. (Vers. 4) “E saiu outro cavalo, vermelho”. Que isto signifique o entendimento da Palavra, destruído quanto ao bem, vê-se pela significação de ‘cavalo’, que é o entendimento (de que se tratou acima, n° 355); aqui, como se trata dos estados daqueles que são da igreja onde há a Palavra, pelo ‘cavalo’ é significado o entendimento dos homens da igreja quanto à Palavra; e pela significação de ‘rubro ou ‘vermelho’, que é a qualidade da coisa quanto ao bem, aqui, por conseguinte, o entendimento da Palavra quanto ao bem. Que ‘vermelho’ signifique aqui o entendimento destruído quanto ao bem, pode-se ver pelas coisas que logo se seguem neste versículo, pois se diz: “Ao que estava sentado sobre ele foi dato tirar a paz da terra, para que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada”, pelo que é significado que daí há a extinção de todo vero. Uma vez que os cavalos que foram vistos por João se diferenciaram por cores, pois primeiro apareceu branco, o segundo vermelho, o terceiro negro e o quarto pálido, e como as cores significam a qualidade da coisa, por isso primeiro se dirá aqui alguma coisa a respeito das cores. No céu aparecem cores de todo gênero, e elas tiram sua origem da luz ali, luz essa que excede imensamente o brilho e o esplendor da luz do mundo e, portanto, também as cores ali. E como a luz ali é proveniente do Sol do céu, que é o Senhor e é o Divino procedente, e, daí, essa luz é espiritual, por isso também todas as cores significam coisas espirituais. E como o Divino Vero procedente é o Divino Bem unido ao Divino Vero, e o Divino Bem no céu se mostra como uma luz flamejante, e o Divino Vero por uma luz branca, por isso há duas coisas que são fundamentais para todas, a saber, a cor rubra e a cor branca; a cor rubra tira sua origem da luz flamejante que vem do Divino Bem, e a cor branca da luz branca que vem do Divino Vero. Por esse motivo, na medida que as cores derivam do rubro, mais significam o bem, e quanto mais do branco, mais significam o vero. (Mas estas coisas podem ser vistas melhor pelas coisas que foram citadas, da experiência, a respeito das cores nos Arcanos Celestes, a saber, que no céu aparecem cores belíssimas, n° 1053 e 1624; que as cores no céu vêm da luz ali e são suas modificações e variações, n° 1042, 1043, 1053, 1624, 3993, 4530, 4742 e 4922; são, assim, aparências do vero e do bem, e significam coisas tais as que são da inteligência e da sabedoria, n° 4530, 4677, 4922 e 9466; por isso, as pedras preciosas, que eram de várias cores no peitoral do éfode, ou no Urim e Thumim, tinham significado todas as coisas do vero e do bem no céu e na igreja, e por isso esse peitoral tinha significado em geral o Divino Vero luzindo desde o Divino Vero, n° 9823, 9865, 9868 e 9905; daí as respostas eram dadas por meio de variações e esplendores da luz e, ao mesmo tempo, por uma percepção tácita, ou por uma viva voz vinda do céu, n° 3862 [9905]; as cores, na medida que derivam do rubro, significam o bem, e na medida que derivam do branco, significam o vero, n° 9467; a respeito da luz do céu, de onde vem e o que é, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n° 126 a 140 e 275). [2] Cumpre saber, além disso, que a cor rubra significa tanto a qualidade da coisa quanto ao bem como a qualidade da coisa quanto ao mal, pois essa cor existe pela luz da chama, que é a luz do Sol do céu ali, como se disse acima, e também existe pela chama no inferno, que vem do fogo ali, fogo esse que é semelhante ao fogo de brasa. Assim, o rubro no céu é inteiramente diferente do rubro no inferno; o rubro no céu é esplêndido e vivo, enquanto o rubro no inferno é horrivelmente obscuro e morto. Também, o rubro do céu vivifica, mas o rubro do inferno mortifica. A razão disso é que o fogo, do qual vem o rubro, é em sua origem o amor; o fogo celeste vem do amor celeste, e o fogo infernal vem do amor infernal. Daí vem que o ‘fogo’, na Palavra, significa o amor em ambos os sentidos (vide n° . 4906, 5071, 5215, 6314, 6832, 7575 e 1074; e na obra O Céu e o Inferno, n° 134, 566-575). Por isso o ‘rubro’ existente saí significa a qualidade do amor em ambos os sentidos. Também, na língua grega original esse vermelho, ou o vermelho desse cavalo, é oriundo do fogo. Por aí, e ao mesmo tempo pela descrição desse cavalo neste versículo, é evidente de onde procede que o ‘cavalo vermelho’ significa o entendimento da Palavra destruído quanto ao bem. Que o ‘cavalo’ signifique algum particular do assunto, pode-se ver claramente pelo fato de que os cavalos foram vistos quanto ‘abriram-se os selos’ e se diz que eles ‘saíram’. Com efeito, cavalos não poderiam ter saído de um livro, mas era a manifestação das coisas significadas pelos ‘cavalos’. Que o ‘cavalo’ signifique o entendimento e a ‘cor’ a sua qualidade, é o que tornou-se-me conhecidíssimo pela experiência, pois algumas vezes vi espíritos que meditavam pelo entendimento sobre algum assunto e montavam cavalos, e quando os perguntei se estavam montados, disseram que não, mas que estavam pensativos sobre algum assunto. Daí tornou-se-me evidente que a ação de montar cavalo era uma aparência que representa a operação do seu entendimento. [3] Existe também um lugar que é chamado assembleia dos inteligentes e dos sábios, onde aonde muitos andam meditabundos; e quando alguém vai ali, aparecem-lhe cavalos de várias cores e variavelmente falerados25, e também carros; umas pessoas cavalgando e outras sentados no carro. Essas também, quando interrogadas se estavam montadas em cavalos ou se viajavam em carros, diziam que não, mas que andavam meditando. Daí também tornou-se-me evidente o que é significado pelos ‘cavalos’ e pelos ‘carros’ (mas, a respeito deste assunto, veem-se muitas coisas no opúsculo Do Cavalo Branco). Por aí agora se pode ver de onde procede que João viu cavalos quando foram abertos os selos do livro e também o que eles significam. Viram-se cavalos porque todas as coisas espirituais da Palavra são apresentadas no seu sentido da letra por coisas tais que as correspondem ou representam e, por conseguinte, significam, e isto a fim de que o Divino esteja ali em seus últimos e, portanto, no que é pleno, como foi dito algumas vezes acima. [4] Que ‘vermelho’ ou ‘rubro’ signifique a qualidade da coisa quanto ao bem, pode-se ver pelas seguintes passagens na Palavra. Em Moisés: “O que lava no vinho a sua vestimenta, e no sangue das uvas a sua cobertura; os olhos mais rubros que o vinho, e os dentes mais alvos que o leite” (Gn. 49:11, 12). Esta é uma profecia de Israel, o pai, a respeito de Judah, e por ‘Judah’ aí se entende o Senhor quanto ao bem do amor e, no sentido relativo, o reino celeste do Senhor; o que é significado por cada uma das coisas no sentido espiritual vê-se nos Arcanos Celestes, onde foram explicadas. A Divina Sabedoria, que vem do Divino Bem é significada por ‘olhos mais rubros que o vinho’, e a Divina Inteligência, que vem do Divino Vero, por ‘dentes mais alvos que o leite”. [5] Nas Lamentações: “Os nazireus eram mais alvos que a neve, eram mais brancos que o leite; seus ossos enrubesceram mais que pérolas” (Lm. 4:7); pelos nazireus era representado o Senhor quanto ao Divino Humano (vide acima, n, 66 e 196, ao fim); por isso, também, por eles, no sentido relativo, era significado o bem do amor celeste, porque esse bem procede imediatamente do Divino Humano do Senhor. Seu representativo na igreja é assim descrito: o vero desse bem é significado por ‘eram mais alvos que a neve, e mais brancos que o leite’; e o bem do vero por ‘os ossos enrubesceram mais que pérolas’, porque os ossos significam os veros em seu último, assim, os veros em todo o conjunto, porque nos últimos estão todas coisas junta e plenamente. Que eles sejam provenientes do bem, é significado por ‘enrubesceram’. [6] Em Zacarias: “Vi quatro carros saindo de entre os montes... de bronze; no primeiro carro cavalos vermelhos, no segundo carro cavalos negros, no... terceiro cavalos brancos, no... quarto cavalos salpicados, fortes” (Zc. 6:1-3). Que os ‘cavalos vermelhos’, aqui, também signifiquem a qualidade do entendimento quanto ao bem, no princípio; os ‘cavalos negros’ a qualidade do entendimento quanto ao vero, no princípio; os ‘cavalos brancos’ a qualidade do entendimento quanto ao vero mais tarde; os ‘cavalos salpicados’ a qualidade do entendimento quanto ao vero e ao bem mais tarde; e ‘forte’ a sua qualidade quanto ao poder de resistir os falsos e males, vê-se acima (n° 355), onde se tratou da significação de ‘cavalo’. Quase a mesma coisa se entende no mesmo livro, por: Um cavalo vermelho em que estava montado um Varão, parado entre as murtas” (Zc. 1:8) Visto que ‘rubro’ ou ‘vermelho’ significa a qualidade da coisa quanto ao bem, por isso Por cobertura sobre tenda havia peles de carneiros vermelhos (Ex. 25:5; 26:14; 35:7). E também por isso A água da separação, pela qual se fazia a purificação, foi de feita de uma vermelha queimada (Nm. 19:1-10); pela ‘vaca vermelha’ é significado o bem do homem natural, e pela ‘água da separação’ feita da vaca queimada é significado o vero do homem natural; e como toda purificação se faz pelos veros, daí isto ter sido ordenado. Também, cada uma coisas no processo da imolação da vaca e a preparação da água com ela, envolve coisas espirituais. [7] Como ‘rubro’ significa a qualidade da coisa quanto ao bem, por isso também os nomes e as coisas nomeados da mesma palavra na língua original significam o bem de que procedem. O rubro, na língua original, é ‘adam’, donde vem o nome ‘Adam’ [Adão] e também o nome ‘Edom’; e também daí é que homem é ‘adam’, húmus é ‘adama’ e rubi é ‘odam’. Assim, esses nomes e essas coisas vêm de rubro. ‘Adam’ significa a Igreja Antiquíssima, que foi a igreja que estava no bem do amor; o mesmo é significado por ‘homem’ e o mesmo por ‘húmus’, no sentido espiritual, onde se trata do bem celeste. Que ‘Edom’ seja nomeado por causa do rubro, vê-se no Gênesis 25:30; assim, por ali é significado o vero do bem do homem natural. Que o rubi também seja nomeado por causa do rubro, vê-se no Êxodo 28:17, 39:10 e Ez. 28:13; daí é que ‘rubi’ significa o vero do bem celeste. (Que ‘Adam’ signifique a Igreja Antiquíssima, que era uma igreja celeste ou a igreja que estava no bem do amor ao Senhor, vê-se nos n° 478 e 479; que ‘homem’ signifique a igreja quanto ao bem, n° 4287, 7424 e 7523; que ‘húmus’ também signifique isso, n° 566 e 10570; que ‘Edom’, chamado assim por causa do rubro, signifique o vero do bem do homem natural, n° 3300 e 3322; e que ‘rubi’ signifique o vero do bem celeste, n° 9865). Visto que ‘rubro’ significa a qualidade da coisa quanto ao bem, por isso, no sentido oposto, significa a qualidade da coisa quanto ao mal que oposto ao bem, e, daí, significa o bem destruído. Neste sentido se diz ‘rubro’ nas seguintes passagens. Em Isaías: “Se fossem os vossos pecados como a escarlate, ficarão alvos como neve; se fossem rubros como a púrpura, como a lã serão” (Is. 1:18); e em Naum: “O escudo dos seus fortes tornou-se rubicundo26; os varões de força, purpurados; no fogo das tochas estão os seus carros, nas ruas [plateis] os carros endoideceram, correram nas ruas [vicis]; seu aspecto é como a tocha” (Nm. 2:4, 5). Nesse sentido, também o dragão é ‘vermelho’ (Ap. 12:3), do qual se tratará na sequência.