. “Até que se completassem, e dos seus conservos e seus irmãos, que seriam mortos assim como eles também”. Que isto signifique até que os males fossem consumados vê-se pela significação ‘até que se completassem’ que é quando fossem consumados; e pela significação de ‘e dos seus conservos e seus irmãos, que seriam mortos assim como eles também’, que são os males, pois matá-los é o mal; pelos ‘conservos’ se entendem os que estão nos veros, e pelos ‘irmãos’ se entendem os que estão nos bens; mas por ‘conservos e irmãos’ juntamente se entendem os que estão nos veros do bem, pois os dois são conjuntos em um só no sentido interno. Em algumas passagens na Palavra se diz ‘consumação’ e também ‘ quando os males forem consumados’, mas quase ninguém hoje sabe o que é significado por isto. Acima (em três artigos, n. 391, 392 e 394) foi dito que o primeiro céu tinha consistido dos tais que viveram uma vida moral nos externos e, todavia, foram maus nos infernos, e que esses tinham habitado em lugares altos no mundo espiritual e supunham, daí, que estivessem no céu. Esses, porquanto tinham sido maus interiormente, não toleravam consigo os que tinham sido interiormente bons, e isto por causa da discrepância das afeições e dos pensamentos, pois todas as consorciações no mundo espiritual se fazem segundo a concordâncias das afeições e dos pensamentos daí, uma vez que os anjos e os espíritos não são outra coisa senão afeições e os pensamentos daí, em forma humana; e como os que estavam nos altos eram assim, não puderam suportar a presença daqueles que eram interiormente bons, pelo que os expulsaram de si, e onde quer que os viam, os agrediam com males e censuras ???; por isso, foram pelo Senhor postos à salvo da violência deles, ocultos sob o céu e guardados. Isto se fez desde o tempo em que o Senhor esteve no mundo até o tempo em que se fez o juízo; então, os que estavam sobre os lugares altos foram precipitados, e os que estavam sob o céu foram elevados. Se os males foram tolerados por tanto tempo sobre os lugares altos e os bons detidos por tanto tempo sob o céu foi a fim de que se completassem estes e aqueles, isto é, que o número dos bons fossem tal que eles fossem suficientes para que um novo céu fosse formado deles, e também a fim de que os maus por si mesmos descessem ao inferno, pois o Senhor a ninguém precipita no inferno, mas o próprio mal que está nos maus espíritos os precipita (vide, na obra O Céu e o Inferno, os n. 545-550). Isto se fez, então, quando os males foram consumados, isto é, quando foram completos.
[2] Isto também é o que se entende pelas palavras do Senhor em Mateus:
“Chegando-se os servos do Pai de família disseram: ... Não semeaste boa semente no teu campo? Donde pois vem o joio?... E disseram: Queres, pois, que vamos colhê-lo? Mas eles disse: Não, para que, colhendo o joio, não arranqueis junto com ele o trigo; deixai pois ambos crescerem até a ceifa, e o tempo da ceifa direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em feixes para ser queimado, mas o trigo colhei no celeiro; ... assim será na consumação do século” (Mt. 13:27-30, 37-42);
‘consumação do século’ é o último tempo, quando há o juízo; ‘tempo da ceifa’ é quando todas as coisas estão consumadas ou completas; ‘joio’ são os males ou aqueles em que há males, e o ‘trigo’ são os bens ou aqueles em que há bens. (Sobre isso, porém, veem-se mais explicações no opúsculo Do Juízo Final, n. 65-72). Por aí se pode de algum modo saber por que motivo lhes foi dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que se completassem e os seus conservos e seus irmãos, que iriam ser mortos, assim como eles; por ‘ser morto’ [interfici] aqui é significado o mesmo que ‘ser morto’ [occidi] acima, n. 392, a saber, ser rejeitado pelos males por causa do Divino Vero e por causa da confissão do Senhor.
[3] Conhecidas essas coisas, pode-se saber o que é significado pela ‘consumações’ e pela ‘iniquidade consumada’ nas seguintes passagens. em Moisés:
“Disse JEHOVAH: Descerei e verei se fizeram consumação, conforme o clamor que veio a Mim” (Gn. 18:20-21),
a respeito de Sodoma. No mesmo:
“Porque ainda não foi consumada (cheia) a iniquidade dos amorreus” (Gn. 15:16);
em Isaías:
“Consumação e decisão ouvi da parte do Senhor Jehovih Zebaoth sobre toda a terra” (Is. 28:22);
no mesmo:
“A consumação está definida, a justiça inundada, pois o Senhor Jehovih Zebaoth fazendo consumação e decisão em toda a terra” (Is. 10:22-23);
em Sofonias:
“No fogo do zelo” de JEHOVAH Zebaoth “será devorada toda a terra, porque fará consumação, e mesmo uma apressada, com todos os habitantes da terra” (Sf. 1:18);
em Daniel:
“Finalmente sobre a ave das abominações, a desolação, e até a consumação e a decisão destilará sobre a devastação” (Dn. 9:27);
e em outras passagens. Pela ‘consumação’ e pela ‘decisão’ nessas passagens é significado o último estado da igreja, que ocorre quando não há mais vero, por não haver bem, ou quando não há mais fé, por não haver caridade; e quando esse é o estado da igreja, então vem o juízo final. Que então venha o juízo final é também porque o gênero humano é a base ou o fundamento do céu angélico, pois a conjunção do céu angélico com o gênero humano é perpétua, e um subsiste pelo outro. Por isso, quando a base não corresponde, o céu angélico vacila; por isso, então, ocorre o juízo sobre aqueles que estão no mundo espiritual, para que todas as coisas sejam repostas em ordem tanto nos céus quanto nos infernos. (Que o gênero humano seja a base e o fundamento do céu angélico, e que haja uma conjunção perpétua, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 291-302 e n. 303-310). Por aí se pode saber que por ‘consumação’ se entende o último estado da igreja, quando não há mais fé, por não haver caridade. Esse estado da igreja também se chama, na Palavra, ‘vastação’ e ‘desolação’, e, pelo Senhor, ‘consumação do século’ (Mt. 13:39, 40, 49; 24:3; 28:20).
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