. “E com as feras da terra”. Que isto se signifique os males da vida, que são as cobiças e, daí, as falsidades oriundas do amor de si e do mundo, os quais vastam todas as coisas da igreja no homem, vê-se pela significação de ‘feras’, que são as cobiça e falsidades oriundas do amor de si e do mundo; e como elas são os males mesmos da vida, pois uma vida má é uma vida de cobiças e falsidades, por isso elas se entendem aqui pela ‘feras da terra’ (que as ‘feras’ signifiquem tais coisas, ver-se-á na sequência); e pela significação de ‘terra’ que é a igreja (de que se tratou acima, n. 29 e 304); e como as ‘feras’ significam os males da vida e estes devastam a igreja no homem, e ‘terra’ significa a igreja, por isso as ‘feras da terra’ significam os males da vida que devastam a igreja no homem. Diz-se ‘igreja no homem’ porque a igreja está no homem, pois a igreja é igreja pela caridade e pela fé; estes estão no homem, e, se não estiverem, não há igreja nele. Acredita-se que a igreja está onde há a Palavra e onde o Senhor é conhecido, todavia a igreja não consiste senão daqueles que de coração reconhecem o Divino do Senhor e que aprendem os veros vindos do Senhor pela Palavra e os praticam; os demais não constituem a igreja. Que pelas ‘feras da terra’ aqui em particular sejam significados os males da vida, pode-se ver pela série das coisas no sentido interno. Foi dito que ‘foi-lhe dado poder de causar morte sobre a quarta parte da terra, com espada, com fome, com morte e com as feras da terra’; pela ‘espada’ é significado falso que destrói o vero; pela ‘fome’, a privação das cognições do vero e do bem; pela ‘morte’, a extinção da vida espiritual; assim, pelas ‘feras da terra’ são significados os males da vida, porquanto estes reinam quando a vida espiritual é extinta. Onde não há vida espiritual a vida é meramente natural, e esta vida sem a anterior é cheia de cobiças do amor de si e do mundo, portanto, infernais; por isso é essa vida que se entende pela ‘fera má’. [2] Quanto ao que concerne, além disso, à vida má, significada pela ‘fera má’. Ela existe igualmente naqueles que vivem uma vida moral, se não têm uma espiritual, pois eles fazem bem, falam o vero e exercem justiça e sinceridade, mas somente por causa da reputação, da honra, dos ganhos e das leis, portanto, por causa da aparências, para parecerem espirituais. Interiormente, porém, nada querem do bem nem pensam do vero, e riem da sinceridade e da justiça, a não pelas causas citadas. Isto também se manifesta neles quando se tornam espíritos, o que acontece logo após a morte. Então, como lhes se tirados os vínculos externos citados, precipitam-se sem freio em males de todo gênero. É diferente, porém, com aqueles que viveram uma vida boa por uma origem espiritual. (Todavia, a respeito deste assunto veem-se muitas coisas na obra O Céu e o Inferno, n. 484, 529-531, 534, e acima, n. 182). Estas coisas foram ditas para que se saiba o que se entende por uma vida má, ou seja, não é a vida externa, que é a do corpo e para o mundo onde estão os homens, que se chama mundo natural, mas é a interna, que pertence ao espírito e é para o mundo onde estão os anjos, que se chama mundo espiritual. Com efeito, o homem, quando ao corpo, suas ações e linguagem, está no mundo natural, e quanto ao espírito, a saber, quanto ao pensamento e a afeição, está no mundo espiritual. De fato, assim como a visão do corpo tem extensão no mundo natural e aí se espraia, também a visão do espírito, que é o pensamento proveniente da afeição, tem extensão no mundo espiritual e ali se espraia. Poucos sabem que isto é assim e daí acham que pensar mal e querer mal nada efetua, contanto que não faça o mel e não fale o mal; contudo, todo pensamento e toda vontade afetam o espírito do homem e faz a sua vida após a morte. [3] Que as ‘feras más’ signifiquem as cobiças e, daí, as falsidades oriundas do amor de si e do mundo que devastam todas as coisas da igreja no homem, e também que, no sentido opostos, signifiquem as afeições do vero que vivificam todas as coisas da igreja, pode-se ver pelas seguintes passagens na Palavra. Em Jeremias: “Ide, congregai toda fera do campo, vinde comer; muitos pastores destruíram a Minha vinha, espezinharam o Meu campo, tornaram o campo de desejo um deserto de solidão” (Jr. 12:9, 10); aí se trata da devastação da igreja quanto aos seus veros e quanto aos seus bens; a devastação é descrita por ‘pastores destruíram a vinha’ do Senhor, e ‘pisotearem o Seu campo’; pelos ‘pastores’ se entendem os que ensinam os veros e por eles conduzem ao bem da vida, aqui, os que ensinam os falsos e por eles conduzem aos males da vida; pela ‘vinha’ se entende a igreja quanto aos veros, e pelo ‘campo’ a igreja quanto aos bens; a sua devastação se entende por ‘destruíram’ e ‘pisotearam’, e também por ‘tornaram o campo um deserto de solidão’; e como as cobiças e falsidades oriundas do amor de si e do mundo a devastam, se diz: ‘Ide, congregai toda fera do campo, vinde comer’; ‘toda fera do campo’ significa as falsidades e as cobiças oriundas daí, e ‘comer’ significa devastar e consumir. Que pela ‘fera do campo’ não se entenda uma fera do campo é evidente, por se diz que ‘pastores destruíram a vinha e pisotearam o campo’, e pelos ‘pastores’ se entendem os pastores da igreja e não os pastores de rebanho. [4] Em David: “Por que pisoteia a Tua vide o javali da selva, e a fera dos campos dela se apascenta?” (Sl. 80:13); a ‘vide’ aqui significa o mesmo que a ‘vinha’ acima, ou seja, a igreja quanto ao vero, a qual se chama igreja espiritual; a sua devastação pelas cobiças e pelas falsidades do homem natural separado do espiritual se entende por ‘o javali da selva a pisoteia’; o ‘javali da selva’ significa as más cobiças do homem natural, e a ‘fera dos campos’ significa as falsidades. [5] Em Oséias: “Devastarei a vide e a sua figueira... e a porei na selva, e a fera do campo a comerá” (Os. 2:12); pela ‘vide’ e pela ‘figueira’ é significada a igreja, pela ‘vide’ a igreja interna, que é do homem espiritual, e pela ‘figueira’ a igreja externa, que é do homem natural; a devastação de uma e outra é significada por ‘devastá-las-eis e as porei na selva, e as comerá a fera do campo’; a ‘selva’ significa o homem sensual que está em meras falácias e, assim, nos falsos, e a ‘fera do campo’ significa as falsidades e, daí, as cobiças más. Porque, quando a igreja é devastada no homem, isto é, quando não crê mais no vero da igreja, então o homem se torna sensual, que não crê em outra coisa senão no que vê com os olhos e toca com as mãos, e tal homem se entrega todo ao amor de si e ao amor do mundo, assim, às cobiças. Que a igreja aí se entenda pela ‘vide’ e pela ‘figueira’ vê-se pelo segundo versículo desse capítulo, onde se diz que contenderão com sua mãe, “Porque ela não é Minha esposa, e Eu não sou seu marido” (Os. 2:2), e por ‘mãe’ e ‘esposa’ na Palavra é significada a igreja. [6] Em Moisés: “Pouco a pouco expelirei” as nações, “para que a terra não se torna deserta e se multiplique contra ela a fera do campo” (Êx. 23:29, 30; Dt. 7:22). O que essas palavras significam, vê-se nos Arcanos Celestes (n. 9333-9338), a saber, pelas ‘nações’ são significados os males que são do homem, mesmo do hereditário, e que eles são removidos pouco a pouco, porque, se o fossem de repente, antes que o bem fosse formado nele pelos veros, entrariam falsidades que destruiriam. As ‘feras do campo’ significam as falsidades oriundas dos prazeres dos amores naturais. [7] No mesmo: “Se andardes nos Meus estatutos, e observardes os Meus preceitos, e os fizerdes... darei paz na terra, de sorte que deitareis seguramente, e nada haverá que vos atemorize; e farei cessar da terra a fera má, e a espada não passará por vossa terra;... Se, porém, não obedecerdes a Mim e não fizerdes todos os Meus preceitos... enviarei a vós a fera do campo, que vos desfilhará, e cortará a vossa besta, e vos diminuirá, para que sejam devastados os vossos caminhos” (Lv. 26:3, 6, 14, 22). Aqui se descreve o estado da vida dos que estão na caridade e dos que não estão na caridade. A vida de caridade se entende por ‘andar nos estatutos, observar os preceitos e os fazer’, pois isto é a caridade; o estado da vida deles é descrito por ‘paz’ e por ‘deitar-se seguramente, e nada haver que atemorize’, pelo que é significada a bem-aventurança do coração e da alma oriunda da conjunção do bem e do vero, donde não há mais contra ela a luta do mal e do falso. Também é descrita por ‘farei cessar da terra a fera má, e a espada não passará por ela’, que significa que não haverá mais cobiças e falsidades oriundas do amor de si e do mundo; a ‘fera má’ significa as cobiças que destroem as boas afeições, e a ‘espada’ significa as falsidades que destroem as verdades. Que seja o contrário o estado daqueles que não estão na caridade descreve-se por ‘se não obedecerdes a Mim e não fizerdes todos os Meus preceitos, enviarei a vós a fera do campo, que vos desfilhará, e cortará a vossa besta, e vos diminuirá, para que sejam devastados os vossos caminhos, que significa que são privados de todo bem e vero pelas cobiças e, daí, pelas falsidades; as cobiças e as falsidades que os privarão são significadas pela ‘fera do campo que vos desfilhará; as afeições boas de que são privados são significadas pela ‘besta que cortará’ e os veros mesmos daí por ‘serão devastados os vossos caminhos’; (os ‘caminhos’ são os veros que conduzem ao bem). [8] Em Ezequiel: “Então farei (???) com eles uma aliança de paz, e farei cessar da terra a fera má, para que habitem confiantemente no deserto, e durmam nas selvas;... não serão mais presa das nações, e a fera do campo não os devorará, mas habitarão confiantemente e nada haverá que os aterrorize” (Ez. 34:25, 28). Estas palavras são a respeito do advento do Senhor e, então de Seu reino. O que elas significam no sentido interno pode-se ver pelo que foi explicado agora, acima; pela ‘fera má na terra’ são significadas as cobiças, e pela ‘fera do campo’, as falsidades. [9] Em Oséias: “Como um urso desfilhado lhes sairei ao encontro, e romperei a clausura de seu coração, e os comerei como um leão feroz; uma fera do campo os despedaçará” (Os. 13:8); trata-se aqui da devastação do bem pelo falso; ‘urso desfilhado’ significa o poder do mal proveniente do falso, ‘leão feroz’ o poder do falso proveniente do mal e ‘fera do campo’ as cobiças e falsidades; que eles os destruirão é o que significa ‘uma fera do campo os despedaçará’; a separação do vero do bem pelo falso e o mal é significada por ‘romperei a clausura de seu coração’. [10] Em Isaías: “Não haverá ali leão, e o predador das feras não subirá até ali” (Is. 35:9); trata-se nesse capítulo do advento do Senhor e do estado dos que estão em Seu reino; que ‘não haverá ali leão’ significa que não haverá o falso que destrói o vero; que ‘o predador das feras não subirá até ali’ significa que não haverá cobiças de destruir; como elas vêm do inferno, se diz: ‘não subirá até ali’. [11] Em Sofonias: JEHOVAH “estenderá a Sua mão sobre o norte e destruirá a Assíria, para que os rebanhos repousem no seu meio; toda fera da nação, tanto o pelicano quanto a ave noturna53 pernoitarão em suas romãzeiras; ... tal... a [cidade] que habita seguramente, dizendo em seu coração: Eu, e além de mim, nada mais. Como se tem ela tornado em devastação, covil de feras!” (Sf. 2:13-15); aí se trata da própria inteligência, que confirma os falsos e males pelos raciocínios e conhecimentos, e por aplicações tiradas do sentido da letra da Palavra. O ‘norte’ significa o homem natural e sensual e o conhecimento que nele há, e a ‘Assíria’ significa o raciocínio por esse conhecimento; ‘que diz em seu coração: Eu, e além de mim, nada mais’ significa a inteligência própria. Por aí é evidente o que cada coisa envolve na série aí, a saber, ‘JEHOVAH estenderá a Sua mão sobre o norte e destruirá a Assíria’ significa que privará um tal homem natural de toda percepção do bem e do entendimento do vero e o intelectual ou raciocínio daí; ‘repousarão no seu meio os rebanhos; toda fera da nação, tanto o pelicano quanto a ave noturna pernoitarão em suas romãzeiras’ significa que em toda parte ali haverá falsos do mal e falsos do pensamento e da percepção nas cognições oriundas da Palavra; a ‘fera da nação’ é o falso do mal; ‘pelicano’ e ‘ave noturna’ são o falso do pensamento e da percepção, e ‘romãzeiras’ são as cognições oriundas da Palavra; ‘tal cidade que habita seguramente, dizendo em seu coração: Eu, e além de mim, nada mais’ significa que tal inteligência confia em si mesma e tira somente do proprium; ‘cidade’ significa a doutrina proveniente de tal inteligência; ‘como se tem ela tornado em devastação, covil de feras!’ significa que nada tem de vero, mas está cheia de falsos. [12] Em Ezequiel: “Dize a Faraó, rei do Egito, e à sua multidão... Assíria, um cedro no Líbano, tornou-se mais alta que toda a árvores do campo;... mas, porquanto se elevou à altura, e pôs a sua copa entre as ramagens... por isso cortá-lo-ão os estrangeiros, os violentos das nações, e o derribarão;... sobre a sua ruina habitarão todas as aves dos céus, e sobre os seus ramos haverá toda fera do campo” (Ez. 31:2-3, 5, 10, 12-13); por essas palavras são significadas coisas semelhantes às que foram vistas logo acima; pelo ‘Faraó, rei do Egito’, o mesmo que acima foi significado pelo ‘norte’, ou seja, o homem natural e o conhecimento que há nele; a “Assíria’ significa o raciocínio por esse conhecimento; e ‘elevou-se à altitude e pôs sua copa entre as ramagens’ significa gloriar-se pela inteligência daí, assim, pela própria inteligência. Por essa noção geral do que está contido pode ser visto o que cada coisa aí envolve, a saber, ‘dize a Faraó, rei do Egito, e à sua multidão’ significa no quem concerne ao homem natural e os conhecimentos nele; ‘Faraó, rei do Egito’ é o homem natural, ‘e sua multidão’ é o conhecimento nele; ‘[Assíria]. um cedro no Líbano, tornou-se mais alta do que toda as árvores do campo’ significa o racional que cresce pelos conhecimentos; ‘Assíria’ é o racional, e ‘cedro’ é o entendimento; ‘fazer-se mais alta do que todas as árvores do campo’ significa que cresce imensamente pelas cognições do vero e do bem; ‘mas, porquanto se elevou à altura, e pôs a sua copa entre as ramagens’ significa porque se gloriou por causa da inteligência e por causa da ciência que pertence ao homem natural, glória essa que, sendo uma altivez da mente pelo amor de si, é proveniente do proprium, pois o homem natural separado do espiritual se exalta, porque separado do espiritual está no proprium e atribui a si mesmo todas as coisas e nada a Deus; ‘por a copa’ é exaltar-se, e as ‘ramagens’ são os conhecimentos que pertencem ao homem natural (vide n. 2831 e 8133); ‘cortá-lo-ão os estrangeiros, os violentos das nações, e o derribarão’ significa que os falsos e males daí destruirão o racional; ‘estrangeiros’ são os falsos, e ‘violentos das nações’ são os males daí; pelo que ‘sobre a sua ruina habitarão todas as aves dos céus, e sobre os seus ramos haverá toda fera do campo’ significa que então haverá os falsos do pensamentos e os males das afeições, porque as ‘aves’ significa as cognições, tanto do vero quanto do falso; a ‘fera’ significa os males da afeição daí, e o ‘campo’ significa a igreja, pois não se entendem outros males e falsos senão os que estão na igreja. (Que as ‘aves’ signifiquem os pensamentos, as ideias e os raciocínios em ambos os sentidos, com variedade segundo os gêneros e as espécies delas, vê-se nos n. 776, 778, 866, 988, 991, 3219, 5149 e 7441). [13] No mesmo: “Abandonar-te-ei no deserto, a ti e todo o peixe dos teus rios; sobre a face do campo cairás; não serás recolhido nem ajuntado; dei-te por comida à fera da terra e à ave do céu” (Ez. 29:5; 32:4); estas palavras foram ditas a respeito do Faraó e do egípcio, pelos quais é significado o homem natural separado do espiritual, e quando é separado está em meros falsos e males, porque então está sem a luz do céu, que dá toda inteligência; por isso, ‘abandonar-te-ei no deserto’ significa sem os veros e bens; o ‘peixe de seus rios’ significa o conhecimento sensual (vide acima, n. 342); ‘sobre a face do campo cairás’ significa que por causa dele toda a igreja há de perecer; ‘não serás recolhido nem ajuntado’ significa que não se verá o bem e o vero, pois o homem espiritual os vê no natural, já que recolhe e ajunta os conhecimentos e tira conclusões; ‘dei-te à fera da terra e à ave do céu por comida’ significa, aqui como acima, que há de perecer pelos falsos do pensamento e, daí, pelos males da afeição. Visto que o homem natural separado do espiritual é levado aos falsos de todo gênero e ignora, por isso se diz do Egito que ele é “Fera dos caniçais” (Sl. 68:30). [14] Em Ezequiel: “Sobre os montes de Israel cairás, tu e todas as tuas asas, e o povo que está contigo; dei-te por comida à ave volátil de toda asa e à fera do campo” (Ez. 39:4); estas palavras são a respeito de Gog, que significa o culto externo separado do interno, que em si não é culto, pois é o culto do homem natural separado do espiritual; ‘sobre os montes de Israel cairás’ significa que eles não têm bem espiritual algum; os ‘montes de Israel’ significam os bens da caridade, e ‘cairás’ ali significa perecer; ‘tu e todas as tuas asas, e o povo que está contigo’ significa que esse culto com os doutrinais e os falsos há de perecer; ‘dei-te por comida à ave volátil de toda asas e à fera do campo’ significa a extinção do vero e do bem pelos falsos de todo gênero e pelos males. Os males que são significados pela ‘fera do campo’ são os males da vida, que são as cobiças oriundas do amor de si e do mundo. [15] Em David: “Ó Deus, as nações vieram à Tua herança, contaminaram o templo de Tua santidade, fizeram de Jerusalém um montão; deram o cadáver de Teus servos por comida à ave dos céus, a carne de Teus santos à fera da terra” (Sl. 79:1, 2); pelas ‘nações’ aqui não se entendem as nações, mas os males da vida e os falsos da doutrina, porque pela ‘herança de Deus’ é significada a igreja, na qual o Senhor é todo bem e vero, porque vêm d´Ele; ‘contaminar o templo de Tua santidade’ significa profanar o culto e perverter a doutrina da igreja; ‘templo de santidade’ significa o culto porque ali há o culto, e ‘Jerusalém’ significa a igreja quanto à doutrina, assim também a doutrina da igreja; e ‘dar o cadáver de Teus servos por comida à ave dos céus, e a carne de Teus santos à fera da terra’ significa destruir todos os veros pelos falsos e os bens pelos males; a ‘ave dos céus’, aqui também, são os pensamentos do falso, e a ‘fera da terra’ são as afeições do mal daí. [16] No mesmo: “Não dês à fera a alma de Tua pomba; não Te esqueças para sempre da vida de Teus aflitos” (Sl. 74:19); pela ‘pomba’ é significado o bem espiritual, assim também aqueles que estão nesse bem, e pela ‘fera’ é significado o falso do mal que deseja destruir, assim também aqueles que estão no falso do mal e desejam destruir. Assim é evidente o que é significado por ‘não dês à fera a alma de Tua pomba’; pelos ‘aflitos’ se entendem os que são infestados pelos falsos e, assim, estão em ansiedade e esperam a libertação. [17] Ezequiel: As ovelhas “foram dispersas, sem pastor, e tornaram-se comida de toda fera do campo, e foram dispersas” (Ez. 34:5, 8); essas palavras significam que os bens da caridade foram destruídos pelos falsos e inteiramente consumidos pelos males de todo gênero daí; ‘fera do campo’ são os males da vida oriundos dos falsos da doutrina; pelas ‘ovelhas’ na Palavra se entendem os que estão no bem da caridade, mas como genuíno sentido espiritual é abstraído de pessoas, pelas ‘ovelhas’ são significados os bens da caridade; pelos ‘pastores’ são significados os que pelos veros conduzem ao bem e, abstratamente, os veros mesmos pelos quais há o bem; por isso, ‘sem pastor’ significa que não há vero, por não haver bem, havendo, assim, o falso; ‘tornar-se comida’ significa ser consumido, do mesmo que ‘ser comido’, quando se trata das feras; pela ‘fera do campo’ são significados os males provenientes dos falsos. [18] Em Jó: “Bem-aventurado o homem a quem Deus castiga. Na fome te redimirá da morte, e na guerra, das mãos da espada... na devastação e na fome rirás, e da fera da terra não te recearás” (Jó 5:17, 20, 22); essas palavras são a respeito das tentações; ‘bem-aventurado o homem a quem Deus castiga’ significa o que é tentado; ‘na fome te redimirá da morte’ significa a libertação dos males quando é tentado pela falta e não percepção do bem; ‘na guerra, das mãos da espada’ significa a libertação dos falsos quando é tentado pela falta e não entendimento do vero (‘guerra’ é tentação); ‘na devastação e na fome rirás’ significa que não terá falta do bem; ‘e da fera da terra não te recearás’ significa que não terá falso. [19] Em Ezequiel: “Assim lhes dirá... os que estiverem nos lugares assolados morrerão pela espada, e o que estiver sobre a face do campo dá-lo-ei às feras para ser devorado; e os que estiverem nas fortalezas e nas cavernas morrerão de peste, porque porei a terra em desolação e em assolação” (Ez. 33:27-28); trata-se aqui da desolação de todo vero e da assolação de todo bem na igreja, como também se diz: ‘porei a terra em desolação e em assolação’; ‘terra’ igreja a igreja; ‘os que estiverem nos lugares assolados morrerão à espada’ significa que os que estiverem nos conhecimentos hão de perecer pelos falsos, pois os conhecimentos do homem natural sem a luz do espiritual entendem-se aqui pelos ‘lugares assolados’; ‘o que estiver sobre a face do campo dá-lo às feras para ser devorado’ significa que o que estiver nas cognições da Palavra hão de perecer pelos males do falso; ‘faces do campo’ são as coisas que pertencem à igreja, aqui, as cognições provenientes da Palavra; ‘fera’ é o mal do falso; ‘os que estiverem nas fortalezas e nas cavernas morrerão de peste’ significa que aqueles que se confirmaram pela Palavra nos falsos e males, e os que o fizeram pelos conhecimentos, perecerão completamente pelos males e falsos; ‘fortalezas’ são as confirmações pela Palavra, ‘cavernas’ são as confirmações pelos conhecimentos. Que tais coisas significadas por essas na Palavra não se pode ver senão pela série no sentido interno, pois aqui se trata da devastação total da igreja, como se disse. [20] No mesmo: “Enviarei sobre vós a fome e a fera más, e far-te-ei desfilhado, e a peste e o sangue passarão por ti; trarei sobre ti principalmente a espada” (Ez. 5:17); no mesmo: “Quando [Eu] enviar à” terra “a fome, e cortar o homem e a besta; ... quando fizer passar a fera má pela terra, e a tiver desfilhado, para que se torna uma desolação, de modo que não haja quem passe, por causa da fera;... e quando [Eu] trouxer a espada;... e enviar a peste;... assim, quando Meus quatro juízos maus, a espada, a fome, a fera má e a peste, [Eu] enviar sobre Jerusalém, para cortar dela p homem e a besta” (Ez. 14:13, 15, 17, 19, 21). No sentido interno, ‘cortar o homem e a besta’ significa privar de toda afeição do bem e do vero, tanto a interna ou espiritual quando a externa ou natural. (Que isto seja significado na Palavra pelo ‘homem’ e pela ‘besta’, vê-se nos n. 7424, 7523 e 7872. A ‘fome’ significa a privação do bem do amor; a ‘espada’ a privação do vero da fé, uma e outra pelo falso; a ‘fera má’ significa a privação de um e outro pelos males do amor de si e do mundo, e a ‘peste’ a privação da vida espiritual proveniente daí. Estas coisas são chamadas aí ‘quatro juízos’ porque o homem é julgado por elas. [21] Pela explicação destas e das precedentes passagens pode-ver ver o que se entende por cada uma das coisas na série ali. Pela ‘fera má’ se entendem todas as bestas nocivas, porque predam e despedaçam os animais bons, como os cordeiros, ovelhas, bezerros bois e outros; elas são os leões, ursos, tigres, panteras, javalis, lobos, dragões, serpentes e muitas outras. Que por essas feras, e em geral pela ‘fera má’, sejam significadas as cobiças oriundas do amor de si e do mundo, das quais vêm todos os males da vida e falsos da doutrina, isto vem da correspondência, como se pode ver pelas aparências no mundo espiritual. Ali, todas as cobiças do mal e do falso aparecem como feras de vários gêneros; eles também têm semelhantes feras, de quem surgem tais aparências, pois o maior prazer deles é agredir e destruir os bons; esse prazer é o prazer infernal e se encerra nos amores de si e do mundo, nos quais estão os infernos. Por aí se pode ver de onde vem que pela ‘fera má’ em geral sejam significados os males da vida ou cobiças e as falsidades oriundas dos amores de si e do mundo, as quais devastam todas as coisas da igreja no homem. [22] Até aqui se mostrou pela Palavra que as ‘feras’ significam as cobiças más e as falsidades, especialmente as cobiças de arruinar e de destruir os bens e veros por meio dos falsos, assim, a vida espiritual do homem. Agora será mostrado também que as ‘feras’ na Palavra também significam afeições do vero e do bem, que são opostas às afeições do falso proveniente do mal que se chamam cobiças. A razão por que as ‘feras’ na Palavra também significam as afeições do vero e do bem é porque o vocábulo pelo qual são nomeadas e chamadas significa ‘vida’, na língua original, pois ‘fera’ naquela língua se chama ‘chajah’ e ‘chajah’ significa vida, e na afeição do vero e do bem está a vida espiritual mesma do homem. Por esse motivo, quando a ‘fera’ é nomeada na Palavra nesse sentido bom, deve-se traduzir e dizer de preferência ‘animal’, que significa alma vivente. mas quando se diz ‘fera’ nesse sentido, deve-se deixar de lado completamente a ideia que se adere a esse vocábulo na língua latina, pois ao vocábulo ‘fera’ nessa língua se adere a ideia de animal bravo e feroz, assim, uma ideia funesta e má. É diferente na língua hebraica, na qual ‘fera’ significa vida e, em geral, alma vivente ou animal. Neste sentido, ‘chajah’ ou ‘fera’ não pode ser chamada ‘besta’, porque em várias passagens na Palavra se fala em ‘fera e besta’, e pela ‘fera’ é significada a afeição do vero e pela ‘besta’ a afeição do bem. Como a ‘fera’ ou ‘chajah’ nesse sentido oposto significa a afeição do vero e do bem, por isso Eva, esposa de Adão, foi chamada “Chavah”, daquele vocábulo, como se vê em Moisés: “E o Homem chamou o nome de sua esposa Chavah, porque iria ser mãe de todo chaj, isto é, vivente” (Gên. 3:20). E, também, os ‘quatro animais’ que eram querubins, são chamados pelo mesmo vocábulo, ‘chajah’, no plural. Visto que ao vocábulo ‘fera’ na fala latina se aderiu a ideia de animal bravo ou feroz, por isso os tradutores disseram ‘animais’. Que desse vocábulo sejam chamados os querubins que apareceram como animais, vê-se em Ezequiel (1:5, 13-15, 22; 10:15 e outras passagens). [23] Semelhantemente em relação aos animais que podem ser comidos, como cordeiros, ovelhas, cabras, carneiros, cabritos, bodes, bezerros, bois e vacas, e também os animais que não podem ser comidos, chamados geralmente pelo vocábulo ‘feras’; e, todavia, todos os animais que podem ser comidos significam as afeições boas, pois são mansos e úteis, por conseguinte, não são bravos e ferozes. Assim, em Moisés: “Estas as feras que comereis, de toda besta entre todas as feras que andam de quatro... para distinguir... da fera que se come e da fera que não se come” (Lv. 11:2, 27, 47); e, em outra passagem, “Quem caçar caça de fera e de ave, que se come” (Lv. 17:13). Também os animais que eram sacrificados, que foram relatados acima, são chamados feras. Como em Isaías: “O Líbano não basta para queimar, e a sua fera não basta no holocausto” (Is. 40:16) e, em David: “Não tomarei de tua casa o bezerro, de teus currais os bodes para sacrifício, porque são Minhas todas as feras da selva, as bestas sobre milhares de montes; conheço toda ave dos montes, e a fera dos campos está comigo. Se Eu tivesse fome, não te diria, porque Meu é o mundo e a sua plenitude... sacrifica confissão a Deus” (Sl. 50:9-14). [24] Que a ‘fera’ signifique a afeição do vero e do bem, pode-se ver além disso pelas seguintes passagens. Em Moisés: “No sétimo ano”, que é o ano sabático, “intermitirás a terra” e a deixarás, para que comam dela54 os pobres do teu povo, e a fera do campo como o resto deles” (Ex. 23:11); e, em outra passagem, No ano sabático, “toda produção que houver na tua terra será para tuas bestas e tuas feras comerem” (Lv. 25:7) pelas ‘bestas e feras’ aí se entendem cordeiros, ovelhas, cabras, cabritos, carneiros, bodes, bezerros, bois, vacas, bezerros e jumentos, mas não leões, ursos, javalis, lobos e feras predadoras semelhantes; por isso, pelas ‘feras’ aí se entendem as feras domésticas, que são úteis, pelas quais são significadas as afeições do vero e do bem. [25] Em David: “Louvai a JEHOVAH da terra, ó baleias, e abismos... a fera e toda besta, o réptil e aves de asa, reis da terra e todos os povos” (Sl. 148:7, 10-11); por estes são significados todo gênero de bens e veros que há no homem, pelos quais o homem adora a Deus; e como o homem adora a Deus por eles, e eles não são do homem, mas do Senhor nele, por isso deve-se entender que eles adoram a Deus. Com efeito, ninguém pode adorar corretamente a Deus por si, mas por Deus, isto é, pelos bens e veros que são de Deus nele. Que ninguém possa nomear ‘Jesus’ por si, mas por Ele, é notório a alguns na igreja e muito notório no céu. ‘Louvar a JEHOVAH’ significa adorar a Ele; pelas ‘baleias’ e pelos ‘abismos’ são significados os conhecimentos e as cognições no geral ou em todo o conjunto; “fera e toda besta’ significam as afeições do vero e do bem; ‘réptil e toda ave de asa’ significa o prazer do bem e do vero do homem natural e espiritual, pelo que também se diz: ‘louvai a JEHOVAH, reis da terra e todos os povos’, pelos quais são significados os veros do bem de todo gênero. Que tais coisas sejam significadas por esses vocábulos é evidente pela significação deles no sentido interno e pela Palavra no céu, onde ela é espiritual, pois é para os anjos, que são espirituais. (Que também haja uma Palavra nos céus, e que ela ali seja segundo o sentido interno, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 250-261). [26] No mesmo: “Fazes destilar chuva de benevolências, ó Deus. Confirmarás Tua herança cansada; Tuas feras habitarão nela’ (Sl. 68:9, 10); aqui também, a ‘fera’ ou o ‘animal’ está em lugar dos que estão nas afeições do vero e do bem, ou, abstratamente, essas afeições mesmas, porque pela ‘chuva de benevolências’ que Deus faz destilar é significado o Divino Vero proveniente do Divino Bem; pela ‘herança cansada’ que Deus confirmará é significada a igreja que está no Divino Vero quanto à doutrina e quanto à vida; ‘herança’ é a igreja onde elas estão, da qual se diz ‘cansada’ pela aplicação de fazer o bem. Que as ‘feras’ habitarão nela, a saber, na herança ou igreja, significa que aí estarão as afeições do vero e do bem. É evidente que pela ‘fera’ aqui não se entende outra coisa, pois não pode a fera predadora, isto é, as cobiças do falso e do mal, habitar na herança em que Deus faz destilar chuva de benevolências. [27] Em Oséias: “Naquele dia farei por eles uma aliança com a fera do campo e com a ave dos céus, e com o réptil da terra; e e quebrarei da terra o arco, e a espada, e a guerra, e os farei deitar seguramente, e desposar-te-ei comigo eternamente” (Os. 2:18, 19); estas coisas foram ditas a respeito de uma nova igreja proveniente do Senhor, e por ‘fera do campo, ave dos céus e réptil da terra’ é significado o mesmo que pelas palavras acima, em Davi (Sl. 148:7, 10, 22), onde elas são explicadas. Pela ‘aliança’ é significada a conjunção; assim, ‘fazer aliança’ significa conjungir (vide n. 665, 666, 1023, 1038, 1864, 1996, 2003, 2021, 6804, 8767, 8778, 9396 e 10632), pois JEHOVAH não pode fazer aliança ou conjungir-Se com as afeições do mal e do falso, ou com as cobiças, que são significadas pelas ‘feras’ no sentido anterior, e, em geral, não pode fazer aliança com a fera, a ave e o réptil, mas com tais coisas que são significadas pelas elas. Mas estas coisas se veem mais plenamente explicadas acima (n. 357). [28] Em Ezequiel: “Dize a Faraó, rei do Egisto... Eis que a Assíria é um cedro no Líbano; formosa de ramos, e sombrosa ramagem, e alta estatura;... as águas fizeram-na crescer;... pelo que se tornou em altura mais do que todas as árvores do campo;... em seus ramos nidificaram todas as aves dos céus, e sob os seus ramos pariram toda fera do campo, e em sua sombra habitaram todas as grandes nações... de toda árvore no jardim de Deus não havia par para ela em formosura” (Ez. 31:2-9); ‘Faraó’ e ‘Egito’ aqui significam o conhecimento que pertence ao homem natural, e ‘Assíria’ o racional ao qual o conhecimento serve; seu crescimento pelos conhecimentos verdadeiros ??? e cognições é descrito pelo ‘cedro no Líbano’, pelo qual também é significado o racional; as ‘águas’ que a fizeram crescer significam os veros, e os ‘ramos’ significam a extensão, tal como é a do pensamento do homem racional. Daí se pode ver o que é significado por ‘em seus ramos nidificaram todas as aves dos céus, sob os seus ramos pariram toda fera, e em sua sombra habitaram todas as grandes nações”, ou seja, veros racionais e espirituais de todo gênero, afeições do vero e os bens, porque pelas ‘aves dos céus’ são significados os veros racionais e espirituais de todo gênero; pela ‘fera’, as afeições do vero; por ‘parir’ é significado multiplicar, porque pelas afeições do vero se faz todo parto espiritual ou a multiplicação, e pelas ‘grandes nações’ são significados os bens. (Que as ‘aves’ signifiquem os pensamentos, as coisas racionais, do entendimento e as espirituais, por conseguintes, os veros, pois todas as coisas do pensamento são ou veros ou falsos, vê-se nos n. 745, 776, 866, 988, 991, 3219, 5149 e 7441; que ‘parir’ signifique multiplicar os veros e bens, que seja isto o parto espiritual, n. 3860, 3868 e 9325; que as ‘nações’ signifiquem aqueles que estão nos bens e, abstratamente daí, os bens, n. 1059, 1159, 1258, 1260, 1416, 1849, 6005; e acima, 175, 331; que ‘Faraó’ e ‘Egito’ signifiquem o conhecimento em ambos os sentidos, bom e mal, vê-se nos n. 1164, 1165, 1186, 1462, 5700, 5702, 6015, 6651, 6679, 6683, 6692, 7296, 9340 e 9391; e que ‘Assíria’ signifique o racional em ambos os sentidos, n. 119 e 1186). [29] Que o ‘Egito’ signifique o verdadeiro conhecimento [verum scientificum], e ‘Assíria’ o racional, e que todo racional do homem nasça pelos conhecimentos ou que estes servem àquele, como se disse acima, pode-se ver por esta passagem em Isaías: “Naquele dia haverá uma vereda do Egito na Assíria, para que a Assíria venha ao Egito, e o Egito à Assíria, e sirvam” a JEHOVAH “os egípcios com a Assíria. Naquele dia Israel será terceiro com o Egito e a Assíria, uma bênção no meio da terra, à qual JEHOVAH Zebaoth abençoará, dizendo: Bendito o Meu povo, o Egito, a obra de Minhas mãos, a Assíria, e Minha herança, Israel” (Is. 19:23-25); aí, ‘Egito’ significa o conhecimento, ‘Assíria’ o racional, e ‘Israel’ o espiritual. [30] Por estas passagens citadas agora pode-se ver o que é significado pela ‘ave’ e pela ‘fera do campo’ em Ezequiel: “Assim disse o Senhor Jehovih: Diz à ave de toda asa, e a toda fera do campo: Congregai-vos e vinde, congregai-vos de todo o arredor sobre o Meu sacrifício, que Eu sacrifico para vós, um sacrifício grande sobre os montes de Israel, para que comais a carne e bebais o sangue; carne dos valentes comereis, e o sangue dos príncipes da terra bebereis... e comereis gordura a fartar, e bebereis o sangue até à embriaguez, do Meu sacrifício que sacrifico para vós; e vos fartareis sobre a Minha mesa com o cavalo e com o carro, com o valente e com todo varão de guerra;... Assim porei a Minha glória entre as nações” (Ez. 39:17-21); que estas palavras sejam ditas a respeito da igreja instaurada pelo Senhor entre as nações é evidente por cada uma das coisas aí; por isso, a ‘ave de toda asa’ e ‘toda fera do campo’ que se devem congregar e são convidadas para o sacrifício significam todos aqueles que estão nas afeições do vero e do bem, porque a ‘carne’ que comerão significa o bem do amor, e o ‘sangue’ que beberão significa o vero desse bem, e o ‘sacrifício’ significa o culto mesmo proveniente desses. Estas coisas, porém, se vêm explicadas mais plenamente acima (n. 329). [31] Algumas vezes se diz na Palavra ‘fera e besta’, algumas vezes somente ‘fera’ e somente ‘besta’ e outras vezes ‘fera da terra’ ou ‘fera do campo’, e quando se diz ‘fera e besta’ é significada a afeição ou o amor do falso e do mal, pela fera a afeição ou amor do falso, e pela ‘besta’ a afeição ou amor do mal; ou, no sentido oposto, pela ‘fera’ a afeição ou o amor do vero, e pela ‘besta’ a afeição ou o amor do bem. Quando, porém, se diz ‘fera’ somente, ou quando se diz ‘besta’ somente, então pela ‘fera’ se entende a afeição, tanto do falso quanto do mal, e, no sentido oposto, a afeição tanto do vero quando do bem, mas pela ‘besta’ se entende a afeição do mal e do falso daí, e, no sentido oposto, a afeição do bem e do vero daí. Mas, sobre a significação de ‘besta’, ver-se-á abaixo, em seu lugar. Quando, todavia, se diz ‘fera da terra’ entende-se a fera que devora os animais e os homens, mas quando se diz ‘fera do campo’ se entende a fera que consome as sementes. Assim, ‘fera da terra’ significa as coisas que destroem os bens da igreja, e ‘fera do campo’ significa as coisas que destroem os veros da igreja, pois pela ‘terra’ é significada a igreja, semelhantemente ao ‘campo’, mas a ‘terra’ significa a igreja pela nação e pelo povo ali, e o ‘campo’ a igreja pela semente e pela recepção das sementes.