. “E ouvi um dos quatro animais dizendo com voz como de trovão”. Que isto signifique do céu íntimo desde o Senhor, vê-se pela significação de ‘quatro animais’ ou querubins, que, no sentido supremo, é a Divina providência do Senhor e a guarda afim de que não haja acesso senão pelo bem do amor (de que se tratou acima, n° 152 e 277); e, no sentido relativo, o céu íntimo ou terceiro (de que também se tratou acima, n° 313 e 322); e pela significação de ‘voz de trovão’ , que seja a manifestação daí; que pelos ‘relâmpagos, trovões e vozes’, na Palavra, sejam significadas a iluminação, o entendimento e a percepção, vê-se acima (n° 273), e daí, também a manifestação. Que os ‘trovões’ signifiquem a manifestação desde o céu íntimo, isto vem da correspondência, pois as vozes que descem desse céu até à audição do homem não são ouvidas de outro modo, porque enchem todo o cérebro e daí se propagam para o ouvido, e aí são percebidas por tal som. É de outro modo com as vozes que descem do céu médio, pois estas, porque fluem com iluminação, são ouvidas apenas sonoramente, como as palavras da linguagem. [2] A razão disso é porque as coisas que descem do céu íntimo ou terceiro entram no voluntário do homem, e o voluntário se apresenta pelos sons; mas as que descem do céu médio ou segundo entram no entendimento do homem, e o entendimento se apresenta pelas articulações do som. Com efeito, os sons são formados no entendimento, e as formações do som, que se chamam suas articulações, se apresentam por meio de ideias no pensamento e pelas palavras na audição. Assim é que as coisas que descem do céu íntimo ou terceiro correspondem ao trovão, e as que descem do céu médio ou segundo correspondem ao relâmpago; e daí também é que na Palavra os ‘trovões e relâmpagos’ significam a iluminação, o entendimento e a percepção. Estas coisas têm semelhança com os sons no mundo, que crescem com aumento quando descem dos altos, como quando descem de altos montes nos vales, e também como quando das nuvens em direção à terra, donde há os trovões. Assim também as vozes do céu terceiro ou supremo, que, quando se precipitam para os inferiores até os ínfimos, nos quais estão o ouvido humano, são ouvidas como trovões, mas somente naqueles em que os interiores foram abertos, como então se passou com João.