. (Vers. 8) “E vi, e eis um cavalo pálido”. Que isto signifique o entendimento da Palavra nulo por causa doas males da vida e, então, dos falsos daí. Neste e no capítulo seguinte trata-se dos estados sucessivos da igreja, isto é, dos homens da igreja quanto à sua vida espiritual. O seu primeiro estado é descrito pelo ‘cavalo branco’, o segundo pelo ‘cavalo vermelho’, e terceiro pelo ‘cavalo negro’ e o quarto pelo ‘cavalo pálido’. Que o ‘cavalo branco’ signifique o entendimento do vero proveniente da Palavra, vê-se acima, n. 355; que o ‘cavalo vermelho’ signifique o entendimento da Palavra destruído quanto ao bem, n. 364; que o ‘cavalo preto’ signifique o entendimento da Palavra destruído quanto ao vero, n. 372. Daí é agora evidente que o ‘cavalo pálido’ signifique o entendimento da Palavra nulo pelo males da vida e, daí, pelos falsos. Com efeito, quando o entendimento da Palavra é destruído quanto ao bem e quanto ao vero, segue-se que o entendimento da Palavra é nulo, e é nulo porque reina o mal da vida e, daí, o falso. Diz-se ‘mal da vida e daí o falso’ porque onde o mal da vida está, aí também está o falso, porquanto fazem um no espírito do homem. Diz-se ‘no espírito do homem’ porque o homem mau pode, igualmente ao homem bom, fazer o bem e falar o vero, mas isso o homem mau faz somente pelo homem natural e, assim, pelo corpo, mas interiormente nele, isto é, em seu espírito, não há vontade do bem nem, por conseguinte, entendimento do vero; assim, não há bem nem vero, o que se torna evidente principalmente por eles mesmos, quando se tornam espíritos. Então, como estão em espírito, não querem outra coisa senão o mal, nem falam outra coisa senão o falso. Isto é, agora, o que se entende pelo ‘cavalo pálido’. Que o ‘cavalo’ signifique o entendimento, vide acima (n. 355); aqui, é o entendimento da Palavra, porque ‘o que se assenta sobre o cavalo’ significa a Palavra (n. 373). [2] Que ‘pálido’ signifique o mal da vida e, daí, o falso, portanto, ‘cavalo pálido’ o entendimento da Palavra nulo pelos males da vida e, daí, pelos falsos, é porque a palidez indica e, assim, significa a ausência de vida ou a sua privação; aqui, é a ausência de vida espiritual, o que acontece quando em lugar do bem da vida há o mal da vida, e em lugar do vero da fé há o falso da fé, porque então não há vida espiritual. Pela vida espiritual se entende a vida do céu, que também se chama simplesmente ‘vida’, na Palavra. A vida não espiritual, porém, é como a que existe nos que estão no inferno, a qual também na Palavra se chama ‘morte’. Que o ‘cavalo pálido’ signifique a morte espiritual, é evidente também pela sequência neste versículo, pois se diz: “O que estava sentado sobre ele tinha por nome morte, e o inferno seguia com ele”. [3] O mesmo é significado pela ‘palidez’ ou por ‘pálido’ em Jeremias: “Interrogai, peço, e vede: acaso um macho pare? Vejo todo varão com suas mãos sobre os seus lombos, como parturientes, e todas as faces se mudaram em palidez” (Jr. 30:6). Ninguém pode saber o que essas palavras envolvem a menos que saiba o que significa ‘parir’, o que significam ‘macho’ e ‘varão’, ‘as mãos sobre os lombos’ e ‘faces’. Tais coisas foram ditas a respeito daqueles que pela própria inteligência querem adquirir para si o amor e a fé. Adquiri-los para si é significado por ‘parir’; ‘macho’ e ‘varão’ significam a inteligência, aqui, a inteligência própria; ‘as mãos sobre os lombos’ significa extraí-los, e as ‘faces’ significam o amor e a fé, pois quais são o amor e a fé, tais são as faces dos anjos e espíritos, porque a afeição do bem, que é o amor, e a afeição do vero, que é a fé, se manifestam inteiramente nas faces deles. Assim, ‘acaso um macho pare’ significa se acaso alguém pela própria inteligência adquire para si o bem do amor e o vero da fé; ‘vejo todo varão, suas mãos sobre seus lombos, como parturientes’ significa que cada um se esforço por si próprio extraí-los; e ‘todas as faces se mudaram em palidez’ significa que daí não provêm o bem e o vero, mas o mal e o falso, portanto, não a vida, mas a morte espiritual; isto é o que significa a ‘palidez da face’. (Que as ‘concepções’, os ‘partos’ e as ‘natividades’ na palavra signifiquem as concepções, os partos e as natividades espirituais, que são do amor e da fé, vê-se nos n. 3860, 3868, 3915, 3919, 3965 e 9325; que o ‘macho’ ou ‘másculo’ signifique o vero da fé e, assim, a inteligência, n. 749, 2046, 4005 e 7838; semelhantemente ao ‘varão’, n. 749, 1007, 3134, 3309, 3459 e 9007; que a ‘face’ signifique os interiores que são da mente, assim, que são do amor e da fé, n. 199, 2434, 3527, 4066, 4796, 5102, 9306 e 9546; que as faces nos anjos sejam formas de suas afeições, na obra O Céu e o Inferno, n. 47, 457, 459, 481, 552, 553). [4] O mesmo é significado por ‘empalidecer’ em Isaías: “Não se envergonhará Jacob, e sua face não empalidecerá” (Is. 29:22); por ‘Jacob’ se entendem os que são da igreja, e por ‘sua face não empalidecerá’ se entende que não estarão nos males e falsos, mas nos bens e veros. Que a ‘palidez’ signifique a ausência e a privação da vida espiritual, o acontece quando não há o bem e o vero, mas o mal e o falso, é porque quando o homem é privado do calor vital, então empalidece e se torna uma imagem da morte, como se dá nos extremos terrores, igualmente quando se morre. Quando, porém, ele morre espiritualmente, então suas faves ou se tornam rubras como fogo de carvão ou pálida como de cadáver. Os que são tais aparecem infernais na luz do céu.