AE 391

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E vi sob o altar”. Que isto signifique os que foram preservados sob o céu, vê-se pela significação de ‘ver’, que é tornar manifesto (como acima, n. 351); e pela significação de ‘altar’, que, num sentido próximo, é o culto pelo bem do amor ao Senhor; no sentido interior, o céu e a igreja que está nesse amor; e, no sentido íntimo, o Divino Humano do Senhor quanto ao Divino Bem do Divino Amor. Que ‘sob o altar’ significa os que foram preservados sob o céu é porque foi dito que ‘viu sob o altar as almas dos que foram mortos por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho que davam’, e por eles se entendem os que foram preservados sob o céu para o juízo final. Como, porém, isso ainda não é conhecido no mundo, vou dizer de que maneira isto se dá. No opúsculo Do Juízo Final foi relatado que antes do juízo final tinha havido uma espécie de céu, que se entendia pelo “primeiro céu, que passou” (Ap. 21:1), e que esse céu consistiu daqueles que estiveram no externo do culto sem o interno e daí viveram uma vida moral, ainda que fossem meramente naturais e não espirituais. Os que constituíram esse céu antes do juízo final foram vistos sobre a terra e também sobre as montanhas, colinas e rochas no mundo espiritual, e daí acreditaram estar no céu. Mas os que constituíram esse céu foram expulsos, porquanto estiveram somente numa vida moral externa e não ao mesmo tempo na vida interna espiritual; e, quando esses foram expulsos de onde tinham estado, então dos mesmos lugares, isto é, de sobre as montanhas, colinas e rochas, foram elevados todos os que foram preservados pelo Senhor e ocultos em vários lugares, a maioria na terra inferior, e desses foi formado um novo céu. Esses que foram preservados e então elevados tinham sido dos que no mundo viveram a vida de caridade e estiveram na afeição do vero espiritual. Vi muitas vezes a elevação deles para o lugar dos anteriores. São eles que se entendem pelas ‘almas dos que foram mortos, vistas debaixo do altar’; e visto que foram guardados pelo Senhor na terra inferior, terra essa que está sob o céu, por isso, ‘vi debaixo do altar’ significa os que que foram preservados sob o céu. Mas a respeito disto se trata especialmente no Apocalipse, capítulos 20:, 4, 5, 12 e 13, onde dir-se-ão muitas coisas sobre eles. Enquanto isso, vide no opúsculo Do Juízo Final (n. 65-72) a respeito do ‘primeiro céu, que passou’, e do ‘novo céu’, que foi formado pelo Senhor depois do juízo final. Essas poucas coisas bastam para dar algum esclarecimento de como se devem entender as coisas que se dizem nos dois versículos seguintes, a saber, que os que estavam sob o ‘altar clamaram com grande voz, dizendo: Até quando, ó Senhor, que és Santo e Verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram-lhe dadas estolas brancas, e foi-lhes dito que repousassem ainda por pouco tempo, até que se completassem, e dos seus conservos e irmãos, que haveriam de ser mortos assim como eles”.
[2] Que ‘sob o altar’ signifique sob o céu é porque o ‘altar’, no sentido supremo, significa o Senhor; no sentido relativo, o céu e a igreja (porque o Senhor é o céu e a igreja, pois tudo do céu e da igreja, ou tudo do amor e da fé que a constitui no anjo e no homem vem d’Ele e, assim é Ele); no sentido geral, ‘altar’ significa todo culto do Senhor, especialmente o culto representativo, tal o que existiu entre os filhos de Israel. Que o ‘altar’ signifique todo o culto é porque o culto naquela igreja consistia principalmente em oferendas de holocaustos e sacrifícios, pois eram oferecidos em lugar de todo pecado e toda culpa, e também de boa vontade, para aprazerem JEHOVAH (esses eram chamados sacrifícios eucarísticos ou de ação de graças); e também em lugar de purificações de todo gênero. Pelos holocaustos e sacrifícios se faziam também as consagrações em tudo o que fosse santo na igreja, como se vê pelos sacrifícios para consagrar Aarão e seus filhos no sacerdócio e para consagrar a tenda da assembleia e, depois, o templo. E como o culto de JEHOVAH, isto é, do Senhor, consistia principalmente em holocaustos e sacrifícios, por isso também eram oferecidos cotidianamente, ou seja, a cada manhã e tarde, e eram chamados por uma palavra: ‘contínuo’, além de uma grande quantidade em qualquer festa. Assim, na Palavra, ‘contínuo’ significa todo culto representativo. Por aí se pode ver que o culto, e especialmente o culto representativo daquela nações, consistia principalmente em holocaustos e sacrifícios. Daí é que o altar sobre o qual os praticavam e que era o seu continente, significa na Palavra todo vulto em geral. Pelo culto não se entende somente o culto externo, mas também o culto interno, e o culto interno compreende tudo do amor e tudo da fá, por conseguinte, tudo aquilo que faz a igreja ou o céu no homem, em suma, que faz que o Senhor esteja nele. Que o céu tenha sido representado diante de João pelo altar, também foi em razão de que todo a Palavra é escrita por meios de representativos, e por representativos tais que existiram entre os filhos de Israel. Por isso, a fim de que a Palavra fosse igual em ambos os Testamentos, também nesse Livro há coisas semelhantes, também vistas por João, assim como em outras passagens. Por exemplo, quando foi visto o altar de incenso e quando visto o incenso mesmo com os turíbulos; depois, quando foi visto o tabernáculo e foi vista a arca e outras coisas semelhantes. Hoje, porém, essas coisas não aparecem no céu a anjo algum nem a homem algum cuja vista foi aberta. Que o altar, a arca e coisas semelhantes não apareçam hoje no céu é porque nunca foram conhecidos pelos antigos, e porque foram completamente abolidos depois do advento do Senhor. De fato, elas começaram por Éber, e em seguida continuaram entre os seus descendentes, que se chamaram Hebreus, e com os filhos de Israel, que descendiam de Éber, foram tolerados, principalmente pelo fato de que o culto uma vez iniciado e enraizado na mente não é abolido pelo Senhor, mas direcionado para significar algo santo da religião (sobre esse assunto, vide nos Arcanos Celestes os n. 1343, 2180, 2818 e 10042).
[3] Que o ‘altar’ signifique no sentido supremo o Divino Humano do Senhor quanto ao Divino Bem do Divino Amor, e que no sentido relativo signifique o céu e a igreja, e em geral todo culto e o culto representativo em particular, pode-se ver pelas seguintes passagens na Palavra. Em David:
“Envia a Tua luz e a Tua verdade, elas me conduzam; conduzam-me ao monte de Tua santidade, e ao Teus habitáculos, para que eu vá ao altar de Deus, a Deus...” (Sl. 43:3, 4);
vê-se claramente que pelo ‘altar de Deus’ aqui se entende o Senhor quanto ao Divino Humano, pois se trata do caminho para o céu e para o Senhor ali. O caminho para o céu se entende por ‘envia a Tua luz e a Tua verdade, elas me conduzam’; ‘luz’ é a iluminação em que as verdades aparecem; o céu, ao qual se é conduzido, se entende por ‘conduzam-me ao monte de Tua santidade e aos Teus habitáculos’; ‘monte de santidade’ é o céu onde está o reino celeste do Senhor, no qual reina o bem do amor; os ‘habitáculos’ se dizem do céu onde está o reino espiritual do Senhor, no qual reina o vero desse bem. E visto que se entendem um e outro, por isso se diz: “para que eu vá ao altar de Deus, a Deus’; pelo ‘altar de Deus’ se entende onde o Senhor está no bem do amor, e por ‘Deus’ se entende onde o Senhor está no vero desse bem, pois o Senhor é chamado ‘Deus’ pelo Divino Vero, e ‘JEHOVAH’ pelo Divino Bem. Na Igreja Judaica havia duas coisas que no sentido supremo significavam o Divino Humano do Senhor, a saber, o altar e o templo; o altar, o Divino Humano quando ao Divino Bem, e o templo quanto ao Divino Vero procedente desse Bem. Que esses dois tenham significado o Senhor quanto ao Seu Divino Humano era porque todas as coisas do culto naquela igreja representavam coisas Divinas que procedem do Senhor, as quais se chamam celestes e espirituais, o culto mesmo era oficiado principalmente sobre o altar e no templo, pelo que esses dois representavam o Senhor mesmo.
[4] Que o templo tenha representado o Seu Divino Humano, Ele mesmo o ensina abertamente em João:
“Os judeus disseram: Que sinal nos mostras para que faças estas coisas? Respondeu Jesus e disse: Destruí este templo, e em três dias o levantarei... mas Ele falava do templo de Seu corpo” (Jo. 1:18-23) também Mt. 26:61 e outras passagens).
O que o Senhor disse, quando os discípulos Lhe mostravam as estruturas do templo, que
“Não ficaria pedra sobre pedra que não fosse derrubada” (Mt. 24:1, 2),
significava que o Senhor seria completamente negado entre eles, pelo que o também o templo foi destruído desde os alicerces.
[5] Que também o altar tenha significado o Divino Humano do Senhor, pode-se concluir pelas palavras do Senhor em Mateus:
“Ai de vós, guias cegos, porque dizeis: Qualquer um que jurar pelo templo, nada é, mas qualquer um que jurar pelo ouro do templo, é réu. Estultos e cegos! Qual dos dois é maior, o ouro ou o templo que santifica o ouro? Depois: Qualquer um que jurar pelo altar, nada é, mas qualquer um que jurar pela oferta que está sobre ele, é réu. Estultos e cegos! Qual é o maior, a oferta ou o altar que santifica a oferta? Quem, pois, jura pelo altar, jura por ele e por tudo aquilo que está sobre ele; e quem jura pelo templo, jura por ele por Aquele que habita nele; e quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está sentado sobre ele” (Mt. 23:16-22).
Diz-se que o templo santifica o ouro que está nele, e que o altar santifica a oferta que há sobre ele; assim, diz-se que o altar e o tempo tinham sido santíssimos, dos quais vinham toda santificação. Por isso, pelo ‘templo’ e pelo ‘altar’ é significado o Senhor quanto ao Divino Humano, por d’Ele procede tudo o que é santo do céu e da igreja. A não ser que se entenda isso, acaso um e um altar podem santificar alguma coisa? Tampouco o podo o culto, mas o Senhor, a quem se faz o culto e do qual procede o bem e do vero do culto; por isso se diz que não é a oferta que santifica, mas o altar; pela ‘oferta’ se entendem os sacrifícios, que eram o culto. E como judeus não compreenderam isso, mas ensinaram diferentemente, por foram chamados de ‘estultos e cegos’ pelo Senhor.
[6] Como isto é significado pelo ‘altar’, por isso eram santificadas todas as coisas que o tocassem, como se vê em Moisés:
“Sete dias... santificarás’ o altar, ‘para que o altar seja o santo dos santos; tudo o que tocar o altar seja santificado” (Ex. 29:37);
“tocar’ significa comunicar, transferir e receber (Vide n. 10130), aqui, o Divino que procede do Senhor. e como isto era significado por ‘tocar’, e as coisas que tocavam eram santificadas, seque-se que o Senhor mesmo é significado pelo altar, no sentido supremo, uma coisa não é santa por outra origem. Também, todo culto é culto do Senhor e proveniente do Senhor, pelo que também, visto que o culto naquele igreja consistia principalmente me holocaustos e sacrifícios, pelo ‘altar’ era significado o Divino mesmo de que algo procede, e esse Divino é o Divino Humano do Senhor.
[7] Foi também daí que se ordenou
Que o fogo sobre o altar ardesse continuamente, e nunca se extinguisse (Lv. 6:12-13),
e que desse fogo se acendessem as lâmpadas na tenda da congregação, e que tomassem do mesmo para os turíbulos e queimassem o incenso, pois o ‘fogo’ significava o Divino Amor, que procede somente do Senhor (vide acima, n. 68).
[8] Como o ‘fogo do altar’ significa o Divino Amor, por isso o profeta Isaías foi santificado por ele:
“Voou para mim um serafim, em cuja mão havia uma brasa de fogo, que... tomara de sobre o altar; e tocou a minha boca, e disse: Esta tocou os teus lábios; por isso foi tirada a tua iniquidade, e teu pecado foi expiado” (Is. 6:6, 7).
Pode-se ver o que essas coisas significam na série quando se sabe que o ‘altar’ significa o Senhor quanto ao Divino Humano, que o ‘fogo’ sobre o altar significa o Divino Bem do Seu Divino Amor, que ‘a boca e os lábios’ do profeta significam a doutrina do bem e do vero, que ‘tocar’ significa comunicar, a ‘iniquidade’ que foi tirada significa o falso e o ‘pecado’ significa o mal. Com efeito, ‘iniquidade’ se diz da vida do falso ou da vida contra os veros, e ‘pecado’ da vida do mal ou da vida contra o bem.
[9] Em Isaías:
“Todos os gados da Arábia serão ajuntados para Ti, os carneiros de Nebaioth Te servirão, subirão com beneplácito ao meu altar; assim adornarei a casa de Meu decoro” (Is. 60:7);
aí se trata do advento do Senhor, e estas palavras foram ditas a respeito do Senhor mesmo; ‘todos os gados da Arábia’ que serão ajuntados e os ‘carneiros de Nebaioth’ que servirão significam todos os bens espirituais externos e internos; pelos ‘gados’ são significados os bens externos, e pelos ‘carneiros’ os bens internos; pela “Arábia’ e por ‘Nebaioth’ são das as coisas espirituais; ‘subirão com beneplácito ao meu altar, assim adornarei a casa de meu decoro’ significa o Divino Humano do Senhor, em que estarão tais coisas; o ‘altar’ significa o Seu Divino Humano quanto ao Divino Bem, e a ‘casa de decore’ Ele quanto ao Divino Vero. Que aqui se entenda o Senhor quanto ao Divino Humano vê-se pelas coisas que precederam neste capítulo, onde se diz que ‘JEHOVAH surgirá sobre Ti, e sobre Ti se verá a Sua glória”, e pelas que se seguem, que descrevem a Divina Sabedoria de que o Senhor Se preencherá quanto ao Seu Humano.
[10] Visto que o ‘altar’ no sentido supremo significa o Divino Humano do Senhor, por isso também pelo ‘altar’ é significado o céu e a igreja, pois o céu angélico considerado em si mesmo vem do Divino que procede do Divino Humano do Senhor; daí é que o céu angélico em todo o complexo é como um só Homem e por isso, também, esse céu é chamado Máximo Homem (a cujo respeito se vê mostrado na obra O Céu e o Inferno, n. 59-86), do mesmo modo que a igreja (n. 51 ali). E como todo culto provém do Senhor, pois é o Divino que é comunicado ao homem pelo Senhor, no qual está o Senhor mesmo, assim, pelo ‘altar’ é também significado em geral todo culto que procede do bem do amor, e pelo ‘templo’ o culto que procede do veros provenientes desse bem. Com efeito, todo culto vem ou do amor ou da fé, ou do bem ou do vero. O culto proveniente do bem do amor é como o que existe no reino celeste do Senhor, e o culto proveniente dos veros desse bem, veros esses que se chamam veros da fé, é como o que existe no reino espiritual do Senhor (a cujo respeito também se vê na mesma obra, n. 20-28).
[11] Por aí se pode ver agora o que significado pelo ‘altar’ nas passagens que se seguem. Em David:
“Quão amáveis são os Teus habitáculos, ó JEHOVAH Zebaoth; minha ama desejou, até se consumir, os átrios de JEHOVAH; meu coração e minha carne jubilam pelo Deus vivo; até a ave encontrou casa, e a andorinha ninho para si, Teus altares, ó JEHOVAH Zebaoth, Rei meu e Deus meu; bem-aventurados os que habitam a Tua casa” (Sl. 84:1-4);
pelos ‘altares’ aqui se entendem os céus, pois se diz: ‘quão amáveis são os Teus habitáculos; minha ama desejou, até se consumir, os átrios de JEHOVAH’ e, em seguida, ‘Teus altares, , ó JEHOVAH Zebaoth’. Pelos ‘habitáculos’ se entendem os céus superiores, e pelos ‘átrios’ os céus inferiores, onde fica a entrada, os quais também se chamam ‘altares’ por causa do culto; e como todo culto procede do bem do amor por meio dos veros, por isso se diz: ‘Teus altares, ó JEHOVAH Zebaoth, Rei meu e Deus meu’. Com efeito, o Senhor é chamado ‘JEHOVAH’ por causa do Divino Bem, e ‘Rei’ e ‘Deus’ pro causa do Divino Vero. E visto que aí se entendem os céus, também se diz: ‘bem-aventurados os que habitam a Tua casa’. A ‘casa de JEHOVAH Deus’ é o céu em todo o conjunto. Que também se diga ‘até a ave achou casa, e a andorinha seu ninho’ é porque a ‘ave’ significa o vero espiritual, e a ‘andorinha’ o vero natural, pelos quais há o culto. E como todo vero pelo qual há o culto procede do bem do amor, por isso é dito antes ‘meu coração e minha carne jubilam pelo Deus vivo’; pelo ‘coração’ e pela ‘carne’ é significado o culto pelo prazer do bem.
[12] Pelo ‘altar’ se entendem o céu e a igreja também no Apocalipse:
“Foi-me dada uma cana semelhante a um cajado, e o anjo se pôs [junto a mim] e me disse: Levanta-te e mede o templo de Deus e o altar, e os que adoram nele” (Ap. 11:1);
e depois,
“Ouvi outro anjo dizendo desde o altar: Sim, Senhor Deus onipotente, verdadeiros e justos são os Teus juízos” (Ap. 16:7).
Em David:
“Lavo na inocência as minhas mãos, e circundo o Teu altar, ó JEHOVAH, para que eu faça ser ouvida a voz de confissão” (Sl. 26:6, 7);
‘lavar as mãos na inocência’ significa ser purificado dos males e falsos; ‘circundar o Teu altar, ó JEHOVAH’ significa a conjunção com o Senhor pelo culto proveniente do bem do amor. Como esse culto se faz pelos veros procedentes do bem, por isso se acrescenta ‘para que eu faça ser ouvida a voz de confissão’; ‘fazer ser ouvida a voz de confissão’ é o culto pelos veros. Que ‘circundar o Teu altar, ó JEHOVAH’ signifique a conjunção com o Senhor pelo culto proveniente do bem do amor é porque ‘JEHOVAH’ se diz do bem do amor, e ‘circundar’ significa envolver com o culto, assim, ser conjunto.
[13] Em Isaías:
“Naquele dia haverá cinco cidades na terra do Egito, falando com os lábios de Canaan e jurando a JEHOVAH Zebaoth. Cada uma será chamada Ir Cheres. Naquele dia o altar de JEHOVAH estará na terra do Egito, e em seu limite uma coluna a JEHOVAH” (Is. 19:18-19);
o ‘Egito’ significa o homem natural e o seu conhecimento; ‘naquele dia’ significa o advento do Senhor e, então, o estado daqueles que estão nos conhecimentos verdadeiros pelo Senhor; ‘cinco cidades na terra do Egito falando com lábios de Canaan’ significa muitos veros da doutrina que são os genuínos da igreja; ‘cinco’ são muitos, ‘cidades’ são os veros da doutrina, ‘lábios de Canaan’ são os genuínos doutrinais da igreja; ‘jurando a JEHOVAH Zebaoth’ significa confessando o Senhor; diz-se ‘JEHOVAH Zebaoth’ aqui e em muitas passagens na Palavra e entende-se o Senhor quanto a todo bem e vero, pois ‘zebaoth’ na língua original significa exércitos, e os ‘exércitos’ no sentido espiritual significam todos os bens e veros do céu e da igreja (vide n. 3448, 7236, 7988, 8019); isto é, pois, ‘JEHOVAH Zebaoth’ ou ‘JEHOVAH dos Exércitos’. ‘Cada uma será chamada Ir Cheres’ significa a doutrina cintilando pelos veros espirituais no natural, por ‘Ir’ é cidade, e ‘cidade’ significa a doutrina; ‘Cheres’ é a cintilação como a sol. ‘Naquele dia o altar de JEHOVAH estará no meio da terra do Egito’ significa que então haverá o culto do Senhor pelo bem do amor e pelos conhecimentos verdadeiros que estão no homem natural; ‘altar de JEHOVAH’ significa o culto ao Senhor pelo bem do amor; ‘no meio da terra do Egito’ significa pelos verdadeiros conhecimentos que estão no homem natural. Os verdadeiros conhecimentos são também as cognições do sentido da letra da Palavra; ‘ e uma coluna a JEHOVAH no limite’ significa o culto ao Senhor pelos veros da fé; a ‘coluna’ significa o culto pelos veros da fé, e o ‘limite do Egito’ significa os extremos. Os extremos do homem natural são as coisas do sentido.
[14] No mesmo:
“Quando fizer todas as pedras do altar dispersas como pedras de cal, não ressurgirão os bosques e as estátuas solares” (Is. 27:9);
essas palavras são a respeito de Jacob e Israel, pelos quais é significada a igreja, aqui, que será destruída; a sua destruição quanto aos vero do culto é descrita por ‘fazer as pedras do altar dispersas como pedras de cal’; ‘pedras do altar’ são os veros do culto, ‘dispersas como pedras de cal’ é fazê-los como falsos, sem coerência; ‘não ressurgirão mais os bosques e as estátuas solares’ significa não haverá mais culto algum pelos veros espirituais e naturais; os ‘bosques’ significam o culto pelos veros espirituais, e as ‘estátuas solares’ o culto pelos veros naturais.
[15] Nas Lamentações:
“O Senhor abandonou o seu altar, abominou o seu santuário; confinou nas mãos dos adversários os muros dos seus palácios” (Lm. 2:7).
Trata-se uma lamentação sobre a devastação de tudo da igreja. Que a igreja seja devastada quanto a todos os bens é significado por ‘o Senhor abandonou o seu altar’; que seja devastada quanto a todos os veros é significado por ‘abominou o seu santuário’. Que ‘santuário’ se refira à igreja quanto aos veros, vê-se acima, n. 204. “Confinou nas mãos dos adversários os muros de seus palácios’ significa que os falsos entraram em todas as coisas da igreja; ‘adversários’ significam o mal e o falso; ‘confinar nas suas mãos’ significa que ocuparam e entraram; os ‘muros dos palácios’ significam todos os veros que protegem; ‘palácios’ são as coisas que pertencem à doutrina.
[16] Em Isaías:
“Todo aquele que guarda o sabbath... e que guarda a Minha aliança, Eu os introduzirei no monte de Minha santidade, e os alegrarei na casa de Minha oração; seus holocaustos e seus sacrifícios em beneplácito sobre o Meu altar” (Is. 56:6, 7);
pelo ‘sabbath’ é significada a conjunção do Senhor com o céu e a igreja, assim com os que se acham ali; por isso, ‘guardar o sabbath’ significa estar em conjunção com o Senhor; ‘guardar a Sua aliança’ significa a conjunção por uma vida segundo os preceitos do Senhor; ‘aliança’ é conjunção, e a vida segundo os preceitos conjunta, pelo que os preceitos do Decálogo foram chamados ‘aliança’; ‘introduzi-los-ei no monte de santidade’ significa que os dotará do bem do amor; ‘monte de santidade’ é o céu, onde há o bem do amor ao Senhor, assim, também o bem do amor tal como o que existe ali; ‘alegrá-lo-ei na casa de Minha oração’ significa que os dotará dos veros espirituais; ‘casa de oração’ ou templo é o céu onde estão os veros espirituais, assim, também os veros espirituais tais os que existem ali; ‘seus holocaustos e sacrifícios em beneplácito sobre o Meu altar’ significa o culto pelo bem do amor grato pelo veros espirituais; ‘holocaustos’ significam o culto pelo bem do amor, e ‘sacrifícios’ o culto pelos veros que são provenientes desse bem; são os veros do bem que se chamam veros espirituais; ‘sobre o altar’ significa no céu e na igreja.
[17] Em David:
“Faze bem a Sião, em Teu beneplácito; edifica os muros de Jerusalém; então Te deleitarás em sacrifícios de justiça... e em [ofertas] queimadas; então farão subir bezerros sobre o Teu altar” (Sl. 51:18, 19);
por ‘Sião’ se entende a igreja que está no bem do amor, e por ‘Jerusalém’ a igreja que está nos veros da doutrina; assim, por ‘fazer bem a Sião em beneplácito’ significa restaurar a igreja conduzindo no bem do amor e ensinando nos veros da doutrina; o culto então pelo bem do amor é significado por ‘então Te deleitarás em sacrifícios de justiça e em [ofertas] queimadas’; diz-se ‘justiça’ em relação ao bem celeste, e ‘[oferta] queimada’ significa o amor; e o culto então pelo bem da caridade é significado por ‘então farão subir bezerros sobre o teu altar’; ‘bezerros’ significam o bem natural espiritual, bem esse que é o bem da caridade.
[18] No mesmo:
“Deus JEHOVAH, que nos ilumina; atai com cordas a vítima da festa ??? aos chifres do altar; meu Deus” (Sl. 118:27, 28);
‘iluminar’ significa esclarecer nos veros; ‘atar com cordas a vítima da festa aos chifres do altar’ significa conjuntar todas as coisas do culto; ‘atar com cordas’ é conjuntar, ‘a vítima aos chifres do altar’ são todas as coisas do culto; ‘chifres’ são todas as coisas, porque são os últimos, e ‘vítima da festa’ e ‘altar’ são o culto. Todas as coisas do culto são conjuntas quando os externos são conjuntos aos internos, e quando os bens são conjuntos aos veros.
[19] Em Lucas:
“Será requerido o sangue de todos os profetas derramado desde a fundação do mundo até esta geração, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, morto entre o altar e o templo” (Lc. 11:50, 51);
por essas palavras não se entende que da nação judaica será requerido o sengue dos profetas desde a fundação do mundo, desde o sangue de Abel, pois não se requere de ninguém senão o sangue derramado por ele. Por essas palavras, porém, se entende que por aquela nação foi falsificado todo vero e adulterado todo bem, porque o ‘sangue de todos os profetas derramado desde a fundação do mundo’ significa a falsificação de todo vero que algum dia existiu na igreja; ‘sangue’ é falsificação, ‘profetas’ são os veros da doutrina, e ‘desde fundação do mundo’ é que algum dia existiu na igreja; ‘fundação do mundo’ é a instauração da igreja; ‘desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, morto entre o altar e o templo’ significa a adulteração de todo bem e, assim, a extinção do culto ao Senhor; ‘sangue desde Abel até Zacarias’ é a adulteração de todo bem; ‘morto entre o altar e o templo’ é extinguir todo bem e todo vero no culto, porque ‘altar’ significa o culto pelo bem, e ‘templo’ o culto pelo vero, como foi dito acima; a conjunção é entre um e outro, e onde não há com não bem nem vero. O altar ficava fora da tenda da congregação e fora do templo; assim, o que se fazia entre um e outro significava a comunicação e a conjunção (vide nos Arcanos Celestes, n. 10001 e 10025; e que ‘Abel’ signifique o bem da caridade, n. 342, 374, 1179 e 3325). Que não se deva entender Abel nem Zacarias aqui no sentido espiritual vê-se pelo fato de que os nomes na Palavra significam coisas.
[20] Em Mateus:
Jesus disse: “Se trouxeres a tua oferta ao altar, e ali recordares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta diante do altar, e vai antes reconciliar-te com o irmão, e então vem e oferece a tua oferta” (Mt. 5:23, 24);
pela ‘trazer oferta ao altar’ se entende no sentido espiritual prestar culto a Deus, e por prestar culto a Deus se entende o culto tanto interno quanto externo, ou seja, que é do amor e da fé e, assim, da vida. Entende-se isso porque o culto na Igreja Judaica consistia principalmente em sacrifícios ou oferendas no altar, e o principal é assumido em lugar do todo. Por aí se pode ver que se entende no sentido espiritual por essas palavras do Senhor, ou seja, que o culto Divino primário consiste na caridade para com o próximo e não na piedade sem a caridade. ‘Trazer oferta ao altar’ é o culto pela piedade, e ‘reconciliar-se com o irmão’ é o culto pela caridade; este é verdadeiramente o culto, e um é tal qual é o outro. (Sobre este assunto, vide Doutrina da Nova Jerusalém, n. 123-129 e, na obra O Céu e o Inferno, n. 222, 224, 358-360, 528, 529 e 535; e acima, n. 325).
[21] Que ‘se trouxeres a tua oferta ao altar’ signifique em todo culto, vê-se pelas palavras do Senhor em Lucas 17:4 [Mt. 18:22), onde se diz a todo tempo se deve perdoar o irmão ou próximo; ‘setenta vezes sete’ ali significa continuamente. Visto que o ‘altar’ significa essas coisas, por isso o altar foi feito ou de madeira, ou de humo ou de pedras inteiras sobre as quais não se movera ferro, e também envolto por bronze. Que tenha sido feito de madeira era porque a ‘madeira’ significa o bem, do mesmo que quando feito de humo, pois o humo significa o mesmo. Que tenha sido feita de pedras inteiras era porque essas ‘pedras’ significavam os veros formados do bem, ou o bem em forma; e para que não entrasse juntamente algo da própria inteligência para formar esse bem, foi proibido que essas pedras fossem preparadas por algum martelo, machado ou ferro. O fato de ‘serem envoltos por bronze’ significava que assim representasse o bem em toda parte, pois o ‘bronze’ significa o bem nos externos.
[22] Que o altar tenha sido feito de maneira, vê-se em Moisés:
“Fareis um altar de madeira schittim, com cinco cúbitos de comprimento e... largura, será quadrado; ...e lhe fará chifres; ...e lhe fará um crivo, obra, obra de rede de bronze... oco, de tábuas, farás” (Êx. 27:1-8);
e em Ezequiel:
“O altar era de madeira, três côvados de altura, e o seu comprimento duas côvados; os seus ângulos, sua largura e as suas paredes, eram de madeira. Então falou a mim: Esta é a mesa que está diante de JEHOVAH” (Ez. 41:22);
que o altar tenha sido feito de madeira e coberto de bronze foi também por casa do uso, para que pudesse ser carregado e transferido de um lugar para outro no deserto, onde então estavam os filhos de Israel, e também porque a ‘madeira’ significa o bem, e a ‘madeira schittim’ significa o bem da justiça ou do mérito do Senhor. (Que a ‘madeira’ signifique o bem, vê-se nos n. 643, 3729 e 8354; e que a ‘madeira schittim’ signifique o bem da justiça ou do mérito que é do Senhor somente, n. 9472, 9486, 9528, 9715 e 10178). Que, porém, o altar tenha sido edificado [também] de humos e, se de pedras, que fosse de pedras inteiras e não cortadas por algum instrumento de ferro, vê-se também em Moisés:
“Um altar Me farás, para que sacrifiques sobre ele os teus holocaustos e teus sacrifícios de ações de graças. Se Ne fizeres um altar de pedras, não o edificarás com elas cortadas, pois o profanarás se moveres sobre elas o cinzel” (Êx. 20:24-25).
“Se o altar for edificado de pedras, não se baterá o ferro nas pedras” (Dt. 27:5, 6);
[23] Até aqui se mostrou o que é significado pelo ‘altar’ no sentido genuíno, do que se vê o que é significado pelo ‘altar’ no sentido oposto, a saber, o culto idolátrico ou o culto infernal, que existe somente naqueles que professam alguma religião mas, no entanto, amam a si mesmos e ao mundo sobre todas as coisas e assim adoram; e, quando fazem isso, amam o mal e o falso. Por isso, quando se trata desses, pelo ‘altar’ é significado o culto pelo mal, e pelas ‘estátuas’, que também havia entre eles, é significado o culto pelo falso e, por conseguinte, também o inferno. Que isto seja significado pelo ‘altar’ no sentido oposto, vê-se pelas passagens que se seguem. Em Isaías:
“Naquele dia o homem olhará para seu Feitor, e os seus olhos contemplarão o Santo de Israel; e não olhará para os altares, obras de suas mãos, e o que os seus dedos fizeram não contemplará55, nem para os bosques nem para as estátuas56” (Is. 17:7, 8).
Essas palavras são a respeito da instauração de uma nova igreja pelo Senhor. Que ‘o homem naquele dia olhará para seu Feitor, e seus olhos contemplarão o Santo de Israel’ entende-se que então serão conduzidos aos bens da vida e instruídos nos veros da doutrina; o Senhor é chamado ‘Feitor’ porque conduz aos bens da via, pois estes fazem o homem, e ‘Santo de Israel’ porque ensina os veros da doutrina; por isso também se diz que o ‘homem olhará’ e ‘seus olhos contemplarão’. O homem é chamado ‘homem’ pelo bem da vida, e ‘olhos’ se referem ao entendimento do vero, por conseguinte, os veros da doutrina; ‘não olhará para os altares, obras de suas mãos, e para o que os seus dedos fizeram não contemplará’ 57 significa que então não haverá o culto proveniente do amor próprio, do que surgem os males da vida, nem da própria inteligência, da qual surge os falsos da doutrina; pelos ‘altares, obras de suas mãos’, entende-se o culto pelo amor próprio, do qual procede o mal da vida, e por ‘que os seus dedos fizerem’ se entende o culto pela própria inteligência, da qual surgem os falsos da doutrina; pelos ‘bosques e pelas estátuas’ é significada a religiosidade pelos falsos e, daí, os males; pelos ‘bosques’, a religiosidade proveniente dos falsos, e pelas ‘estátuas’, proveniente dos males do falso.
[24] Em Jeremias:
“O pecado de Judah foi escrito com pena [stylo] de ferro, com ponta [scalpro] de diamante, esculpido sobre a tábua de seu coração e nos chifres de vossos altares, assim como Me lembro dos seus filhos, dos seus altares e dos seus bosques com árvore verde sobre as altas colinas” (Jr. 17:1, 2).
Por essas palavras se descreve que o culto idolátrico da nação judaica fora tão enraizado que não era possível ser removido. Que tenha sido tão enraizado que não pudesse ser removido é o que significa “o pecado de Judah foi escrito com pena de ferro, com ponta de diamante, esculpido sobre a tábua do seu coração e nos chifres de seus altares’. O falso enraizado se entende por ‘escrito com pena de ferro e ponta de diamante, e o mal enraizado se entende por ‘esculpido sobre a tábua do coração, e nos chifres dos seus altares’; diz-se ‘sobre os chifres dos altares porque se entende o culto idolátrico; os ‘filhos’ de que se lembra significam os falsos do mal; os ‘altares’ significam esse culto proveniente do mal, os ‘bosques com a árvore verde’ significa esse culto proveniente do falso e ‘sobre as altas colinas’ significa a adulteração do bem e a falsificação do vero. Com efeito, naquele tempo, quando todas as coisas do culto eram representativas das coisas celestes e espirituais, eles prestavam o culto nos bosques e sobre as colinas, porque as ‘árvores’ de que os bosques consistem, significam as cognições e as percepções do vero e do bem, e isto segundo as espécies de árvores. E como as ‘colinas’ significavam os bens da caridade, nos quais estão os anjos espirituais – que, no mundo espiritual, habitam sobre as colinas – daí era que o culto nos tempos antigos era praticado sobre as colinas. Isto, porém, foi proibido à nação judaica e israelita, para que não profanassem as coisas santas que eram representadas, porque aquela nação estava somente nos externos quanto ao culto; o interno deles era meramente idolátrico. (Que as ‘árvores’ signifiquem as cognições e as percepção do vero e do bem segundo as espécies delas, vê-se nos n. 2163, 2682, 2722, 2972 e 7692; que daí os antigos tenham praticado o culto Divino nos bosques, sob as árvores, segundo as suas significações, n. 2722 e 4552; que isto tenha sido proibido à nação judaica e israelita, e a razão disso, n. 2722; que as ‘colinas’ signifiquem os bens de caridade, e a razão disso, n. 6435 e 10438).
[25] Em Oséias:
“Vinha vazia é Israel, dá fruto semelhante a si mesmo; quando é muito o seu fruto, multiplica os altares; quando vai bem a sua terra, fazem boas as estátuas. ???? O coração deles está dividido (adblanditur ???), já foram desolados; ele destruirá os seus altares, devastará as suas estátuas” (Os. 10:1, 2);
‘Israel’ aqui significa a igreja, que se chama ‘vinha vazia’ quando não há mais vero; seu culto proveniente dos males se entende pelos ‘altares’ que ela multiplica, e o culto proveniente dos falsos pelas ‘estátuas’ que faz boas. Que façam isso quando estão em abundância é significado por ‘quando é muito o seu fruto’ e ‘quando vai bem a sua terra’. Que o culto proveniente dos males e dos falsos será destruído é significado por ‘destruirá os seus altares e devastará as suas estátuas’. (Que as ‘estátuas’ tenham significado o culto pelos veros e, no sentido oposto, o culto pelos falsos, portanto, o culto idolátrico, vê-se nos n. 3727, 4580 e 10643).
[26] Em Ezequiel:
“Assim disse o Senhor Jehovih aos montes, e às colinas, e às ravinas [alveis] ??? e aos vales: Eu trago sobre vós a espada, e farei perecer vossos lugares altos, e serão destruídos os vossos altares e quebradas as vossas estátuas solares; sim, farei cair os vossos traspassados diante de vossos ídolos” (Ez. 6:3, 4, 6, 13).
‘Disse o Senhor Jehovih aos montes, colinas, ravinas e vales’ não significa a todos os que habitam ali, mas a todos os idólatras, ou seja, os que instituíram o culto sobre os montes e colinas e nas ravinas e vales, coisa que ele fizeram por causa das representações e, assim, das significações desses lugares; ‘trazer sobre vós a espada e fazer perecer os lugares altos, destruir os altares e quebrar as estátuas solares’ significa destruir todas as coisas do culto idolátrico por meio dos falsos e males, porque por estes o culto idolátrico destrói-se a si mesmo, pois a ‘espada’ significa os falsos que destroem, os ‘lugares altos’ significam o culto idolátrico em geral, os ‘altares’ significam os mesmos pelos maus amores e as ‘estátuas solares’ os mesmos pelos falsos da doutrina; ‘fazer cair os traspassados diante dos ídolos’ significa a danação daqueles que perecem pelos falsos; ‘traspassados’ significam os que perecem pelos falsos, ‘ídolos’ significam os falsos do culto em geral, e ‘cair’ significa ser condenado.
[27] Em Oséias:
“Efraim multiplicou os altares para pecar; fizeram para ele altares para pecar” (Os. 8:11);
por ‘Efraim’ é significado o entendimento da igreja, aqui, o entendimento pervertido; ‘multiplicar altares para pecar’ significa perverter o culto pelos falsos, ‘ fazer altares para pecar’ significa perverter o culto pelos males, pois na Palavra ‘multiplicar’ se diz dos veros e, no sentido oposto, dos falsos, e ‘fazer’ se diz dos bens e, no sentido oposto, do mal; daí é que estas duas coisas são mencionadas sem ser, todavia, uma vã repetição.
[28] No mesmo:
“Samaria foi cortada, seu rei é como espuma sobre a face das águas; e destruirão os lugares altos de Aven, pecado de Israel; cardo [tribulum] e espinhos sobem sobre os seus altares” (Os. 10:7, 8);
por ‘Samaria’ é significada a igreja espiritual ou a igreja em que a caridade e a fé fazem um só; depois, porém, que a igreja se fez pervertida, então, por ‘Samaria’ é significada a igreja em que a caridade foi separada da fé, e a fé é mesmo citada como a essencial. Por isso, por ela também é significado onde não há mais vero por não haver bem, mas, em lugar do bem, o mal da vida, e, em lugar do vero, o falso da doutrina. Isto é significado aqui por ‘Samaria foi cortada’; o falso de sua doutrina é significado por ‘seu rei, que é como espuma sobre a face das águas’; o ‘rei’ significa o vero e, no sentido oposto, como aqui, o falso; a ‘espuma’ sobre a face das águas significa vazio e separado dos veros; as ‘águas’ são os veros; por ‘serem destruídos os lugares altos de Aven’ é significado que são destruídos os princípios do falso e, daí, os raciocínios que há naqueles que estão nesse culto que, considerado em si mesmo, é interiormente idolátrico, pois os que estão no mal da vida e nos falsos da doutrina adoram a si mesmos e ao mundo. Por ‘cardo e espinho sobem sobre os seus altares’ é significado que o vero falsificado e o mal daí está em todo o culto deles; os ‘altares’ são todas as coisas do culto.
[29] Em Amós:
“Naquele dia em que hei de visitar as prevaricações de Israel sobre ele, visitarei os altares de Betel, para que sejam cortados os chifres do altar e caiam por terra” (Am. 3:14);
por ‘visitar as prevaricações de Israel sobre ele’ é significado no sentido espiritual o último estado deles, após a morte, quando deve ser julgados; diz-se ‘visitar’ em vez de julgar porque uma visitação sempre precede o juízo. Pelos ‘altares de Betel’ é significado o culto pelo mal; pelos ‘chifres do altar’ é significado o culto pelos falsos. Assim, por essas palavras são significadas todas as coisas do culto; que elas devam ser destruídas é significado por ‘para que sejam cortados os chifres do altar e caiam por terra’. Diz-se que ‘visitará os altares de Betel’ porque Jeroboão separou os israelitas dos judeus erigiu dois altares, um em Betel e o outro em Dan; e visto que por ‘Betel’ e por ‘Dan’ são significados os últimos na igreja, e os últimos no homem da igreja se chamam naturais sensuais, ou naturais mundanos e corporais, por isso essas coisas são significadas por ‘Bethel’ e ‘Dan’; por ‘Betel’ o último do bem e por ‘Dan’ o último do vero; assim, por esses dois ‘altares’ é significado o culto no últimos ou nos extremos, culto esse que existe naqueles que separam a caridade da fé e reconhecem esta última somente como meio de salvação. Esses, por conseguinte, pensam a respeito da religião no natural sensual. Por causa disso, todas as coisas que dizem crer, eles não as entendem nem querem entender, dizendo que o entendimento deve estar na obediência à fé; e como são tais, foram representados pelos israelitas separados dos judeus, ou por Samaria separada de Jerusalém, e o culto deles foi representado pelos altares em Betel e em Dan. Esse culto, já que é separado da caridade, é um culto nulo, pois nele a boca fala sem o entendimento e sem a vontade, ou sem a mente. Sem o entendimento, porque dizem que se deve crer ainda que não se entenda, e sem a vontade, porque removem as ações ou os bens da caridade.
[30] Que esse culto seja nulo é o que significam essas palavras no Primeiro Livro dos Reis:
Quando Jeroboão se pôs junto ao altar em Betel, um varão de Deus clamou a ele dizendo que o altar seria fendido e as cinzas espalhadas, o que de fato se fez (1Re. 12:26 ao fim; 13:1-6).
Que esse culto era completamente nulo é significado pelo fato de que ‘o altar seria fendido e as cinzas espalhadas’. Que a fé separada da caridade seja então significada por ‘Samaria’ é porque o reino judaico significava a igreja celeste ou a igreja que está no nem do amor, e o reino israelita significava a igreja espiritual, que está nos veros desse bem. Isto foi significado pelo reino judaico e israelita quando estavam sob um único rei, ou quando eram conjuntos. Quando, porém, se separaram, então pelo reino de Israel foi significado o vero separado do bem, ou, o que é o mesmo, a fé separada da caridade. Além disso, o culto é significado pelo ‘altar’ porque pelos ‘holocaustos’ e ‘sacrifícios’ eram oferecidos sobre ele, conforme muitas passagens que, por sua abundância, não serão citadas. E como o culto idolátrico foi significado pelo ‘altar das nações’ por isso foi ordenado que fossem destruídos em todos os lugares (vide Dt. 7:5; 12:3; Jz. 2:2 e outras passagens).
[31] Pelo que é evidente que os altares tinham sido usados por toda a posteridade de Eber, assim, por todos os que eram chamados hebreus, os quais estiveram na terra de Canaan quanto à sua maior parte, e na região próxima ao redor dessa terra, e também na Síria, de onde veio Abrão. Que eles tenham estado na terra de Canaan e na região próxima em redor dela vê-se pelos altares que ali foram mencionados e destruídos.
Na Síria, vê-se pelos altares edificados por Balaão, que era da Síria (Nm. 23:1);
Pelos altares em Damasco (2Re. 16:10-15);
E pelo fato de que os egípcios abominavam os hebreus por causa dos sacrifícios (Êx. 8:26), ao ponto de não quererem comer pão com eles (Gn. 43:32).
A razão disso era porque a Igreja Antiga, que foi uma igreja representativa e se estendeu por muitos lugares do mundo asiático, desconheceu os sacrifícios e os considerou como abomináveis quando foram instituídos por Eber, pelo fato de se querer aplacar Deus pelo abate de diversos animais e, assim, pelo sangue. Entre os que foram da Igreja Antiga estavam também os egípcios, mas a igreja com eles foi extinta, porque aplicaram os representativos à magia. O fato de não querem comer pão com os hebreus era porque naquele tempo os almoços e as ceias naquele tempo representavam e, assim, significavam as consorciações espirituais, como é a consorciação e a conjunção pelas coisas que são da igreja, e pelo ‘pão’ em geral era significada toda comida espiritual; por conseguinte, pela almoço e pela ceia era significada toda conjunção.
[32] (Que a Igreja Antiga tenha-se estendido por muitas regiões do mundo asiático, a saber, Assíria, Mesopotâmia, Síria, Etiópia, Arábia, Líbia, Egito, Filístia até Tiro e Sidon, terra de Canaan além e além do Jordão, vê-se nos n. 1238 e 2385; que ela tenha sido uma igreja representativa, n. 519, 521 e 2896; sobre a igreja instituída por Eber, chamada Igreja Hebraica, n. 1238, 1241, 1343, 4516 e 4517; que os sacrifícios tenham começado primeiro por Eber e depois tenha sido costume de sua posteridade, n. 1128, 1343, 2180 e 10042; que os sacrifícios não tenham sido ordenados, mas somente permitidos, mostrado pela Palavra; a razão por que se diz que foram ordenados, n. 922, 2180 e 2818; e como a Palavra foi escrita com aquela gente, e a Palavra histórica trata daquele gente, os altares e sacrifícios não poderiam deixar de ser nomeados e por eles o culto Divino fosse significado, n. 10453, 10461 e 10603-10604).

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