. (Vers. 11) “E foram dadas, a cada um, estolas brancas”. Que isto signifique o Divino Vero proveniente do Senhor neles, e a proteção, vê-se pela significação de ‘estolas brancas’, que é o Divino Vero proveniente do Senhor, porque ‘estola’ significa o vero no geral, porque é uma vestimenta geral, e ‘branco’ se diz dos veros que vêm do Senhor. Com efeito, o branco é da luz, e a luz procedente do Senhor como Sol é em sua essência o Divino Vero. Que ‘foram dadas, a cada um, estolas brancas’ também seja significada a proteção, dir-se-á abaixo, mas primeiro se dirá de onde vem que ‘estola branca’ significa o Divino Vero do Senhor. Todos os espíritos e anjos se vestem segundo a sua inteligência, ou segundo a recepção do vero na vida, pois isto é a inteligência. De fato, a luz da inteligência deles é formada nas vestes, as quais, quando daí foram formadas, não somente aparecem como vestes mas também são vestes, porque todas as coisas que existem no mundo espiritual e aparecem perante os seus olhos existem pela luz e pelo calor que procedem do Senhor como Sol. Dessa origem foram criadas e formadas não somente todas as coisas no mundo espiritual, mas também todas as coisas no mundo natural, pois o mundo natural existe e subsiste pelo mundo espiritual desde o Senhor. Daí se pode ver que as aparências que existem no céu perante os anjos são inteiramente reais, assim também as vestes. Visto que os espíritos e os anjos se vestem segundo a inteligência, e toda inteligência é do vero, e a inteligência angélica é do Divino do vero, por isso eles se vestem segundo os veros, pelo que as ‘vestes’ significam os veros. As vestes que estão próximas ao corpo, e daí interiores, significam os veros interiores, mas as vestes que estão em voltam e as envolvem aquelas significam os veros exteriores; daí ‘estola’, ‘toga’ e ‘manto, que são vestimentas gerais, significam os veros no geral, e ‘toga branca’ o Divino Vero no geral que há neles pelo Senhor. (Vide, porém, a respeito das vestes com que os anjos se vestem, as coisas que foram mostradas na obra O Céu e o Inferno, n, 177-182, e que foram ditas acima sobre a significação das vestes, n. 64, 65, 195 e 271). [2] Que as ‘estolas brancas dadas aos que estavam sob o altar’ também signifiquem a proteção do Senhor é porque ‘estolas brancas’ que lhe foram dadas representavam a presença do Senhor com o Divino Vero em volta deles, e o Senhor pelo Divino Vero os protege, pois os circumdacom uma esfera de luz, da qual têm estolas brancas. Quando são envolvidos por elas, não podem mais ser infestados pelos maus espíritos, pois, como acima se disse, eram infestados por eles e por isso foram ocultos pelo Senhor. Isto também acontece com aqueles que são elevados ao céu pelo Senhor; são então vestidos de vestimentas brancas, que é um indício de que estão no Divino Vero e, assim, na proteção. Mas, a respeito desses que foram vestidos de estolas brancas, mais coisas serão vistas na explicação do capítulo seguinte (nos versículos 9, a 13 a 17 ali). [3] Que a ‘estola’, a ‘toga’ e o ‘manto’, signifiquem o Divino Vero no geral, pode-se ver também pelas seguintes passagens. Em Zacarias: “Os profetas ficarão envergonhados, cada um por causa de sua visão que profetizou, nem vestirão mais a toga de pelo para mentirem” (Zc. 13:4); pelos ‘profetas’ são significados os que ensinam os veros da Palavra, e, no sentido abstrato, os veros da doutrina da Palavra; e como essas coisas eram significadas pelos ‘profetas’, por isso se vestiam de togda de pelo, porque a ‘toga de pelo’ significava o Divino Vero nos últimos, que é o Divino Vero no geral; pois o último contem todos os interiores; o ‘pelo’ também significa o último. Daí era que também Elias, por causa de sua toga, foi chamado de “Varão peludo” (2 Re. 1:7, 8). E João Batista (que foi como Elias, porque representava coisa semelhante) tinha “Vestimenta de pele de camelo” (Mt. 3:4). Por estas explicações é evidente o que é significado pelo fato de que os profetas ‘não vestiriam mais toga de pelo para mentirem’, isto é, não diriam que os veros são falsos e os falsos são veros; ‘mentir’ significa isso. [4] Porquanto Elias representou o Senhor quanto à Palavra, que é a doutrina mesma do vero, e Eliseu continuou a representação, e como a ‘toga’ significava o Divino Vero no geral, que é a Palavra nos últimos, por isso a toga de Elias passou a ser de Eliseu ??? (falta no inglês) , e também pela toga de Elias foram divididas as águas do Jordão, segundo estas palavras no Livro dos Reis: Quando Elias encontrou Eliseu, “lançou sua toga sobre ele” (1 Re. 19:19); “Elias tomou a sua toga suam e a dobrou, e feriu as águas” do Jordão, “que se dividiram aqui e ali, e passaram ambos em seco” (2 Re. 2:8): “Eliseu, vendo” que Elias foi arrebatado ao céu num turbilhão, ergueu a toga de Elias, a qual caíra de sobre ele, “e voltou e parou à beira do Jordão; tomou a toda... e feriu as águas... que se dividiram aqui e ali, e passou” (2 Re. 2:12-14); Que ‘Elias tenha lançado a toga sobre Eliseu’ significava que transferia a Eliseu a representação do Senhor quanto à Palavra; e que ‘a toga tenha caído de Elias quando foi arrebatado e tenha sido tomada por Eliseu’ significava que essa representação foi passada para Eliseu, pois Elias e Eliseu representavam o Senhor quanto à Palavra, e se vestiram segundo aquilo que representeavam; e a ‘toga’ significava Palavra nos últimos, que é o Divino Vero no geral, ou o Divino Vero em todo o conjunto. Que ‘pela toga de Elias tenham-se dividido as águas do Jordão’, primeiro por Elias e depois por Eliseu, significava o poder do Divino Vero nos últimos; também, as ‘águas do Jordão’ significavam os veros primários pelos quais se é introduzido na igreja, e esses veros primários são os que se acham na Palavra nos últimos. Daí também se pode ver que ‘toga’ e ‘estola’ significam o Divino Vero no geral. (Que Elias tenha representado o Senhor quanto à Palavra, e Eliseu semelhantemente, vide nos n. 2762 e 5247. Que o último contenha os interiores e, daí, signifique todas as coisas no geral, n. 634, 6239, 6465, 9215, 9216 e 9828. Que, daí, no últimos haja a força e o poder, n. 9836. Que o ‘Jordão’ signifique a introdução na igreja, e que assim as ‘águas do Jordão’ signifiquem os veros primários pelos quais se é introduzido, n. 1585 e 4255. Que as ‘águas’ sejam os veros, acima, n. 71). Os veros primários são também os últimos, quais são os da Palavra no sentido da letra, pois por eles se faz a introdução, uma que eles são os primeiros aprendidos e neles estão todas as coisas interiores que fazem o sentido interno da Palavra. [5] Quem não sabe o que a ‘estola’ ou ‘toga’ significa, também não sabe o que significa o ‘manto’, pois o manto, assim como a toga, era uma vestimenta geral, uma vez que envolvia a túnica ou a vestimenta interior, pelo que tem semelhante significação. Daí, tampouco sabe o que significou o fato de Saul ter rasgado a orla do manto de Samuel, de David ter cortado a orla do manto de Saul, de Jônatas ter a dado a Davi seu manto e suas vestes e de as amigas das filhas do rei terem mantos de retalhos de várias cores, e muita outras coisas onde se nomeiam mantos na Palavra. A respeito de Saul, que rasgou a orla do manto de Samuel, lê-se: “Voltou-se Samuel para sair, mas pegou-lhe a orla de seu pálio, e se rasgou; e disse Samuel: Hoje JEHOVAH rasgou o reino de Israel de sobre ti, e o teu a teu companheiro, que é melhor do que tu” (1 Sm. 15:27, 28): pelas palavras de Samuel é evidente que ‘rasgar a orla do manto’ significava a divisão do reino de Saul, pois disso, depois que isso ocorreu, ‘Hoje JEHOVAH rasgou o reino de Israel de sobre ti’. Com efeito, pelo ‘rei’ e pelo ‘reino’ é significado o Divino Vero da igreja, e pela ‘orla do manto’ é significado o Divino Vero nos últimos ou tudo no geral. Os reis instituídos sobre os filhos de Israel representavam o Senhor quanto ao Divino Vero, e o reino deles significava a igreja quanto ao Divino Vero; por isso, por esse relato histórico é significado que o rei Saul não podia mais representar, porque não era tal que o pudesse, e que de outro modo o representativo da igreja pereceria. (Que os reis tenham representado o Senhor quanto ao Divino Vero, e que, assim, o ‘reino’ tenha significado a igreja quanto ao Divino Vero, vide acima, n. 29, 31). [6] O mesmo é significado por David ter cortado a orla do manto de Saul, a cujo respeito se lê: David entrou na caverna onde estava Saul, e cortou a orla de seu manto; e quando depois a mostrou a Saul, disse-lhe Saul: Agora sei que reinarás, e o reino de Israel há de se firmar em tua mão” (1 Sm. 24:3-5, 11, 20); isso David fez pela Divina Providência, para que fosse representado o que se disse acima, pois pela ‘orla do manto’ e pelo ‘rei Saul’ e seu ‘reino’ são significadas coisas semelhantes. [7] O mesmo também é significado por Jônatas, filho de Saul, ter-se despido de seu manto e suas vestes e tê-las dado a David, a cujo respeito assim se lê: ‘Despiu-se Jônatas do manto que havia sobre ele e o deu a David, e as suas vestes, e até mesmo a sua espada, e até seu arco, e até o seu cinto” (1 Sm. 18:4); por essas ações foi significado que Jônatas, o herdeiro do reino, transferia todo o seu direito a David, pois todas aquelas coisas que ele deu a David eram representativas do reino, isto, do Divino Vero da igreja, que Saul representava, porque, como foi dito acima, todos os reis que os filhos de Israel tiveram representaram o Senhor quanto ao Divino Vero, e o reino deles representou a igreja quanto ao Divino Vero. [8] Como os ‘mantos’ e as ‘togas’ significavam o Divino Vero no geral, por isso “As filhas virgens do rei vestiam togas de retalhos de várias cores” (2 Sm. 13:18); as ‘filhas virgens do rei’ significavam as afeições do vero e, daí, a igreja, como se pode ver por mil passagens na Palavra onde se nomeia ‘filha do rei’, ‘filha de Sião’ e ‘filha de Jerusalém’, e também ‘virgem de Sião’ e ‘virgem de Jerusalém’. Por isso, também, as filhas do rei representavam pelas vestes os veros dessa afeição, e no geral pelas togas, que daí eram de retalhos de várias cores; assim também são representados os veros do bem ou os veros da afeição pelas vestes de virgens no céu, veros esses que são mais amplamente descritos pelas “Vestes da filha do rei” em David (Sl. 45:9, 10, 13, 14). [9] Visto que o luto nas Igreja Antigas significava o luto espiritual, que é por causa da privação do vero, por isso essa privação era representada no luto pelo fato de rasgarem suas togas ou seus mantos, como se vê em Jó: Como perdera todas as coisas, Jó “então levantou-se, rasgou a sua toga... e disse: Nu saí do útero de minha mãe, e nu voltarei” (Jó 1:20, 21); e, em outra passagem, Três amigos de Jó, quando o viram, “choraram e rasgaram os seus mantos’ (Jó 2:12). (Que ‘rasgar as vestes’ tenha sido um representativo de luto, por causa perdido ou destruído, vê-se no n. 4763). E, além disso, em Ezequiel: “Descerão de seus tronos todos os príncipes do mar, e lançarão fora os seus mantos, e tirarão suas vestes de bordados, e se vestirão de terror, sentar-se-ão sobre a terra” (Ez. 26:16); estas palavras foram ditas a respeito de Tiro, por quem era significada a igreja quanto às cognições do vero e do bem, aqui a igreja onde elas foram destruídas; que não mais haveria os veros pelos quais há a igreja é significado por ‘descerão de seus tronos todos os príncipes do mar’; os ‘príncipes do mar’ são os conhecimentos primários verdadeiros; ‘descer dos tronos’ significa que foram destruídos, e, assim, que não há inteligência alguma; o mesmo é significado por ‘lançarem fora os seus mantos, e tirarem as suas vestes de bordado’; os ‘mantos’ são os veros no geral, e as ‘vestes de bordado’ são as cognições do vero; a danação daí é significada por ‘vestir-se-ão de terror, sentar-se-ão sobre a terra’. [10] Em Miquéias: “Meu povo estabeleceu para si um adversário por causa da veste; tirais a toga dos que passam seguramente, dos que voltam da guerra” (Mq. 2: 8); por estas palavras não é significado que os filhos de Israel tenham estabelecido um inimigo por causa das vestes e que tenham tirado a toda dos que passavam seguramente, mas que tiveram como inimigos aqueles que pronunciavam os veros, e privaram de todo vero aqueles que viviam no bem afastavam os falsos; ‘veste’ é o vero; ‘toga’ é todo vero, porque é o vero no geral; ‘passar seguramente’ é viver no bem; ‘os que voltam da guerra’ são os que afastam o falso; ‘guerra’ é a luta do vero contra o falso. Quem não pode que isto é o espiritual da Palavra, e não que eles tenham tido por inimigo a veste e tenham tirado a túnica dos que passavam? [11] Em Mateus, Os escribas e fariseus ‘fazem todas as suas obras para que sejam vistos pelos homens, e alargam seus filactérios, e aumentam as franjas de seus mantos” (Mt. 34:5); os escribas e fariseus faziam isso, mas, ainda assim, por essas ações era representado e significado que falavam muitas coisas dos últimos da Palavra e as aplicavam à vida e às suas tradições, mas isso a fim de parecerem santos e eruditos; pelos ‘filactérios’ que eles alargavam são significados os bens na forma externa, pois ficavam sobre as mãos, e pelas ‘mãos’ são significados os feitos, porque as mãos os fazem; e pelas ‘franjas dos mantos’ que eles aumentavam eram significados os veros externos; os veros externos são os que se acham no sentido último da letra; ‘mantos’ são os veros no geral, e ‘franjas’ são os seus últimos. (Que as ‘franjas dos mantos’ signifiquem tais veros, vê-se nos Arcanos Celestes, n. 9917). [12] Em Isaías, “Alegrar-me-ei em JEHOVAH, minha alma exultará em meu Deus, porque me vestiu com as vestes da salvação, com um manto de justiça me cobriu” (Is. 61:10); ‘alegrar-se em JEHOVAH’ significa no Divino Bem, ‘exultar em Deus’ significa no Divino Vero, pois se diz Senhor ‘JEHOVAH’ pelo Divino Bem, e ‘Deus’ pelo Divino Vero, e todo regozijo vem destes: ‘vestir as vestes de salvação’ significa instruir e dotar de veros; e ‘cobrir com manto de justiça’ significa preencher todo vero do bem; ‘manto’ é todo vero porque é o vero no geral, e ‘justiça’ se diz do bem. [13] No mesmo: “Vestiu-se com as vestes da vingança, e cobriu-Se de zelo como de um manto” (Is. 59:17); estas coisas foram ditas a respeito do Senhor e a respeito da Sua luta com os infernos, porque, quando esteve no mundo, repôs na ordem todas as coisas nos infernos e nos céus, e isto pelo Divino Vero proveniente do Divino Amor: ‘vestes da vingança’ significam os veros pelos quais age; ‘zelo como um manto’ significa o Divino Amor do qual age; diz-se ‘manto’ porque é significado pelos Divinos veros a partir do Divino Amore (O que significa, porém, o ‘manto do éfode’ com que Aarão se vestiu, sobre cujas franjas havia romãs e sinetas, de que se fala em Êx. 28:31-35 e Lv. 8:7, vide nos Arcanos Celestes, n. 9910-9928.)