. (Vers. 2) “E vi, e eis um cavalo branco”. Que isto signifique o entendimento do vero proveniente da Palavra, vê-se pela significação de ‘cavalo’, que é o entendimento; e pela significação de ‘branco’, que é atributo do vero. (Que o ‘cavalo’ signifique o entendimento pode-se ver pelas coisas que foram citadas e mostradas no opúsculo Do Cavalo Branco; e que ‘branco’ seja tributo do vero, vê-se acima, n° 196). Foi dito que viu-se um ‘cavalo branco’ quando o anjo abriu o primeiro selo, e um ‘cavalo vermelho’ quando o segundo, um ‘cavalo preto’ quando o terceiro e um ‘cavalo pálido’ quando abriu o quarto; e visto que pelo ‘cavalo’ é significado o entendimento, especialmente quanto ‘a Palavra, daí se pode ver que pelos ‘cavalos’ se descreve aqui o entendimento do vero proveniente da Palavra e a sua qualidade nos homens da igreja. Dá no mesmo dizer que o entendimento é aqui descrito ou dizer os que nele estão, pois os homens, espíritos e anjos são os sujeitos nos quais o entendimento está. Assim, pode-se dizer o que é descrito neste capítulo e nos que se seguem imediatamente, no sentido interno ou espiritual, a saber, a Palavra quanto ao entendimento. Isto também se vê pelo versículo nono deste capítulo, onde, depois que foram vistos esses quatro cavalos e aberto o quinto selo, se diz que ‘viu as almas dos que foram mortos por causa da Palavra de Deus’, como também no capítulo 19 desse livro, onde se diz que O nome d’Aquele que está sentado no cavalo branco é chamado ‘Palavra de Deus’ (vers. 13). Que pelo ‘cavalo’ seja significado o entendimento, e pelo ‘cavalo branco’ o entendimento do vero proveniente da Palavra, vê-se demonstrado no opúsculo acima ditado, Do Cavalo Branco’. Como, porém, ali foram referidos somente umas poucas passagens da Palavra em confirmação de que o ‘cavalo’ significa o entendimento, por isso vou aqui referir mais passagens, para que a confirmação seja plena; são as que se seguem. [2] Em Ezequiel: “Ajuntai-vos de todos os arredores para o Meu sacrifício que sacrifico para vós; ...vos fartareis sobre a Minha mesa, de cavalos e de carros, do forte e de todo varão de guerra; ...assim porei a Minha glória entre as nações” (Ez. 39:17, 20, 21); trata-se aí da convocação de todos para o reino do Senhor e, em particular, da instauração da igreja com os gentios, pois se trata do cativeiro espiritual em que os gentios estiveram e do livramento dele; o ‘sacrifício’ que seria sacrificado significa todo culto pelo qual se cultua ao Senhor; por ‘saciar-se sobre a Minha mesa’ é significada toda comida espiritual que, por pertencer ao entendimento do vero proveniente da Palavra e da doutrina daí, é chamado ‘cavalo e carro’; pelo ‘cavalo’ é significado o entendimento do vero proveniente da Palavra, e pelo ‘carro’ é significada a doutrina daí; e também se diz “forte e todo varão de guerra’, e pelo ‘ forte’ é significado o vero do bem que destrói o mal, e pelo ‘varão de guerra’ é significado o vero do bem que destrói o falso. A menos que fossem significadas tais coisas, o que seria isso, de se saciarem ‘de cavalo e carro, com o forte e com todo varão de guerra’? [3] Semelhantemente, no Apocalipse: “Ajuntai-vos à ceia do grande Deus, para que comais as carnes dos reis, e as carnes dos quiliarcas, e as carnes dos fortes, e as carnes dos cavalos e dos que sentam sobre eles” (Ap. 19:17-18); no que precedeu a essas palavras tratou-se da Palavra e de seu sentido espiritual; nestas, agora, convida-se a aprender os veros e a perceber os bens, e pela ‘ceia do grande Deus’ é significada a instrução nos veros e, daí, a percepção do bem proveniente do Senhor; e pelas ‘carnes dos reis’, ‘dos quiliarcas´, ‘dos fortes’, ‘dos cavalos’, e ‘dos que se sentam sobre eles’ são significados todos os gêneros de veros que procedem do bem; (a ‘carne’ significa o bem, os ‘reis’ os Divinos veros em geral, os ‘quiliarcas’, os mesmos veros em particular’, os ‘ fortes’ os veros naturais, os ‘cavalos’ os veros no entendimento e ‘os que se sentam sobre eles’ os veros espirituais); que aí não se entendam as carnes dos reis, dos quiliarcas, dos fortes, dos cavalos e dos que se sentam sobre eles, é evidente a qualquer um. [4] Em Habacuque: “Acaso irritou-Se JEHOVAH com os rios? acaso é contra os rios a Tua ira? acaso é contra o mar a Tua inflamação? que cavalgas nos Teus cavalos, Teus carros são salvação; ... pisaste o mar com Teus cavalos, o lodo de muitas águas” (Hb. 3:8, 15). Quem não vê que pelos ‘cavalos’ aqui não se entendem cavalos? Pois se diz a respeito de JEHOVAH que ‘cavalga sobre Seus carros’ e que ‘pisa o mar com seus cavalos’, e que ‘Seus carros são salvação’. Mas isto se diz porque ‘cavalgar sobre cavalos’ significa que JEHOVAH, isto é, o Senhor, está no entendimento de Sua Palavra no seu sentido espiritual, e como daí vem a doutrina do vero, que ensina o caminho da salvação, foi acrescentado ‘Teus carros são salvação’ (os ‘carros’ significam a doutrina); e ‘pisar o mar com cavalos’ significa que JEHOVAH, isto é, o Senhor, está no entendimento de Sua Palavra no sentido natural (pois o ‘mar’ aí significa isso, em geral todas as coisas que são do homem natural e para o homem natural); e como aí estão os Divinos veros em seu último, por isso foi acrescentado ‘lodo de muitas águas’ (o ‘lodo’ significa o último do qual e no qual *** e ‘águas’ significam os veros). [5] Em Zacarias: “Cortarei o carro de Efraim, e o cavalo de Jerusalém; e será cortado o arco de guerra; e falará de paz às nações” (Zc. 9:10); trata-se aí do advento do Senhor e da instauração da igreja entre as nações17; que então não haveria resto algum da igreja com os judeus, isto é descrito por ‘cortarei o carro de Efraim, e o cavalo de Jerusalém; e será cortado o arco de guerra’, pelo que é significado que não haveria o vero na doutrina nem o entendimento do vero, e, por conseguinte, nenhuma luta nem resistência contra o falso; ‘Efraim’ significa a igreja quanto ao entendimento do vero, e ‘Jerusalém’ a igreja quanto à doutrina do vero; ‘carro’ é a doutrina mesma, e ‘cavalo’ o entendimento mesmo; e o ‘arco da guerra’ é a luta e a resistência contra o falso. A instauração da igreja com as nações é significada por ‘falará de paz às nações’; por ‘nações’ são significados todos os que estão no bem do amor ao Senhor (vide acima, n° 331); ‘paz’ significa esse bem e, daí, todas as coisas da igreja. (Que ‘Efraim’ signifique a igreja quanto ao entendimento do vero, vê-se nos Arcanos Celestes, n° 3969, 5354, 6222, 6234, 6237, 6267 e 6296; e que ‘Jerusalém’ signifique a igreja quanto à doutrina, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n° 6, e acima, n° 223). [6] No mesmo: “Naquele dia... ferirei todo cavalo de espanto, e o cavaleiro de loucura; e sobre a casa de Judah abrirei o Meu olho, mas todo cavalo dos povos ferirei de cegueira” (Zc. 12:4); aí se trata da devastação da igreja anterior e da instauração de uma nova; a devastação da igreja anterior é descrita por ‘naquele dia ferirei todo cavalo de espanto, e o cavaleiro de loucura, e todo cavalo dos povos ferirei de cegueira’; que o ‘cavalo’ aí signifique o entendimento do vero nos homens da igreja, e o ‘cavaleiro’ a afeição do vero espiritual de onde vem o entendimento, é evidente, pois, caso contrário, o que seria isso, de ‘o cavalo ser ferido de espanto, e o cavalo dos povos de cegueira’? Diz-se ‘espanto’ a respeito do entendimento quando não tem percepção do bem, e ‘cegueira’ a respeito do entendimento quando não tem percepção do vero; pela ‘casa de Judah’ é significada a igreja naqueles que estão no bem do amor ao Senhor e, assim, na doutrina do vero proveniente da Palavra (vide acima, n° 119 e 211); por isso se diz: ‘sobre ela abrirei o Meu olho’, que significa iluminar para que vejam os veros. [7] No mesmo: “Naquele dia haverá sobe as sinetas dos cavalos: santidade a JEHOVAH” (Zc. 14:20); aí também se trata do advento do Senhor e do convite de todos a igreja, e pelas ‘sinetas dos cavalos’ são significados os conhecimentos, as cognições e, assim, as pregações, que são provenientes do entendimento do vero; e como todo entendimento do vero é proveniente do Senhor, e, assim, as cognições e pregações mesmas, por isso se diz que ‘sobre as sinetas dos cavalos haverá: santidade a JEHOVAH’. Como as ‘sinetas’ significam tais coisas, por isso também Havia sinetas de ouro sobre as orlas do manto de Aarão, ao redor (Êx. 28:34-35). [8] Em Moisés: “Dan será [uma serpente] sobre o caminho, uma áspide sobre a vereda, que morde os calcanhares do cavalo, e seu cavaleiro cai de costas. A tua salvação espero, ó JEHOVAH” (Gn. 49:17-18). Esta é uma profecia do pai Israel a respeito da tribo de Dan, pela qual são significados os últimos da igreja, portanto, os que estão nos últimos do vero e do bem, que se chamam sensuais. Com efeito, na igreja há os que são espirituais e os que são naturais, e os naturais são interiores, médios e últimos; os últimos são os sensuais; esses não se elevam além do sentido da letra da Palavra quanto ao pensamento. Eles se entendem por ‘Dan’; essa profecia descreve a natureza deles, ou seja, que ‘Dan é uma serpente sobre o caminho, uma áspide sobre a vereda, que more os calcanhares do cavalo, e seu cavaleiro cai de costas’. Pela ‘serpente sobre o caminho’ e pela ‘áspide sobre a vereda’ é significado o sensual quanto ao vero e quanto ao bem; pelos ‘calcanhares do cavalo’ são significados os últimos do entendimento do vero e do bem, e pelo ‘cavaleiro’ o raciocínio a partir daí. E visto que o sensual considerado em si mesmo não vê os veros, porque não compreende as coisas espirituais, e daí cai facilmente nos falsos, a menos que o Senhor continuamente os desvie deles, por isso se diz ‘e o cavaleiro cai de costas; a Tua salvação espero, ó JEHOVAH’. (Que ‘Dan’ signifique os últimos da igreja, vê-se nos n° 1710, 6396 e 10335; que a ‘serpente’ signifique o sensual, que é último do entendimento, n° 6398, 6949, 8624 fim, 10313, e acima, n° 70; que o ‘caminho’ signifique o vero, n° 627, 2333, 10422, e acima, n. 97; e que o ‘calcanhar’ signifique o último natural, ou o natural corpóreo, n° 259 e 4938 e sequência. O que é o sensual e quais são os homens sensuais em ambos os sentidos, vide na Doutrina da Nova Jerusalém, n° 50). [9] Em Zacarias: “Levantei Meus olhos e vi, e eis que quatro carros saindo de entre os dois montes, e montes eram montes de bronze; para o primeiro carro cavalos vermelhos, para o segundo carro, cavalos pretos; para o terceiro carro, cavalos brancos, e para o quarto carro, cavalos salpicados, robustos. ... Disse o anjo: Estes [são] os quatro ventos dos céus, que saem de estarem junto ao Senhor de toda a terra; em que *** os cavalos pretos, que saem na terra do norte; e os brancos saíram após eles, e os salpicados saíram na terra do sul, e os robustos saíram e procuraram ir para perambular na terra;... e disse: Vê os que saem para a terra do norte, fizeram descansar o Meu espírito na terra do norte; ...e do longínquo virão, e edificarão no templo de JEHOVAH” (Zc. 6:1-8,15). Ninguém entende esta profecia a menos que saiba o que significam ‘carros’ e ‘cavalos’, e o que significam ‘rubro’, ‘preto’, ‘branco’, ‘salpicado’ e ‘robusto’, e depois o que significam ‘terra do norte’ e ‘terra do sol’. Aí se trata da igreja que devia ser propagada entre aqueles que ainda não estavam em luz alguma do vero, porque não tiveram a Palavra; pelo ‘norte’ se entende a obscuridade do vero que há com eles, pelo ‘sol’ a claridade do vero; pelos ‘cavalos’ se entende o entendimento deles; por ‘rubro’, ‘negro’, ‘branco’ e ‘salpicado’ se entende a sua qualidade no princípio e a sua qualidade depois; por ‘vermelho’, a qualidade do entendimento deles quando ao bem, no princípio; por ‘negro’, a qualidade do entendimento deles quanto ao vero, no princípio; por ‘branco’ a qualidade do entendimento deles quanto ao vero depois, e por ‘salpicado’ a qualidade deles quanto ao vero e ao bem no final; por ‘robusto’ se entende a sua qualidade quanto ao poder de resistir aos males e falsos. Por aí agora se pode ver o que é significado por ‘cavalos pretos saírem para a terra do norte, e os brancos saírem após eles’, e que ‘fizeram descansar o Meu espírito na terra do norte’, a saber, que aqueles estão na afeição de saber os veros da igreja pelo bem da vida recebam e entendam, não serão esclarecidos por outros; a iluminação e a recepção por eles se entende por ‘fizeram descansar o Meu espírito na terra do norte’; os ‘salpicados que saíram na terra do sul, e os robustos para perambular na terra’ significam que aqueles que estão na afeição de saber os veros da igreja pelo bem da vida venham à luz e resistam aos males e falsos, e façam a igreja; assim é que esses quatro cavalos são chamados ‘quatro ventos dos céus saindo de estarem junto ao Senhor de toda a terra’; os ‘ventos’ significam todos os Divinos veros, e ‘saindo de estarem junto ao Senhor de toda a terra’ significa que procedem d’Ele; (que os ‘ventos’ signifiquem todos os Divinos veros, vê-se no n. 9642 e na obra O Céu e o Inferno, n° 141 a 153; e que ‘sair’ signifique proceder, nos Arcanos Celestes, n° 5337, 7124 e 9303); pelos ‘longínquos que edificarão no tempo de JEHOVAH’ são significados aqueles que antes estiveram afastados dos veros e bens da igreja, que se aproximarão da igreja (que eles sejam significados pelos ‘longínquos’, vide nos n. 4723 e 8918; e que o ‘templo de JEHOVAH’ signifique a igreja, n. 3720; além disso, que o ‘norte’ signifique a obscuridade do vero, e o ‘sul’ ou ‘meio-dia’ a claridade do vero, assim, também os que estão na obscuridade e na claridade do vero, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n° 143-151). O que é significado por ‘rubro’ e ‘negro’ em ambos os sentidos, ver-se-á nas explicações dos versículos quarto e quinto deste capítulo; e o que é significado por ‘branco’, vê-se acima (n. 196). Pelos ‘montes de bronze’ de entre os quais os caros saíram é significado o bem do amor no homem natural; diz-se isso porque as nações, de que se trata aqui, antes de serem esclarecidas não estiveram no bem espiritual, mas no bem natural. (Que o ‘monte’ signifique o bem do amor, vê-se nos n. 795, 4210, 6435, 8327, 8758 e 10438; e que o ‘cobre’ signifique o bem natural, acima, n. 70). [10] Em Jó: “Deus a fez esquecer a sabedoria, nem lhe repartiu inteligência. No tempo em que se levanta ao alto, ri do cavalo e de seu cavaleiro” (Jó 39:17-18); estas palavras dizem respeito à ‘ave’, pela qual é significada a inteligência do proprium, que em si mesma não é inteligência, pois o homem, pelo proprium, não vê senão os falsos e não os veros, e a inteligência vêm dos veros e não dos falsos; por isso se diz a respeito dela que ‘Deus a fez esquecer a sabedoria, nem lhe repartiu inteligência, e quando se levanta ao alto, ri do cavalo e do seu cavaleiro’, isto é, do entendimento do vero e o que tem inteligência. [11] Em David: “Tornaram-se presa os fortes de coração, dormiram o seu sono; ...diante de Tua repreensão, ó Deus de Jacob, adormeceu o carro e também o cavalo” (Sl. 76:6, 7); pelos ‘fortes de coração’ são significados os que estão nos veros do bem; pelo fato de ‘terem sido feito presas e dormirem o seu sono’ é significado que dos males caíram nos falsos; pela ‘repreensão do Deus de Jacob’ é significado que eles inverteram o seu estado; e por ‘adormeceu o carro e o cavalo’ é significado que o entendimento deles é entorpecido, porque se fez meramente natural. Que ‘vigiar’ signifique adquirir para si a vida espiritual, e ‘dormir’ signifique ter a vida natural sem a espiritual, vê-se acima (n. 187). [12] Em Ezequiel: “Javan, Thubal e Meseque... com alma de homem e vasos de bronze deram por tua negociação; os de Bethogarma deram cavalos, cavaleiros e mulos por tuas negociações” (Ez. 27:13, 14); aí se trata de Tiro, pela qual são significadas as cognições do vero e do bem que pertencem à igreja externa e interna; por ‘Javan, Thubal e Meseque’ são significados os que estão no culto externo, e ‘os de Bethogarma’, os que estão no culto interno, pelo que se diz que eles ‘deram por negociações de Tiro cavalos, cavaleiros e mulos’, e os anteriores deram ‘alma de homem e vasos de bronze por negociação’; pela ‘alma de homem’ é significado o vero da fé quanto à cognição, e pelos ‘vasos de bronze’ são significados os veros do bem natural; pelos ‘cavalos, cavaleiros e mulos’ é significado o entendimento do vero e do bem; pelo s ‘cavalos’ o entendimento do vero, pelos ‘cavaleiros’ a inteligência, e pelos ‘mulos’ o racional. (Que o ‘mulo’ signifique o racional, vê-se nos n° 2781, 5741 e 9212). Qualquer um pode ver que pelas ‘negociações de Tiro’, que são enumeradas neste capítulo e em outras passagens, não se entendem negociações com tais coisas, ou seja, com vasos de bronze, cavalos e mulos, e com muitas outras, mas entendem-se as negociações espirituais, que se fazem por meio das cognições do vero e do bem, pois a Palavra é Divino e trata de coisas Divinas e não de terrestres; por isso, ela contém coisas espirituais que pertencem ao céu e à igreja, as quais, no sentido último, que é o sentido da letra, se exprimem por coisas naturais que a elas correspondem. (Que ‘negociar’ e ‘mercadejar’ signifiquem na Palavra adquirir e comunicar as cognições do vero e do bem, vê-se nos n° 2967 e 4453; e que ‘comprar’ e ‘vender’ signifiquem o mesmo, n° 2967, 4397, 4453, 5371, 5374, 5406, 5410, 5426, 5886, 6143, 7999 e 9039). [13] Em Isaías: “Quem os conduziu por abismos, como a um cavalo no deserto, não tropeçaram; como uma besta desce ao vale, o espírito de JEHOVAH o conduziu” (Is. 63:3, 4); nesse capítulo trata-se do Senhor e de Sua luta contra os infernos e a subjugação deles, mas aqui [nestes versículos] trata-se da salvação dos que estão no amor e na fé n’Ele; esses são comparados ao ‘cavalo no deserto’ e à ‘besta no vale’, porque pelo ‘cavalo’ é significado o entendimento do vero, e pela ‘besta’ a afeição do bem, porque todas as comparações na Palavra vêm das correspondências. [14] No Apocalipse: “Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco, e o Que se assenta nele era chamado... Palavra de Deus; e os exércitos que há no céu O seguiam sobre cavalos brancos” (Ap. 19:11-16). Vê-se que pelo ‘cavalo branco’ é significado o entendimento da Palavra, do mesmo modo que pelos ‘cavalos brancos’ nos quais se sentavam os que seguiam, pois o ‘Que se assenta no cavalo branco’ era o Senhor quanto à Palavra, porque se diz: ‘E o Que se assenta nele era chamado a Palavra de Deus’, e no versículo 16 ali: ‘Tinha sobre a vestimenta e sobre Sua coxa um nome escrito: senhor dos senhores e Rei dos reis’. O Senhor é chamado Palavra porque a Palavra significa o Divino Vero procedente d’Ele. (Mas essas coisas no Apocalipse se veem explicadas mais plenamente no opúsculo Do Cavalo Branco, n° 1, e de onde vem que o Senhor é chamado Palavra, n° 14 ali). Porquanto os ‘carros’ e os ‘cavalos’ significam a doutrina vinda e o Palavra e seu entendimento, e toda doutrina do vero e seu entendimento é proveniente do céu desde o Senhor, por isso se diz d’Ele que ‘monta sobre a Palavra’, ‘sobre as nuvens’, ‘sobre os céus’, ‘sobre querubim’ e que ‘faz cavalgar’, como nas passagens que se seguem. Em David: “Cinge a Tua espada à coxa, ó Poderoso; monta na Tua formosura e na Tua honra, e cavalga sobre a Palavra da verdade e na mansidão da justiça” (Sl. 45:3, 4); estas palavras foram ditas a respeito do Senhor. No mesmo: “Cantai a Deus, louvai o Seu nome; exaltai o que cavalga sobre as nuvens” (Sl. 68:4); em Isaías: “Eis JEHOVAH, que cavalga sobre uma nuvem;... e vem ao Egito, e diante d’Ele serão abalados os ídolos do Egito” (Is. 19:1); em David: “Salmodiai ao Senhor... ao que cavalga sobre o céu do céu da antiguidade” (Sl. 68:32-33); Deus “cavalgou sobre um querubim, voou, e montou sobre as asas do vento” (Sl. 18:10); em Habacuque: JEHOVAH... cavalgas sobre os Teus cavalos; Teus carros são salvação;... pisaste o mar com teus cavalos” (Hb. 3:8, 15); em Isaías: “Então te deleitarás em JEHOVAH, e te farei cavalgar nas alturas da terra” (Is. 58:14); em Moisés: “JEHOVAH sozinho o conduziu e o fez cavalgar sobre as alturas da terra” (Dt. 32:12-13); e em Oséias: “Farei cavalgar a Efraim” (Os. 10:11); nestas passagens, por ‘cavalgar’ é significado dar inteligência e sabedoria, porque o ‘carro’ significa a doutrina do vero, e os ‘cavalos’ o seu entendimento. [15] Em Isaías: “Então trarão todos os vossos irmãos, de todas as nações, uma oferta a JEHOVAH sobre cavalos e sobre carro, e sobre carroças cobertas, sobre mulas e sobre dromedários [veredariis ***], ao monte de Minha santidade, Jerusalém” (Is. 66:20); trata-se aí da instauração de uma nova igreja pelo Senhor; por isso, não se entende que eles trarão a Jerusalém os seus irmãos sobre cavalos, sobre carros, sobre carroças cobertas, sobre mulas e sobre dromedários, mas entende-se que todos os que estão no bem devem ser instruídos nos Divinos veros, e tendo sido feitos sábios e inteligentes por eles, devem ser introduzidos na igreja. Com efeito, pelos ‘irmãos’ são significados todos os que estão no bem; pelos ‘cavalos’ é significado o entendimento do vero, pelo ‘carro’ a doutrina do vero, pelas ‘carroças cobertas’ as cognições do vero, pelos ‘mulos’ o racional interno, que é espiritual, e pelos ‘dromedários’ o racional externo, que é natural; e por ‘Jerusalém’ é significada a igreja onde há a doutrina do Divino Vero, que é chamada ‘monte da santidade’ pelo amor do vero. Pela significação de ‘carro’ e de ‘cavalos’ pode-se ver de onde vem Que Elias e Eliseu tenham sido chamados ‘carros de Israel e seus cavaleiros’, e que o moço de Eliseu viu a montanha cheia de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu (2Re. 2:11, 12; 6:17; 13:14); a razão era porque os dois, tanto Elias quanto Eliseu, representaram o Senhor quanto à Palavra, e pelos ‘carros’ é significada a doutrina vinda da Palavra, e pelos ‘ cavaleiros’ a inteligência. (Que Elias e Eliseu tenham representado o Senhor quanto à Palavra, vide nos n° 7643, 8029 e 9372). [16] Que o ‘carro’ e os ‘cavalos’ signifiquem a doutrina e o seu entendimento, pode-se ver ainda pelo seu sentido oposto, no qual o ‘carro’ e os ‘cavalos’ significam doutrinas do falso e conhecimentos falsos de um entendimento pervertido. Com efeito, a maioria das coisas na Palavra tem um sentido oposto, pelo qual se pode ver o que elas significam no sentido genuíno. Que o ‘carro’ e os ‘cavalos’ signifiquem tais coisas nesses sentido, pode-se ver pelas passagens que se seguem. Em Ezequiel: “Eis que trarei contra Tiro... o rei de Babel, do norte, com cavalo e com carro, e com cavaleiros;... as tuas filhas matará no campo à espada;... por causa da abundância dos seus cavalos, cobrir-te-á com a poeira deles; por causa da voz dos cavaleiros, e da roda, e dos carros, teus muros serão abalados... com os cascos do seus cavalos pisoteará todas as tuas ruas; ao povo matará à espada” (Ez. 26:7-8, 10, 11); por ‘Tiro’ é significada a igreja quanto às cognições do vero, e pelo ‘rei de Babel’ a destruição do vero pelos falsos e a profanação; pelo ‘norte’, de onde virá, é significada toda parte de onde vem o falso, especialmente o inferno de onde surge; pelo ‘carro’, pelos ‘cavalos’ e pelos ‘cavaleiros’ são significados os doutrinais do falso e os raciocínios por eles; pelas ‘filhas que ele matará no campo’ são significadas as afeições do vero que ele extinguirá pelos falsos, pois as ‘filhas’ são as afeições do vero, o ‘campo’ é a igreja onde elas estão, a ‘espada’ é a luta do falso contra o vero, e ‘matar’ é extinguir. Daí se vê o que é significado por ‘por causa da abundância dos seus cavalos, cobrir-te-á com a poeira deles’ (a ‘poeira’ é o mal do falso); pelos ‘ muros’, que serão abalados por causa da voz dos cavaleiros, das rodas e do carro, são significados os veros que protegem, que são, em geral, que existe um Deus, que a Palavra é Divina e que existe uma vida eterna; esses ‘muros’ ou veros se dizem ‘abalados por causa da voz dos cavaleiros, da roda e dos carros’, quando são postos em dúvida pelos falsos da doutrina e pelos raciocínios por eles; pelos ‘cascos dos cavalos’, com os quais ele pisoteará todas as ruas, são significados os extremos naturais do homem, que se chamam sensuais, dos quais procedem todas as falsidades; as ‘ruas’, que pisoteará com eles, são a verdadeira doutrina da igreja, que ele destruirá completamente; pelo ‘povo’ a que matará à espada são significados todos os que estão nos veros e, abstratamente, todos os veros. [17] Em Jeremias: “Espada contra os mentirosos, para que fiquem insensatos; espada contra os fortes, para que fiquem perturbados; espada contra os seus tesouros, para que sejam saqueados; secas sobre as águas, para que fiquem secos, porque esta é uma terra de imagens de escultura” (Jr. 56:36-38); pela ‘espada’ é significada a luta do vero contra o falso e do falso contra o vero e, assim, a devastação; aqui é a devastação; pelos ‘mentirosos’ e pelos ‘fortes’ são significados os falsos e os raciocínios por eles, do mesmo que pelos ‘cavalos’ e ‘carros’; pelos ‘tesouros’, que serão saqueados, são significadas todas as coisas da doutrina; pela ‘seca sobre as águas para que seguem’ é significada a desolação do vero (a ‘seca’ é a desolação e as ‘águas’ são os veros); e como todos os falso são provenientes da própria inteligência, por isso se diz: ‘porque está é uma terra de imagens de escultura’; a ‘terra’ aí significa a heresia, e as ‘imagens de escultura’ significam o que vem da própria inteligência. (Que estas coisas sejam significadas pelas ‘imagens de esculturas’, ‘imagens fundidas’ e pelos ‘ídolos’, vê-se nos n° 8869, 8941, 10406 e 10503). [18] No mesmo: “Eis que sobe como nuvens, e como procela são os seus carros; seus cavalos são mais céleres que águias. Ai de nós, porque estamos devastados. Lava da malícia o teu coração... para que sejas salva. Até quando morarão no meio de ti os pensamentos de iniquidade?... Toda a terra será devastada.... diante da voz dos cavaleiros e dos arqueiros, toda a cidade foge; entraram nas nuvens e subiram nas rochas, toda a cidade está deserta” (Jr. 4:13, 14, 27, 29); aqui se descreve a devastação da igreja pelos falsos do mal; os falsos são significados pela ‘nuvem’ e a cobiça de raciocinar pelos falsos contra os veros são significados pelos ‘cavalos que são mais velozes que águias’, e os doutrinais do falso pelos ‘carros que são como procela’; daí perece tudo da igreja e toda a sua doutrina, o que é significado por ‘toda a terra será devastada, e diante da voz dos cavaleiros e dos arqueiros toda a cidade foge’; a ‘terra’ é a igreja, e a ‘cidade’ é a sua doutrina; a ‘voz dos cavaleiros e dos arqueiros’ é o raciocínio por elas e o ataque, e ‘fugir’ é perecer; daí reinarão meramente o falso e a fé do falso, o que é significado por ‘entraram nas nuvens e subiram nas rochas’; as ‘nuvens’ são os falso, e as ‘rochas’ são a fé deles. Que seja assim descrita a devastação da igreja e de sua doutrina é evidente, por se diz: ‘Ai de nós, porque estamos devastados;... até quando morarão no meio de ti os pensamentos de iniquidade? Toda a terra será devastada, toda cidade está deserta”. [19] No mesmo: “Eis um povo que vem da terra do norte, e uma grande nação será levantada dos lados da terra;... a voz delas é como o mar que ressoa, e montam em cavalos” (Jr. 6:22, 23; 50:41, 42); aqui, semelhantemente, se descreve a devastação da igreja pelos falsos do mal; a ‘terra do norte’ e os ‘lados da terra’ são a de onde eles vêm; a ‘terra do norte’, de onde vêm os falsos, e os ‘lados da terra’ de onde vêm os males, pois pelo ‘norte’ é significado aquilo que está afastado dos veros, e pelos ‘lados da terra’ aquilo que está afastado dos bens, pelo que se ‘nações’ destes e ‘povos’ daqueles, porque pela ‘nação’ se entendem os que estão nos males, e pelos ‘povos’ os que estão nos falsos (vide acima, n° 331); o raciocínio deles é significado por ‘a voz delas é como mar que ressoa’ e por ‘montam em cavalos’. [20] Em Ezequiel: “Virás do teu lugar, dos lados do norte, tu e muito povo contigo, todos cavalgando cavalos... e subirás contra o Meu povo, Israel, como nuvens para cobrir a terra” (Ez. 38:15, 16); estas palavras são a respeito de Gog, por quem é significado o culto externo sem interno algum; os ‘lados do norte’ significam, aqui como acima, o que está afastado dos bens e veros e, assim, de onde vêm os falsos do mal; e como daí raciocinam e atacam os veros da igreja e os extinguem, por isso se diz ‘todos cavalgando cavalos... e subirás contra Meu povo, Israel, como nuvens para cobrir a terra’; ‘cavalgando cavalos’ são os raciocínios; ‘subir contra o povo de Israel’ e ‘cobrir a terra’ significa atacar os veros da igreja e extingui-los; as ‘nuvens’ são os falsos do mal. [21] Em Daniel: “No tempo do fim, o rei do sul [meridiei] bater-se-á com” o rei do norte; “por isso o rei do norte se precipitará contra ele como uma procela, com carro e com cavaleiros, e com muitos navios, e chegará às terras, e inundará, e penetrará” (Dn. 11:40); trata-se neste capítulo da luta do rei do norte com o rei do sul, e pelo ‘rei do norte’ se entende o falso do mal, e pelo ‘rei do sul’ o vero do bem. Assim é evidente que as coisas que se dizem neste capítulo não foram ditas a respeito de alguma guerra futura entre dois reis, mas das lutas do falso do mal contra o vero do bem; ‘carro e cavaleiros’, com os quais ‘o rei do norte se precipitaria’, são os ataques ao vero pelos falsos do mal; ‘muitos navios’, com os quais também se precipitaria, são os conhecimentos e os doutrinais do falso; a destruição da igreja por eles é significada por ‘chegará às terras, e inundará e penetrará’. (Que os ‘navios’ signifiquem os conhecimentos e os doutrinais em ambos os sentidos, vê-se nos n° 1977 e 6385; e que ‘inundar’ signifique a imersão nos falsos e males, n° 660, 705, 739, 756, 790, 5725 e 6853). [22] Em Jeremias: Por ti dispersarei as nações, e por ti destruirei os reinos,; e dispersarei por ti o cavalo e o seu cavaleiros, e dispersarei por ti o carro e o viajante nele” (Jr. 51:20-21); e em Ageu: “E derrubarei o trono dos reinos, e destruirei a força dos reinos das nações; e derrubarei o carro e os que cavalgam nele, e cairão os cavalos e os seus cavaleiros, o varão pela espada de seu irmão” (Ag. 2:22); estas coisas foram ditas a respeito da destruição do falso e do mal, e não da destruição de alguma nação e reino, pois pelas ‘nações’ são significados os males, e pelos ‘reinos’ os falsos, do mesmo modo que pelos ‘povos’. Também, isto é profético e não histórico. Daí é evidente o que é significado por ‘carro e cavaleiro’ e por ‘carro e o viajante nele’, a saber, por ‘cavalo e cavaleiro’ o entendimento pervertido e o raciocínio daí, e por ‘carro e o viajante nele’ a doutrina do falso ou a heresia, e os que nela estão. [23] Em Naum: “Ai da cidade de sangues, toda cheia de mentira e rapina;... a voz do açoite e a voz do sonido da roda, e o cavalo que relincha e dos carros que saltam; o cavaleiro que faz subir, e o esplendor da espada e o fulgor da lança, a multidão de traspassados e o montão de cadáveres... por causa da multidão de escortações da prostituta... da que vende nações por suas escortações, e famílias por suas feitiçarias” (Nm. 3:1-4); trata-se aí da violência feita ao Divino Vero e de sua destruição pelos falsos do mal, pois isto é significado pela ‘cidade de sangues’, de que se tratará na sequência (vide acima, n° 329); por isso se diz também ‘toda cheia de mentira e rapina’; ‘mentira’ é o falso e ‘rapina’ é a violência feita pelo falso; e como as ‘guerras’ significam lutas espirituais, que são do vero contra o falso e do falso contra o vero, por isso todas as coisas que pertencem à guerra, como ‘açoite’, ‘cavalo’, ‘carro’, ‘espada’ e ‘lança’ significam várias coisas que pertencem a essa guerra. O que, porém, cada uma delas significa em particular, não é aqui o lugar para expor, exceto somente o que significam ‘cavalo’, ‘cavaleiro’ e ‘carro’. A ‘voz do sonido da roda’ significa os raciocínios pelos falsos do mal; o ‘cavalo que relincha e que salta” significa a cupidez de destruir os veros (‘cavalo’ é o entendimento pervertido e ‘carro’ é a doutrina do falso, pelos quais há a destruição); ‘relinchar e saltar’ é ser levado a isso pela cupidez e o pelo prazer, e ‘cavaleiro que faz subir’ é o ataque; daí se diz ‘multidão de traspassados e o montão de cadáveres’; chamam-se ‘traspassados’ os que perecem pelos falsos, e ‘cadáveres’ os que perecem pelos males; e também daí se diz ‘por causa da multidão de escortações da prostituta... da que vende nações por suas escortações, e famílias por suas feitiçarias’; ‘escortações’ significam as falsificações do vero, ‘prostituta’ significa a heresia; por ‘vender as nações’ é significa desviar-se dos bens, e ‘vender as famílias por feitiçarias’ significa afastar os veros (‘nações’ são os bens, ‘famílias’ são os veros daí, e ‘feitiçarias’ são os falso do mal pelos quais se desvia). [24] Em Habacuque: “Eu que suscito os caldeus, uma nação amarga e impetuosa, que marcha nas larguras da terra... cujos cavalos são mais ligeiros do que os leopardos, e mais ferozes do que os lobos da tarde, para que seus cavaleiros se espalhem, pelo que os seus cavaleiros virão de longe, virão voando como a águia que se apressa para devorar; virá toda para violência... ela zombará dos reis, os dominadores serão motivo de riso para ela” (Hb. 1:6, 8-10); pelos ‘caldeus’ se entendem os que profanam os veros e, assim, devastam a igreja, razão por que eles se chamam ‘uma nação amarga e impetuosa, que marcha nas larguras da terra’; ‘larguras da terra’ são os veros da igreja (vê-se na obra O Céu e o Inferno, n° 197); sua cobiça e astúcia para perverter os veros e destruí-los por meio de raciocínios provenientes de falsos inteiramente afastados dos veros são significadas por ‘cujos cavalos ao mais ligeiros que leopardos, e mais ferozes que os lobos da tarde, para que seu cavaleiros se espalhem, pelo que os seus cavaleiros virão de longe, virão voando como a águia que se apressa para devorar’; a cobiça é significada por ‘seus cavalos são mais ligeiros que leopardos’, e a astúcia por ‘os cavalos são mais ferozes que os lobos da véspera’, e ambos por ‘voam como águia’; como a cobiça e astúcia é para destruir os veros, por isso se diz ‘virá toda para violência’; que zombem dos veros e bens, é significado por ‘zombará dos reis e os dominadores serão motivo de riso para ela’; os ‘reis’ significam os veros, e os ‘senhores’ e ‘dominadores’, os bens. [25] Em David: “Estes em carro, e aqueles em cavalos, mas nós nos gloriaremos no nome de nosso Deus” (Sl. 20:7); no mesmo: “Um rei não é salvo pela multidão de exércitos; um cavalo é mentira quanto a salvação” (Sl. 33:16, 17); no mesmo: JEHOVAH “não Se deleita na força do cavalo, nem nas coxas do varão está o Seu beneplácito” (Sl. 147:10); ‘gloriar-se em carro e em cavalos’, e ‘JEHOVAH não se deleitar na força do cavalo’ significa todas as coisas que são da própria inteligência, das quais procedem meros falsos; e ‘coxas do varão’ significam as coisas que procedem da vontade própria, das quais procedem meros males. [26] Em Amós: “Não se sustentará o que segura o arco, nem o célere de pés se livrará; nem o que cavalga o cavalo livrará a sua alma, mas o que é forte em seu coração fugirá nu naquele dia” (Am 2:15, 16); aí se descreve a própria inteligência e a confiança pela faculdade de falar e de raciocinar pelos falsos; ‘não se sustentará o que segura o arco’ e ‘célere de pés não se livrará’ significa aquele que sabe vivamente raciocinar pela doutrina do falso e pela conhecimento e memória do homem natural, que por isso não será salvo; o mesmo é significado por ‘o que cavalga o cavalo não livrará a sua alma’; o ‘forte de coração’ que ‘fugirá nu naquele dia’ significa que aquele que confia em seus falsos ficará sem qualquer vero; pelo ‘forte de coração’ se entende o que confia em seus falsos, e pelo ‘nu’ se entende o que está sem qualquer entendimento do vero (ide acima, n° 240). [27] Em Isaías: “Diz o Senhor Jehovih, o Santo de Israel... no descanso e na confiança estará a vossa força; mas não quiseste, e disseste: Não, mas sobre cavalo fugiremos, e por isso fugireis; e sobre o veloz cavalgaremos, e por isso tornar-se-ão velozes os que vos perseguem” (Is. 30:15, 16); trata-se aqui da confiança no Senhor e da confiança em si mesmo; da confiança no Senhor, por estas palavras: ‘Disse o Senhor Jehovih, o Santo de Israel, no descanso e na confiança estará a vossa força’; e da confiança em si mesmo, por estas: ‘E disseste: Não, mas sobre cavalo fugiremos, e sobre o veloz cavalgaremos’; ‘fugir sobre cavalo’ e ‘cavalgar sobre o veloz’ significa cobiçar e amar as coisa que são do próprio entendimento e, daí, do pensamento e dos raciocínios; que os falsos então brotarão e ocuparão, é significado por ‘por isso fugireis... e por isso tornar-se-ão velozes os que vos perseguem’; ‘veloz’ e ‘presto’ significa o que se faz pela cobiça ou pelo amor. [28] Em Zacarias: JEHOVAH porá Judah “como cavalo de Sua glória na guerra; dele [sairá] o angular, dele o cravo, dele o arco de guerra; ...e serão como poderosos que pisam a lama das ruas... e pelejarão, porque JEHOVAH está com eles, e ficarão envergonhados os que cavalgam sobre cavalos” (Zc. 10:3-5); pela ‘casa de Judah’ é significado o reino celeste do Senhor ou o céu e a igreja que está no amor ao Senhor; desse [reino] *** 18 se diz que ‘será como cavalo de glória na guerra’, pelo qual é significado o entendimento do Divino Vero que luta contra os males e falsos, os quais destruirá; ‘cavalo’ significa o entendimento, ‘glória’ o Divino Vero, e ‘guerra’ a luta contra os falsos e males, e a destruição destes; pelo ‘angular, o cravo e o arco de guerra’, que saem de Judah, são significados os veros; pelo ‘angular´, o vero que protege; pelo ‘cravo’, o varo que firma; e pelo ‘arco de guerra’, o vero que luta pela doutrina; que serão ‘como poderosos que pisam a lama das ruas’ significa o poder de dissipar e de destruir os falsos; a ‘lama das ruas’ significa os falsos; que ‘ficarão envergonhados os que cavalgam sobre cavalos’ significa a aniquilação dos raciocínios, das argumentações e das confirmações que vêm do próprio entendimento; que isto se fará pelo Senhor e não por eles, é que se entende por ‘pelejarão, porque JEHOVAH está com eles’. [29] Em Oséias: “A Assíria não nos salvará, sobre cavalo não cavalgaremos, nem diremos mais: Nosso Deus, à obra de nossas mãos” (Os. 14:3); aqui também se trata da inteligência vinda do proprium, e que ela não salva; pela ‘Assíria’ é significado o racional, aqui, o que vem do proprium; por ‘cavalgar sobre cavalo’ é significado o raciocínio pelo próprio entendimento; e pela ‘obra das mãos’ é significado o proprium mesmo. [30] Em Ezequiel: “Oolá cometeu escortação... e amou os seus amásios, os vizinhos assírios, com vestidos de jacinto (azul? ***)... seus cavaleiros cavalgando em cavalos” (Ez. 23:5,6. 12. 23); ‘Oolá’, que aí é Samaria, significa a igreja hoje os veros foram falsificados; as suas ‘escortações’, de que se trata neste capítulo, significam as falsificações; pelos ‘assírios’ são significados os raciocínios pelos quais os veros foram falsificados; e como ‘cavalgar em cavalos’ significa raciocinar pelos falsos, os quais vem da própria inteligência, por isso se diz ‘amou os assírios, cavaleiros cavalgando em cavalos’; pelo ‘jacinto’ de que eram vestidos é significado o falso aparentando o vero, o que acontece principalmente pela aplicação do sentido da letra da Palavra aos princípios do falso. [31] Em Jeremias: “Desde Dan se ouviu o ronco dos seus cavalos; toda a terra treme à voz dos rinchos dos seus fortes (***), e vieram e consumiram a terra e sua plenitude, e os habitantes nela” (Jr. 8:16); o que se entende por ‘Dan’ foi dito acima neste artigo, a saber, é o vero em seu último; esse é vero na igreja que está contido no sentido da letra da Palavra; os que ficam somente nesse sentido e não o leem pela doutrina do vero genuíno, que os conduza e ilumine, podem ser levados a todos os gêneros de erro; os que aqui são levados aos erros ou falsos se entendem aqui por ‘Dan’; a confirmação dos falsos daí se entende pelo ‘ronco dos seus cavalos’, e as falsificações do vero pela ‘voz do relincho dos seus fortes’; chamam-se ‘fortes’ por causa da confiança, porque vem do sentido da letra da Palavra que o falso seja o vero. Que daí a igreja seja devastada quanto aos seus veros e bens, é significado por ‘toda a terra treme, e vieram e consumiram a terra e a sua plenitude, e os habitantes nela’; a ‘terra’ é a igreja, a ‘sua plenitude’ são os veros, e os ‘habitantes nela’ são os bens. [32] Em Isaías: “Ergueu um estandarte para as nações de longe, e lhe assobiou desde a extremidade da terra, e eis que o veloz virá... cuja flechas são agudas, e todos os seus arcos armados; os cascos de seus cavalos são reputados como rochedo, e suas rodas como procela” (Is. 5:26, 28); também aqui se trata daqueles que estão nos últimos quanto ao entendimento do vero e quanto à percepção do bem; esses últimos se chamam sensuais, que são as últimas coisas do homem natural (a cujo respeito se vê na Doutrina da Nova Jerusalém, n° 50); desses, quando separados do homem natural, brotam todos os males e falsos que há na igreja e na sua doutrina; os males daí são dos por ‘nações que virão de longe’, e os falsos por aquele que ‘veio da extremidade da terra’; ‘longe’ e ‘extremidade da terra’ significam as coisas que estão afastadas dos veros e bens da igreja; pelas ‘flechas, que são agudas’ e pelo ‘arco, que é armado’ são significados os falsos da doutrina preparados para destruir os veros; e pelos ‘casos dos cavalos, que são reputados como rochedos’ e pelas ‘rodas, que são como procela’ são significados os últimos do vero, tais como estão no sentido da letra da Palavra, e as argumentações e confirmações do falso por eles; ‘os cascos dos cavalos’ são os últimos do entendimento, aqui, o entendimento pervertido, porque é separado do entendimento do homem espiritual, os quais, porque provêm do sentido da letra da Palavra, se diz que são ‘reputados como rochedo’; e as ‘rodas’ são argumentações e as confirmações por eles, os quais, por parecerem sólidos, se diz que são ‘como procela’. [33] No Livro dos Juízes: “Meu coração para os legisladores de Israel... que cavalgais sobre jumentas brancas, e sentais sobre middin (***), e que andais sobre o caminho, meditais;... as estrelas, de seus caminhos, lutaram com Sísera... então foram feridas as patas dos cavalos, bateram as pisadas de seus fortes” (***) (Jz. 5:9, 10, 20, 22); estas palavras se acham no cântico de Débora e Baraque, no qual se trata da luta do vero contra o falso e da vitória daquele; pelos ‘legisladores de Israel’ são significados os veros da igreja; por ‘cavalgar sobre jumentas brancas e sentar-se sobre middin’ é significada a percepção do bem e o entendimento do vero (‘jumentas brancas’ significam o racional quanto ao bem, e ‘middin’ o racional quanto ao vero); e ‘andar sobre o caminho e meditar’ significa a vida do vero; as ‘estrelas que de seus caminhos lutaram com Sísera’ significam as cognições do vero e a luta por elas contra os falsos do mal; as ‘patas dos cavalos, que foram feridas’ e as ‘pisadas dos cavalos, que bateram’ significam os falsos que vêm do último do natural ou do sensual, e as argumentações daí, que foram destruídas. [34] Em Amós: “Acaso correrão na rocha os cavalos? acaso lavrará com bois? porque converteste em fel o juízo, e o fruto da justiça em absinto” (Am. 6:12); ‘Acaso correrão na rocha os cavalos?’ significa se acaso há algum entendimento do vero; ‘acaso lavrará com bois?’ significa se acaso há alguma percepção do bem. Que sejam estas as coisas significadas é evidente, pois segue-se ‘porque converteste em fel o juízo, e o fruto da justiça em absinto’; ‘converter em fel o juízo’ significa transformar o vero em falso, e ‘converter o fruto da justiça em absinto’ significa transformar o bem em mal. [35] Em David: “Puseste opressão sobre nossos lombos; fizeste o homem cavalgar em nossa cabeça; entramos no fogo e nas águas, todavia nos trouxeste na largueza” (Sl. 66:11, 12); assim se descreve o cativeiros espiritual e a libertação daí. O cativeiro espiritual é quando a mente é fechada para que não perceba o bem nem entenda o vero, e a libertação do cativeiro é quando a mente é aberta; pela ‘opressão sobre os lombos’ é significado que não há percepção alguma do bem do amor, pois os ‘lombos’ e as ‘ coxas’ significam o bem do amor; por ‘fazer o homem cavalgar em nossa cabeça’ é significa que não há entendimento algum do vero; o ‘homem’ significa aqui a inteligência que vem do proprium, que não é inteligência alguma, e o mesmo é significado pela ‘cabeça’. Como são estas as coisa significadas, por isso se diz ‘entramos no fogo e nas águas’; ‘no fogo’ é nos males que vêm do amor de si, e ‘nas águas’ é nos falso; a libertação daí se entende por ‘trouxeste-nos na largueza’; a ‘largueza’ significa o vero, como acima. [36] Em Isaías: “Ai dos que descem ao Egito por auxílio, e se apoiam em cavalos, e confiam em carro, mas não olham para o Santo de Israel e [não] buscam JEHOVAH;... pois o Egito é homem e não Deus, e os seus cavalos são carne e não espírito” (Is. 31:1, 2); pelo ‘Egito’, na Palavra, é significado o conhecimento [scientificum] que está no homem natural e daí, também, o homem natural; e visto que o homem natural, com o conhecimento que há nele, não tem entendimento algum, mas somente pensamento pela memória – que é uma espécie de imaginação pelos objetos vistos e ouvidos, na qual, por estar abaixo do espiritual em que residem, todavia, os bens e veros do céu e da igreja (***) – assim, pelo ‘Egito’, na maioria das passagens, é significado o conhecimento do falso, pois quando o homem espiritual não influi, os conhecimentos do homem natural se transformam em meras falsidades, e os seus pensamentos em confirmações do falso e em raciocínio por eles contra os veros. Daí se pode ver o que é significado pelos ‘cavalos do Egito’ e pelos seus ‘carros’, a saber, pelos ‘cavalos’ o conhecimentos falsos, e pelo ‘carro’ os doutrinais dos quais há os raciocínios contra os veros; os que, pois, são tais, não buscam os veros de outra parte senão de si mesmos, porque o proprium de cada um reside no homem natural e o que não é do proprium no espiritual. Por isso, em lugar dos velos se apossam de falsos, e em lugar dos bens, de males, e a estes chamam bens e àqueles chamam veros, e confiam em si mesmo, visto que confiam no proprium. Estas são as coisas significadas por ‘Ai dos que descem ao Egito, e se apoiam em cavalos e confiam em carro, que são muitos, e em cavaleiros, que são muito fortes’. Os ‘cavalos’ aí são os conhecimentos falsos, e os ‘carros’ são os doutrinais daí; os ‘cavaleiros’ são os raciocínios por eles contra os veros; por isso também se diz: ‘o Egito é homem e não Deus, e seus cavalos são carne e não espírito’, que significa que neles há meramente o natural e não o espiritual, por conseguinte, não há vida alguma; ‘homem’ significa o homem natural, e ‘carne’ o seu proprium; ‘Deus’ e ‘espírito’ significam o homem Divino espiritual e a vida daí; e como eles confiam em si mesmo e não no Senhor, se diz: ‘não olham para o Santo de Israel e [não] buscam JEHOVAH’. [37] Por aí agora se pode ver o que é significado pelos ‘cavalos, carros e exército de Faraó’, em Moisés: “Glorioso [Me] farei em Faraó e em seu exército... e em seus cavaleiros... E os egípcios perseguiram’ os filhos de Israel ‘e vieram após eles os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, no meio do mar;... e JEHOVAH... removeu a roda dos seus carros, e conduziram com dificuldade... e quando Moisés estendeu a mão sobre o mar as suas águas voltaram e cobriram os caros e os cavaleiros com todo o exército de Faraó” (Êx. 14:17, 18, 23, 25, 27, 28). E no mesmo: “Cantaram Moisés e os filhos de Israel este cântico a JEHOVAH... Cantando cantarei a JEHOVAH, porque exaltando exaltou-Se, lançou no mar o cavalão e o seu cavaleiro... e o carro e o seu exército” (Êx. 15:1, 4, 19, 21); o que é significado pelos ‘cavalos e carros de Faraó ou do Egito’ foi dito acima; por seu ‘exército’ são significados todos os falso em geral e em particular; e pelo ‘mar’ é significada a danação e o inferno, onde todos estão no proprium, porque estão no homem natural separado do espiritual, e, assim, em todo gênero de males e falsos. O mesmo é significado pelos ‘cavalos do Egito’ nesta passagem, em Moisés: “Se disserem: Porei sobre mim um rei, pondo porás19 sobre ti um rei que JEHOVAH teu Deus escolherá;... somente não multiplicará para si cavalos, nem reconduzirá o povo ao Egito para multiplicar cavalos” (Dt. 17:14-16); estas palavras foram ditas a respeito do rei, porque os reis representam o Senhor quanto ao Divino Vero e, assim, pelos ‘reis’ são significados os veros do bem procedentes do Senhor (vide acima, n° 31); e como os veros do bem residem no homem espiritual, como se disse acima, e os conhecimentos que estão no homem natural lhe servem, assim como servos ao seu senhor, por isso se diz: ‘somente não multiplicará para si cavalos, nem reconduzirá o povo ao Egito para multiplicar cavalos’, pelo que é significado que o homem espiritual somente não se torna natural e conduza-se a si mesmo, e confie em seu proprium e não no Senhor; assim, que os veros que são do homem espiritual não sirvam ao natural, em vez de os conhecimentos que são do homem natural servirem ao espiritual, pois isto é segundo a ordem, mas aquilo é contra a ordem. Coisas semelhantes são significadas pelos ‘cavalos do Egito’ em outras passagens da Palavra, como Jr. 46:4, 9; Ez. 17:15; 23:20).