. (Vers. 6) “[E ouvi uma voz no meio dos quatro animais dizendo:] Uma medida de trigo por um denário, e três medidas de cevada por um denário”. Que isto signifique que o bem genuíno da igreja é como nada para eles, e tampouco o vero genuíno da igreja vê-se pela significação de ‘medida’ [choenix] – que era a medida para trigo e cevada entre os gregos – que é a qualidade da avaliação, pois pelas ‘medidas’, na Palavra (como se mostrou no artigo acima) é significada a qualidade da coisa quanto ao bem e quanto ao vero; pela significação de ‘trigo’, que é o bem da igreja em geral (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘cavada’, que é o vero desse bem (de que também se tratará a seguir); e pela significação de ‘denário’ – que é o valor da avaliação – que é como se nada fosse. Como essa moeda era a menor de todas, por isso significou o valor mínimo; aqui, porém, como se nada fosse. A razão disso é porque o ‘cavalo vermelho’ (de que se tratou acima) significa o entendimento da Palavra destruído quanto ao bem, e pelo ‘cavalo preto’ o entendimento da Palavra destruído quanto ao vero (acima, n. 364 e 372); e quando o entendimento da Palavra é destruído quanto ao bem e quanto ao vero, então o bem genuíno e o vero genuíno da igreja são avaliados como se nada fossem. Que aqui sejam avaliados por ‘um denário’ é porque alguma moeda devia ser tomada a fim de que algo do preço fosse mencionado no sentido da letra, uma vez que foi dito que ‘havia uma balança na mão daquele que estava sentado sobre o cavalo’ e ‘que o trigo e a cevada fossem medidos”. Por isso essa moeda, que era a menor de todas, foi tomada para avaliação do valor; e como não havia mais entendimento da Palavra quanto ao bem e quanto ao vero, por isso, pelo denário aqui, no sentido espiritual, é significado como se nada fosse. [2] Que seja dito ‘uma medida de trigo e três medidas de cevada’ é porque ‘um’ se atribui ao bem, e ‘três’ aos veros; e ‘um’, quando atribuído ao bem, significa o que é perfeito, assim, também o que é genuíno, enquanto ‘três’, quando atribuído aos veros, significa o que é pleno, assim, também o que é genuíno. Daí é que ‘uma medida de trigo e três medidas de cevada’ significa o bem e o vero genuínos da igreja. Que o ‘trigo’ signifique o bem e a ‘cevada’ o seu vero é porque todas as coisas que são do campo significam as coisas que são da igreja, e que são do campo, como as searas de vários gêneros, servem para saciar a fome, e as que saciam a fome e nutrem o corpo significam no sentido espiritual as coisas que nutrem a alma ou mente, as quais se referem, todas, ao bem do amor e ao vero da fé, portanto, principalmente o ‘trigo’ e a ‘cevada’, porque deles se faz o pão. (Que as ‘comidas’ de todo gênero signifiquem a comida espiritual, assim, as coisas que pertencem aos conhecimentos, à inteligência e à sabedoria, por conseguinte, ao bem e ao vero de que procedem, vê-se nos n. 3114, 4459, 5147, 5293, 5340, 5342, 5410, 5426, 5576, 5582, 5588, 5655, 5915, 8408, 8562 e 9003; o ‘pão’, em geral, no opúsculo Da Nova Jerusalém, n. 218. Que o ‘campo’ signifique a igreja, n. 2971, 3766 e 9139). Que o ‘trigo’ e a ‘cevada’ signifiquem tais coisas é por causa da correspondência, como se pode ver pelas coisas quer aparecem no mundo espiritual, onde todas as aparências pertencem à correspondência; ali aparecem planícies, campos, searas de vários gêneros e também pães, pelo que se sabe que elas têm correspondência e, consequentemente, segundo as correspondências, significação. [3] Que o ‘trigo’ e a ‘cevada’ signifiquem o bem e o vero da igreja, o ‘trigo’ o seu bem e a ‘cevada’ o seu vero, pode-se ver também pelas passagens na Palavra onde eles são citados, como nas que se seguem. Em Jeremias: JEHOVAH “que dispersou Israel, o congregará e o guardará como um pastor ao seu rebanho; porque JEHOVAH redimirá Jacob, e o libertará da mão do que é mais forte do que ele; pelo que virão e cantarão nas alturas de Sião, e correrão para o bem de JEHOVAH, para o trigo, e para o mosto, e para o óleo, e para os filhos do rebanho e da manada; e a alma deles se tornará como um jardim irrigado” (Jr. 31:10-12); aí se trata da instauração de uma nova igreja; por ‘Israel’ e por ‘Jacob’ é significada essa igreja; por ‘Israel’, a igreja espiritual interna, e por ‘Jacob’ a externa, porque toda igreja é interna e externa; a sua instauração é descrita por ‘JEHOVAH o congregará, o guardará como um pastor ao seu rebanho, porque redimirá Jacob, e o libertará da mão do que é mais forte do que ele’; ‘redimir’ significa reformar (vide acima, n. 328); ‘da mão do mais forte do que ele’ significa do mal e do falso, que antes ocupavam o espaço; o prazer interno ou o prazer de coração deles, oriundo do bem celeste e dos veros daí, é significado por ‘pelo que virão e cantarão nas alturas de Sião, e correrão para o bem de JEHOVAH, e para o trigo, e para o mosto, e para o óleo, e para os filhos do rebanho e da manada’; ‘cantar nas alturas de Sião’ significa o prazer interno celeste ou o prazer como é no reino celeste do Senhor; ‘ cantar’ é esse prazer (vide acima, n. 326); ‘altura’ é interno, e ‘Sião’ o reino celeste; o ‘trigo’ significa o bem do homem natural, o ‘mosto’ o seu vero, o ‘óleo’ o bem do homem espiritual, os ‘filhos do rebanho’ os veros espirituais e os ‘filhos da manada’ os veros naturais; como essas são as coisas significadas, elas se chamam ‘bem de JEHOVAH’. ‘A alma deles se tornará como um jardim irrigado’ significa que eles daí terão inteligência e sabedoria, pois o ‘jardim’, na Palavra, significa a inteligência, e ‘irrigado’ significa que cresce continuamente. Que aí não se entendam o trigo, o mosto, o óleo, os filhos do rebanho e da manada, é vidente, pois se diz ‘JEHOVAH redimirá Jacob’, e que ‘a alma deles se tornará como um jardim irrigado’. [4] Em Joel: “O campo foi devastado, a terra chora, porque o grão foi devastado, o mosto se secou, o óleo enfraquece; os lavradores se envergonharam, os vinhateiros lamentam, sobre o trigo e a sobre a cevada, e por ter perecido a seara do campo” (Jl. 1:10-12); estas coisas não são ditas a respeito de uma campo e sua esterilidade, mas a respeito da igreja e sua vastação; por isso, por ‘campo’, a ‘terra’, o ‘grão’, o ‘mosto’ e ‘óleo’ não se entendem tais coisas, mas pelo ‘campo’ e pela ‘terra’ se entende a igreja; pelo ‘campo’ a igreja quanto à recepção e a procriação do vero e do bem, e pela ‘terra’ a igreja quanto à nação ali; pelo ‘grão’, o bem de todo gênero no homem externo, pelo ‘ mosto’, o vero também aí; pelo ‘óleo’, o bem no homem interno; pelos ‘lavradores’ que se envergonharam e pelos ‘vinhateiros’ que lamentaram sobre o trigo e sobre a cevada são significados os que são da igreja; e pelo ‘trigo’ e a ‘cevada’ são significados o seu bem e o seu vero, e pela ‘seara do campo’, que daí pereceu, é significado todo o culto por eles. [5] Em Jeremias: “Sobre todas as colinas no deserto virão os devastadores, porque eis a espada de JEHOVAH que devora deste uma extremidade até outra extremidade da terra; nenhuma carne tem paz; semearem trigo e ceifaram espinhos” (Jr. 12:12, 13); também estas coisas são ditas a respeito da igreja e sua devastação; pelas ‘colinas no deserto’ sobre as quais ‘vieram os devastadores’ é significado que todo bem da caridade pereceu pelos males e falsos; as ‘colinas’, na Palavra, significam onde há o bem da caridade, e, num sentido abstrato, esse bem mesmo; o ‘deserto’ significa onde não há o bem por não haver o vero, e os ‘devastadores’ significam os males e falsos pelos quais perecem o bem e o vero; pela ‘espada de JEHOVAH que devora desde uma extremidade da terra até a outra extremidade’ é significado o falso que destrói todas as coisas da igreja; pela ‘espada que devora’, o falso que destrói, e por ‘desde uma extremidade da terra até outra extremidade’ são significadas todas as coisas da igreja; ‘nenhuma carne tem paz’ significa que não há mais repouso interno, por causa do domínio do mal e do falso; ‘semearam trigo, e colheram espinhos’ significa que em lugar dos bens do vero existem males do falso; ‘trigo’ são os bens do vero, e ‘espinhos’ são os males do falso. [6] No mesmo: Ismael, que era semente do reino, matou Gedalias, a quem o rei da Babilônia fizera governante na terra, e todos os judeus que estavam com ele, e caldeus, como também os varões de Siquém, de Shiloh e da Samaria. “Mas acharam-se entre eles dez varões que disseram a Ismael: Não nos mates, porque temos escondidos no campo trigo e cevada e óleo e mal; por isso os deixou ir e não os matou” (Jr. 41:1-8). Por este relato histórico se descreve, no sentido interno, a danação dos que profanam as coisas santas, porque ‘Gedalias’, a quem o rei da Babilônia fez governante na terra, e pelos ‘judeus que estavam com ele’ e pelos ‘ caldeus’, ‘varões de Siquém, de Shiloh e da Samaria’ se entendem os que profanam, e, no sentido abstrato, todo gênero de profanações, pois o ‘rei da Babilônia’ significa a profanação do bem e do vero. A danação deles é significada pelo fato de ‘serem mortos’, pois ‘ser morto’ significa ser morto espiritualmente (vide n. 315); mas os ‘dez varões’ que disseram a Ismael: ‘Não nos mates, porque temos escondidos no campo trigo e cevada, e óleo e mel’ se entendem os que não profanaram as coisas santas da igreja, porque interiormente neles se acham o bem e o vero. Com efeito, os que profanam não têm bem e vero interiormente em si, mas somente de fora, quando falam e pregam, mas os que não profanam têm o bem e o vero interiormente. Isto é o que se entende por eles terem dito: ‘têm escondidos no campo trigo, cevada, óleo e mel’; pelo ‘trigo’ e pela ‘cevada’ são significados os bens e veros do homem externo, pelo ‘óleo’ é significado o bem do homem interno, e pelo ‘mel’ o seu prazer; ‘dez varões’ significam todos os que são assim, pois ‘dez’ significa todos e todas as coisas; que os ‘tenha deixado ir’ e ‘não os tenha matado’ significa que não eram profanos, por conseguinte, não danados. Israel representa os que estão nos veros genuínos da igreja, o que também é significado pela ‘semente do reino’ de que era. Esses relatos históricos envolvem isso, porque as partes históricas na Palavra têm, igualmente às partes proféticas, um sentido interno. [7] Em Moisés: “JEHOVAH teu Deus te conduz a uma terra boa, terra de rios de água, de fontes e de abismos que saem do vale e do monte; terra de trigo e de cevada, e de videira e de figueira, e de romãzeira, terra de óleo de oliva e de mel” (Dt. 8:7-8). Assim é descrita a terra de Canaan no sentido literal, mas no sentido espiritual se descreve a igreja do Senhor, porque ela é significada neste sentido pela ‘terra de Canaan’, e são enumerados dos os gêneros de bem e de vero que são da igreja. Diz-se ‘terras de rios de água’ porque ‘rios de água’ significa as coisas doutrinais do veros; as ‘fontes e abismos que saem do vale e do monte’ significam os interiores e exteriores do vero proveniente da Palavra; as ‘fontes’ significam os veros interiores daí, e os ‘abismos’ os veros exteriores. Diz-se que estes ‘saem do vale’ porque o ‘vale’ significa os inferiores e exteriores onde os tais se acham, e se diz que aqueles ‘saem do monte’ porque o ‘monte’ significa os superiores e interiores onde os mesmo se acham. A ‘terra de trigo e cevada, e de videira e de figueira, e romãzeira’ significa a igreja quanto bem e ao vero de todo gênero; o ‘trigo e a cevada’ significam o bem e o vero de origem celeste, e a ‘romã’ significa as cognições do bem e do vero; pela ‘terra de óleo de oliva e de mel’ é significada a igreja quanto ao bem do amor e seu prazer. Quem não conhece o sentido espiritual da Palavra não crê outra coisa senão que apenas a terra de Canaan é descrita por essas palavras, pelo que a Palavra seria somente natural e não espiritual; e, todavia, a Palavra em seio é espiritual em toda parte, e é espiritual quando por essas palavras se entendem as coisas espirituais que são significadas, a saber, os bens e veros de todo gênero. (O que, porém, significam em particular os ‘rios’, as ‘fontes’, os ‘abismos’, o ‘vale’, o ‘monte’, a ‘videira’, a ‘figueira’, a ‘romãzeira’, a ‘oliveira’, o ‘óleo’ e ‘mel’, mostrou-se nos Arcanos Celestes, mas seria excessivamente prolixo citar as passagens aqui. Todavia, em sua maior parte, elas foram mostradas e serão mostradas nesta explicação sobre o Apocalipse; que sejam consultadas em suas passagens). [8] Em Jó:: “Se a força” da terra “comi sem prata, e sua alma fiz exalar, em lugar de trigo saia espinhos, e em lugar de cevada, videira silvestre” (Jó 31:39, 40); ‘comer a força da terra sem prata’ significa apropriar-se do bem da igreja sem o vero; a ‘terra’ é a igreja, e a ‘prata’ é o vero; e ‘fazer exalar a sua alma’ significa assim esvaziar da vida espiritual; ‘em lugar de trigo saia espinhos, e em lugar de cevada, videira silvestre’ significa que em lugar do bem ter o mal, e em lugar do vero, o falso; ‘trigo’ é o bem, ‘espinhos’ são o mal, ‘cevada’ é o vero, e ‘videira silvestre’ o falso, pois o bem não pode ser adquirido senão por meio dos veros. [9] Em Isaías: “Consumição e decisão ouvi da parte do Senhor Jehovih Zebaoth, sobre toda a terra... Porventura todo dia lavrará o lavrador para semear, abrirá e gradará a sua terra? Não é antes que, quando tiver nivelado a sua face, espalha a nigela? ... E não deita o trigo medido, e a cevada designada, e a lentilha designada? Assim o instrui para o juízo, o seu Deus o ensina” (Is. 28:22, 24-26). No sentido espiritual, por essas palavras se descreve que a igreja com a nação judaica e israelita está completamente destruída, e que de nada adianta que ensinem e conheçam a Palavra, mas que o bem e o seu vero sejam aplicados ao uso da vida. Daí e não de outra parte vem do Senhor a inteligência. Que a igreja com aquela nação esteja completamente destruída, entende-se por ‘consumição e decisão ouvi da parte do Senhor Jehovih Zebaoth sobre toda a terra’; ‘consumição e decisão’ é a plena destruição, e ‘toda a terra’ é toda a igreja, isto é, tudo o que é seu; ‘porventura todo dia lavrará o lavrador para semear, abrirá e gradará a sua terra?’ significa que de nada adianta que ensinem e saibam a Palavra; ‘lavrar para semear’ é ensinar, e ‘gradar a terra’ é depositar na memória; ‘não é antes que, quando tiver nivelado a sua face, espalha a nigela? ... E não deita o trigo medido, e a cevada designada, e a lentilha designada?’ significa que o bem e o vero da Palavra são aplicados para uso da vida; ‘não é antes que, quando tiver nivelado a sua face, espalha a nigela?’ significa quando tiver preparado pela Palavra; ‘o trigo medido e a nigela designada, e a lentilha designada’ significa aplicar o bem e o vero para uso da vida; ‘trigo’ é o bem, ‘cevada’ é o vero, e ‘lentilha’ são as cognições; ‘assim o instrui para o juízo, o seu Deus o ensina’ significa que daí e de nenhuma outra para haja a inteligência proveniente do Senhor; ‘juízo’ significa a inteligência, ‘seu Deus’ o ensina significa que procede do Senhor. [10] Em Moisés: JEHOVAH “o fez cavalgar sobre as alturas da terra, e comeu o produto dos campos, fê-lo sugar mel da rocha, e óleo do penedo da pedra [saxo petrae]; manteiga da manada e leite do rebanho, com gordura dos cordeiros e carneiros dos filhos de Basan, e do bodes, com a gordura dos rins do trigo, e bebes o sangue das uvas, o vinho puro” (Dt. 32:13, 14); estas palavras foram ditas a respeito da Igreja Antiga, instaurada pelo Senhor após o dilúvio, que estava na inteligência e na sabedoria, porque estava no bem da caridade e, daí, na fé; a inteligência e a sabedoria deles são significadas por ‘JEHOVAH tê-lo feito cavalgar sobre as alturas da terra, e ter comido o produto dos campos’; os bens celestes e espirituais que eles têm pelos veros são descritos por ‘fê-lo sugar mel da rocha, e óleo do penedo da pedra, manteiga da manada e leite do rebanho, com gordura de cordeiros e carneiros dos filhos de Basan, e dos bodes, com gordura dos rins do trigo, e bebes o sangue das uvas, o vinho puro’; ‘trigo’ significa aí todo bem em geral, e ‘sangue das uvas’ e ‘vinho puro’ todo vero daí. [11] Em David: “Antes o Meu povo Me obedecesse, e Israel andasse39 em Meus caminhos... [para que Eu] os alimentasse com a gordura do trigo, e do mel da rocha os saciasse” (Sl. 81:13, 16); pela ‘gordura do trigo’ e pelo ‘mel da rocha’, com os quais seriam alimentados e saciados, é significado o bem de todo gênero proveniente do bem celeste, e o seu prazer, proveniente do Senhor, pois pela ‘gordura’ é significado o bem celeste, pelo ‘trigo’ o bem de todo gênero, pelo ‘mel’ o prazer do bem, e pela ‘rocha’, o Senhor. Que tenham essa coisas se viverem segundo os preceitos do Senhor, entende-se por ‘antes o Meu povo Me obedecesse, e Israel40 andasse em Meus caminhos’; os ‘caminhos’, na Palavra significa os veros e também os preceitos, e ‘andar’ significa viver. [12] No mesmo: “Louva, ó Jerusalém, a JEHOVAH! Louva, ó Sião, o teu Deus. Porque fortalece as trancas de tuas portas, abençoa os teus filhos no meio de ti, que põe a paz em teu termo, ??? com gordura de trigos te sacia” (Sl. 147:12-14); por ‘Jerusalém’ e por ‘Sião’ se entende a igreja; por ‘Jerusalém’ a igreja quanto aos veros da doutrina, e por ‘Sião’ a igreja quanto aos bens do amor; ‘que põe a paz em teu termo’ significa todas as coisas do céu e da igreja, pois o ‘termo’ significa todas elas; ‘com gordura de trigos’ te sacia’ significa todo bem do amor e a sabedoria, pois ‘gordura’ significa o bem do amor, e ‘trigos’ significa todas as coisas que vem do bem do amor, as quais, por procederem do bem, também são bens; como essas coisas são significadas, por isso se diz ‘gordura de trigos’. [13] Em Oséias: “Disse JEHOVAH” ao profeta: “Vai segunda vez, ama uma mulher amada por um companheiro e que adultera, tal como o amor de JEHOVAH para com os filhos de Israel e eles se voltam para outros deuses, e amam passas de uvas. E a comprei para Mim por quinze de prata, e um coro de cevada, e meio coro de cevada” (Os. 3:1, 2). Por essas palavras era representada qualidade da Igreja Judaica e Israelita quanto à doutrina e ao culto, ou seja, que por vãs tradições tinha falsificado todas as coisas da Palavra, ainda que a tenham venerado como santa; a ‘mulher amada por um companheiro e que adultera’, a qual o profeta amaria, significa tal igreja; a ‘mulher’ é a igreja; ‘amada por um companheiro e que adultera’ é a falsificação do vero e a adulteração do bem; ‘tal como o amor de JEHOVAH para com os filhos de Israel e eles se voltam para outros deuses’ significa os falsos da doutrina e os males do culto; essas coisas são significadas por ‘voltarem-se para outros deuses’; ‘que amam passas de uvas’ significa a Palavra somente no sentido da letra, pois o ‘vinho’ significa os veros da doutrina proveniente da Palavra, as ‘uvas’ os seus bens, dos quais vêm os veros, e ‘passa’ aquilo que os contém; é, assim, o sentido último da Palavra, que é o sentido da letra, o qual aplicam a seus falsos e males; que ‘a tenha comprado para si por quinze de prata’ significa por pouco preço; ‘quinze’ pouco; ‘um coro de cevada e meio coro de cevada’ significa tão pouco do bem e do vero que dificilmente é alguma coisa. [14] Em Mateus: Disse João a respeito de Jesus: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo; a Sua pá41 na Sua mão, e limpará bem a Sua eira, e colherá o trigo no celeiro, mas a palha queimará num fogo inextinguível” (Jo. 3:11, 12); ‘batizar com Espírito Santo e com fogo’ significa reformar a igreja e regenerar o homem da igreja pelo Divino Vero e o Divino Bem; ‘batizar’ significa reformar e regenerar; ‘Espírito Santo’ significa o Divino Vero procedente d’Ele, e ‘fogo’ significa o Divino Bem do Seu Divino Amor. O ‘trigo’ que Ele recolherá no celeiro e a ‘palha’ que queimará num fogo inextinguível significam o bem de todo gênero que vem de uma origem celeste, que há de ser preservado eternamente – assim, os que estão nesse bem – e o falso de todo gênero que vem de uma origem infernal, que há de ser destruído – assim, os que estão nesse falso. E como se diz ‘trigo’, ‘celeiro’ e ‘palha’, também se diz ‘pá’ e ‘eira’; pela pá é significada a separação, e pela ‘eira’ onde a separação acontece. [15] No mesmo: Jesus disse: “O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo, mas, quando os homens dormiram, veio seu inimigo e semeou o joio e se foi. Quando, porém, a erva germinou e deu fruto, então apareceu também o joio. Chegando, porém, os servos do pai de família, lhe disseram: Senhor, não semeaste a boa semente em teu campo? donde, pois, tem joio? Isto, disse-lhes então, um homem inimigo o fez. Mas os servos disseram: Queres pois que, saindo, o colhamos? Mas ele disse: Não, para que talvez ao colherdes o joio arranqueis juntamente com ele o trigo. Deixai um e outro crescer até à ceifa, e no tempo da ceifa direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e o colhei em feixes para o queimar, mas o trigo ajuntai no meu celeiro” (Mt. 13:24-30). No sentido espiritual se vê claramente o que essas palavras envolvem, pois cada coisa ali é correspondência. Com efeito, quando estava no mundo, o Senhor falou por meras correspondências, porque o fazia pelo Divino. Aí se trata do juízo final, quando os bons devem ser separados dos maus, e os bons virão ao céu, os maus ao inferno. A ‘boa semente no campo’, que o homem semeou, significa os veros da igreja, os quais vêm do bem; o ‘campo’ significa a igreja onde há esses veros, e ‘semear’ significa influir e receber, assim, também instruir; o ‘homem que semeou’ é o Senhor, que o faz pela Palavra, onde se acham todos os veros da igreja; ‘quando os homens dormiram, veio seu inimigo e semeou o joio e se foi’ significa que nos homens naturais os falsos do mal influem do inferno e são recebidos; ‘dormir’ significa viver a vida natural sem a vida espiritual (vide acima, n. 187); ‘inimigo’ significa o inferno, e ‘joio’ significa os males do falso. Que significa as demais coisas até o final, pode-se ver pelo que foi referido no opúsculo Do Juízo Final (n. 70), pois envolvem arcanos, os quais foram apostos. Aqui se dirá somente que pelo ‘trigo’ é significado o bem do vero e, assim, os que estão no bem pelos veros, e pelo ‘joio’ é significado o mal do falso e, assim, os que estão no mal pelos falsos. Que essas coisas sejam ditas a respeito do juízo final, vê-se pelo que se segue neste capítulo, onde se diz: “O que semeia a boa semente é o Filho do homem, o campo é o mundo, a semente... são os filhos do reino, o joio são os filhos do mal, o inimigo... é o diabo, a ceifa é a consumação do século” (Mat. 13:37-39); a ‘consumação do século’ é o último tempo da igreja, quando há o juízo. Por estas passagens citadas da Palavra pode-se ver que ‘trigo’ significa o bem da igreja em geral, e ‘cevada’ o seu vero.