);
pela ‘mãe’ é significada a igreja; por ‘leoa’ e ‘leões’, a potência do mal e do falso contra o bem e o vero; pelo ‘rugido do leão’ é significado o desejo de destruir e de desolar; pelas ‘cidades’ que ele devastou é significada a doutrina com seus veros. Daí é evidente o que é significado por ‘a terra foi desolada, a sua plenitude’, a saber, toda a igreja.
[14] No mesmo:
“O seu pão comerão com solicitude, e as suas águas beberão com espanto, para que a terra seja devastada de sua plenitude, por causa da violência de todos os habitantes nele; e as cidades habitadas serão devastadas, e a sua terra se tornará uma desolação” (Ez. 12:19, 20);
aqui, pela ‘terra’ e pelas ‘cidades’ que serão devastadas e tornar-se-ão desolação são significadas as mesmas coisas que acima, ou seja, pela ‘terra’ é significada a igreja, e pelas ‘cidades’ a doutrinas com seus veros; por isso se diz ‘por causa da violência de todos os habitantes nela’. Como são significadas essas coisas, por isso se disse antes que ‘o seu pão comerão com solicitude, e as suas águas beberão com espano’; o ‘pão e a ‘água’ na Palavra significam todo bem do amor e todo vero da fé (vide [nos Arcanos Celestes] o n. 9323; e ‘comer e beber’ significa ser instruído e apropriar-se (n. 3168, 3513, 3832 e 9412).
[15] Em David:
“Invoquei JEHOVAH, e ao meu Deus clamei;... pelo que a terra se abalou e tremeu, e os fundamentos das montanhas trepidaram se abalaram, quando Ele Se abrasou” (Sl. 18:6, 7);
a ‘terra’, aí, está em lodo da igreja, que se diz ‘estar abalada’ e ‘tremer’ quando é pervertida pelo fato de os veros serem falsificados; e, então, dos ‘fundamentos das montanhas’ se diz que ‘trepidam e se abalam’ porque então desaparecem os bens do amor, que são fundados sobre os veros da fé, porquanto as ‘montanhas’ são os bens do amor (como acima) e os seus ‘fundamentos’ são os feros da fé; daí também é evidente que a ‘terra’ é a igreja.
[16] No mesmo:
“De JEHOVAH é a terra e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam; e Ele o1 fundou sobre os males, sobre os rios o estabeleceu” (Sl. 24:1, 2);
‘terra’ e ‘mundo’ estão em lugar da igreja, e ‘plenitude’ em lugar de todas as suas coisas; os ‘mares’ sobre os quais o fundou são os conhecimentos do vero no geral, e os ‘rios’ são as coisas doutrinais. Visto que é sobre estes e aqueles que uma igreja se fundamenta, por isso se diz ‘sobre os males o fundou, e sobre os rios o estabeleceu’. Que isto não se possa dizer a respeita da terra e do mundo, é evidente a qualquer um.
[17] No mesmo:
“Não temeremos quando a terra mudar, e quando as montanhas forem abaladas para o coração dos mares, quando se tumultuarem e se turbarem suas águas;... tumultuem-se as nações, abalem-se os reinos; quando tiver soado a sua voz, a terra derreterá” (Sl. 46:2-3, 6).
É evidente que pela ‘terra’ se entende a igreja, porque dela se diz ‘mudar’, ‘derreter’ e também que ‘as montanhas são abaladas para o coração dos mares e turbam-se as suas águas’; e que ‘tumultuam-se as nações e abalam-se os reinos’. Pelas ‘montanhas’ são significados os bens do amor (como acima), que se dizem ‘abalados’ para o ‘coração dos mares’ quando as cognições essenciais do vero são pervertidas; pelas ‘águas’ são significadas os veros da igreja, que se dizem ‘turbadas’ quando são falsificadas; pelas ‘nações’ são significados os bens da igreja e, no sentido oposto, os seus males; e pelos ‘reinos’, os veros da igreja e, no sentido oposto, os seus falsos, como também os que estão em uns e outros.
[18] No mesmo:
“Ó Deus, Tu nos rejeitaste... tens estado indignado; traze-nos de volta o repouso; fizeste tremer a terra, e a quebraste; curas as suas fraturas, pois ela foi abalada” (Sl. 60:1-2);
pode-se ver que essas coisas foram ditas a respeito da igreja e não da terra, pois se diz: ‘fizeste tremer a terra, e a quebraste; cura as suas fraturas, porque foi abalada’; e como pela ‘terra’ é significada a igreja – aqui, a igreja devastada – por isso se diz: ‘Ó Deus, Tu nos rejeitaste... tens estado indignado; traze-nos de volta ao repouso’.
[19] No mesmo:
“Quando receber o tempo determinado, Eu julgarei em retidão; dissolvem-se a terra e todos os seus habitantes; Eu firmarei as suas colunas” (Sl. 75:2, 3);
aqui, semelhantemente, a ‘terra’ está em lugar da igreja, a qual é dita ‘dissolver-se’ quando faltam os veros pelos quais há os bens; por sustentarem a igreja, os veros se chamam ‘suas colunas’, as quais Deus ‘firmará’. É evidente que não são colunas da terra que são firmadas. Como aqui se descreve a restauração da igreja, pois isso se diz: ‘Quando receber o tempo determinado, Eu julgarei em retidão’. Os veros da igreja, que aqui são chamados ‘colunas da terra’, são também chamados ‘bases da terra’ em I Sm. 2:8, e ‘fundamentos da terra’ em Isaías:
“Porventura não entendestes os fundamentos da terra? O que habita sobre o círculo da terra... que reduz os príncipes a nada, e aos juízes da terra torna como coisas vãs” (Is. 40:21-23);
pelos ‘príncipes’ que são reduzidos a nada, pelos ‘juízes da terra’, que torna como coisas vãs são significadas as coisas que são da própria inteligência de do próprio julgamento.
[20] Em Jeremias:
“Vem um tumulto até a extremidade da terra; ... assim disse JEHOVAH: Eis que o mal sai de nação para nação, a uma grande tempestade se levantará dos lados da terra; e os mortos de JEHOVAH naquele dia estarão desde uma extremidade da terra até a sua extremidade” (Jr. 25:31-33);
a ‘extremidade da terra’ e os ‘lados da terra’ significam onde estão os últimos da igreja e onde começam os males e falsos; e ‘desde uma extremidade da terra até a sua extremidade’ significa todas as coisas da igreja. Daí se pode saber o que é significado pelo ‘tumulto que vem até a extremidade da terra’, pela ‘grande tempestade que se levanta dos lados da terra’, e pelos ‘feridos de JEHOVAH naquele dia, que estarão desde uma extremidade da terra até a sua extremidade’; pelos ‘feridos’ são significados aqueles em quem os veros e bens da igreja foram extintos (vide [nos Arcanos Celestes], n. 4503).
[21] Em Isaías:
“As ilhas viram e temeram; as extremidades da terra tremeram, aproximaram-se e vieram;... Farei do deserto um lago de águas, e da terra seca um manancial de águas” (Is. 41:5, 18);
assim se descreve a instauração da igreja entre as nações; elas são significadas pelas ‘ilhas’ e pelas ‘extremidades da terra’, pois as ‘ilhas’ e as ‘extremidades da terra’ na Palavra significam que estão distantes dos veros e bens da igreja, por não terem a Palavra e, assim, estarem na ignorância. Que a igreja será instaurada entre eles, é significado por ‘farei do deserto um lago de águas, e da terra seca um manancial de águas’; diz-se ‘deserto’ de onde ainda não há bem, por não haver ainda o vero, pelo que isto também se chama ‘terra seca’; o ‘lago de águas’ o ‘manancial de águas’ significam o bem por haver o vero, pois todo bem espiritual, que é o bem da igreja, é adquirido por meio dos veros.
[22] No mesmo:
“Ai da terra sombreada pelas asas, que está além dos rios de Cush2;... Ide, mensageiros... a uma nação... pisoteada, cuja terra os rios depredaram” (Is. 18:1, 2);
ninguém pode saber o que é ‘terra sombreada pelas asas’ e ‘terra que os rios depredaram’ a menos que saiba que a ‘terra’ é a igreja, e que os ‘rios’ são os falsos; a ‘terra sombreada pelas asas’ é a igreja que está na escuridão quanto aos Divinos veros (estes são significados pelas ‘asas’, como se vê acima, n. 283); ‘além dos rios de Cush’ significa quanto às cognições mesmas do sentido da letra da Palavra, as quais são falsificadas; ‘nação pisoteada’ à qual os ‘mensageiros iriam’, ‘cuja terra foi depredada pelos rios’ significa aqueles que, fora da igreja, estão nos falsos provenientes da ignorância (os ‘rios’ são os veros da doutrina e, no sentido oposto, os falsos); que os ‘mensageiros iriam a eles’ significa que seriam convidados a que neles houvesse a igreja.
[23] No mesmo:
“Na inflamação de JEHOVAH Zebaoth a terra foi obscurecida” (Is. 9:19);
a “terra obscurecida’ significa as coisas da igreja que estão na escuridão ou nos falsos, pois se diz dos falsos do mal que estão na escuridão, enquanto os veros estão na luz.
[24] No mesmo:
“JEHOVAH removerá o homem, e serão multiplicados os desertos no meio da terra” (Is. 6:12);
o ‘homem’, a que JEHOVAH removerá, significa o sábio e, abstratamente, a sabedoria (vide acima, n. 280); ‘os desertos multiplicados no meio da terra’ significam não haver absolutamente bem algum, por não haver vero algum; o ‘meio da terra’ é onde o vero está na maior luz [summa luce]; por isso, como ali não há luz, há escuridão por toda parte; assim, não há absolutamente vero algum.
[25] No mesmo:
JEHOVAH “ferirá a terra com a vara de Sua boca, e com o sopro de Seus lábios matará o ímpio” (Is. 11:4);
a ‘vara da boca’ de JEHOVAH, que ferirá a terra, significa o vero nos últimos, que é o vero do sentido da letra da Palavra; o ‘sopro dos lábios’, que matará o ímpio, significa o vero no sentido espiritual da Palavra; destes se diz ‘ferir a terra’ e ‘matar o ímpio’ quando se é condenado por eles, pois cada um é julgado pelos veros e por eles é condenado.
[26] No mesmo:
“Descansou a terra, e está descansada... o inferno... despertou por causa de ti Rephaim, todos os poderosos da terra;... os que te virem... dirão: Não é este varão que abala a terra, que faz estremecer os reinos, fez do mundo um deserto, e destruiu suas cidades?... Tua terra destruíste, teu povo mataste... preparai a matança para os seus filhos, para não ressurjam, e possuam a terra, e encham de cidades a face da terra. ... Quebrarei o assírio na Minha terra, e sobre as Minhas montanhas pisá-lo-ei” (Is. 14:7, 9, 16, 17, 21, 25);
estas coisas foram ditas a respeito do rei de Babel, por quem é significada a destruição do vero pelo amor de imperar sobre o céu e a terra, ao qual servem de meios os veros da Palavra ou as coisas que são da igreja; aí se trata da danação deles; ‘Rephaim’, aos quais o ‘inferno despertou’ são os que se acham em medonhas persuasões do falso, os quais são por isso chamados ‘poderosos da terra’. ‘Abalar a terra’, ‘estremecer os reinos’, ‘fazer da cidade um deserto e destruir suas cidades’ significa perverter todas as coisas da igreja; a ‘terra’ e o ‘mundo’ são a igreja; o ‘reino’ são os veros que a constituem, e as ‘cidades’ são todas as coisas da doutrina. Daí é evidente o que é significado por ‘tua terra destruíste, teu povo mataste’. Pelo ‘assírio’, que seria ‘quebrado na terra e pisado sobre as montanhas’ é significado o raciocínios pelos falsos contra os veros; ‘quebrar’ é dissipar, e ‘pisar’ é destruir completamente; as ‘montanhas’ sobre quais se faria isso significam onde reina o bem do amor e da caridade, pois aí, ou neles, é dissipado ou destruído todo raciocínio pelos falsos.
[27] No mesmo:
“Lamentai, ó navios de Tarshis... da terra de Chittim lhes virá claramente;... passe como rio a tua terra, ó filha de Tarshish, não há mais cinto;... Eis a terra dos caldeus... a Assíria a fundou nos montões. JEHOVAH visitará, para que retorne ao pagamento da meretriz, e cometa escortação com todos os reinos da terra sobre a face do mundo” (Is. 23:1, 3, 10, 13, 17);
que aqui não se entendam os navios de Tarshish, nem Tiro, nem a terra de Chittim, nem a terra dos caldeus, nem a Assíria, pode-se ver por cada coisa neste capítulo; mas pelos ‘navios de Tarshish’ se entendem as cognições do vero e do bem, do mesmo modo que por ‘Tiro’; pela ‘terra de Chittim’ se entende o que é idolátrico; pela ‘terra dos caldeus’, a profanação e a destruição do vero; e pela ‘Assíria’, o raciocínio pelos falsos. Daí é evidente que a expressão ‘Lamentai, ó navios de Tarshish, porque Tiro foi devastada’ significa que não havia mais quaisquer cognições do vero; ‘da terra de Chittim lhes virá claramente’ significa o idolátrico que vem dali; ‘não há mais cinto’ significa que não há mais coerência do vero com o bem; ‘eis a terra dos caldeus’ significa que há, assim, profanação e destruição do vero; ‘Assíria a fundou nos montões’ significa que o raciocínio pelos falsos o destruiu; ‘retornar ao pagamento da meretriz, e cometer escortação com todos os reinos sobre a face do mundo’ significa a falsificação de todas as verdades de toda a igreja.
[28] No mesmo:
O rei da Assíria “irá por Judah, inundará e passará, até o pescoço atingirá; e as movimentações de suas larguras3 serão a plenitude da largura de tua terra, ó Emmanuel” (Is. 8:8);
o ‘rei da Assíria’ significa também aqui o raciocínio pelos falsos contra os veros; ‘irá por Judah, inundará e passará’ significa que destruirá o bem da igreja (diz-se ‘inundar’ a respeito dos falsos porque eles são significados pelas ‘águas’); ‘até o pescoço atingirá’ significa que assim não haverá mais comunicação alguma do bem e do vero; e ‘as movimentações de suas larguras serão a plenitude da largura de tua terra, ó Emmanuel’ significa que os falsos serão contra todos os veros da igreja do Senhor; que a ‘largura da terra’ signifique os veros da igreja, vide na obra O Céu e o Inferno (n. 197) e, assim, no sentido oposto, os falsos; por isso ‘as movimentações de suas asas’ significam os raciocínios pelos falsos contra os veros da igreja.
[29] No mesmo:
“Naquele dia o renovo de JEHOVAH será por honra e glória, e o fruto da terra será por magnificência e ornamento aos restantes de Israel” (Is. 4:2);
o ‘renovo de JEHOVAH’, que será por honra e glória, significa o vero da igreja; e o ‘fruto da terra’, que será por magnificência e ornamento, significa o bem da igreja; ‘Israel’ significa a igreja espiritual. É vidente que nenhum renovo nem fruto da terra serão por honra, glória, magnificência e ornamento, mas, sim, o vero e o bem da igreja. Quando se diz o vero e o bem da igreja, entende-se o vero da fé e o bem do amor, pois todo vero é da fé e todo bem é do amor.
[30] No mesmo:
“Acrescentaste a nação, ó JEHOVAH, glorificado és! Removeste todas as extremidades da terra” (Is. 26:15);
a ‘nação’, que ‘JEHOVAH acrescentou’ significa aqueles que estão no bem do amor, os quais adjudicou a Si mesmo; as ‘extremidades da terra’, que Ele ‘removeu’, significam os falsos e males que infestam a igreja, dos quais os purificou.
[31] No mesmo:
“Teus olhos verão o rei em sua beleza, contemplarão a terra das grandes distâncias” (Is. 33:17);
‘ver o rei em sua beleza’ é o vero genuíno, que vem do Senhor, somente; ‘contemplar a terra das grandes distâncias’ significa a extensão da inteligência e da sabedoria.
[32] No mesmo:
“Dei-Te por aliança do povo, para restituir a terra;... cantai, ó céus! e exulta, ó terra! e retumbai com cântico, ó montanhas!” (Is. 49:8, 13);
aí se trata do Senhor e de Seu advento; a instauração da igreja por Ele é descrita por ‘Dei-Te por aliança do povo, para restituir a terra’; ‘restituir a terra’ é restaurar a igreja. É notório que o Senhor não restituiu a terra ao povo judaico, mas instituiu uma igreja com os gentios; o regozijo daí é descrito pela expressão ‘Cantai, ó céus! exulta, ó terra! e retumbai com cântico, ó montanhas!’; pelos ‘céus’ se entendem os céus onde se acham os anjos que estão nos veros interiores da igreja; pela ‘terra’ se entende a igreja com os homens, e pelas ‘montanhas’, os que estão no bem do amor ao Senhor.
[33] Em Jeremias:
“A terra está cheia de adultério, pois a terra pranteia por causa da maldição; secaram-se os pastos do deserto” (Jr. 23:10);
‘adultérios’ significam aqueles que adulteram os bens da igreja, pelo que se diz: ‘a terra está cheia de adultério, e por causa da maldição a terra pranteia’; os ‘pastos do deserto’ que se ‘secaram’ significam a nutrição espiritual, que não existe em tal igreja; ‘deserto’ se diz de onde não há bem, por não haver vero.
[34] No mesmo:
“Seca sobre as águas, para que se sequem, pois é uma terra de imagens esculpidas” (Jr. 50:38);
‘seca sobre as águas para se sequem’ significa que não há mais veros (as ‘águas’ são os veros); ‘pois é uma terra de imagens esculpidas” significa a igreja destruída pelos falsos que procedem da própria inteligência, que são tidos como veros; ‘imagens esculpidas’ significa esses falsos.
[35] Em Ezequiel:
“O fim vem sobre as quatro plagas da terra;... a terra está cheia do juízo de sangues, e a cidades está cheia de violência” (Ez. 7:2, 23);
“o fim vem sobre as quatro plagas da terra’ significa o último tempo e o último estado da igreja, quando é o seu fim; ‘quatro plagas’ são todos os seus veros e bens, e, no sentido oposto, todos os seus falsos e males, por conseguinte, todas as coisas da igreja; a ‘terra cheia do juízo dos sangues’ significa que está cheia de males de todo gênero; os ‘sangues’ são os males que faz violência aos bens do amor e da caridade, e os destroem completamente; a ‘cidade cheia de violência’ significa igualmente a doutrina dessa igreja.
[36] No mesmo:
“Todas as luminárias de luz no céu escurecerei sobre ti, e porei trevas sobre a tua terra” (Ez. 32:8);
pelas ‘luminárias de luz nos céus’ se entendem o sol, a luz e as estrelas, e pelo ‘sol’ é significado o amor, pela ‘lua’ a daí procedente, e pelas ‘estrelas’ as cognições do bem e do vero; daí é evidente o que é significado por ‘escurecê-los-ei sobre ti’, a saber, que não mais existem; também daí é evidente o que é significado por ‘porei trevas sobre a tua terra’, a saber, os falsos na igreja (‘trevas’ são os falsos, e ‘terra’ é a igreja).
[37] No mesmo:
“Profetiza sobre a terra de Israel, e diz às montanhas e às colinas, e rios e vales... Eis que estou em vós, e olharei por vós, para que sejais cultivados e semeados” (Ez. 36:6);
pela ‘terra de Israel’ se entende a igreja; as ‘montanhas, colinas, rios e vales’ significam todas as coisas da igreja, desde suas primeiras até as últimas; as ‘montanhas’ são os bens do amor ao Senhor e as ‘colinas’ são os bens da caridade para com o próximo; estas são as primeiras coisas da igreja; ‘rios’ e ‘vales’ são os veros e bens, que são as últimas coisas da igreja. Que sejam estas as coisas significadas, pode-se ver pelo que foi exposto nas premissas deste artigo, a saber, nas montanhas no céu habitam os que estão no bem do amor ao Senhor; nas colinas, os que estão na caridade para com o próximo, e nas planícies e vales os que nos bens e veros no último céu; os ‘rios’ são os veros da doutrina ali; ‘semear’ os veros é significado por ‘olharei por vós, para que sejais cultivados e semeados’.
[38] Em Oséias:
“Naquele dia... ouvirei os céus, e eles ouvirão a terra, e a terra ouvirá o frumento, e o mosto e o óleo, e estes ouvirão Israel4; e semeá-lo-ei para Mim na terra” (Os. 2:21-23);
é evidente que estas coisas devem ser entendidas espiritualmente e não naturalmente, segundo o sentido da letra, pois se diz que ‘estes ouvirão Israel, semeá-lo-ei para Mim na terra’; por isso, pelos ‘céus’ se entendem os céus onde está o Senhor, e pela ‘terra’, a igreja, onde também está o Senhor; pelo ‘frumento, mosto e óleo’ são significadas todas as coisas da nutrição espiritual, que são os bens do amor e da caridade, como também os veros da fé.
[39] Em Malaquias:
“Ele não vos destruirá o fruto da terra, nem vos será estéril a vide no campo;... e todas as nações vos chamarão bem-aventurados, e vós seres uma terra de beneplácito” (Ml. 3:11, 12);
estas coisas se dizem a respeito daqueles com os quais e nos quais está a igreja; e como pelo ‘fruto da terra’ e pela ‘vide no campo’ são significados os bens e veros da igreja (pelo ‘fruto’ os bens, e pela ‘vide’ os seus veros), por isso são chamados ‘terra de beneplácito’.
[40] Em David:
“Teu bom Espírito me conduza numa terra de retidão; por causa do teu nome, vivifica-me, ó JEHOVAH” (Sl. 143:10-11);
a ‘terra de retidão’ está em lugar da igreja na qual se acha o que é reto e verdadeiro; e visto que o ‘Espírito de JEHOVAH” significa o Divino Vero, e cada um recebe por este a vida espiritual, por isso se diz: ‘Teu bom Espírito me conduza’ e ‘vivifica-me, ó JEHOVAH’.
[41] Visto que a ‘terra’ significa a igreja, e onde está a igreja aí está o céu, por isso este se chama ‘terra dos viventes’ e ‘terra da vida’. ‘Terra dos viventes’ em Isaías:
“Disseram: Não verei Jah na terra dos viventes” (Is. 38:11);
e em Ezequiel:
“Que causaram terror na terra dos viventes” (Ez. 32:23, 24, 25, 26, 27).
‘Terra da vida’ em David:
“Se não cresse que veria o bem... na terra da vida” (Sl. 27:13);
[42] Em Moisés:
“A pedra será íntegra e justa, a efa será íntegra e justa, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra” (Dt. 25:15);
‘os dias serem prolongados sobre a terra’ não significa a longa duração da vida no mundo, mas o estado de vida na igreja, por conseguinte, no céu, porque ‘ser prolongado’ se atribui ao bem e ao seu aumento, e os ‘dias’ significam o estado da vida; e como a ‘pedra íntegra e justa’, que era o peso, e a ‘efa íntegra e justa’, que era a medida, significam o vero, o bem e a qualidade deles, e como ambos juntamente significam a justiça (a ‘pedra’ é o vero, e a ‘medida’ é o bem), e não enganar com os pesos e com as medidas é o justo, por isso eles terão a vida da igreja e, depois, a vida no céu, que é o que se entende por ‘serem prolongados os seus dias sobre a terra’.
[43] O mesmo é significado no preceito do Decálogo:
“Honra teu pai e tia mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra” (Êx. 20:12);
que o céu e a felicidade ali tenham os que honram pai e mãe é porque no céu não se conhece outro Pai senão o Senhor, pois todos os que ali estão são gerados de novo por Ele; e por ‘mãe’, no céu, se entende a igreja e, em geral, o reino do Senhor. É evidente que aqueles que adoram o Senhor e buscam o Seu reino hão de ter a vida no céu, como também que muitos dos que honram pai e mãe no mundo não vivem aí por tanto tempo.
[44] Em Mateus:
“Bem-aventurados os mansos, porque receberão a terra por herança” (Mt. 5:5);
‘terra por herança’ não significa a posse da terra, mas a posse do céu e a bem-aventurança ali; os ‘mansos’ significam os que estão no bem da caridade.
[45] Em Isaías:
“Eis que a virgem conceberá e parirá um Filho, e chamará o Seu nome Deus conosco; manteiga e mel comerá, para que saiba rejeitar o mal e escolher o bem; porque antes que o Menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, será desolada a terra que tu repugnaste diante de seus dois reis... Sucederá naquele dia... por causa da abundância de dar leite, Ele comerá manteiga, pois manteiga e mel comerá todo aquele que restar no meio da terra” (Is. 7:14-16, 21, 22).
Sabe-se que estas palavras foram ditas a respeito do Senhor e de Seu advento. ‘Manteiga e mel’, que Ele comerá, significam os bens do amor; ‘manteiga’ o bem do amor celeste e espiritual, e ‘mel’ o bem do amor natural. Por estas palavras se entende que apropriaria a Si o Divino também quanto ao Humano (‘comer’ significa apropriar-se); que ‘a terra seria desolada antes que Ele soubesse rejeitar o mal e escolher o bem’ significa que não haveria de resto coisa alguma da igreja em todas as terras do mundo, quando Ele nascesse; e visto que onde havia igreja as pessoas rejeitaram todo Divino Vero e perverteram todas as coisas da Palavra, explicando-as em favor de si mesmos, por isso de diz a respeito da terra, isto é, da igreja, ‘que tu a repugnaste diante de seus dois reis’; os ‘reis’ significam os veros do céu e da igreja; ‘dois reis’ são o vero da Palavra no sentido interno ou espiritual e vero da Palavra no sentido externo ou natural; o ‘leite’ significa o vero pelo qual há o bem; e como a ‘manteiga’ significa o bem daí, por isso, ‘por causa da abundância de dar leite comerá manteiga todo o que restar no meio da terra’ significa que todo vero será proveniente do bem.
[46] Em Mateus:
Na consumação do século “lamentarão todas as tribos da terra” (Mt. 24:30);
a ‘consumação do século’, de que se trata naquele capítulo, é o último tempo da igreja, quando ocorre o juízo; ‘todas as tribos da terra’ significam todos os veros e bens da igreja, que se dizem ‘lamentar’ quando não mais existem.
[47] Em Lucas:
“Então haverá sinais no sol, na lua e nos astros, e sobre a terra [haverá] angústia das nações, pelo bramido do mar e das ondas. Os homens desfalecerão ** de medo e pela expectação das coisas que sobrevirão no mundo das terras, pois os poderes dos céus serão abalados.” Aquele dia “virá como um laço sobre todos os que se assentam sobre a face de toda a terra” (Lc. 21:25, 26, [34], 35);
também aí se trata do último tempo da igreja, quando ocorre o juízo, e por ‘terra’ e ‘mundo’ aí se entende a igreja; a ‘angústia das nações sobre a terra’, o ‘medo e a expectação das coisa que sobrevirão no mundo das terras’ e ‘sobre todos os que se assentam sobre a face de toda a terra’ não significa sobre aqueles que estão nas terras no mundo natural, mas sobre os que estão no mundo espiritual; (que também ali haja terras, vê-se nas premissas deste artigo; e que ali foi realizado o juízo final, vê-se no opúsculo Juízo Final); o que são o ‘sol’, a ‘lua’ e os ‘astros’ nos quais haverá sinais, foi dito acima, a saber, o ‘sol’ significa o amor, a ‘lua’ a fé daí procedente, e os ‘astros’ as cognições do bem e do vero; o ‘bramido do mar e das ondas’ significa os raciocínios e os assaltos aos veros do sentido da letra da Palavra aplicados errônea e viciosamente; os ‘poderes dos céus’, que serão abalados, significam a Palavra no sentido da letra, visto que esse sentido é o fundamento das verdades espirituais que estão nos céus (vide, na obra O Céu e o Inferno, no capítulo que trata da conjunção do céu com o homem pela Palavra, os n° 303 a 310).
[48] Em Isaías:
“Cantai, ó céus... jubilai, ó inferiores da terra! retumbai com cânticos, ó montanhas, a floresta e toda árvore nela, porque JEHOVAH remiu a Jacob;... Eu, JEHOVAH, que faço todas as coisas, que sozinho expando os céus, e estendo a terra por Mim mesmo” (Is. 44:23, 24);
‘Cantai, ó céus... jubilai, ó inferiores da terra! retumbai com cânticos, ó montanhas, a floresta e toda árvore nela’ significam todas as coisas do céu e da igreja, tanto interna quanto externa, as quais se referem, todas, ao bem e ao vero; as internas são significadas pelos ‘céus’, as externas pelos ‘inferiores da terra’; as ‘montanhas’ são os bens do amor; a ‘floresta’ é o vero natural, e as ‘árvores’ ali são as cognições do vero. Visto que tais coisas são significadas, por isso se diz: ‘porque JEHOVAH remiu a Jacob’; por ‘Jacob’, na Palavra, é significada a igreja externa, e por ‘Israel’ a igreja interna; ‘expandir os céus e estender a terra’ significa ambas as igrejas, que são expandidas e estendidas pela multiplicação do vero e pela multiplicação do bem naqueles que são da igreja.
[49] Em Zacarias:
“JEHOVAH, que estende os céus e que funda a terra, e que forma o espírito do homem no seu meio” (Zc. 12:1);
aqui, semelhantemente, pelos ‘céus’ e pela ‘terra’ é significada a igreja em ambos os lugares, por conseguinte, quanto aos seus interiores e aos seus exteriores. Por isso também se diz: ‘que forma o espírito do homem no seu meio’.
[50] Em Jeremias:
“Os deuses, que não fizeram o céu e a terra, pereçam da terra e de debaixo dos céus;” JEHOVAH “que faz a terra e a terra por Seu poder, que preparam o mundo por Sua sabedoria, e por Sua inteligência estende os céus; à voz que Ele profere há multidão de águas nos céus, e faz subir vapores desde a extremidade da terra” (Jr. 10:11-13; 51:15-16);
visto que o ‘céu’ e a ‘terra’ significam a igreja, como acima, por isso se diz: JEHOVAH ‘que faz a terra por Seu poder, que prepara o mundo por Sua sabedoria, e estende os céus por Sua inteligência’; e também se diz: ‘à voz que Ele profere há multidão de águas nos céus, e faz subir vapores desde a extremidade da terra’; pela ‘voz que JEHOVAH profere’ é significado o Divino Vero procedente d’Ele; pela ‘multidão de águas nos céus’ são significados os veros em abundância, pois as ‘águas’ significam os veros; e pelos ‘vapores’ que ‘faz subir desde a extremidade da terra’ são significados os veros últimos da igreja (‘vapores’ são esses veros, e ‘extremidade da terra’ é o último da igreja); e como ‘deuses’ significam os falsos da doutrina e do culto, que destroem a igreja, por isso se diz: ‘os deuses, que não fizerem o céu e a terra, pereçam de debaixo dos céus’.
[51] Em David:
JEHOVAH, “que faz os céus pela inteligência... e expande a terra sobre as águas” (Sl. 136:5-6);
como pelo ‘céu’ e pela ‘terra’ é significada a igreja, e a igreja é formada pelos veros, e os veros da igreja fazem a inteligência, por isso se diz: ‘JEHOVAH, que faz os céus pela inteligência, e expande a terra sobre as águas; as ‘águas’ são os veros da igreja.
[52] Em Isaías:
“Assim disse Deus JEHOVAH, que cria os céus e os expande, estende a terra e seus produtos, que dá alma ao povo sobre ela, e espírito aos que nela andam’ (Is. 42:5);
por ‘criar os céus’ e ‘estender a terra e os produtos nela’ é significado formar a igreja e reformar os que aí estão (os ‘produtos’ são todas as coisas da igreja), pelo que se diz ‘que á alma ao povo sobre ela e espíritos aos que nela andam’; que ‘criar’ seja reformar, vê-se acima (n. 294).
[53] No mesmo:
“Destilai de cima, ó céus, e as nuvens defluam com justiça; abra-se a terra, e frutifique a salvação. ... Eu fiz a terra, e o homem sobre ela criei. ... Assim disse JEHOVAH, que cria os céus, Deus mesmo, que forma a terra, e a faz, e a prepara;... não falei no oculto, num lugar de trevas da terra” (Is. 45:8, 12, 18, 19).
É evidente que pelos ‘céus e terra’, aqui, se entendem todas as coisas da igreja, tanto seus internos quanto seus externos, pois se diz: ‘destilai, ó céus, e as nuvens defluam com justiça; abra-se a terra, e frutifique a salvação’; que as coisas interiores da igreja sejam significados pelos ‘céus’ é porque as coisas interiores, que são da mente espiritual do homem, são os céus nele; (que no homem em quem está a igreja esteja o céu, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n° 30 e 57); por ‘criar os céus e formar a terra, fazê-la e prepará-la’ é significado instruir plenamente a igreja.
[54] No mesmo:
“Eis que Eu crio novos céus e uma nova terra, não serão lembradas as anteriores” (Is. 65:17)
por ‘criar novos céus e uma nova terra’ é significado instaurar uma nova igreja quanto aos seus interiores e exteriores, tanto nos céus como na terras (como acima).
[55] No mesmo:
“Quem ouviu algo como isto?... Porventura parirá a terra num só dia? porventura uma nação será gerada de uma só vez?... Do mesmo modo que o novo céu e a nova terra que Eu farei estarão diante de Mim... assim estará a vossa semente e o vosso nome” (Is. 66:8, 22);
como pela ‘terra’ é significada a igreja, por isso se diz: ‘Porventura parirá a terra num só dia? porventura uma nação será gerada de uma só vez?’; por ‘parir’ e ‘parto’, assim como por ‘gerar’ e geração’, na Palavra, são significados os partos e a gerações espirituais, que são as da fé e do amor, assim, da reforma e da regeneração. O que é o ‘novo céu’ e a ‘nova terra’, foi dito acima.
[56] Em Jeremias:
“Eu fiz a terra, o homem e a besta que há sobre a face da terra;... e a dou àquele que é reto aos Meus olhos” (Jr. 27:5);
pelo ‘homem’ e pela ‘besta’ que há ‘sobre a face da terra’ são significadas as afeições do vero e do bem no homem espiritual e natural (vide n. 280b e nos Arcanos Celestes, n° 7424, 7523 e 7872); e como essas afeições no homem fazem a igreja neles, por isso se diz: ‘Fiz a terra, o homem e a besta que há sobre a face da terra, e a dou àquele que é reto aos Meus olhos’. Sabe-se que Deus não dá a terra somente àqueles que são retos aos Seus olhos, mas também aos que não são retos, mas a igreja não a dá senão aos que são retos; ‘reto’ significa o vero e a sua afeição.
[57] Em Isaías:
“Os céus se dissiparão como fumaça, e a terra envelhecerá como um vestido, e os habitantes do mesmo modo morrerão” (Is. 51:6);
os ‘céus’, que se dissiparão, e a ‘terra’, que envelhecerá como um vestido, significam a igreja; gradativamente ela cai e finalmente se torna assolada, mas não o céu visível e a terra habitável; por isso se diz: ‘e os habitantes do mesmo modo morrerão’; ‘morrer’ significa morrer espiritualmente. O mesmo é significado por
“O céu e a terra passarão’ (Mt. 24:35; Mc. 13:31; Lc. 16:17).
[58] No Apocalipse:
“Quatro anjos em pé sobre os quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que não soprasse vento sobre a terra” (Ap. 7:1);
pelos ‘quatro cantos da terra’ e pelos ‘quatro ventos da terra’ são significados todos os veros e bens da igreja em conjunto, pois as mesmas coisas significadas por eles são também significadas pelos quatro pontos cardeais do céu (que eles signifiquem isso, vê-se na obra O Céu e o Inferno, a respeito dos quatro pontos cardeais no céu, n° 141-153); ‘reter’ os ventos significa que não influem, porque não são recebidos, pelo que se diz: ‘para que não soprasse vento sobre a terra’. A ‘terra’ significa semelhantemente a igreja em outras passagens no Apocalipse (por exemplo, 10:2, 5-6, 8; 12:16; 13:13; 16:2, 14; 20:8-9, 11; 21:1), além de muitas outras passagens na Palavra, que não serão citadas por causa de sua grande quantidade.
[59] Visto que a ‘terra’ significava a igreja, e principalmente a ‘terra de Canaan’, porque ali havia a igreja e porque a igreja que havia ali era uma igreja representativa, por isso todas as coisas que havia ali tinham representação; e as coisas que o Senhor disse a eles significavam coisas espirituais ou interiores da igreja, e isto até à própria terra e as coisas que ela produz. Sejam, por exemplo, estas referências em Moisés:
Se observares os preceitos, ‘JEHOVAH... te conduzirá a uma terra boa, a uma terra de rios de águas, de fontes, de abismos que saem de vale e de montanha; uma terra de trigo, de cevada, de vides, de figueiras, de romeiras; uma terra de oliveira, de óleo, de mel; uma terra onde comerás o pão sem escassez, [onde] nada faltará; uma terra onde a pedra é ferro, e das montanhas se cava o cobre; e comerás e te saciarás nessa boa terra” (Dt. 8:1, 7-10);
por estas palavras se descrevem todas as coisas da igreja, tanto as suas coisas interiores quanto as exteriores. Mas seria prolixo expor o que cada uma delas significa, nem aqui é o lugar para isso.
[60] Como a ‘terra’ significava a igreja, por isso entre as bênçãos havia esta:
Se vivessem segundo os preceitos, a terra daria a sua produção, as feras más desapareciam da terra e pela terra a espada não passaria (vide Lv. 26:3, 4, 6);
que a ‘terra daria a produção’ significa que na igreja haveria o bem e o vero; que ‘desapareceriam as feras más’ significa que não haveria as afeições más e as concupiscências que a destroem a igreja; que ‘a espada não passaria pela terra’ significa que o falso não lançaria fora o vero.
[61] Como a ‘terra’ significava a igreja, também foi estatuído que
O sétimo ano fosse o sabbath da terra, e não houvesse trabalho sobre ela (Lv. 25:1-8);
e, por isso, também foi dito:
A terra foi poluída por causa dos males, e por causa das abominações os vomitaria (Lv. 18:25-28).
E como a ‘terra’ significava a igreja
Por isso o Senhor cuspiu na terra e do cuspe fez lodo, e ungiu os olhos do cego, e disse: “Vai, lava-te no tanque de Siloah” (Jo. 9:6-7, 11, 15);
E por isso, quando os escribas e fariseus O interrogavam a respeito da mulher apanhada em adultério, o Senhor, curvando-Se, escreveu duas vezes na terra Jo. 8:6, 8);
pelo que é significado que a igreja estava cheia de adultérios, isto é, cheia de adulteração do bem e falsificação do vero. Por isso também o Senhor lhes disse:
“Quem de vós está isento de pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra; ...mas um após outro saíam, a começar pelos anciãos até os últimos” (Jo. 8:7, 9).
[62] Porquanto a maioria das coisas na Palavra tem também um sentido oposto, assim também a ‘terra’, que nesse sentido significa a igreja devastada, que é quando não existe mais o bem do amor e o vero da fé, mas, em lugar destes, o mal e o falso. Como esses condenam o homem, pela ‘terra’, nesse sentido, é significada a condenação, como nas seguintes passagens: Is. 14:12; 21:9; 25:12; 26:19, 21; 29:4; 47:1; 63:6; Lm. 2:2, 10; Ez. 26:20; 32:24; Nm. 16:29-33; 26:10 e outras passagens.
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