. Porquanto se diz “redimiste-nos para Deus em Teu sangue” e isto na igreja é compreendido inteiramente segundo o sentido da letra e não segundo algum sentido espiritual, vou demonstrar também que pelo ‘sangue’ não se entende o sangue ou a paixão da cruz do Senhor, mas o Divino Vero procedente do Senhor e sua recepção pelo homem, demonstrando, assim, que ‘redimiste-nos para Deus em teu sangue’ é que Ele resgatou e libertou do inferno aqueles que O reconhecem e recebem o Divino Vero vindo d’Ele (como se disse acima, n. 328). A título de ilustração deste assunto, vou citar o seguinte: uma vez que na Igreja Israelita todas as coisas que foram ordenadas eram representativas de coisas celestes e espirituais, e nada havia que não representasse, por isso também foi ordenado, assim que foi instituída a primeira ceia pascoal, que tomassem do sangue e o pusessem nos dois umbrais e na verga da porta, nas casas em que comeriam o cordeiro pascoal. “E o sangue vos será para sinal sobre as casas onde vós estiverdes; e quando [Eu] vir o sangue, passarei além de vós, nem haverá para vós praga do destruidor, quando [Eu] ferir a terra do Egito”. E, adiante: “Tomareis um molho de hissopo e embebê-lo-eis no sangue que estiver na bacia, e fareis tingir a verga e os dois umbrais com o sangue que estiver na bacia; mas nenhum de vós sairá da porta de sua casa até a manhã; e JEHOVAH passará para ferir o Egito, e quando vir o sangue na verga e nos dois umbrais, JEHOVAH passará além da porta, e não permitirá que o feridor chegue a vossas casas para ferir” (Êx. 12: 7, 13, 22, 23). Quem não sabe que existe algum sentido espiritual na Palavra acredita que pelo ‘sangue’ aqui entende-se o sangue do Senhor sobre a cruz. Mas isto não é absolutamente o que se entende no céu, mas ali, pela ceia pascoal, aqui, os anjos entendem o mesmo que pela Santa Ceia instituída pelo Senhor, na qual, em lugar do cordeiro pascoal há o pão e o vinho. O Senhor então disse que o pão era a Sua carne, e o vinho era o Seu sangue, e qualquer um sabe ou pode saber que o pão e o vinho são coisas que nutrem o corpo, o pão como comida e o vinho como bebida; e que na Palavra - que é espiritual em seu seio - também essas coisas devem ser entendidas espiritualmente; assim, o ‘pão’ está em lugar de toda comida espiritual, e o ‘vinho’ em lugar de toda bebida espiritual. [2] A comida espiritual é todo bem que é comunicado e dado ao homem pelo Senhor, e a bebida espiritual é todo vero que é comunicado e dado ao homem pelo Senhor. Estes dois, a saber, o bem e o vero, ou o amor e a fé, fazem o homem espiritual. Foi dito ‘ou o amor e a fé’ porque todo bem pertence ao amor e todo vero pertence à fé. Daí se pode ver que pelo ‘pão’ se entende o Divino Bem do Divino Amor do Senhor e, quanto ao homem, esse bem recebido por ele; e pelo ‘vinho’ se entende o Divino Vero procedente do Divino Bem do Divino Amor do Senhor e, quanto ao homem, esse vero recebido por ele. Como o Senhor diz que a Sua Carne é pão, e o Seu Sangue é vinho, pode-se ver que pela ‘Carne do Senhor’ se entende o Divino Bem do Seu Divino Amor, e por ‘comê-la’ se entende recebê-lo, apropriar a si e, assim, ser conjunto ao Senhor. E pelo ‘Sangue do Senhor’ se entende o Divino Vero procedente do Divino Bem do Seu Amor, e por ‘bebê-lo’ se entende recebê-lo, apropriar a si e, assim, ser conjunto ao Senhor. [3] Também, a nutrição espiritual provém do bem e do vero que procedem do Senhor, assim como a nutrição de todo corpo vem da comida e da bebida. Vem também daí a correspondência destes, que é tal que onde na Palavra se nomeia alguma comida e o que serve para comida, entende-se o bem; e onde se nomeia alguma bebida e o que serve para bebida, entende-se o vero. Por aí se pode ver que pelo ‘sangue’ que os filhos de Israel foram mandados pôr nos umbrais e na verga de suas casas se entende o Divino Vero procedente do Senhor; este, recebido na fé e na vida, também protege o homem contra os males que brotam do inferno, pois o Senhor, em Seu Divino Vero, está no homem, porque é do Senhor mesmo nele e Ele mesmo nele. Quem não pode ver, se pensa por uma razão sã, que o Senhor não está em Seu sangue em alguém, mas em Seu Divino, que é o Bem do amor e o Bem da fé, que é recebido pelo homem? (Que, todavia, cada uma das coisas aí tenham significação, ou seja, o que são os ‘dois umbrais’ e a verga, o que é o ‘destruidor’ e ‘feridor’, o que é o ‘Egito’ e o que são as muitas coisas naquele capítulo, vide os Arcanos Celestes, onde essas coisas são explicadas. [4] Por aí agora se vê sem mais explicação o que é significado pelas palavras do Senhor quando instituiu a Santa Ceia: “Comendo eles, Jesus tomou o pão, e o abençoou, partiu e deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, este é o Meu corpo; e tomou o copo, e tendo dado graças, deu-lhes, dizendo: Bebei dele todos, pois este é o Meu sangue da nova aliança, o qual é derramado por muitos... Digo-vos que não beberei deste produto da videira desde agora até o dia em que beber dele convosco no reino... de Deus” (Mt. 26:26-29; Mc. 14:22-25; Lc. 22:15-20). Visto que pelo ‘vinho’ se entende o Divino Vero que nutre a vida espiritual, por isso o Senhor lhes disse: “Digo-vos que não beberei deste produto da videira desde agora até o dia em que beber dele convosco novamente no reino de Deus”. Daí é evidente que se entende algo espiritual, pois Ele diz que ‘beberá com eles’ e ‘no reino de Deus’ ou no céu; e também que ‘comeria com eles’ do cordeiro pascoal ali (Lc. 22:16). [5] Pelo que foi dito acima, também se vê o que é significado por estas palavras do Senhor: “O pão que Eu darei é a Minha carne. ... Amém vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia, pois a Minha carne é verdadeiramente comida, e o Meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele... Este é o Pão que desceu do céu” (Jo. 6:51-58); Que a ‘Carne’ do Senhor seja o Divino Bem e o ‘Sangue’ o Divino Vero, um e outro procedentes d’Ele, pode-se ver pelo fato de que são eles que nutrem a alma; daí ser dito: ‘Minha carne é verdadeiramente comida, e o Meu sangue é verdadeiramente bebida’; e como o homem é conjunto ao Senhor pelo Divino Bem e Vero, por isso também se diz: ‘Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna’ e, também, ‘permanece em Mim e Eu nele’. O Senhor falou assim, ou seja, disse Sua ‘Carne’ e Seu ‘Sangue’, e não Seu Divino Bem e Seu Divino Vero a fim de que o sentido da letra da Palavra fosse de coisas tais que correspondem às espirituais em que estão os anjos; daí há conjunção dos homens da igreja com eles por meio da Palavra, o que não aconteceria de outro modo (vide a Doutrina da Nova Jerusalém, n° 252 e 258-262, e O Céu e o Inferno, n° 303-310). [6] Como o ‘sangue’ significa o Divino Vero procedente do Senhor, e por sua recepção pelo homem se faz a conjunção com o Senhor, por isso o sangue é chamado ‘sangue da aliança’, pois a ‘aliança’ significa a conjunção. O Senhor chamou o sangue de ‘sangue da aliança’ quando instituiu a Santa Ceia, pois disse: “Bebei dele todos, pois este é o Meu sangue da nova aliança” ou “testamento” (Mt. 26:27, 28; Mc. 14:24; Lc. 22:20). Também é chamado de ‘sangue da aliança’ em Moisés, onde se leem essas palavras: “Veio Moisés” do Monte Sinai “e declarou ao povo todas as palavras de JEHOVAH, e todos os juízos;... e escreveu Moisés todas as palavras de JEHOVAH, e levantou-se de manhã cedo, e edificou um altar sob o monte... e enviou os meninos dos filhos de Israel, e ofereceram holocaustos e sacrificaram bezerros em sacrifícios pacíficos a JEHOVAH; e tomou Moisés metade do sangue e pô-lo em bacias, e metade do sangue espargiu sobre o altar; e tomou o livro da aliança e o leu aos ouvidos do povo; e disseram: Todas as coisas que JEHOVAH falou, faremos e ouviremos. E tomou [Moisés] o sangue e o espargiu sobre o povo, e disse: Eis o sangue da aliança que JEHOVAH estabeleceu convosco sobre todas estas palavras. ... E viram o Deus de Israel, e sob os Seus pés uma obra de pedra safira, e como uma substância do céu quanto à pureza” (Êx. 24:3-11). É evidente que o ‘sangue’ aqui significa o Divino Vero procedente do Senhor e recebido pelo homem, e, assim, a conjunção, pois sua metade foi espargida sobre o altar e a outra metade sobre o povo, porque o ‘altar’ significava todo culto que vem do bem do amor, e o ‘povo’ significava os que fazem o culto e recebem o bem do amor por meio dos veros, uma vez que toda recepção do Divino Bem se faz por meio dos veros praticados na vida. e a conjunção daí é pelo bem nesses veros. Que haja conjunção pelo bem nesses veros ou pelos veros praticados na vida, vê-se claramente pelas palavras ali, pois isto se quando Moisés desceu do Monte Sinai, onde a Lei foi promulgada, e também os estatutos e juízos que deveriam ser observados, e foi dito que ‘Moisés escreveu todas essas palavras de JEHOVAH”, e “as leu aos ouvidos do povo”, que disse: “Todas as coisas que falou JEHOVAH, faremos e ouviremos”, o que eles disseram duas vezes (vide vers. 3 e 7 ali). [6] Como o ‘sangue’ significa o Divino Vero procedente do Senhor, e por sua recepção pelo homem se faz a conjunção com o Senhor, por isso o sangue é chamado ‘sangue da aliança’, pois a ‘aliança’ significa a conjunção. O Senhor chamou o sangue de ‘sangue da aliança’ quando instituiu a Santa Ceia, pois disse: “Bebei dele todos, pois este é o Meu sangue da nova aliança” ou “testamento” (Mt. 26:27, 28; Mc. 14:24; Lc. 22:20). Também é chamado de ‘sangue da aliança’ em Moisés, onde se leem essas palavras: “Veio Moisés” do Monte Sinai “e declarou ao povo todas as palavras de JEHOVAH, e todos os juízos;... e escreveu Moisés todas as palavras de JEHOVAH, e levantou-se de manhã cedo, e edificou um altar sob o monte... e enviou os meninos dos filhos de Israel, e ofereceram holocaustos e sacrificaram bezerros em sacrifícios pacíficos a JEHOVAH; e tomou Moisés metade do sangue e pô-lo em bacias, e metade do sangue espargiu sobre o altar; e tomou o livro da aliança e o leu aos ouvidos do povo; e disseram: Todas as coisas que JEHOVAH falou, faremos e ouviremos. E tomou [Moisés] o sangue e o espargiu sobre o povo, e disse: Eis o sangue da aliança que JEHOVAH estabeleceu convosco sobre todas estas palavras. ... E viram o Deus de Israel, e sob os Seus pés uma obra de pedra safira, e como uma substância do céu quanto à pureza” (Êx. 24:3-11). É evidente que o ‘sangue’ aqui significa o Divino Vero procedente do Senhor e recebido pelo homem, e, assim, a conjunção, pois sua metade foi espargida sobre o altar e a outra metade sobre o povo, porque o ‘altar’ significava todo culto que vem do bem do amor, e o ‘povo’ significava os que fazem o culto e recebem o bem do amor por meio dos veros, uma vez que toda recepção do Divino Bem se faz por meio dos veros praticados na vida. e a conjunção daí é pelo bem nesses veros. Que haja conjunção pelo bem nesses veros ou pelos veros praticados na vida, vê-se claramente pelas palavras ali, pois isto se quando Moisés desceu do Monte Sinai, onde a Lei foi promulgada, e também os estatutos e juízos que deveriam ser observados, e foi dito que ‘Moisés escreveu todas essas palavras de JEHOVAH”, e “as leu aos ouvidos do povo”, que disse: “Todas as coisas que falou JEHOVAH, faremos e ouviremos”, o que eles disseram duas vezes (vide vers. 3 e 7 ali). [7] As palavras ou veros tornam-se da vida por serem postos em prática; e como Moisés escreveu essas palavras, chamou-as ‘livro da aliança’, pelo qual é significado que por elas há conjunção. Pela Lei promulgada por JEHOVAH do Monte Sinai e pelos estatutos e juízos que foram então ordenados é significado todo o Divino Vero ou o Divino Vero em todo o complexo. Assim é que eles foram chamados ‘livro da aliança’, e a arca em que esse livro estava foi chamada ‘arca da aliança’; ‘aliança’ significa conjunção. Visto que o Divino Vero, pelo qual há a conjunção, procede do Senhor, por isso também o Senhor foi visto por eles tendo sob os pés como obra de pedra safira. Que tenha sido visto assim, ‘tendo sob os pés’, significa o Divino Vero tal como é nos últimos. O Divino Vero nos últimos é o Divino Vero no sentido da letra da Palavra; a ‘obra de pedra safira’ significa a sua translucidez vinda do Divino Vero no sentido interno ou espiritual. ‘Deus de Israel’ é o Senhor. (Que a ‘pedra safira’ signifique a translucidez vinda dos veros internos, vê-se no n. 9407; e que ‘Deus de Israel’ seja o Senhor quanto ao Divino Humano, vê-se acima, n. 328). Daí agora é evidente que pelo Divino Vero se fez a aliança ou conjunção, e que o sangue espargido sobre altar e metade sobre o povo tinha sido um representativo disso, uma vez que o ‘sangue’ significa o Divino Vero procedente do Senhor e recebido pelo homem, como acima se disse. (Que a ‘aliança’ signifique a conjunção, vê-se nos n° . 665, 666, 1023, 1038, 1864, 1996, 2003, 2021, 6804, 8767, 8778, 9396 e 10632. Que a ‘Lei’, no sentido estrito, signifique os dez preceitos do Decálogo, e, num sentido amplo, toda a Palavra, portanto, todo o Divino Vero, n. 2606, 3382, 6752, 7463, 9417. Que, assim, o Monte Sinai signifique o céu onde está o Senhor, do qual vem o Divino Vero, ou do qual vem a Lei no sentido restrito e no sentido amplo, n° 8399, 8753, 8793, 8805 e 9420. E que o altar tenha sido o principal representativo do Senhor e do Seu culto pelo bem do amor, n° 921, 2777, 2811, 4489, 4541, 8935, 8940, 9388-9389, 9714, 9963-9964, 10123, 10151, 10242, 10245 e 10642.) [8] Como o ‘sangue’ significa o Divino Vero procedente do Senhor e recebido pelo homem, donde há a conjunção, por isso todas as coisas que eram representativas dos Divinos procedentes do Senhor, os quais se chamam celestes e espirituais, eram inauguradas com óleo e com sangue, e então eram consideradas santas. A razão por que eram inauguradas com óleo e com sangue era para que representassem, porque o ‘óleo’ significava o Divino Bem do Divino Amor, e pelos ‘sangue’ o Divino Vero daí procedente, porque o vero procede do bem. Que as inaugurações tenham sido feitas com óleo, ver-se-á na sequência, no artigo próprio. Aqui devem ser lembradas somente passagens que mencionam as inaugurações com o sangue, tais como: Quando Aarão e seus filhos fossem santificados, que se espargisse o sangue sobre os chifres do altar e ao redor do altar, e sobre Aarão e seus filhos, e sobre suas vestes (Êx. 29:12, 16, 20-21; Lv. 8:24); Que se espargisse o sangue sete vezes diante do véu que estava sobre a arca e sobre os chifres do altar do incenso (Lv. 4:6-7, 17-18); Que antes de Aarão entrar no véu para o propiciatório, sacrificasse e oferecesse incenso, e com o dedo espargisse o sangue em direção ao propiciatório sete vezes, para o oriente (Lv. 16:12-15); Que se espargisse o sangue do holocausto e do sacrifício sobre o altar, ao redor do altar e na base do altar (Lv. 1:5, 11, 15; 3:2, 8, 13; 4:25, 30, 34; 5:9; 8:15, 24; 17:6; Nm. 18:17; Dt. 12:27); Que se espargisse o sangue sobre os chifres do altar e assim fosse expiado o altar (Êx 30:10; Lv. 16:18-19). O sangue dos holocaustos e dos sacrifícios era derramado e espargido sobre o altar, ao redor do altar em sua base porque o altar com os holocaustos e sacrifícios sobre ele representou e também significou todo culto pelo bem do amor e dos veros daí. E como os veros procedem do bem, por isso o sangue foi derramado e espargido ao redor do altar, pois o arredor significar o procedente. [9] (Mas estas coisas podem ser vistas com mais clareza pelo que mostrado nos Arcanos Celestes a respeito dos holocaustos e sacrifícios, como no que se segue: Que os holocaustos e os sacrifícios tenham significado todas as coisas do culto pelo bem do amor e dos veros daí, n° 923, 6905, 8680, 8936 e 10042. Que, por isso, os holocaustos e os sacrifícios foram chamados ‘pão’, n. 2165, pelo fato de o pão significar tudo o que nutre a vida espiritual, n° 2165, 3478, 4976, 5147, 5915, 6118, 8410, 8418, 9323 e 10686. Que os holocaustos e sacrifícios tenham significado os Divinos celestes e espirituais, que são os internos da igreja, dos quais há todas as coisas do culto, n° . 2180, 2805, 2807, 2830 e 3519; com variação segundo os vários cultos, n. 2805, 6905 e 8936. Que, por isso, tenham havido muito gêneros de holocaustos e sacrifícios, e, neles, vários processos e também havias vários animais de que os holocaustos e sacrifícios eram feitos, n° 2830, 9391 e 9990. Que as várias coisas que foram significadas em particular podem ser conhecidas por cada um dos processos desvendados pelo sentido interno, n. 10042. Que nas coisas rituais e processais dos sacrifícios estejam contidos arcanos do céu, n. 9990 e 10022; que estão contidos em geral arcanos da glorificação do Humano do Senhor, e, no sentido respectivo, arcanos da regeneração do homem e sua purificação de males e falsos, n° 9990 e 10022. O que era significado pelo ‘minchah’, que eram pães e bolos, que também eram significados, n. 10079. O que era significado pela ‘libação’, que se fazia com vinho, n. 4581 e 10137). [10] Pela compreensão dessas coisas, pode-se saber que pelo ‘sangue do sacrifício’ é também significado o Divino Vero em outra parte da Palavra, como em Ezequiel: “Dize à ave de toda asa e à besta do campo: Congregai-vos e vinde, congregai-vos de toda redondeza sobre o Meu sacrifício que vos sacrifico, um grande sacrifício sobre os montes e Israel, para comerdes a carne e beberdes o age. A carne dos poderosos comereis e o sangue dos príncipes da terra bebereis... e comereis gordura até vos saciardes, e bebereis sangue até vos embebedardes, do Meu sacrifício que sacrifico para vós; e vos fartareis sobre a Minha mesa de cavalo, de carro... de todo homem de guerra; ... assim porei a Minha glória entre as nações” (Ez. 39:17-21); aí se trata da restauração da igreja, e por ‘Israel’ e ‘Jacob’ se entendem todos os que são da igreja, a cujo respeito foram ditas essas palavras; pelo ‘grande sacrifício sobre os montes e Israel’ são significadas todas as coisas de seu culto; pela ‘carne’ e pela ‘gordura’ é significado o bem do amor, e pelo ‘sangue’ o vero desse bem, pelos quais há o culto; a abundância de um e outro é descrita por ‘comereis gordura até vos saciardes’ e ‘bebereis sangue até vos embebedardes’ e isto ‘do sacrifício’; por isso também se diz que ‘vos fartareis sobre a Minha mesa de cavalo, de carro... de todo homem de guerra’, pois pelo ‘cavalo’ é significado o entendimento do vero, pelo ‘carro’ a doutrina, e pelo ‘varão de guerra’ o vero que combate contra o falso e o destrói. Quem não pode ver que pelo ‘sangue’ aqui não se entende o sangue? Como em: ‘bebereis o sangue dos príncipes da terra’ e ‘bebereis sangue até vos embebedardes, do sacrifício’. Os ‘príncipes da terra’ significam os veros principais da igreja, pelo que o ‘sangue’ deles significa o nutrimento espiritual por esses veros. Como são significadas tais coisas, por isso nesse capítulo também se diz por último de Israel, por quem é significada a igreja: “Então não mais esconderei deles as Minha face, porque derramarei Meu espírito sobre Israel” (Ez. 39:29). Se foi dito ‘Dize à ave de toda asa e à besta do campo’ é porque pela ‘ave de toda asa’ é significado o vero espiritual em todo o complexo, e pela ‘besta do campo’ é significada a afeição do bem. (Que pelas ‘aves’ na Palavra sejam significadas coisas espirituais, vê-se nos n° 745, 776, 866, 988, 991, 3219, 5149 e 7441; do mesmo modo que pelas ‘asas’, n° 8764 e 9514; que pelas ‘bestas’ sejam significadas afeições do bem, n° 2180, 3218, 3519, 5198, 9090, 9280 e 10609; e que, assim, as aves e as bestas foram usadas nos sacrifícios, n° 1823, 3519, 7523, 9280). [11] Para confirmação de que as ‘bestas do campo’ e as ‘aves’ significam tais coisas, vou citar aqui somente uma passagem da Palavra: “Farei para eles naquele dia uma aliança com a besta do campo e com a ave dos céus, e com o réptil da terra; e o arco, a espada e a guerra quebrarei da terra... e desposar-te-ei comigo eternamente, e desposar-te-ei comigo em justiça e em juízo, e em misericórdia e comiserações, e desposar-te-ei comigo em verdade” (Os. 2:18-20); ‘fazer aliança com a besta do campo e com ave dos céus’ significa com as afeições do bem e com os veros espirituais, pois com estes o Senhor Se conjunta ao homem, porque o Senhor está nessas coisas no homem; por isso se diz ‘aliança com eles’ (‘aliança’ é conjunção). Que as ‘bestas’ signifiquem as afeições do bem e as ‘aves’ as coisas espirituais será plenamente demonstrado na sequência deste artigo. [12] Como a ‘gordura’ nos sacrifícios significava o Divino Bem, e o ‘sangue’ o Divino Vero, ambos provenientes do Senhor e ambos fazendo a conjunção ao serem recebidos pelo homem, por isso foi proibido aos descendentes de Jacob, ou seja, aos judeus e israelitas, comer qualquer gordura e qualquer sangue (vide Lv. 3:17; 7:23-27; 17:11-14; Dt. 12:17, 23-25; 15:23). A causa disso era que aquela nação não estava em nem do amor algum, nem em algum vero do bem, mas nos falsos do male; e ‘comer gordura e sangue’ entre eles significaria a mistura do vero do bem com o falso do mal, que é profanação. Daí também se pode ver que pelo ‘sangue’ ;e significado o Divino Vero. (Que a ‘gordura’ [adeps] ou ‘gordura’ [pinguedo] na Palavra signifique o bem do amor, vê-se nos n° 353, 5943, 6409 e 10033; e que os judeus e israelitas tenham estado somente nos externos e não nos internos, e, assim, não nos veros e bens espirituais, mas somente nos falsos do mal, e que todas as coisas do culto deles tenham sido externas separadas das internas, e que, todavia, pelas externas tenham podido representar os internos do culto, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 248). [13] Como o ‘sangue’ nos sacrifícios significava o Divino Vero, por isso também Foi-lhes vedado sacrificar sangue dos sacrifícios sobre o fermentado (Êx. 23:18, 34:25); pois o ‘fermento’ significa o falso, e o ‘fermentado’ significa o vero falsificado (vê-se nos n° 2342, 7906, 8051, 9992). [14] A razão pela qual a ‘Carne do Senhor’ significa o Divino Bem do Divino Amor, e o ‘Seu Sangue’ significa o Divino Vero procedente desse Bem é porque há duas coisas que procedem do Divino Humano do Senhor, a saber, o Divino Bem e o Divino Vero; este ‘o Seu Sangue e aquele é Sua Carne. O que procede é o Divino Celeste e o Divino Espiritual, que fazem os céus no geral e no particular. (Mas isto pode ser visto mais claramente pelas coisas que foram mostradas na obra O Céu e o Inferno, nos capítulos mencionados a seguir, a saber: o Divino do Senhor faz o céu, n. 7-12; o Divino do Senhor no céu é o amor a Ele e a caridade para com o próximo, n° 13-19; daí, todo o céu, no todo e na parte, se refere a um homem, n° 59-77; esse é o Divino Humano do Senhor, n. 78-87; e, além disso, pelo que foi dito a respeito do Sol no céu, da luz e do calor ali, e que o calor é o Divino Bem e a luz é o Divino Vero, ambos procedentes do Senhor, n. 116-140). Por todas estas explicações pode-se de algum modo compreender de onde vem que o Divino procedente seja entendido pela ‘carne e sangue’, ou seja, o Divino Bem pela ‘carne’ e o Divino Vero pelo ‘sangue’. [15] Também no homem há duas coisas que fazem a sua vida espiritual, a saber, o bem do amor e o vero da fé. A vontade é o receptáculo do bem do amor nele, e o entendimento é o receptáculo do vero da fé com ele. Todas as coisas que são da mente, isto é, que são da vontade e do entendimento, têm correspondência com todas as coisas que são do corpo, pelo que estas são postas em ação ao menor comando daquelas. A correspondência da vontade é em geral com a carne, e a correspondência do entendimento é com o sangue. Assim que é o proprium voluntário do homem é representado pela ‘carne’, na Palavra, e o proprium do entendimento pelo ‘sangue’. Em Mateus: Jesus disse a Simão: Bem-aventurado, porque não foi carne e sangue que te revelou” (Mt. 16:17). Isto foi relatado para que se saiba que na Palavra as coisas voluntárias e intelectuais, assim, espirituais, se entendem por ‘carne’ e ‘sangue’ quando se trata do homem, e coisas Divinas quando se trata do Senhor. Mas elas são para aqueles cujas mente pode ser elevada acima das ideias espirituais e ver as causas. [16] É isto também que é significado pelo ‘sangue’ e pela ‘água’ que saíram do peito do Senhor, a cujo respeito assim se lê em João: “Um dos soldados... perfurou o lado do Senhor, e logo saíram sangue e água; e aquele que viu o testifica, e seu testemunho é seguro; ele sabe que diz o que verdadeiro, para que também vós creiais” (Jo. 19:45, 35), Estas coisas aconteceram para que significassem a conjunção do Senhor com o gênero humano por meio do Divino Vero procedente do Divino Bem do Seu Amor. O ‘peito’ significa o Divino Amor; ‘sangue e água’ significam o Divino Vero procedente, sendo ‘sangue’ o Divino Vero que é para o homem espiritual, e a ‘água’ o Divino Vero que é para o homem natural. Com efeito, todas as coisas que são relatadas na Palavra a respeito da paixão do Senhor também têm significação (vide acima, n° 83 e 195); e como elas significam o Seu Amor e a salvação do homem pelo Divino Vero procedente d’Ele, por isso o evangelista também diz: ‘Aquele que viu o testifica, e seu testemunho é seguro; ele sabe que diz o que verdadeiro, para que também vós creiais’. [17] Às citações que foram agora trazidas da Palavra vou ajuntar as que se seguem. Em Zacarias: “Exulta muito, ó filha de Sião; clama, ó filha de Jerusalém; eis que vem o teu Rei... e falará de paz às nações, e dominará desde o mar até o mar, e desde o rio até os fins da terra. Quanto a ti, pelo sangue de tua aliança, enviarei os teus cativos para fora da cova em que não há água” (Zc. 9:9-11); isto se diz a respeito do Senhor e da instauração da igreja por Ele entre as nações; pelo ‘sangue da aliança’ se entende aqui o Divino Vero, pelo qual se faz a conjunção do Senhor com aqueles que serão de Sua igreja (como acima), pelo que também se diz: ‘enviarei os teus cativos para fora da cova em que não há água’ e por eles são significadas as nações que estão nos falsos da ignorância; a ‘cova em que não há água’ significa onde não há o vero; e ‘enviá-los para fora’ dali significa libertá-los dos falsos. Que a ‘água’ signifique o vero da igreja, vê-se acima, n. 71; e que os ‘cativos na cova’ signifiquem os que estão nos falsos da ignorância e, todavia, estão no desejo de conhecer os veros, vê-se nos Arcanos Celestes (n° 4728, 4744, 5038, 6854, 7950). [18] Em David: Deus ‘salvará as almas dos necessitados; do dolo e da violência redimirá as suas almas, e precioso será o sangue deles aos Seus olhos; e viverá, e lhe dará do ouro de Scheba, e orará por ele continuamente, todo dia o bendirá... na cabeça dos montes será sacudido o seu fruto” (Sl. 72:13-16); aqui se trata dos ‘necessitados’, pelos quais são significados os que desejam os veros por uma afeição espiritual; destes se diz que ‘redimirá suas almas do dolo e da violência’, pelo que é significada a libertação dos males e falsos que destroem os bens do amor e os veros da fé. A recepção do Divino Vero por eles, que é aceito e grato, é significado por ‘precioso será o sangue deles aos Seus olhos; o ‘sangue’ aí é o Divino Vero recebido. A reforma deles é descrita por ‘viverá e lhe dará do ouro de Scheba, e orará por ele continuamente, todo dia o bendirá’; o ‘ouro de Scheba’ é o bem da caridade; ‘orar por ele continuamente’ significa que serão continuamente afastados dos falsos e mantidos nos veros; e ‘bendizê-lo’ significa que estarão continuamente no bem da caridade e da fé, pelo que também se diz ‘na cabeça dos montes será sacudido o seu fruto’; ‘cabeça dos montes’ significa o céu donde eles têm pelo Senhor o bem do amor, que é o ‘fruto’. [19] Em Moisés: “O cetro não se afastará de Judah, nem o legislador de entre seus pés, até que venha Schiloh;... que atará à videira o seu filhote de jumento, e à videira nobre o filho de sua jumenta, quando lavar no vinho a sua vestimenta, e no sangue das uvas a sua cobertura” (Gê. 49:10, 11); nesta profecia trata-se do Senhor, de quem se diz: ‘ligará videira o seu filhote de jumento, e à videira nobre o filho de sua jumenta’, e que ‘lavará no vinho a sua vestimenta, e o sangue das uvas a sua cobertura’; pela ‘videira’ é significada a igreja, e pelo ‘vinho’ e o ‘sangue das uvas’ é significado o Divino Vero. (O que é significado pelas demais coisas, vê-se na explicação dessas palavras nos Arcanos Celestes).O mesmo se entende pelo ‘sangue da uva’ em Deuteronômio 32:14, onde se trata da Igreja Antiga reformada pelo Divino Vero. [20] Pelo que foi mostrado neste artigo e no precedente aqueles que reconhecem o sentido espiritual da Palavra podem ver que por ‘redimiste-nos para Deus no Teu sangue’ se entende a conjunção com o Divino pelo reconhecimento do Senhor e pela recepção do Divino Vero e pela recepção do Divino Vero vindo d’Ele; e coisa semelhante se entende pelo ‘sangue’ na profecia do capítulo 12 desse livro [Apocalipse], onde se diz: O anjo Miguel e seus anjos vencera, o dragão pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do testemunho deles” (Ap. 12:11); diz-se ‘sangue do Cordeiro’ e palavra do testemunho porque o ‘sangue do Cordeiro’ [21] Que o ‘sangue’ signifique o Divino Vero, pode-se ver ainda pelo seu sentido oposto, no qual o ‘sangue’ significa a violência ao Divino Vero feita pelos falsos do mal e sua destruição por estes. E como os opostos também manifestam o que é significado no sentido genuíno, por isso vou citar algumas passagens nas quais ‘sangue’ e ‘sangues’ significam isso. Cumpre saber que a maioria das coisas na Palavra tem também um sentido oposto, e por esse sentido pode-se saber o que é significado no sentido genuíno. Sejam, pois, estas, para ilustração. No Apocalipse: “O segundo anjo derramou sua taça no mar, e se tornou como de sangue de morto; e todo animal vivente no mar morreu. E o terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes de águas, e tornaram-se em sangue” (Ap. 16:3, 4); e outra passagem: As duas testemunhas “têm poder sobre as águas, para convertê-las em sangue” (Ap. 11:6); em Isaías: “As águas de Nimrim serão desolações... e as águas de Dimon estão cheias de sangue” (Is. 15:6, 9); em David: “Enviou trevas e escureceu... converteu as águas deles em sangue, e matou o peixe deles” (Sl. 105:28-29). Nessas passagens, pelo oposto aparece o que significa o ‘sangue’, ou seja, no sentido genuíno o ‘sangue’ significa o Divino Vero, e, nos que o recebem, o vero proveniente do bem. Assim, no sentido oposto, significa a violência feita ao Divino Vero e, naqueles que a fazem, o falso proveniente do mal. Esse oposto aparece no fato de se dizer que as ‘águas’ do mar, dos rios e das fontes ‘tornaram-se em sangue’, pois as ‘águas’ significam os veros; assim, pelo ‘sangue’ aí são significados os falsos, que destroem os veros. Pelo ‘animal vivente no mar’ e pelo ‘peixe’ são significados os veros dos conhecimentos [vera scientifica]; assim, por eles ‘morrerem’ e ‘serem mortos’ são significados esses veros também destruídos. (Que as ‘águas’ signifiquem os veros, vê-se acima, n. 71) e que o ‘peixes’ signifiquem os veros dos conhecimento que pertencem ao homem natural, nos Arcanos Celestes, n° 40 e 991). [22] Além disso, no Apocalipse: “Vi quando foi aberto o sexto selo, e eis que houve um grande terremoto, e o sol tornou-se negro como um saco [de cilício], e a lua toda tornou-se em sangue” (Ap. 6:12); em Joel: “Porei prodígios nos céus e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça; o sol se tornará em escuridão, e a lua em sangue, antes que via o grande dia de JEHOVAH” (Jl. 2:30, 31); também aqui, pelo oposto se conhece que o ‘sangue’ significa violência feita ao Divino Vero, pois pelo ‘sol’, na Palavra, é significado o Divino Celeste, que é o Divino Bem, e pela ‘lua’ é o significado o Divino Espiritual, que é o Divino Vero; por isso se diz que ‘a lua tornou-se em sangue’. (Que a ‘lua’ tenha essa significação, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n° 118 e 119). [23] Em Isaías: “Quem anda em justiça, e fala retamente... tapa seu ouvido para não ouvir de sangues, e fecha seus olhos para não ver o mal” (Is. 33:15); é evidente que ‘tapar o ouvido para não ouvir de sangues’ é não ouvir os falsos do mal. Em David: “Destróis os que falam mentira; ao varão de sangues e de dolo JEHOVAH abomina” (Sl. 5:6); ‘varão de sangues e de dolo’ está em lugar dos que estão nos falsos do mal, pelo que se diz ‘destróis os que falam mentiras’; ‘mentiras’ significam, na Palavra, os falsos. Em Isaías: “Acontecerá que o que for deixado em Sião e o restante de Jerusalém será chamado santo para Ele, todo o que for inscrito na vida em Jerusalém; quando o Senhor lavar o excremento das filhas de Sião, e limpar os sangues de Jerusalém do seu meio pelo espírito de juízo e pelo espírito de purificação” (Is. 4:3, 4); como ‘Jerusalém’ significa a igreja quanto à doutrina, por isso se diz: ‘quando limpar os seus sangues do seu meio, pelos quais são significados, pois, os falsos do mal; pelo ‘espírito de juízo’ é significado o Divino Vero; e como este purifica, diz-se ‘espírito de purificação’. [24] Em Ezequiel: “No dia em que nasceste, passei além de ti, e te vi pisoteada em teus sangues; e te disse: Em teus sangues, vive; e te disse: Em teus sangues, vive; ... Lavei[-te]... e limpei os sangues de sobre ti e te ungi com óleo” (Ez. 16:5,6, 9, 22, 36, 38); aqui também se trata de Jerusalém, pela qual é significada a igreja quanto à doutrina do vero; primeiramente se trata aqui dos falsos do mal em que ela esteve antes que fosse reforma, e em seguida de sua reforma; os falsos do mal são significados por ter sido vista ‘pisoteada nos sangues’, e a sua reforma por ‘ter sido lava e limpa dos sangues e ungida com óleo’; ‘lavar’ significa purificar por meio dos veros; ‘limpar dos sangues; significa remover os falsos do mal, e ‘ungir com óleo’ significa dotar de bem do amor. [25] Nas Lamentações: “Por causa dos pecados” de Jerusalém, “das iniquidades de seus sacerdotes, do derramamento do sangue dos justos em seu meio; erraram cegos nas ruas, estão poluídos com sangue; as que não podem [tocar], tocam com suas vestes” (Lm. 4:13, 14); pelos ‘profetas de Jerusalém’ são significados aqueles que ensinam os veros da doutrina, e pelos ‘sacerdotes’ os que conduzem ao bem por meio dos veros; aqui, no sentido oposto, porque se diz: ‘por causa dos pecados’ deles. ‘Derramar o sangue dos justos’ significa falsificar os veros e adulterar os bens, pelo que se diz: ‘erraram cegos nas ruas, estão poluídos com sangue; as que não podem [tocar], tocam com suas vestes’; ‘errar cegos nas ruas’ significa não ver absolutamente os veros (as ‘ruas’ são os veros’); ‘poluídos com o sangue’ significa estar inteiramente nos falsos; ‘as que não podem [tocar], tocam com as vestimentas’ significa que as coisas que não podem perverter, ainda assim falsificam; as ‘vestimentas’ são os veros que revestem os interiores, veros esses que são os veros do sentido da letra da Palavra. Em Isaías: “Toda a turba será conturbada com o terremoto, e sua vestimenta está poluída com sangues” (Is. 9:5); ‘terremoto’ significa a perversão da igreja pela falsificação do vero; e ‘veste poluída com sangues’ significa a falsificação do sentido da letra da Palavra. [26] Em Jeremias: “Malícias ensinaste [em] teus caminhos; até em [tuas] orlas foram achados sangues das almas dos inocentes; não foi escavando que os achei, mas em todos eles” *** (Jr. 2:33, 34); aqui, pelo ‘sangue achado nas orlas’ é significado o mesmo que acima, por ‘as que não podem [tocar], tocam com suas vestimentas’ (‘orlas’ são a vestimenta); que ‘não os tenha achado escavando, mas em todos eles’ significa que não ousaram destruir os veros mesmos, mas que falsificaram os veros do sentido da letra (as ‘orlas’ significam esses veros. [27] Em Isaías: “Vossas mãos estão cheias de sangues” (Is. 1:15); no mesmo: “Vossas mãos estão poluídas de sangue, e vossos dedos de iniquidade; vossos lábios falaram mentiras, e vossa língua meditou perversidade;... os pés deles correm para o mal, e se apressam para derramarem o sangue inocente; os pensamentos deles são pensamentos de iniquidade” (Is. 59:3, 7); ‘mãos poluídas de sangue e dedos de iniquidade’ significa que em tudo com eles há o falso e o mal do falso; ‘mãos’ e ‘dedos’ significam o poder, e, todas as coisas que podem neles. Como são essas as coisas significadas, por isso também se diz: ‘vossos lábios falaram mentiras, e vossa língua meditou perversidade’; ‘mentiras’ são os falsos, e ‘perversidade’ é o mal do falso; ‘os pés deles se apressam para derramarem o sangue inocente’ significa para destruir o bem do amor e da caridade. Isto é significado por ‘derramar o sangue inocente’. O bem da inocência é aquele de que procede todo bem e vero do céu e da igreja (vide, na obra O Céu e o Inferno, os n° 276 a 283). Por aí se pode ver o que é significado no sentido geral pelos ‘sangues’, no plural, a saber, a violência feita tanto aos veros quanto aos bens da Palavra e da igreja. Porquanto ‘derramar o sangue inocente’ significa destruir o bem do amor e da caridade, por isso todo modo de precaução foi tomado para que não fosse derramado sangue inocente, e, se fosse derramado, Que a terra fosse expiada (Dt. 19:10, 13; 21:1-9), pois a ‘terra’ significa a igreja. [28] Em Isaías: “JEHOVAH saindo de Seu lugar para visitar a iniquidade... da terra; então revelará a terra os seus sangues, e não esconderá mais os seus mortos” (Is. 26:21); pelos ‘sangues’ que a terra revelará são significados todos os males e falsos que destruíram os veros e bens da igreja; a ‘terra’ é a igreja onde estão os males e falsos; por ‘mortos’ são significados os que foram destruídos por eles. (Que os ‘mortos’ signifiquem aqueles que foram destruídos pelos falsos e males, vê-se acima, n. 315). No Apocalipse: Na Babilônia, “foi achado o sangue dos profetas e dos santos e de todos os que foram mortos sobre a terra” (Ap. 18:24); o ‘sangue dos profetas e dos santos’ está em lugar dos veros e bens extintos, e ‘mortos’ em lugar daqueles que foram destruídos pelos falsos e males (como há pouco, acima). [29] O mesmo se entende pelo Sangue dos profetas “que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem mataram entre o templo e o altar” (Mt. 23:30, 34-35; Lc. 11:50-51); no sentido espiritual, por ‘Abel’ se entendem os que estão no bem da caridade e, abstratamente da pessoa, esse bem mesmo; e por ‘Caim’, os que fazem da fé só o único meio de salvação, e nada fazem do bem da caridade, ao qual assim rejeitam e matam; e por ‘Zacarias’ se entendem os que estão nos veros da doutrina e, abstratamente da pessoa, o vero mesmo da doutrina. Assim, pelo ‘sangue’ de um e outro é significada a extinção de todo bem e vero; pela expressão ‘mataram-no entre o templo e o altar’ é significado, no sentido espiritual, toda espécie de rejeição do Senhor, pois o ‘templo’ significa o Senhor quanto ao Divino Vero, e ‘altar’ o Senhor quanto ao Divino Bem, e ‘entre’ eles é significado ambos juntamente. (Que ‘Abel’ no sentido representativo, seja o bem da caridade, vê-se nos n° 342, 354, 1179 e 3325; que Caim signifique a fé só, separada da caridade, n° 340, 347, 1179 e 3325; que o ‘profeta’ signifique a doutrina do vero, n° 2534 e 7269; que o ‘templo’ signifique o Senhor quanto ao Divino Vero, e ‘altar’ o Senhor quanto ao Divino Bem, e, no sentido relativo, o reino do Senhor e a igreja quanto a ambos, n° 2777, 3720, 9714 e 10642. Que ‘entre’ um e outro signifique onde há a conjunção do Divino Vero e do Divino Bem, n° 10001 e 10025). [30] Na Palavra, lê-se em muitas passagens a respeito de condenados à morte que seus sangues fossem sobre eles, e por isso se entende, no sentido espiritual, que a danação estivesse sobre eles por causa dos falsos e males pelos quais destruíram os veros e bens da igreja, pois pelos ‘sangues’ em geral são significados todos os falsos da doutrina, da vida e do culto, pelos quais há os males que destroem a igreja. Parte desses males são enumerados em Ezequiel (18:10-13); eles são também significados pelos ‘sangues’ em João: “A todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem como filhos de Deus, os que creem no Seu nome, os que não nasceram dos sangues, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo. 1:12, 13); pelo ‘nome do Senhor’ se entendem todos os veros e bens pelos quais Ele deve ser adorado; pelos ‘sangues’ se entendem todos os falsos e males que destroem; pela ‘vontade da carne’ e pela ‘vontade do varão’ são significados todos os males do amor e falsos da fé, porque a ‘carne’ significa o proprium voluntário do homem, do qual procede todo mal, e o ‘varão’ significa o proprium intelectual do homem, de que procede todo falso; a ‘vontade’ é onde essas coisas estão; ‘nascer de Deus’ é ser regenerado pelos veros da fé e pela vida segundo os veros.