. Que o ‘arco’ signifique a doutrina que luta, ou a doutrina pela qual se luta contra os males e falsos, e que as ‘setas’, os ‘dardos’ e as ‘flechas’ signifiquem os veros da doutrina que combatem, pode-se ver pelas passagens que se seguem. Em Zacarias; “Cortarei o carro de Efraim, e o cavalo de Jerusalém, e serão cortados os arcos de guerra, *** e falará de paz às nações... Voltai à fortaleza, ó presos da esperança... e curvarei Judah para Mim, e com arco encherei Efraim, e suscitarei os teus filhos, ó Sião... pois JEHOVAH aparecerá sobre eles, e Sua flecha sairá como relâmpago, e o Senhor Jehovih tocará a trombeta, e irá nas procelas do meio-dia20” (Zc. 9:10, 12-14); aí se trata da devastação da Igreja Judaica e da instauração de uma nova igreja entre os gentios [gentes]. A .devastação da Igreja Judaica é descrita por ‘Cortarei o carro de Efraim, e o cavalo de Jerusalém, e será cortado o arco de guerra’, pelo que é significado que não haveria mais vero na doutrina, nem entendimento do vero, e, assim, nenhuma luta nem resistência contra o falso; pelo ‘carro’ é significada a doutrina do vero, pelo ‘cavalo’ o seu entendimento, pelo ‘arco de guerra’ a luta contra o falso da doutrina (diz-se ‘arco de guerra’ porque se entende a doutrina que combate); por ‘Efraim’ é significada a igreja quanto ao entendimento do vero, e por ‘Jerusalém’ quanto à doutrina; e a instauração da igreja entre os gentios é descrita por ‘mas falará de paz às nações; voltai à fortaleza, ó presos da esperança, e curvarei a Mim Judah, e com arco encherei Efraim, e suscitarei teus filhos, ó Sião’, palavras pelas quais é significado que a igreja deve ser instaurada entre aqueles que estão no bem do amor ao Senhor e, daí, nos veros; pela ‘paz’ é significado esse bem, por ‘Judah’ aqueles que estão no bem, e por ‘Efraim’ aqueles que estão no entendimento do vero; por isso se diz de Efraim que ‘com o arco o encherá’, isto é, a doutrina do vero. A iluminação deles nos veros é descrita por esta expressão: ‘Sua flecha sairá como relâmpago, e o Senhor Jehovih tocará a trombeta, e irá nas procelas do meio-dia’; a ‘flecha’ que ‘sairá como um relâmpago’ significa o vero iluminado, assim, o vero pelo bem do amor; ‘tocará a trombeta’ significa a percepção manifesta do bem; e as ‘procelas do meio dia’ significam o entendimento manifesto do vero; ‘meio dia’ é a luz da verdade; aí se trata do Senhor, por conseguinte, que tais coisas vêm do Senhor. [2] Em Moisés: “Filho da fecunda é José, filho da fecunda junto à fonte; as filhas (uma andou sobre o muro) o irritarão (***); os flecheiros atirarão nele e lhe terão ódio; e sentar-se-á na firmeza de seu arco, e os braços de suas mãos serão fortalecidos pelas mãos do Forte de Jacob; assim, é o Pastor, a Pedra de Israel” (Gn. 49:22-24); ‘José’, no sentido supremo, significa o Senhor quanto ao reino espiritual. Há dois reinos do céu; um se chama reino celeste, e outro, reino espiritual; o reino celeste é descrito na profecia a respeito de Judah, e o reino espiritual nesta a respeito de José. Os que estão no reino celeste do Senhor estão no bem do amor a Ele, bem que se chama celeste, e aqueles que estão no reino espiritual do Senhor estão no bem para com o próximo e, daí, nos veros. E como do Senhor, pelo reino espiritual, procedem todos os veros, assim é que José é referido como ‘filho da fecunda, filho da fecunda junto à fonte’; ‘fecunda’ significa o bem espiritual, que é o bem da caridade; ‘filho’ significa o vero desse bem, e ‘fonte’ significa a Palavra; a luta contra os males e falsos é descrita pela expressão ‘as filhas o irritarão; e atirarão nele e lhe terão ódio os flecheiros’; as ‘filhas’ significam os que estão nos males e pelos falsos querem destruir os bens; os que agridem pelos males são significados pelos que ‘atirarão’, e os que agridem pelos falsos do mal são significados pelos ‘flecheiros, que terão ódio dele’; a vitória sobre eles, vinda do Senhor, se descreve pelas seguintes palavras: ‘e sentar-se-á na firmeza de seu arco, e os braços de suas mãos serão fortalecidos pelas mãos do Forte de Jacob; assim, é o Pastor, a Pedra de Israel’; ‘sentar-se na firmeza do arco’ significa estar na doutrina do vero genuíno, e ‘serão fortalecidos os braços de suas mãos pelas mãos do Forte de Jacob’ significa o poder que eles têm do Senhor; os ‘braços das mãos’ são o poder, e o ‘Forte de Jacob’ é o Senhor, que também é chamado ‘Pastor, Pedra de Israel’, pela doutrina da caridade e, daí, da fé que vem d’Ele. (Que ‘José’, no sentido supremo signifique o Senhor quanto ao Divino espiritual, e, no sentido interno, o Seu reino espiritual, vê-se nos n. 3969, 3971, 4669 e 6417; e o que significa, além disso, n. 4286, 4592, 4963, 5086, 5087, 5106, 5249, 5307, 5869, 5877, 6224 e 6526). [3] No Segundo Livro de Samuel: “Lamentou Davi... por Saul e por Jônatas, seu filho, e escreveu, para ensinar o arco aos filhos de Judah” (2Sm. 1:17, 18); trata-se nessa lamentação da luta do vero do bem contra o falso do mal, pois ‘Saul’ aí como rei significa o vero do bem, uma vez que esse vero é o se entende da Palavra por ‘rei’ (vide acima, n. 31); e ‘Jônatas’, como filho do rei, significa o vero da doutrina, pelo que escreveu a lamentação ‘para ensinar o arco aos filhos de Judah’, o que significa ensinar-lhes a doutrina do vero que procede do bem. A luta desse vero contra os falsos e males é descrita nessa lamentação por estas palavras: “Sem o sangue dos traspassados, sem a gordura dos fortes, o arco de Jônatas não voltou atrás, e a espada de Saul não retornou vazia” (2Sm. 1:22); o ‘sangue dos traspassados’ significa os falsos vencidos e dissipados; a ‘gordura dos fortes’ significa os males do mesmo modo vencidos e dissipados. Que estes sejam vencidos e dissipados pela doutrina do vero que procede do bem, é significado pela expressão ‘o arco de Jônatas não voltou atrás, e a espada de Saul não voltou vazia’; o ‘arco de Jônatas’ é a doutrina, e a ‘espada de Saul’ é o vero do bem. [4] Em David: “Deus... ensina a minhas mão a guerra, e põe um arco de bronze em meus braços” (Sl. 18:34); a ‘guerra’ aí significa guerra no sentido espiritual, que é contra os males e falsos; essa guerra ‘Deus ensina’; e pelo ‘arco de bronze’ é significada a doutrina da caridade; esta ‘Deus põe nos braços’, isto é, dá que prevaleça. [5] Em Isaías: “Quem suscitou do oriente Aquele que chamou em justiça para Seu acompanhante, pôs diante d’Ele as nações, e fez dominar sobre os reis? Entregou à Sua espada como pó, e ao Seu arco como palha levada?” (Is. 41:2); estas palavras foram ditas a respeito do Senhor e de Seu domínio sobre os males e falsos; pelas ‘nações’ que pôs diante d’Ele são significados os males, e pelos ‘reis’ sobre os quais fez dominar são significados os falsos; Ele dissipa estes e aqueles como se nada fossem por Seu Divino Vero e pela doutrina daí, o que é significado por ‘entregou à Sua espada como pó, e ao Seu arco como palha levada’; ‘Sua espada’ é o Divino Vero, e ‘Seu arco’ é a doutrina. Os males e falsos sejam dispersos como se nada fossem, o que é significado por ‘como pó e como palha levada’. Diz-se que os males e falsos são assim dispersos, e entende-se que assim são dispersos, na outra vida, os que estão nos males e nas falsidades daí. [6] Em Zacarias: “JEHOVAH visitará o Seu rebanho, a casa de Judah, e os porá como cavalo de Sua glória na guerra; dele [sai] o angular, dele o cravo, e dele o arco de guerra” (Zc. 10:3, 4); isto se viu explicado no artigo logo precedente, onde se tratou da significação de ‘cavalo’; pelo ‘arco de guerra’ é significado o vero que luta pela doutrina. [7] Em Habacuque: “Acaso irritou-Se JEHOVAH contra os rios? acaso é contra os rios a Tua ira? acaso é contra o mar a Tua inflamação? [Tu,] que cavalgas nos Teus cavalos, Teus carros são a salvação; com nudez será desnudo o Teu arco” (Hb. 3:8, 9); isto também foi explicado no artigo precedente; ‘será desnudo o arco’ significa que a doutrina do vero será aberta. [8] Em Isaías: “Diante das espadas vaguearão, diante da espada estendida e diante do arco armado; e por causa da severidade... será consumida toda a glória de Kedar, e os restantes do número dos arcos dos fortes dos filhos de Kedar serão poucos” (Is. 21:15-17); no sentido espiritual aí se trata das cognições do bem, que perecerão e delas poucas restarão; ‘Kedar’ ou Arábia significa aqueles que estão nas cognições do bem e, abstratamente, as cognições mesmas. As cognições do vero pereceriam pelos falsos e pela doutrina do falso, o que é significado por ‘diante das espadas vaguearão, diante da espada estendida e diante do arco armado’; a ‘espada’ é o falso que luta e destrói, e o ‘arco’ é a doutrina do falso. Que as cognições do bem pereceriam é significado por estas palavras ‘por causa da severidade da guerra... será consumida toda a glória de Kedar’; a ‘severidade da guerra’ é o combate; e que poucas cognições restariam, descreve-se por ‘os restantes do número dos arcos dos fortes dos filhos de Kedar serão poucos’; ‘arcos dos fortes’ é a doutrina do vero pelas cognições que prevalecem contra os falsos. [9] No mesmo: “Fez a Minha boca como espada aguda... e Me pôs por flecha polida, em Sua aljava Me escondeu” (Is. 49:2) aí também se trata do Senhor; por ‘espada aguda’ é significado o vero que dispersa o falso, por ‘flecha polida’ é significado o vero que dispersa o mal, e por ‘aljava’ é significada a Palavra. Daí é evidente o que é significado por ‘fez a Minha boca como espada aguda... e Me pôs por flecha polida, e na Sua aljava Me escondeu’, a saber, que n’Ele está e dele vem o Divino Vero pelo qual são dispersos os falsos e males, e que n’Ele está e d’Ele vem a Palavra onde estão e de onde vêm esses veros. [10] Em David: “Eis, herança de JEHOVAH são os filhos, o fruto do vente é recompensa; como flechas na mão do poderoso, assim os filhos da infância21; bem-aventurado o varão que enche com eles a sua aljava; não ficarão envergonhados quando falarem com os inimigos na porta” (Sl. 127:3, 5); pelos ‘filhos’ que são herança de JEHOVAH são significados os veros pelos quais há inteligência; pelo ‘fruto do ventre’ que é recompensa são significados os bens pelos quais há felicidade; pelos ‘filhos da infância’ que são como flechas na Mao do poderoso são significados os veros do bem da inocência. Visto que nenhum mal ou falso pode resistir a esses veros, por isso se diz que ‘são como flechas na mão do poderoso’. O bem da inocência é o bem do amor ao Senhor; como esses veros têm esse poder, por isso se diz: ‘bem-aventurado o varão que enche com eles a aljava’; pela ‘aljava’ é significado aqui o mesmo que pelo ‘arco’, a saber, a doutrina proveniente da Palavra; ‘não ficarão envergonhadas quando falarem com os inimigos na porta’ significa que não haverá temor algum por causa dos males dos infernos; ‘inimigos’ são os males, e ‘porta’ é o inferno (vide na obra O Céu e o Inferno, n° 428, 429 e 583-585). [11] No mesmo: “Os filhos de Efraim, que estavam armados, atiradores de arco, retrocederam no dia da peleja; não guardaram a aliança de Deus” (Sl. 78:9, 10); “Efraim”, aqui como acima, significa o entendimento do vero, e os seus ‘filhos’ significam os veros mesmos, pelo que são também chamados ‘atiradores de arco’, isto é, lutadores contra os males e falsos; aqui, ‘retrocederam no dia da peleja, não guardaram a aliança de Deus’ significa que não resistiram aos males e falsos, porque não eram conjuntos ao Senhor; ‘aliança’ é a conjunção, e ‘não guarda-la’ é não viver segundo os veros e bens que conjuntam. [12] Pelas passagens citadas pode-se ver que pelo ‘arco’ é significada a doutrina do vero que luta contra os falsos e males e os dissipa; que ela seja significada pelo ‘arco’ pode-se ver ainda pelo seu sentido oposto, no qual o ‘arco’ significa a doutrina do falso que luta contra os veros e bens e os destrói, e pelas ‘flechas’ e ‘setas’ são significados os seus falsos. Neste sentido se fala em ‘arco’ nas passagens que se seguem. Em David: “Eis que os ímpios entesam o arco, preparam a sua flecha sobre a sua corda para atirarem, nas trevas, nos retos de coração” (Sl. 11:2); que ‘os ímpios entesem o arco’ significa que forjam a doutrina; que ‘preparem a flecha sobre a corda’ significa que lhe aplicam falsos na aparência de que são veros; ‘para atirarem, nas trevas, nos retos de coração’ significa para enganar os que estão nos veros do bem; o ‘arco’ aí é a doutrina do falso, a ‘flecha’ é o falso mesmo, ‘atirar’ é enganar, e as ‘trevas’ são as aparências. Com efeito, eles raciocinam pelas aparências no mundo e pelas falácias, aplicando também o sentido da letra da Palavra. [13] No mesmo: “Os ímpios desembainham a espada, e entesam o seu arco para abaterem o miserável e o necessitado;... sua espada entrará em seu coração, e os seus arco serão quebrados” (Sl. 37:14-15); a ‘espada’ significa o falo que luta contra o vero, e o ‘arco’ significa a doutrina do falso; ‘para abaterem o miserável e o necessitado’ significa para perverter aqueles que estão na ignorância a respeito do vero e do bem; ‘sua espada entrará em seu coração’ significa que perecerão pelos falsos; e ‘os seus arcos serão quebrados’ significa que sua doutrina do falso será dissipada, o que também acontece após a saída deles do mundo; então os falsos os destroem, e a doutrina é dissipada na medida que os veros foram aplicados aos falsos. [14] No mesmo: “Os que afiam a sua língua como espada, armam [tendunt] sua flecha por palavra amarga, para atirarem, em lugares ocultos, no íntegro” (Sl. 64:3-4); como a ‘espada’ significa o falso que combate contra o vero, por isso se diz: ‘afiam como espada a sua língua’; e como a ‘flecha’ significa o falso da doutrina, por isso se diz: ‘armam sua flecha com palavra amarga’; ‘atirar, em lugares ocultos, no íntegro’ significa o mesmo que acima, ‘atirar, nas trevas, nos retos de coração’, a saber, enganar os que estão nos veros do bem. [15] Em Jeremias: “Todos são adúlteros, reunião de pérfidos, que armam a sua língua; seus arcos são mentira; nem em verdade prevaleceram na terra, porque vão de mal em mal, não Me conheceram” (Jr. 9:2, 3); pelos ‘adúlteros, reunião de pérfidos’ se entendem os que falsificam as cognições do vero e do bem; ‘adúlteros’ são os que falsificam as cognições do vero, e ‘pérfidos’ os que falsificam as cognições do bem; destes se diz que ‘armam a língua’ e que ‘seus arcos são mentira’; o ‘arco’ é a doutrina de onde vêm os princípios do falso, e ‘mentira’ é o falso; e daí também se diz: ‘nem em verdade prevaleceram na terra’, isto é, na igreja, onde há os veros genuínos. Que sejam tais os que estão na vida do mal e não reconhecem o Senhor é significado por ‘porque vão de mal em mal, não Me conheceram’. [16] Em Jeremias: “Eis que Eu... faço subir contra Babel a congregação de grandes nações da terra do norte;... suas flechas, como as do forte, nenhuma voltará em vão... Ponde-vos em cerco contra Babel, todos os que entesam o arco; atirai contra ela, não poupai flechas... fazei ouvir os atiradores contra Babel, todos os que entesam o arco, acampai contra ela em cerco, para que não haja fuga para ela’ (Jr. 50:9, 14, 29, 42; 51:3); por estas palavras se descreve a total devastação do vero naqueles que se entendem por ‘Babel’, que são os que arrogam para si autoridade [potestatem] Divina e que até reconhecem o Senhor, mas privam-No de todo poder de salvar, e que, daí, profanam os Divinos veros; e como é provido pelo Senhor, tanto quanto possível, que os veros genuínos não sejam profanados, por isso os veros lhes são tirados completamente, e em seu lugar eles se imbuem de meros falsos; ‘a congregação de grandes nações da terra do norte’ significa os males horrendos levantando-se do inferno; as ‘grandes nações’ são os males horrendos, e a ‘terra do norte’ é o inferno onde nada há senão o falso; ‘suas flechas, como as do forte, nenhuma voltará em vão’ significa que daí se imbuem de meros falsos; ‘ponde-vos em cerco contra Babel, todos os que entesam o arco, atirai contra ela, não poupai flechas’ significa o mesmo em relação a todos os doutrinais; a total devastação do vero com eles é significada por ‘todos os que entesam o arco, acampai em cerco contra ela, para que não haja fuga para ela’. [17] Em Isaías: “Eu suscito contra eles os medos, que não estimarão a prata, e não se comprazerão com o ouro, cujos arcos despedaçarão os jovens, e não terão misericórdia do fruto do ventre;... assim será Babel... como a destruição de Deus, Sodoma e Gomorra” (Is. 13:17-19); também estas palavras são a respeito de Babel e da devastação de tudo o que é da igreja com aqueles que se entendem por ‘Babel’, dos quais se falou logo acima; pelos ‘medos’ são significados os que nada fazem dos veros e bens do céu e da igreja, pelo que deles se diz: ‘os que não estimarão a prata, e não se comprazerão com o ouro’; ‘prata’ significa o vero, e ‘ouro’ o bem, ambos da igreja; ‘cujos arcos despedaçarão os jovens, e do fruto do ventre não terão misericórdia’ significa os doutrinais que destroem todo vero e todo bem daí; os ‘jovens’ significam os veros, e o ‘fruto do ventre’ os bens; e como todo o mal que eles têm procede do amor de si, e todo falso é proveniente desse mal, e visto que esse mal e, daí, esse falso é a condenação ao inferno, por isso se diz: ‘assim será Babel, como a destruição de Deus, Sodoma e Gomorra’; a ‘destruição de Deus’ significa a condenação ao inferno, e ‘Sodoma e Gomorra’ significam os males do amor de si e os falsos daí (que estas coisas sejam significadas por Sodoma e Gomorra, vide nos Arcanos Celestes, n° 2220, 2246 e 2322). [18] No mesmo: “Naquele dia todo lugar em que tiverem existido mil videiras por mil de pratas será para sarça e espinheiro. Com flecha e com arco virá ali, porque sarça e espinheiro será toda a terra” (Is. 7:23, 24); assim é descrita a igreja devastada quanto a todo vero e bem; a igreja tal como fora antes, ou seja, que nela havia em abundância os veros genuínos, que são os veros do bem, o que se entende por ‘onde tiverem existido mil videiras por mil de prata’; ‘mil videiras’ são os veros do bem em abundância; ‘mil de prata’ são muitíssimos estimados, porque são genuínos; (‘prata’ é o vero e ‘mil’ é muito, por conseguinte, a abundância); a igreja tal como se tornou quando devastada quanto a todo vero e bem é descrita por estas palavras: ‘com flecha e com arco virá ali, porque sarça e espinheiro será toda a terra’; a ‘flecha’ é o falso que destrói o vero, e o ‘arco’ é a doutrina do falso; ‘sarça’ significa o falso do mal, e ‘espinheiro’ o mal do falso; a ‘terra’ é a igreja. [19] Em Jeremias: “Eis que vem um povo da terra do norte, e uma grande nação suscitarei dos lados da terra; empunham o arco e a lança; eles são cruéis, não têm misericórdia; a voz deles é como o mar que ressoa, e cavalgam em cavalos, preparados como varão para a guerra, contra ti, ó filha de Sião” (Jr. 6:22, 23); também aqui se descreve a devastação da igreja pelos falsos do mal; no capítulo que há pouco precedeu explicou-se o que é significado por ‘povo da terra do norte’, por ‘nação dos lados da terra’, como também por ‘a voz deles é como o mar que ressoa’ e por ‘cavalgam em cavalos’. ‘Empunham o arco e a lança’ significa o falso da doutrina22 que destrói o vero, e a ‘lança’ o falso do mal que destrói o bem; a ‘filha de Sião’ é a igreja. [20] No mesmo: “Toda a terra está devastada; por causa da voz dos cavaleiros e dos arqueiros toda a cidade foge; entraram nas nuvens, subiram nas rochas; toda a cidade está deserta, nenhum habitante há nela” (Jr. 4:27, 29); isto também se vê explicado no artigo logo precedente; a ‘voz dos cavaleiros e dos arqueiros’ significa os raciocínios pelos falsos e os ataques ao vero; os ‘arqueiros’, ou os que portam o arco, são os que atacam os veros pelos falsos da doutrina, pelo que se diz: ‘toda a cidade foge’, e ‘toda a cidade está deserta’; a ‘cidade’ significa a doutrina da igreja. [21] Em Isaías: JEHOVAH “ergueu um estandarte para as nações de longe... e eis que cedo o veloz virá, cujas flechas são agudas e todos os seus arcos armados; os cascos de seus cavalos são reputados como rochedos, e suas rodas como procela” (Jr. 5:26, 28); pelas ‘suas flechas agudas’ e por ‘seus arcos armados’ são significados os falsos da doutrina preparados para destruírem os veros; o que é significado por ‘nações de longe’, pelos ‘cascos dos cavalos’, que são reputados como rochedos, e pelas ‘rodas’, que são como procelas, vê-se no artigo logo acima, onde essas expressões foram explicadas. [22] Em Amós: “O que empunha o arco não ficará de pé, nem o célere de pés escapará, nem o que cavalga cavalo livrará a sua alma, mas o forte de coração entre os heróis fugirá nu naquele dia” (Am. 2:15, 16); aqui se descreve a inteligência própria e, daí, a confiança pelo fato de poder raciocinar pelos falsos contra os veros; ‘o que empunha o arco não ficará de pé, nem o célere de pés escapará’ significa que aquele que sabe raciocinar viva e engenhosamente pela doutrina e pela memória que pertence ao homem natural não pode absolutamente considerar a sua salvação e permanecer de pé no dia do juízo; o mesmo é significado por ‘o que cavalga calo não livrará a sua alma’; o ‘forte de coração que fugirá naquele dia’ significa que aquele confia em si mesmo pelo fato de poder raciocinar pelos falsos será então privado de todo vero; pelo ‘forte de coração se entende aquele que confiam em si mesmo por isso, e o ‘nu’ significa privado de todo vero. [23] Em David: “Deus é justo Juiz, um Deus que sente indignação todo dia; se o” mau “não se arrepender, afia a Sua espada, arma o Seu arco e o apronta, e preparou para si vasos da morte, faz Sua flechas ardentes” (Sl. 7:11-13); atribui-se a Deus que Ele sente indignação com o mau, afia a Sua espada, arma e apronta o arco, prepara vasos da morte e faz ardentes as Suas flechas, mas entende-se no sentido espiritual que o homem o faz a si mesmo. Essas coisas são atribuídas a Deus no sentido da letra porque esse sentido é natural e para o homem natural, que acredita que se deve temer a Deus por causa dessas coisas, e o temor opera nele o que o amor fará depois, quando ele se tornar espiritual. Daí é evidente o que é aqui significado por essas palavras, a saber, que o mau sente indignação com Deus, afia para si a espada, arma o arco e o apronta, prepara vasos da morte e faz ardentes as suas flechas; por ‘afiar a espada’ é significado que adquire para o falso pelo qual luta contra os veros; por ‘armar o arco e o aprontar’ é significado que dos falsos faz para si doutrina contra os veros; e por ‘preparar vasos da morte e fazer ardentes as suas flechas’ é significado que faz para si princípios do falso pelo amor infernal, pelos quais destrói o bem e seus veros. [24] Nas Lamentações: O Senhor ‘armou o Seu arco como adversário, firmou a Sua destra como inimigo, matou todas as coisas desejáveis aos olhos23” (Lm. 2:4); aqui se atribuem ao Senhor coisas semelhantes pela mesma causa de que se tratou acima; que Ele ‘arme o Seu arco como adversário, e firma a Sua destra como inimigo’ significa que o homem mau faz isso a si mesmo, a saber, defende o mal contra o bem e o falso contra o vero pela doutrina que forjou para si pela inteligência própria e confirmou pelo sentido da letra da Palavra. Com efeito, nas Lamentações trata-se da devastação de todo bem e de todo vero na nação judaica em razão de terem aplicado o sentido da letra da Palavra em favor de seus amores; o ‘arco’ aí é a doutrina do falso vinda daí; o ‘adversário’ é o mal e o ‘inimigo’ é o falso. Que daí pereceria todo entendimento do vero e do bem é significado por ‘o Senhor ter matado todas as coisas desejáveis aos olhos’; ‘desejáveis aos olhos’ são todas as coisas que pertencem ao entendimento e à sabedoria. [25] Em Moisés: “Um fogo se acendeu na Minha ira... e comerá a terra e o seu fruto; e inflamará os fundamentos dos montes; evacuarei males sobre eles, neles consumirei as Minhas setas” (Dt. 32:22, 23); estas palavras estão no cântico de Moisés, em que se trata da nação israelita e judaica, e descreve-se como eles são de coração, ou seja, nada há neles de igreja, porque há meramente o falso do mal; pela ‘terra e seu fruto’, que seriam comidos, é significada a igreja e todo seu vero e bem; pela ‘terra’, a igreja, e pelo ‘fruto’ todo seu vero e bem; pelos ‘fundamentos dos montes’, que serão inflamados, são significados os veros sobre os quais se findam os bens do amor, em particular os veros do sentido da letra da Palavra, porquanto eles são os fundamentos; pelos ‘males’ que sobre eles serão evacuados e pelas ‘setas’ que seriam consumidas sobre eles é significado que se imbuiriam de todos os males e falsos. (O que foi essa nação desde o princípio e qual ela é hoje, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n° 248). [26] No Primeiro Livro de Samuel: “Os arcos do forte foram quebrados, e os que eram impelidos24 foram cercados de força” (I Sm 2:4); profecia de Anna, mãe de Samuel, em que se trata da privação do vero naqueles que são da igreja, porque não estão em afeição alguma do vero espiritual, e da recepção e iluminação daqueles que estão fora da igreja, porque estão na afeição do vero espiritual. Que ‘os arcos do forte foram quebrados’ significa que não é coisa alguma a doutrina dos falsos que têm os que são da igreja ***; e a recepção e a iluminação dos que estão fora da igreja é significada por ‘os que eram impelidos foram cercados de forma’; chamam-se ‘impelidos’ os que oprimidos pelos falsos da ignorância, e ‘força’ se diz do poder e da abundância do vero proveniente do bem. [27] Em Jeremias: “Eis que Eu quebro o arco de Elam, o começo de seu poder” (Jr. 49:35); por ‘Elam’ se entende o conhecimento [scientia] que pertence ao homem natural em daí, a confiança; por seu ‘arco’ é significado o conhecimento pelo qual ele combate como pela doutrina, e ‘o começo de seu poder’ significa a confiança, porque o conhecimento de nada vale se não servir ao homem reacional e espiritual. Que ‘Elam’ signifique o conhecimento que pertence ao homem natural, pode-se ver pelas passagens na Palavra onde ele é citado (como Gn. 10:22; Is. 21:2; Jr. 25:24-26; 49:34-39; Ez. 32:24, 25). [28] Em David: JEHOVAH “faz cessar as guerras até a extremidade da terra; quebra o arco, e corta a lança, queima os carros com fogo” (Sl. 46:9); visto que pelas ‘guerras’ são significadas as lutas espirituais, que aqui são do falso contra o vero e contra o bem que é da igreja. daí é evidente o que é significado pelo fato de que JEHOVAH ‘fará cessar as guerras até a extremidade da terra’, a saber, toda luta e toda dissensão, desde os primeiro até os últimos do vero da igreja; ‘extremidade da terra’ significa o seu último; que não haverá luta de doutrina contra doutrina é significado por ‘quebrará o arco’; que não haverá luta por algum falso do mal é significado por ‘cortará a lança’; e que todo falso da doutrina será destruído, por ‘queimará os carros com fogo’. [29] No mesmo: “Em Salém está o tabernáculo” de JEHOVAH, “e o Seu habitáculo em Sião; ali quebra a corda do arco, o escudo, e a espada e a guerra” (Sl. 76:2,3); aqui se trata, semelhantemente, da cessação de toda luta e de toda dissensão no reino do Senhor; por ‘Salém’, onde está o tabernáculo de JEHOVAH, e por ‘Sião’, onde está o Seu habitáculo, são significados o Seu reino espiritual e o Seu reino celeste; por ‘Salém’, o reino espiritual. onde há o vero genuíno, e por ‘Sião’ o reino celeste, onde há o bem genuíno; e por ‘quebrará a corda do arco, o escudo, a espada e a guerra’ é significada a dissipação de toda luta dos falsos da doutrina contra o bem e o vero; a ‘corda do cardo’ são as coisas principais da doutrina. [30] Em Oséias: “Farei por eles naquele dia uma aliança com a besta do campo, e com a ave dos céus, e com o réptil da terra, e o arco, e a espada, e a guerra quebrarei da terra, e os farei deitar em segurança” (Os. 2:18); aí se trata do advento do Senhor e, então, de Sua conjunção com todos os que estão nos veros do bem; pela ‘aliança com a besta do campo, com a ave dos céus e com o réptil da terra’ é significada a conjunção com a afeição do bem dele, com a afeição do vero e com a afeição das cognições do vero e do bem da igreja, pois ‘besta do campo’ significa a afeição do bem, ‘ave dos céus’ a afeição do vero, e ‘réptil da terra’ a afeição das cognições do vero e do bem. Ninguém deixa de ver que aqui não se entende quaisquer outras besta, ave e réptil da terra, pois o que seria uma aliança com eles? Pela conjunção com o Senhor não mais existirá luta alguma do falso contra o vero, o que é significado por ‘o arco, e a espada, e a guerra quebrarei da terra’; o ‘arco’ aí é a doutrina, a ‘espada’ é o falso e a ‘guerra’ é a luta. [31] Em Ezequiel: “Este é o dia de que tenho falado. Então sairão os habitantes das cidades de Israel, e incendiarão e queimarão as armas, e o escudo, e o pavês, com arco e com flechas, e com o cajado de mão, e com lanças, e acenderão fogo com eles por sete anos” (Ez. 39:8, 9); aí se trata de Gog, por quem se entendem os que estão no culto externo e em nenhum culto interno; esses, porque são contra a afeição do vero espiritual, que é amar os veros porque são veros, estão, daí, nos falsos quanto à doutrina e nos males quanto à vida, pois ninguém pode ser reformado, isto é, ser tirado dos males e dos falsos a não ser por meio dos veros. Daí é que se diz que ‘sairão os habitantes das cidades de Israel, e queimarão as armas, e o escudo, e o pavês, com arco e com flechas, e com o cajado de mão e com lanças’; pelos ‘habitantes das cidades e Israel’ se entendem os que estão na afeição do vero do bem, isto é, na afeição do vero espiritual e, daí na doutrina do vero genuíno; por ‘queimar as armas’ é significado extirpar os falsos de todo gênero; pelo ‘escudo’, o falso que destrói o bem; pelo ‘pavês’, o falso que destrói o vero; pelo ‘arco com as flechas’, a doutrina com o seus falsos; pelo ‘cajado de mão’ e a ‘lança’ é significado o poder e a confiança própria, tais como são nos que põem no culto externo tudo da igreja e, daí, da salvação; que ‘acenderão com eles um fogo por sete anos’ significa que os falsos e males serão inteiramente extintos; ‘sete anos’ significa todas as coisas, plena e inteiramente (vide acima, n° 257 e 300).