. 324. “E taças de ouro cheias de incenso”. Que isto signifique a confissão pelos bens espirituais, vê-se pela significação de ‘taças de ouro’, que também se chamam ‘turíbulos’ e ‘incensários’, que são os veros provenientes do bem, pois as ‘taças’, assim como todos os vasos continentes, significam os veros, e o ‘ouro’, de que elas são feitas, significa o bem; assim, ‘taças de ouro’ são os veros provenientes do bem; (que os ‘vasos’ signifiquem os veros, por servirem aos bens de vasos recipientes e continentes, vê-se nos n° 3068, 3079, 3316 e 3318; assim também os ‘vasos dos altares’, do ‘holocausto’ e do ‘incenso’, n° 9723 e 9724; e que o ‘ouro’ signifique o bem, vê-se acima, n. 242); e pela significação de ‘incenso’, que são as coisas do culto que se fazem pelo bem espiritual ou pelo bem da caridade e, daí, são percebidas agradavelmente. A razão de essas coisas serem significadas pelo ‘incenso’ é porque todas as coisas instituídas na nação israelita eram representativas de coisas celestes e espirituais, por conseguinte, também as que diziam respeito aos odores; as que eram de odor agradável representavam uma percepção agradável, mas as que eram de odor desagradável representavam uma percepção desagradável. Daí era que se fazia o incenso de fragrâncias aromáticas, mirra, onyche, gálbano e thure. Além disso, existe uma correspondência do odor com a percepção, o que se pode ver pelo fato de que, no mundo espiritual, onde todas as coisas que são percebidas correspondem aos sentidos, o perceptivo do bem e do vero é sentido como uma fragrância de odor agradável, e vice versa (sobre este assunto, por experiência, vide os Arcanos Celestes, n. 1514, 1517-1519, 1631, 4626, 4628, 4630, 4631, 5711-5717). Assim é que também na linguagem comum dos homens “cheirar” significa perceber, pois tais coisas na linguagem humana veem da correspondência, assim como muitas outras. Com efeito o espírito do homem está realmente no mundo espiritual, ainda que o homem o ignore. Também, o perceptivo que está no homem produz o sentido do odor em seu corpo, e isto vem igualmente da correspondência; mas este é um arcano em que dificilmente se crê, porque até agora é desconhecido. Cumpre saber que o bem do amor e da caridade produz essa odor perfumado ou fragrância, mas o faz por meio do vero e não, porém, por si, sem o vero, e ainda menos o faz o vero que se chama da fé sem o bem, porquanto o bem sem o vero não tem perceptivo algum, tampouco o vero sem o bem. [2] Que o ‘incenso’ signifique as coisas do culto que se fazem pelo bem espiritual é porque o bem espiritual tem origem e existência no bem celeste, e esse bem é o bem do amor ao Senhor proveniente do Senhor e é, assim, o bem mesmo do céu, porquanto esse bem vem imediatamente do Senhor, e o Senhor está nesse bem como no que é Seu nos anjos, a ponto de que dá no mesmo se dizes que o Senhor está neles e eles no Senhor ou se dizes que o Senhor está neles nesse bem e eles no Senhor quando estão nesse bem. O bem espiritual, que tem origem e existência no bem celeste, é o bem da caridade para com o próximo; é o culto a partir desse bem que é significado pelo ‘incenso’. Visto que todo culto do Senhor se faz pelo bem – ainda que o seja por meio dos veros – e há dois bens universais que fazem os céus e os distinguem em dois reinos, a saber, o bem celeste, que é o bem do amor ao Senhor, e o bem espiritual, que é o bem da caridade para com o próximo, por isso havia dois altares com os filhos de Israel, um para holocaustos e outro para ofertas de incenso; pelo ‘altar do holocausto’ era significado o culto pelo bem do amor celeste, e pelo ‘altar do incenso’ o culto pelo bem do amor espiritual. Daí é evidente o que era representado pelo incenso. [3] Que isto seja assim, é o que se pode ver pelas passagens na Palavra onde os dois altares são mencionados, como em Moisés: “Farás um altar para incensar incenso... e o cobrirás de ouro puro... e o porás diante do véu que está sobre a arca do testemunho, diante do propiciatório;... e Arão incensará sobre ele o incenso aromático a cada manhã, na preparação das lâmpadas o incensará, e ao fazer subir as lâmpadas entre as tardes o incensará; um incenso perpétuo perante JEHOVAH nas vossas gerações. Não fareis subir incenso estranho, nem holocausto, nem mincha, nem libação sobre ele” (Êx. 30:1-10). Por esse ‘altar’ e pela ‘queima do incenso’ sobre ele é significado oculto que vem do bem espiritual, pode-se ver pelo fato de que ele foi posto fora do véu, na tenda da congregação, onde também havia as lâmpadas, e pela ‘tenda’ foi significado o reino espiritual do Senhor, enquanto pela parte da tenda que ficava para dentro do véu é significado o reino celeste do Senhor, como se pode ver pelo que foi mostrado nos Arcanos Celestes a respeito da tenda, onde estava a mesa sobre a qual ficavam os pães das faces e onde estavam o altar do incenso e o castiçal (n. 9457, 9481 e 9483); e também pelo que foi mostrado a respeito da arca, na qual havia o testemunho e sobre a qual estava o propiciatório (n. 9457, 9481, 9485 e 10545). Daí é evidente que pelas coisas que na tenda ficavam foram do véu, as quais eram o castiçal, o altar do incenso e a mesa para os pães, são significadas coisas tais as que são do reino espiritual, que se referem, todas, ao bem espiritual e ao seu vero; pela ‘mesa’ sobre a qual ficavam os pães das faces é significada a recepção do bem celeste no bem espiritual (vide n. 9527); pelo ‘castiçal’, com as lâmpadas, é significado o espiritual mesmo desse reino (n° 9548, 9551, 9556, 9561, 9572, 9783); e pelo ‘altar do incenso’ é significado o culto pelo bem espiritual; e como o culto pelo bem espiritual foi significado pela ‘queima do incenso’ sobre o altar, e pelo ‘castiçal’ é significado o espiritual mesmo, por isso foi ordenado que Aarão também queimasse incenso sobre o altar, todas as manhãs e tardes, quando preparasse as lâmpadas. (Mas estas coisas foram explicadas mais plenamente nos Arcanos Celestes, n° 10176 a 10213, onde se trata de cada uma delas). [4] E como o bem espiritual tem sua origem e existência no bem celeste, como acima se disse, por isso esse altar era não somente posto junto ao véu que havia sobre a arca, mas também foi ordenado que, a fim de que Aarão expiasse por si mesmo e por sua casa, levasse o incenso para dentro do véu, pelo que era significado o influxo, a comunicação e a conjunção do bem celeste e o bem espiritual. Sobre este assunto, lê-se assim em Moisés: “Quando Aarão... expiar por si e por sua casa, matará o novilho do pecado... e tomará o turíbulo cheio [plenitudem thuribuli] de brasas de fogo de sobre o altar, perante JEHOVAH, e dois punhados seus cheios de incenso aromático, e [os] trará para dentro do véu, para que assim ponha incenso sobre o fogo perante JEHOVAH; e a nuvem de incenso cubra o propiciatório, que está sobre o testemunho, para que não morra” (Lv. 16:11-13). O ato de ‘tomar o fogo de sobre o altar do holocausto’, sobre o qual ‘poria o incenso’, também significada que o bem espiritual, que é o bem da caridade, existe e procede do bem celeste, que é o bem do amor ao Senhor; (que o ‘fogo do altar’ tenha significado esse bem, vê-se nos n° 4489, 6314, 6832, 9714 e outras passagens); assim era que o fogo para a queima do incenso não era tomado de outra parte senão o altar do holocausto. Que Aarão, quando espiasse por si e por sua casa, queimasse incenso dentro do véu era porque Aarão, como Sumo Sacerdote, representava o Senhor quando ao bem do amor, e pelas funções representava as coisas que procedem desse bem, as quais se referem, todas, ao bem espiritual. O bem espiritual não é bem a menos que proceda do bem celeste, pelo que tampouco a sua função teria sido procedente do Divino ou teria representado algo do Divino; por isso ele foi ameaçado de morte se assim não o fizesse. [5] Assim também é que Nadab e Abiú, filhos de Aarão, foram consumidos com fogo do céu, porque queimaram incenso com outro fogo que não o fogo do altar do holocausto; com isso fizeram o culto por outro amor senão o amor ao Senhor; a esse respeito, assim se lê em Moisés: “Os filhos de Aarão, Nadab e Abiú, tomaram cada um o seu turíbulo, e puseram nele fogo estranho, sobre o qual puseram incenso;... por isso saiu fogo de diante de JEHOVAH, e os devorou, e foram mortos”; em seguida foram levados para fora do acampamento (Lv. 10:1-5); ‘foram levados para fora do acampamento’ significava que o culto deles não era proveniente do céu, porque não era do amor ao Senhor, pois o acampamento dos filhos de Israel representava o céu e a igreja (vide nos n° 4236 e 10038). [6] Que Corá, Datan e Abirão, com seus companheiros, tenham sido tragados pela terra ainda que tenham tomado do fogo do altar para queimarem incenso, foi porque a murmuração deles contra Moisés e Aarão significava a profanação do bem do amor celeste, porque Moisés e Aarão representavam o Senhor; murmurar, isto é, rebelar contra o Senhor e oficiar as coisas santas é profanação. Como, porém, o fogo que tomaram era do altar, esse fogo foi lançado fora e os seus turíbulos foram usados para cobertura do altar. Sobre este assunto assim se lê em Moisés: Disse-lhes Moisés que tomassem fogo e o pusessem em seus turíbulos, o que também foi feito, mas eles foram tragados (Nm. 16:1 ao fim); em seguida, porém, foi ordenado que Ajuntassem os incensários e espalhassem o fogo para este lado... e dos incensários, que eram de bronze, fizessem expansões de lâminas, cobertura para o altar, porque foram santificados (Nm. 16:37-38); eram santificados pelo ‘fogo do altar’, que significava o amor Divino celeste. [7] Visto que o bem espiritual, que é o bem da caridade para com o próximo, tira sua essência e sua alma do bem celeste, que é o bem do amor ao Senhor, por isso também o incenso, pelo que é significado o bem espiritual, era posto sobre os pães das faces, pelos quais era significado o bem celeste, como se pode ver por estas passagens em Moisés: Também porás incenso sobre os pães das faces, que estão sobre a mesa, na tenda da congregação, para que o pão seja para memorial (Lv. 24:7); ‘para que o pão seja para memorial’ significa para que seja recebido e ouvido pelo Senhor, pois todo culto do Senhor que é verdadeiramente culto se faz pelo bem celeste e por meio do bem espiritual, porque o bem espiritual, que é a caridade para com o próximo, é o efeito do bem celeste, uma vez que a caridade para com o próximo é prestar uso e viver a vida moral por uma origem celeste (sobre este assunto, vide, na obra O Céu e o Inferno, os n° 390, 484, 529 e 530 a 535; e, na Doutrina da Nova Jerusalém, os n° 84 a 107). Isto é, pois, o bem espiritual; e o bem celeste é olhar para o Senhor e [reconhecer] que d’Ele procede todo bem e vero, e que do homem ou de seu proprium nada procede senão o mal. [8] Que o incenso devia ser não de outro fogo mas do fogo do altar do holocausto, pelo qual era significado o bem celeste, que é o bem do amor ao Senhor, vê-se também por outras passagens. Em Moisés: Quando a congregação murmurou contra Moisés e Aarão, e foram afetados de praga, então Aarão tomou fogo do altar, e [pô-lo] no incensário, e pôs nele o incenso, e correu entre eles, e a plaga foi aplacada (Nm. 16:41, 46-48); e, além disso, no Apocalipse 8:3-5. [9] Que a ‘queima do incenso’ [suffimentum] e o ‘incenso’ [thus] signifiquem o bem espiritual, e a ‘queima’, o culto agradável por esse bem e, por isso, a audição e a recepção pelo Senhor, pode-se ver pelas seguintes passagens. Em Isaías: “Uma multidão de camelos Te cobrirá, dromedários de Midiã e de Epha, todos virão de Scheba, trarão ouro e incenso, e anunciarão os louvores de JEHOVAH” (Is. 60:6); aí se trata do advento do Senhor; pela ‘turma de camelos’ e pelos ‘dromedários de Midian e de Epha’ são significadas as cognições do vero e do bem em abundância; que ‘todos virão de Scheba’ significa que procedem das cognições genuínas do vero e do bem (que ‘Scheba’ significa essas cognições, vê-se nos n° 1171 e 3240); pelo ‘ouro’ e pelo ‘incenso’ que portarão é significado o culto pelo bem espiritual que procede do bem celeste (o ‘ouro’ significa o bem celeste, e o ‘incenso’ o bem espiritual). Como é significado o culto por esses bens, por isso se diz: ‘e anunciarão os louvores de JEHOVAH’; por ‘anunciar os louvores de JEHOVAH’ é significada a evangelização a respeito do Senhor e o culto a Ele. [10] Em Mateus: Os sábios do oriente abriram os seus tesouros e ofereceram presentes ao Senhor recém nascido: “ouro, incenso e mirra” (Mt. 2:11); os ‘sábios do oriente’ significam também os que estão nas cognições do vero e do bem; o seu culto, pelo bem celeste, o bem espiritual e o bem natural, é significado por eles ofertarem ‘ouro, incenso e mirra’; pois o ‘ouro’ significa o bem celeste, o ‘incenso’ o bem espiritual, e a ‘mirra’ o bem natural. Era fato conhecido ainda por muitos no oriente que tais coisas tinham essa significação, pelo que eles eram também chamados de ‘filhos do oriente’, pelos quais se entendem, na Palavra, aqueles que estão nas cognições do vero e do bem (vide n° 3249 e 3762), porque a ciência das correspondências ainda permanecia com eles. Por isso, para fosse patenteada a alegria de seus corações, ofereceram coisas tais que significam todo o bem, do primeiro até o último, e isto é o que foi predito em Isaías, que ‘viriam de Scheba, trariam ouro e incenso, e anunciariam os louvores de JEHOVAH’ (de que se tratou há pouco acima). [11] Em Malaquias: “Desde o nascer do sol até o ocaso, grande será o Meu nome entre as nações, e em todo lugar se traz incenso ao Meu nome, e minchah puro” (Ml. 1:11); “desde o nascer do sol até o caso, grande será o Meu nome entre as nações’ significa que a igreja e o culto do Senhor estará em toda parte naqueles que estão no bem; ‘do nascer do sol até o ocaso’ significa em toda parte, onde há o bem; ‘Meu nome’, que será grande, significa o reconhecimento e o culto do Senhor; e ‘nações’ significam aqueles que estão no bem; ‘incenso trazido ao Meu nome e minchah puro’ significa o culto do Senhor pelo bem espiritual, que é o bem da caridade para com o próximo, e pelo bem celeste, que é o bem do amor ao Senhor; o culto pelo bem espiritual é significado pelo ‘incenso’ e o culto pelo bem celeste, pelo minchah. (Que o minchah signifique esse bem, vê-se nos n° 4581, 10079 e 10137). [12] A mesma coisa é significada pelo ‘incenso’ e pelo minchah em David: “Dá ouvidos à Minha voz quando clamo a Ti, sejam aceitas as minhas preces [como] incenso diante de Ti; o levantar das minhas mãos [como] minchah da tarde” (Sl. 141:1, 2); E, em Isaías: “Não Me trouxeste o gado dos teus holocaustos, e com teus sacrifícios não Me honraste; não te fiz servir com minchahs, nem te fatiguei com incenso” (Is. 43:23). Como todo culto do senhor se faz pelo bem espiritual que procede do bem celeste, por isso na letra são mencionados separadamente um e outro, minchah e ‘incenso’, os quais se entendem conjuntamente no sentido interno ou espiritual, mas um provindo do outro. [13] Semelhantemente, em Jeremias: “Virão das cidades de Judah e das cercanias de Jerusalém... trazendo holocausto e sacrifício, e minchah e incenso” (Jr. 17:26); aqui, por ‘Judah’ e ‘Jerusalém’ não se entendem Judah e Jerusalém, mas a igreja do Senhor, a qual está no bem do amor e, assim, na doutrina da caridade; o culto por esse bem e essa doutrina é significado por ‘holocausto e sacrifício’, como também por ‘minchah e incenso’. [14] Como o ‘minchah’ significava o bem do amor celeste, e o ‘incenso’ o bem do amor espiritual, por isso por cima do minchah feito de flor de farinha punham óleo e incenso, como se vê em Moisés: “Quando uma alma quiser oferecer oferta de minchah a JEHOVAH, a sua oferta será de flor de farinha, sobre a qual derramará óleo, e porá sobre ela o incenso;” e o sacerdote tomará “um punhado cheio de sua flor de farinha, e de seu óleo, junto com todo o seu incenso, e queimará em memorial sobre o altar” (Lv. 2:1, 2); esse minchah foi instituído porque a ‘flor de farinha’ significa o vero genuíno (vide n. 9995); como este procede do bem, a saber, do bem celeste e, daí, do bem espiritual, por isso era posto sobre ele óleo e incenso; o ‘óleo’ significa o bem do amor celeste, e o ‘incenso’ o bem do amor espiritual; no sentido interno, um provindo do outro. Havia também outras espécies de minchah que eram feitas com óleo, pelas quais é significada a mesma coisa. [15] Em Ezequiel: “Tomaste as vestes de teus bordados, e cobriste” as imagens de macho com as quais escortavas, “e Meu óleo e Meu incenso puseste diante deles” (Ez. 16:18,19); estas palavras são a respeito de Jerusalém, pela qual é significada a igreja quanto à doutrina; aqui, quanto a uma doutrina inteiramente pervertida. As ‘imagens de macho’ que cobriu com as vestes de seu bordado e com as quais escortava significam os falsos que eles, por meio de interpretações pervertidas, fizeram aparecer como veros, por conseguinte, veros falsificados; as ‘vestes de bordado’ são as cognições do vero provenientes da Palavra, e ‘escortar’ é falsificar; ‘pôr o Meu óleo e o Meu incenso diante deles’ significa adulterar tanto o bem do amor celeste quanto o bem do amor espiritual, os quais são adulterados quando a Palavra é aplicada aos amores de si e do mundo. [16] Em Moisés: “Ensinarão os Teus juízos a Jacó, e a Tua lei a Israel; porão incenso no Teu nariz, e holocausto sobre o Teu altar”. (Dt. 33:10); uma profecia de Moisés a respeito de Levi, por quem é significado o sacerdócio; e como o sacerdócio era representativo do Senhor quanto ao bem do amor, tanto o celeste quanto o espiritual, por isso se diz que ‘porão incenso em Teu nariz, e holocausto sobre o Teu altar’; pelo ‘incenso’ é significado o culto pelo bem espiritual, e pelo ‘holocausto sobre o altar’ o culto pelo bem celeste; ‘no nariz’ significa para a percepção. [17] Em David: “Virei à Tua casa com holocaustos; pagarei a Ti os meus votos; holocaustos de gorduras oferecerei a (Sl. 66:13, 15); oferecer ‘holocaustos de gorduras’ significa o culto pelo bem do amor celeste; oferecer ‘carneiros com incenso’ significa o culto pelo bem do amor espiritual; o ‘incenso’ e também o ‘carneiro’ significam esse bem. [18] No Apocalipse: “Veio outro anjo e, e pôs-se junto ao altar, tendo um turíbulo de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para que oferecesse com as preces de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono; e da mão do anjo subiu a fumaça do incenso com as orações dos santos à vista de Deus. Depois o anjo tomou o turíbulo e o encheu do fogo do altar, e o lançou na terra” (Ap. 8:3-5); o que essas palavras significam, dir-se-á na explicação delas no que se segue; aqui se dirá somente que o ‘incenso’ significa o culto pelo bem espiritual, que é o bem da caridade para com o próximo; esse culto é também significado pelas ‘preces dos santos’, pelo que se diz que ‘foi-lhe dado muito incenso para que oferecesse com as orações dos santos’ e, depois, que ‘que subiu a fumaça do incenso com as orações dos santos à vista de Deus’. Que as ‘preces dos santos’ signifiquem o culto pelo bem espiritual, ver-se-á nu capítulo imediatamente seguinte, onde se verá também o que se entende pelo culto pelo bem espiritual ou pelo bem da caridade. [19] Em Isaías: “Um povo que Me provoca a ira diante de Minha face continuamente, que sacrifica nos bosques e queima incensa sobre tijolos” (Is. 65:3); aqui, por ‘sacrificar’ e ‘queimar incenso’ são significadas coisas opostas, a saber, o culto pelos falsos da doutrina que vem da própria inteligência; os ‘bosques’ significam a inteligência, aqui, a inteligência própria; os ‘tijolos’ significam o falsos daí. (Os antigos fizeram o culto Divino nos bosques e florestas segundo a significação das árvores ali, mas isso foi proibido à nação israelita, para que não formassem para si um culto proveniente do proprium; vê-se nos n° 2722 e 4552). [20] Em Oséias: “Sacrificam sobre os cumes dos montes, e queimam incenso sobre as colinas, sob o carvalho, o álamo e o terebinto, porque a sua sombra é boa; por causa disso as suas filhas praticam escortação e as vossas noras adulteram” (Os. 4:13); por estas palavras se descreve o culto pelo amor de si e pelo amor do mundo, e, assim, pelos falsos da doutrina; o culto pelo amor de si é descrito por ‘sacrificar sobre os cumes dos montes’; o culto pelo amor do mundo, por ‘queimar incenso sobre as colinas’; e o culto pelos falsos da doutrina por ‘sacrificar e queimar incenso sob o carvalho, o álamo e o terebinto’; o ‘cume dos montes’ significa o amor celeste, aqui, o amor de si; as ‘colinas’ significam o amor espiritual, aqui, o amor do mundo, pois o amor de si é oposto ao amor celeste, e o amor do mundo é oposto ao amor espiritual; o ‘carvalho’ o ‘álamo’ e o ‘terebinto’ significam os ínfimos bens do vero e os veros do bem do homem natural, aqui, os males do falso e os falsos do seu mal; ‘porque a sua sombra é boa’ significa a complacência; as falsificações do bem daí decorrentes são significadas por ‘por causa disso as suas filhas praticam escortação’, e as adulterações do bem celeste por ‘por causa disso as vossas noras adulteram’. [21] Em Jeremias: “[Segundo] o número de tuas cidades foram os teus deuses, e conforme o número [das ruas] de Jerusalém possuíste altares... altares para queimar incenso a Baal” (Jr. 11:13, 17); pelas ‘cidades’, aqui, não se entendem cidades, nem pelos ‘deuses’ deuses, e tampouco pelas ‘ruas de Jerusalém’ as ruas dali, mas pelas ‘cidades’ são significados os doutrinais do falso, pelos ‘deuses’ os falsos mesmos, e pelas ‘ruas de Jerusalém’ os falsos da doutrina da igreja; ‘erigir altares... altares para queimar incenso a Baal’ significa o culto pelo amor de si e pelo amor do mundo, como acima. Aquela nação erigia altares e queimava incenso a Baal, mas como todas as coisas do culto deles eram representativas, as que eles faziam segundo os estatutos eram representativas de coisas celestes e espirituais; daí, as que eles faziam contra os estatutos eram representativas de coisas infernais. Por isso, pelos ‘altares erigidos aos deuses’ e pelo ‘incenso oferecido a Baal’ são significadas coisas opostas. [22] No mesmo: “Falarei os juízos com eles sobre toda a malícia deles, por Me terem deixado, e por terem queimado incenso a outros deuses, e por se terem curvado às obras de suas mãos” (Jr. 1:16); ‘queimar incenso a outros deuses, e curvar-se às obras de suas mãos’ significa o culto pelos falsos, que vem da própria inteligência (‘outros deuses’ são os falsos, e ‘obras das mãos’ são as coisas que vêm da própria inteligência). [23] O mesmo é significado por “queimar incenso aos deuses” em Jeremias 11:12; 44:3, 5, 8, 15, 1. O mesmo por “queimar incenso a imagens de escultura”, em Oséias 11:2. O mesmo por ‘queimar incenso à vaidade”, em Jeremias 18:15. Também o mesmo que acima, por ‘queimar incenso a Baal’, é significado em Jeremias 7:9 e em Oséias 2:13. E também o mesmo é significado por ‘queimar incenso a Melecheth, ou à rainha dos céus, em Jeremias 44:17-19, 21 e 25. ‘Melecheth dos céus’ significa os falsos em todo o complexo. [24] Além disso, que ‘queimar incenso’ signifique essa culto que é agradavelmente percebido, e que o ‘incenso’ signifique o bem espiritual, é porque todas as coisas que foram instituídas na nação israelita eram representativas de coisas celestes e espirituais. Com efeito, a igreja que havia com eles não era como a igreja de hoje, que é interna, mas era externa, e as coisas externas representavam e, assim, significavam coisas internas da igreja, tais como as que foram reveladas pelo Senhor na Palavra do Novo Testamento. Assim é que a igreja deles foi chamada Igreja Representativa. Os externos daquela igreja consistiam de coisas no mundo da natureza tais que correspondiam às afeiçoes do bem e do vero no mundo espiritual. Assim era que quando as pessoas da igreja estavam nos externos quanto ao culto, as que estavam no mundo espiritual, ou no céu, estavam nos internos, e assim se conjungiam aos que estavam nos externos. Desse modo o céu fez um com os homens da terra naquele tempo. [25] Daí se pode ver por que na tenda da congregação havia a mesa para os pães, o castiçal com as lâmpadas e o altar do incenso, pois os pães representavam e, assim, significavam o bem do amor procedente do Senhor, ou o bem celeste; o castiçal com as lâmpadas representavam e, assim, significavam o bem e o ver espiritual; e o incenso representava e, assim, significava o culto. E visto que todo culto Divino que é agradavelmente percebido vem do bem espiritual, por isso o ‘incenso’ significava esse bem. Para que essa gratificação fosse representada, o incenso era feito de fragrâncias aromáticas e isto também pela correspondência, pois os odores perfumados correspondem às amenidades e delícias que estão presente nos pensamentos e nas percepções procedentes do prazer do amor espiritual. Por conseguinte, o incenso correspondia a coisas tais que são recebidas agradavelmente pelo Senhor e agradavelmente percebidas pelos anjos. Essa gratificação vem unicamente do bem espiritual ou do bem da caridade para com o próximo, pois esse bem é o bem celeste, que é o bem do amor ao Senhor, no efeito. De fato, o bem celeste, que é o bem do amor ao Senhor, se apresenta unicamente no efeito, por meio do bem espiritual, que é o bem da caridade para com o próximo; por isso é que estar nesse bem e exercê-lo é amar e adorar ao Senhor. (O que á a caridade para com o próprio e o que é o seu exercício, vida na Doutrina da Nova Jerusalém, n° 84 a 107). [26] Uma vez que o ‘óleo’ com que se faziam as unções significava o bem celeste ou o bem do amor ao Senhor, e o ‘incenso’ significava o bem espiritual ou o bem da caridade para com o próximo, e como este bem procede do anterior, como se disse acima, por isso no Êxodo, cap. 30, trata-se primeiro da preparação do óleo da unção e, logo em seguida, da preparação do incenso; da preparação do óleo da unção, do versículo 23 ao 33, e da preparação do incenso, do 34 ao 38. E como ali se trata do incenso, quero citar aqui o que foi ordenado ali a respeito da preparação do incenso, ou seja: “Toma para ti fragrâncias aromáticas: estoraque, e onychen, e gálbano, fragrância, e incenso puro; será um tanto de cada uma; e disto farás incenso, um perfume segundo a obra do perfumista, salgado, puro e santo; e uma parte dele esmiuçarás, e porás dele diante do testemunho, na tenda da congregação onde virei a ti; santo dos santos vos será. E o incenso que fazes em sua qualidade, não o fareis para vós mesmos; santo vos será para JEHOVAH. O varão que fizer tal como este para o cheirar será cortado do seu povo”. (Êx. 30:34-38). O que, porém, cada uma dessas coisas significa, vê-se nos Arcanos Celestes (n° 10289 a 10310), onde são explicadas em ordem. Aqui se dirá somente que o incenso foi o componente primário, e os outros três restantes foram ajuntados por causa do odor. Por isso se diz, a respeito do incenso, que “será um tanto de cada uma”, ou tanto de um quanto de outro. Dava-se semelhantemente com o óleo da unção, no qual o óleo da oliva era o primário, e as demais coisas nele eram por causa da significação (Êx. 30:23-33). Daí é evidente por que o incenso (thus) significa o mesmo que o incenso (suffimento) no composto, ou seja, o bem espiritual. [27] Visto que a fragrância que pertence ao odor corresponde às amenidades espirituais, ou amenidades oriundas do bem espiritual, por isso também a recepção gratíssima por Deus é chamada “Odor de repouso” (Êx. 29:18, 25, 41; Lv. 1:9, 13, 17; 2:2, 9, 12; 3:5; 4:31; 6:15, 21; 8:28; 23:8, 13, 18; Nm. 15:3; 28:6, 8, 13; 29:2, 6, 8, 13, 36). E em Ezequiel: “Pelo odor de repouso aplacar-Me-ei para contigo” (Ez. 20:41); em Moisés: Se não andardes nos Meus preceitos, mas andardes contrariamente para comigo, “não cheirarei o vosso odor de repouso” (Lv. 26:27, 31); e em Oséias: “Irão os seus ramos, e serão como a honra da oliva, e o seu odor como o do Líbano” (Os. 14:6); estas palavras são a respeito de Israel; a ‘honra da oliva’ significa o bem celeste, e o ‘odor do Líbano’ o bem espiritual, pela gratificação. (Que a ‘honra’ se atribua ao bem celeste, vê-se acima, n. 288; que a ‘oliva’ também signifique esse bem, nos Arcanos Celestes, n° 9277 e 10261; que o ‘odor’ signifique o perceptivo grato segundo a qualidade do amor e da fé, n° 1514-1519, 3577, 4624-4634, 4748, 5621 e 10292; que o ‘odor de repouso’ signifique o perceptivo da paz, n° 925 e, 10054; o que é o perceptivo da paz, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n° 284 a 290).