. (Vers. 6) “E vi, e eis que no meio do trono, e dos quatro animais, e no meio dos anciãos”. Que isto signifique em todo o céu e particularmente nos céus íntimos, vê-se pela significação de ‘no meio’, que é o íntimo e, daí também, o todo (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘trono’ , que é o céu em todo o conjunto (de que se tratou acima, n. 253); pela significação de ‘quatro animais’, que são a providência e a guarda pelo Senhor, a fim de que não haja admissão senão pelo bem do amor (de que se tratou acima, n. 277); e visto que essa guarda está principalmente no céu terceiro ou íntimo, em razão de que todos os que se encontram ali estão no bem do amor ao Senhor pelo Senhor, por isso esse céu é especialmente significado pelos ‘quatro animais’ (o que ainda se verá com mais clareza na sequencia deste capítulo; e pela significação de ‘anciãos’, que são os que estão nos veros do bem (de que também se tratou acima, n. 270); aqui, por conseguinte, são os que estão no céu segundo ou médio, porque todos os que se encontram ali estão nos veros do bem. Com efeito, esses dois céus, o terceiro e o segundo, são distintos entre si pelo fato de aqueles que estão no terceiro céu estarem no amor ao Senhor, e aqueles que estão no segundo, na caridade para com o próximo. Os que estão na caridade para com o próximo estão nos veros do bem. Daí se pode ver que é significado especialmente pelos ‘quatro animais’ e pelos ‘anciãos’.
[2] Mas pelos ‘quatro animais’ em geral é significado todo o Divino Bem que guarda em todo o céu, e pelos ‘anciãos’ em geral, todo Divino Vero procedente do Divino Vero também em todo o céu; um e outro guardam, porque são unidos. Assim, pelos ‘quatro animais e anciãos’ é significado ao mesmo tempo o Divino Bem unido ao Divino Vero procedente do Senhor e, assim, todo o céu angélico, mas especialmente os dois céus íntimos. A razão disso é que os anjos não são anjos pelo proprium deles, mas pelo Divino Bem e pelo Divino Vero que recebem, porque o Divino neles, ou recebido por eles, faz com que sejam anjos e faz com que por eles o céu se chame (vide, na obra O Céu e o Inferno, os n° 2-12 e 51-86).
[3] Que o ‘meio’ ou ‘no meio’ signifique o íntimo e, assim, o todo, vê-se por muitas passagens na Palavra. Mas dir-se-á primeiro de onde procede que ‘meio’, por significar o íntimo, também significa o todo. Isto pode ser ilustrado por comparação com a luz, com o Sol, com a ordenação de tudo nos céus e, também, de tudo o que é da igreja nas terras. Por comparação com a luz: A luz que está no meio se propaga ao redor, ou do centro às periferias em toda parte; e como se propaga do íntimo e enche os espaços à volta, por isso pelo meio também é significado o todo. Por comparação com o Sol: O Sol está no meio porque é o centro de seu universo; como por ele há calor e luz em seu mundo, por isso pelo Sol no meio é significada a sua presença em toda parte ou no todo. Por comparação com a ordenação de tudo nos céus: Há três céus, e o íntimo deles é o terceiro céu; este influi nos dois céus inferiores e faz com que fossem como um consigo, pela comunicação que se faz pelo influxo desde o íntimo; também, em toda sociedade dos céus o íntimo é o mais perfeito. Assim, os que estão ao redor nessa sociedade estão na luz e na inteligência segundo os graus de distância desde o íntimo (vide, na obra O Céu e o Inferno, os n° 43, 50 e 189). Por comparação com os que são da igreja nas terras: A igreja do Senhor está difundida por todas as terras do mundo, mas o seu íntimo está onde o Senhor conhecido e reconhecido e onde está a Palavra; por esse íntimo a luz e a inteligência se propagam a todos os que estão à volta e são da igreja, mas essa propagação de luz ou de inteligência se faz no céu (a respeito deste assunto, vide o n. 308 na obra O Céu e o Inferno). Por aí se pode ver que o ‘meio’ ou ‘no meio’, por significar o íntimo, também significa o todo. Assim é evidente o que se entende por ‘Vi, e eis que no meio do trono e no meio dos quatro anciãos estava um Cordeiro’, a saber, o Senhor quanto ao Divino Humano em todo o céu e especialmente nos céus íntimos.
[4] O ‘meio’ também significa o íntimo e, daí, o todo em muitas passagens na Palavra, como nas seguintes. Em Isaías:
“Grita e jubila, ó moradora de Sião, porque grande é o Santo de Israel no meio de ti” (Is. 12:6);
por ‘moradora de Sião’ é significado o mesmo que pela ‘filha de Sião’, a saber, a igreja celeste, ou a igreja que está no bem do amor ao Senhor; ‘grande é o Santo de Israel no meio de ti’ significa o Senhor, que está em toda e por toda parte ali.
[5] Em David:
“Temos considerado, ó Deus, a tua misericórdia no meio de Teu templo; como o Teu nome... assim [é] o Teu louvor até os fins da terra” (Sl. 48:9, 10);
pelo ‘templo’ é significada a igreja que está nos veros do bem, a qual se chama igreja espiritual; ‘no meio’ seu é em seu íntimo e, daí, em tudo seu; por isso se diz: ‘Como o Teu nome, assim [é] o Teu louvor até os fins da terra’; ‘até os fins da terra’ é até os últimos da igreja (a ‘terra’ é a igreja).
[6] No mesmo:
“Deus é o meu Rei desde a antiguidade, operando a salvação no meio da terra” (Sl. 74:12);
‘operando a salvação no meio da terra’ significa em qualquer parte.
[7] No mesmo:
“Deus está na assembleia de Deus; julga no meio dos deuses” (Sl. 82:1);
a ‘assembleia de Deus’ significa o céu; ‘no meio dos deuses5‘ significa em todos os anjos ali, portanto, em todo o céu, pois os anjos são chamados ‘deuses’ pelo Divino Vero que recebem do Senhor, porque ‘Deus’, na Palavra, significa o Senhor quanto ao Divino Vero que procede d’Ele e que faz o céu (vê-se acima, n° 24, 130, 220, 222 e 302);
[8] Em Moisés:
“Eis que envio um Anjo diante de ti; ... acautela-te perante Sua face... porquanto Meu nome está no meio d’Ele” (Êx. 23:20, 21);
pelo ‘Anjo’ aqui se entende no sentido supremo o Senhor; pelo ‘Meu nome no meio d’Ele’ se entende que todo Divino Bem e todo Divino Vero estão n’Ele (vê-se acima, n. 102, 135 e 224).
[9] Em Lucas:
Jesus disse a respeito dos últimos tempos: “Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; e os que estiverem no seu meio, saiam” (Lc. 21:21);
trata-se aí da consumação do século, pela qual é significado o último tempo da igreja, quando ocorre o juízo. Pela ‘Judéia’ não se entende a Judéia, mas a igreja; pelos ‘montes não se entendem montes, mas o bem do amor do amor ao Senhor; e como essas coisas são ditas a respeito do fim da igreja, é evidente o que é significado por ‘os que estiverem na Judéia fujam para os montes, e os que estiverem no seu meio, saiam’, a saber, quando houvesse o juízo seriam salvos os da igreja que estivessem no bem do amor ao Senhor.
[10] Em Isaías:
“Naquele dia Israel será o terceiro com o Egito e a Assíria, uma benção no meio da terra, que JEHOVAH abençoou, dizendo: Bendito seja o Meu povo, Egito, e a obra de Minhas mãos, Assíria, e Minha herança, Israel” (Is. 19:24, 25);
por ‘Israel’ se entende a igreja espiritual, pela ‘Assíria’ o racional de seus homens, e pelo ‘Egito’ as cognições e os conhecimentos. Daí se pode ver o que é significado por ‘Israel será o terceiro com o Egito e a Assíria, uma bênção no meio da terra’, a saber, tudo ali será espiritual, tanto o racional quanto o cognitivo e o científico, pois quando o íntimo é espiritual, que é o vero do bem, então o racional, que procede daí, também é espiritual, assim como o cognitivo e o científico, pois um e outro são formados pelo íntimo que é o vero do bem ou o espiritual.
[11] Em Jeremias:
“O meu coração está quebrantado no meio de mim; estão estremecidos todos os meus ossos” (Jr. 23:9);
o ‘coração quebrantado no meio de mim’ significa a dor desde os seus íntimos até os últimos, ou no todo, pelo que também se diz: ‘estão estremecidos todos os meus ossos”; os ‘ossos’ significam os últimos.
[12] Na sequencia também, ‘no meio’ significa no todo ou por todo. Em Isaías:
“Será no meio da terra, no meio dos povos, como a sacudidura da oliveira, como os respigos quando está acabada a vindima” (Is. 24:13);
estas palavras foram ditas a respeito da igreja devastada quanto bem e quanto ao vero, e na qual nada existe senão o mal e o falso; ‘no meio da terra’ é que por toda a igreja existe o mal, e ‘no meio dos povos’ é que por ela toda só existe o falso; por isso ela é comparada à ‘sacudidura da oliveira’ e aos ‘respigos deixados quando está acabada a vindima’; a ‘oliveira’ significa o bem da igreja; a ‘vindima’, o seu vero; a ‘sacudidura’ e os ‘respigos’ deixados deles significam a devastação.
[13] Em David:
“Investigam perversidades... pois o meio do varão e o coração são profundos” (Sl. 64:6);
o ‘meio do varão’ é o entendimento onde devia estar o vero, e o ‘coração’ é o voluntário aí, onde devia estar o bem; aqui, um e outro são pervertidos, este no mal e aquele no falso.
[14] No mesmo:
“Na boca de cada um não há o certo, no meio deles há perdições” (Sl. 5:9).
No mesmo:
“Com sua boca bendizem, mas no seu meio maldizem” (Sl. 62:4).
No mesmo:
“Dito da prevaricação ao ímpio; no meio do meu coração não há temor de Deus [pavor Dei] perante os seus olhos” (Sl. 36:1).
Em Jeremias:
“Ensinaram a sua língua a falar mentira... a habitação6 deles é no meio do dolo; por causa do dolo recusaram-se a Me conhecer” (Jr. 9:5, 6);
Além de outras passagens, também nesta ‘no meio’ significa no todo, porque é no íntimo. Com efeito, tal é o íntimo, tal é o todo, pois do íntimo todas as coisas se propagam e derivam, assim como o corpo de sua alma; o íntimo de cada coisa é que também se chama alma. O íntimo do homem é sua vontade e o entendimento daí, e tal é a vontade e o entendimento daí, tal é o homem todo; e o íntimo do homem é o seu amor e a fé daí, e tal é seu amor e a fé daí, tal é o todo.
[15] Que o homem todo seja tal qual o meio ou seu íntimo, é o que também se entende pelas palavras do Senhor em Mateus:
“A lâmpada do corpo é o olho; se o olho é bom, todo o corpo é luminoso; se o olho é mau, todo o corpo é tenebroso” (Mt. 6:22, 23);
pelo ‘olho’ é significado o entendimento do homem (vide acima, n° 37 e 152), que, se é bom, isto é, se é oriundo dos veros do bem, então o homem todo é tal, o que é significado por ‘todo o corpo então é luminoso’; se, porém, ao contrário, o entendimento for oriundo dos falsos do mal, todo o homem é tal que ‘todo o corpo é tenebroso’. Diz-se olho ‘bom’, mas na língua original se diz ‘olho simples’, e ‘simples’ significa que é um, e é um quanto o vero procede do bem, ou o entendimento procede da vontade. Também, pelo ‘olho direito’ é significado o entendimento do bem, e pelo ‘olho esquerdo’, o entendimento do vero, os quais, se fazem um, o olho é ‘simples’, por conseguinte, um olho bom.
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