. “E o que estava sentado sobre ele tendo uma balança na sua mão”. Que isto signifique a estimação do vero proveniente da Palavra nesse estado da igreja, vê-se pela significação de ‘sentado sobre o cavalo’, que é a Palavra (como acima, n. 355, 356 e 365); e pela significação de ‘balança na mão’, que é a estimação do vero daí, pois todas as medidas e pesagens que são citadas na Palavra significam a estimação da coisa de que se trata quanto ao bem e quanto ao vero; os números adjuntos determinam a estimação quanto à sua qualidade e quantidade, como aqui: ‘uma medida de trigo por um denário, e três medidas de cevada por um denário’, de que se tratará a seguir. Havia muitas medidas na igreja representativa, como o omer, o gomer, o efa, o bato, o him (a cujo respeito se vê nos Arcanos Celestes, n. 10262); e havia, além delas, as balanças, os pratos de balança [lances] ou libras, com os quais se faziam as avaliações ou pesagens, e por elas em particular são significadas as estimações da coisa quanto ao vero; por isso os pesos das balanças eram pedras ou feitos de pedra, pois pela ‘pedra’, na Palavra, são significados os veros. Que os pesos tenham sido pedras ou feitos de pedras, vê-se por Lv. 19:36; Dt. 25:13; 2 Sm. 14:26; Is. 34:11; Zc. 4:10. (Que as ‘pedras’, na Palavra, signifiquem os veros, vê-se nos n. 643, 3720, 6426, 8609, 10376). Por esse motivo, aqui, pela ‘balança na mão do que estava sentado no cavalo preto’ significada a estimação do vero proveniente da Palavra. [2] Acima se mostrou que ‘o que estava sentado sobre os cavalos’, tanto ‘sobre o cavalo branco’ quanto ‘sobre o vermelho’, o ‘negro’ e o ‘pálido’ significam a Palavra, e, pelos cavalos conforme as suas cores o entendimento da Palavra; pelo ‘cavalo vermelho’, o entendimento da Palavra destruído quanto ao bem, e pelo ‘cavalo preto’ o entendimento da Palavra destruído quanto ao vero. Como, porém, dificilmente se pode compreender que ‘o que estava sentado sobre os cavalos’ signifique o entendimento da Palavra destruído quanto ao bem e quanto ao vero, por isso se dirá de que maneira se passa com isso. A Palavra em si é o Divino Vero mesmo, mas seu entendimento é segundo o estado do homem que a lê. O homem que não está no bem nada percebe do bem ali, e o homem que não está nos veros nada vê do vero ali; por isso, a causa não está na Palavra, mas naquele que a lê. Daí é evidente que embora ‘o que estava sentado sobre os cavalos’ signifique a Palavra, os ‘cavalos’ significa, porém, o entendimento da Palavra destruído quanto ao bem e ao vero. Que ‘o que estava sentado sobre o cavalo branco’ signifique a Palavra, vê-se manifestamente no Apocalipse, onde se diz: O nome do que estava sentado sobre aquele cavalo é “Palavra de Deus” (Ap. 19:13). [3] Que as ‘balanças’ ou ‘pratos de balança’ signifiquem a avaliação e, também, a justa ordenação, as quais se fazem por meio dos veros, vê-se em Daniel: Apareceu uma escritura na parede diante de Belshazar, rei da Babilônia, quando bebia dos vãos de ouro e de prata do templo de Jerusalém: “Mene Mene, Thekel, et Perezin”, isto é, Numerado Numerado, Pesado, Dividido. “Esta é a interpretação destas palavras: Mene, Deus numerou o teu reino e o findou; Thekel, foste pesado na balança e achado em falta; Perez, teu reino foi dividido e dado aos medos e persas” (Dn. 5:25-28). Por este relato histórico se descreve, no sentido interno, a profanação do bem e do vero, a qual é significada por ‘Babilônia’, pois Belshazar era rei na Babilônia, e pelo ‘rei’, na Palavra, é significada a mesma coisa que a própria nação ou o próprio reino a que governa. A profanação do bem e do vero da igreja é significada pelo fato de ter ‘bebido dos vasos de ouro e de prata do templo de Jerusalém e ao mesmo tempo louvado a deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra’ (vers. 3 e 4 ali); pelos ‘vasos de ouro e de prata do templo de Jerusalém’ é significado o bem e o vero do céu e da igreja; pelo ‘ouro’, o bem, e pela ‘prata’, o vero; e por ‘louvar a deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de prata’ é significado o culto idolátrico de todo gênero, assim, o culto externo sem interno algum, tal como é naqueles que se entendem por ‘Babilônia’. Pela escritura do céu é significado que absolutamente nenhuma igreja há com eles, porque nada existe ali do bem e nada do vero da igreja; porque ‘numerado numerado’ significa o exame quanto ao bem e quanto ao vero; ‘pesado na balança’ significa a avaliação segundo a sua qualidade e o juízo; e ‘dividido’ significa a dissipação, o extermínio e a separação do bem e vero da igreja; e pelo ‘reino’ é significada a igreja. Daí se vê que ‘pesado na balança [trutina]’ ou na ‘balança [statera]’ significa a avaliação segundo a sua qualidade. (Que ‘dividir’ signifique dissipar, exterminar e separar do bem e vero, vê-se nos n. 4424, 6360, 6361 e 9093). Que ‘reino’ seja a igreja é porque o reino do Senhor é onde há a igreja; por esse motivo, os que são da igreja são chamados “Filhos do reino” (Mt. 8:12, 13:38). [4] Em Isaías: “Quem mediu com Seu punho as águas, e com palmo nivelou os céus, e ajuntou numa medida o pó da terra, e pesou numa balança os montes, e as colinas em pratos de balança [lancibus]?” (Is. 40:12); aqui, pelas ‘medidas’ se descreve a justa ordenação e a avaliação de todos no céu e na igreja segundo a qualidade do bem e do vero; as medidas aqui são ‘punho’, ‘palmo’, ‘medida’, ‘balança’ e ‘pratos da balança’; pelas ‘águas’ são significados os veros, pelo ‘pó da terra’ os veros e bens exteriores ou naturais de ambos, o céu e a igreja; pelos ‘montes’ os bens do amor, pelas ‘colinas’ os bens da caridade, e por ‘pesar’ avaliar e ordenar segundo a qualidade deles. Ninguém pode que essas coisas são significadas por tais palavras a não ser pela ciência das correspondências. [5] Porquanto a justa avaliação e o exame do bem e do vero são significados na Palavra pelas ‘medidas’, por isso foi ordenado que as medidas fossem justas, e não houvesse fraude alguma quanto a elas, em Moisés: “Não fareis perversidade no juízo, na medida, no peso e na medição. Balanças justas, pedras33 justas, efa justo e him justo tereis” (Lv. 19:35, 36). E por isso também a justiça, onde por ela se entendem a avaliação e o exame dos homens segundo a qualidade do bem e do vero neles, em várias passagens na Palavra é designada por ‘pratos de balança’, balanças’, ‘pesos’, ‘medidas’ e por ‘efas34‘, ‘ômeres35‘, ‘gômeres36‘, ‘seah37‘ e ‘hins38‘ (Como em Jó, 6:2; 31:6), e a injustiça por ‘pesos e pratos de balança de fraude e de dolo’ (Como em Oséias 12:7, Amós 8:5 e Miquéias 6:11).