. “Ao Que está sentado no trono e ao Cordeiro”. Que isto signifique o Senhor quanto ao Divino Bem e quanto ao Divino Vero, vê-se pelo que foi disto e mostrado acima (n° 279), ou seja, que pelo ‘trono’ é significado o céu, pelo “Que está sentado no trono’ é significado o Divino Bem procedente, e pelo ‘Cordeiro’ o Divino Vero procedente, ambos enchendo e fazendo os céus. Porquanto o Divino Bem procedente do Senhor como Sol é recebido pelos anjos no Seu reino celeste, e o Divino Vero é recebido pelos anjos no Seu reino espiritual, por isso se fala em dois, a saber, o ‘Que está sentado no trono’ e o ‘Cordeiro’, mas no sentido interno por um e outro se entende o Divino procedendo do Divino Humano do Senhor, que é o Divino Bem unido ao Divino Vero, mas distinguido em dois no sentido da letra por causa da recepção. O Divino que faz o céu e dá aos anjos e aos homens o amor, a fé, a sabedoria e a inteligência não procede imediatamente do Divino mesmo do Senhor, mas pelo Seu Divino Humano, e esse Divino que procede é o Espírito Santo (vide acima, n° 183). [2] Assim é que se deve entender o que a doutrina da igreja ensina, que do Pai procede o Filho, e pelo Filho o Espírito Santo, e também que o Divino do Senhor e o Seu Humano não são duas, mas uma única Pessoa, ou um só Cristo, pois o Divino do Senhor é que assumiu o Humano, e é por isso que Ele O chamou Seu ‘Pai’. Assim, Ele não chamou de ‘Pai’ algum outro Divino, que é adorado hoje em Seu lugar, como Seu Pai. E o Divino procedente é o que se chama Espírito Santo, Espírito de Deus, Espírito da verdade e Paracleto, pois é o santo do Espírito ou o santo Divino que o Espírito fala, *** e não outro Divino que é adorado como a terceira Pessoa da Divindade. Que isto seja assim, é o que podem entender todos os que estão em alguma luz do céu, ainda que pela doutrina da Trindade que foi dada por Atanásio muitos dizem que os três são um. Que cada um se examine, quando diz de boca que há um só Deus, se não pensa em três, quando, todavia, há um só Deus , e os três nomes do Divino são de um único Deus. Como Atanásio não compreendeu isso, acreditou que os três nomes fossem três Deuses, mas um quanto à essência. [3] Contudo, não se pode dizer um quanto à essência quando algo é atribuído a um e não ao outro, porque assim a essência é dividida. Daí, o nome da pessoa é aplicado à essência de cada um. Mas são uma só essência quanto os três são de uma só Pessoa, a saber, o Divino Mesmo, que é chamado Pai, o Divino Humano, que é chamado Filho, e o Divino procedente, que é chamado Espírito Santo (vide a Doutrina da Nova Jerusalém, n° 280 a 310). Estas coisas foram ditas para que [se saiba] que pelo ‘Que está sentado no trono’ e pelo ‘Cordeiro’ não se entendem dois, mas um, a saber, o Senhor quanto ao Divino procedente.