. “E o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue”. Que isto signifique que todo bem do amor foi separado e, daí, todo vero da fé foi falsificado, vê-se pela explicação de ‘sol’, que, no sentido supremo, é o Senhor quanto ao Divino Amor e assim, no homem, o bem do amor ao Senhor proveniente do Senhor (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘negro como um saco de cilício’, que é ser separado; diz-se ‘negro’ por causa da escuridão, portanto, aquilo que não se mostra por luz alguma; diz-se ‘como um saco de cilício’ ou ‘de cabelo’ porque se entende o sensual do homem, que é o ínfimo natural e, daí, envolve os interiores e neles induz a escuridão. (Há duas mentes no homem, a espiritual e a natural; a mente espiritual pensa e percebe pela luz do céu, mas a mente natural pensa e percebe pela luz do mundo; desta o homem tem o lume que se chama lume natural; esta é a mente que se chama homem natural, enquanto a outra se chama homem espiritual. Como a mente natural está abaixo ou por fora da mente espiritual, por isso também está em volta dela, pois a envolve em toda parte. Por isso é que se diz ‘saco de cilício’ ou ‘de cabelo’, pois quando foi fechada a mente espiritual, que é a mente superior e interior, então a mente natural, que é inferior e exterior, está na escuridão quanto a todas as coisas do céu e da igreja. De fato, toda a luz que é da mente natural e faz a sua inteligência é proveniente da luz de sua mente espiritual, luz essa que é a luz do céu. O sensual, que é o último do natural, é também como algo cabeludo, à luz do céu; daí vem que ‘cabelo’ significa o último do homem natural, que é o seu sensual (vide n. 3301, 5247, 5569-5573). Estas coisas foram ditas para que se saiba por que foi dito que ‘o sol tornou-se negro como um saco de cilício’).
[2] Pela significação de ‘lua’, que é o vero espiritual, o qual se chama vero da fé (de que também se tratará a seguir); e pela significação de ‘tornou-se como sangue’, a saber, que o vero foi falsificado, porque ‘sangue’, no sentido genuíno, significa o Divino Vero e, no oposto, a violência que lhe foi feita, portanto, o Divino Vero falsificado; (que o ‘sangue’, na Palavra, signifique isso, vê-se acima, n. 329). Daí é evidente o que significa que ‘a lua se tornou como sangue’. Que o ‘sol’ sq o Senhor quanto ao Divino Amor e, daí, no homem, o bem do amor ao Senhor proveniente do Senhor, e que a ‘lua’ signifique o vero espiritual é porque o Senhor no céu onde estão os anjos celestes aparece como Sol, e no céu onde estão os anjos espirituais, como Lua. Que o Senhor apareça como Sol é pelo Seu Divino Amor, pois o Divino Amor aparece como fogo, donde os anjos nos céus têm o calor. Assim, pelo ‘fogo’ celeste e espiritual na Palavra se entende o amor. Que o Senhor apareça como Lua é por causa da luz daquele Sol, porque a Lua tira seu lume daquele Sol e a luz no céu é o Divino Vero; assim, pela ‘luz’ na Palavra é significado o Divino Vero (A respeito, porém, do Sol e da Lua nos céus, e da Luz e do Calor ali, vide as coisas que foram mostradas na obra O Céu e o Inferno, n. 116-125 e 126-140).
[3] Que pelo ‘sol’, na Palavra, seja significado o Senhor quanto ao Divino Amor e, no homem, o bem do amor ao Senhor, e pela ‘lua’ o Senhor quanto ao Divino Vero espiritual, vê-se pelas seguintes passagens. Em Mateus:
Quando Jesus foi transfigurado diante de Pedro, Tiago e João, “Sua face resplandeceu como o Sol, e Suas vestes tornaram-se como a Luz” (Mt, 17:1-2).
Como o Senhor foi visto então em Seu Divino, apareceu quanto à face como o Sol, e quanto às vestes como Luz, porque a face corresponde ao amor, e as vestes correspondem aos veros. E como o Divino Amor estava n’Ele, por isso ‘Sua face resplandeceu como o Sol’; e como o Divino Vero provinha d’Ele, por isso ‘Suas vestes tornaram-se como a Luz’, pois a luz no céu é também o Divino Vero procedente do Senhor como Sol. (Que a ‘face’, quando se trata do Senhor, seja o Amor e todo Bem, vê-se nos Arcanos Celestes, n. 5585, 9306, 9546 e 9888); e que as ‘vestes’ quando se trata do Senhor, signifiquem o Divino Vero, vide acima, n. 64 e 195). O Senhor aparece de modo semelhante no céu, perante os anjos, quando Se apresenta a eles, mas, então, fora do Sol. Por isso, também, Ele foi visto de modo semelhante por João, quando este esteve em espírito, conforme consta no Apocalipse, onde se diz que
A face do Filho do homem ‘foi vista como o Sol que brilha no seu poder” (Ap. 1:6);
que seja o Senhor que tenha sido visto assim, é evidente (vide acima, n. 63).
[4] Do mesmo modo, quando João viu o Senhor como um anjo, a cujo respeito se lê:
“Vi um Anjo forte descendo do céu, circundado de nuvem e com um arco-íris ao redor da cabeça, e Sua face era como o Sol” (Ap. 10:1);
porque pelos ‘anjos’ na Palavra, no seu sentido espiritual, não se entendem anjos, mas algo Divino procedente do Senhor, porquanto o Divino que aparece neles não pertence a eles, mas é do Senhor com eles. Ocorre de modo semelhante com o Divino Vero que eles pronunciam, que é chieo de sabedoria, pois não o pronuncia por si, mas pelo Senhor. Com efeito, eles foram homens, e toda sabedoria e inteligência dos homens vem do Senhor. Daí se pode ver que pelo ‘anjo’ na Palavra se entende o Senhor, que então apareceu também como Sol. (Que pelo ‘anjo’ na Palavra se entenda algo Divino proveniente do Senhor, vide nos Arcanos Celestes, n. 1925, 2821, 3039, 4085, 6280 e 8192; que, daí, os anjos sejam chamados ‘deuses’, n. 4295, 4402, 7268, 7873, 8301, 8192).
[5] Assim, quando a igreja foi representada como mulher, então o Senhor apareceu também como um sol ao redor dela, a cujo respeito se lê no Apocalipse:
“Viu-se um grande sinal no céu, uma mulher envolta pelo Sol, e a luz sob os seus pés, e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap. 12:1);
que a ‘mulher’ aí signifique a igreja, ver-se-á na explicação que se dará na sequência; (que a ‘mulher’ signifique a igreja, vê-se nos Arcanos Celestes, n. 252, 253, 749 e 770); e como a igreja vem do Senhor, por isso ela foi vista envolta pelo Sol. O que é significado pela ‘lua sob os seus pés’ e ‘sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas’, também se dirá naquela explicação.
[6] Assim, foi dito por David:
“Disse o Deus de Israel, falou-me a Rocha de Israel... Assim como a luz da manhã, quando nasce o sol, uma manhã sem nuvens, pelo esplendor após a chuva” (2 Sm. 23:3, 4);
por ‘Deus de Israel’ e por “Rocha de Israel’ se entende o Senhor quanto à igreja e quanto ao Divino Vero ali; por ‘Deus de Israel’, quanto à igreja, e por ‘Rocha de Israel’, quanto ao Divino Vero ali. E como o Senhor é o Sol do céu angélico, e o Divino Vero procedente d’Ele é a luz desse céu, por isso se diz do Divino que Ele falou, que é o Divino Vero, ‘assim como a luz da manhã, quando nasce o sol’; como este é puro e procede de Seu Divino Amor, por isso se acrescenta ‘uma manhã sem nuvens. pelo esplendor após a chuva’, porque o esplendor da luz ou do Divino Vero procedente d’Ele vem do Divino Amor; ‘após a chuva’ significa após a comunicação e a recepção, pois seu esplendor está então nos anjos e homens com os quais é comunicado e pelos quais é recebido. (Que a ‘Rocha’ e a ‘Pedra de Israel’ seja o Senhor quanto ao Divino Vero, vê-se nos n. 6426, 8581 e 10580; e que a Luz seja o Divino Vero procedente do Senhor como Sol, assim, de Seu Divino Amor, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 126-140).
[7] Diz-se semelhantemente dos que amam a JEHOVAH, no livro dos Juízes:
“Os que O amam, como o nascer do em seu poder” (Jz. 5:31);
que ‘JEHOVAH’, na Palavra, seja o Senhor quanto ao Divino Bem do Divino Amor, vê-se nos Arcanos Celestes, n. 1736, 2921, 3035, 5041, 6303, 6281, 8864, 9315, 9373 e 10146); dos que O amam se diz ‘como o nascer do sol em seu poder’, pelo que é significado o Divino Amor do Senhor neles. Desses se diz também que ‘resplandecerão como sol’, em Mateus:
“Os justos resplandecerão como Sol no reino de Meu Pai” (Mt. 13:43);
‘justos’, na Palavra, se diz dos que amam o Senhor, isto é, os que, pelo amor, fazem os Seus preceitos; e esses resplandecerão quanto à face com um brilho como do sol, porque o Divino Amor do Senhor lhes é comunicado e é por eles recebido, pelo que o Senhor está no meio deles, isto, em seus interiores, os quais se manifestam na face. (Que ‘justos’ se refira aos que estão no bem do amor ao Senhor, vide acima, n. 204).
[8] Em David:
“Sua semente estará na eternidade, e o Seu trono como o Sol perante Mim; como a lua, estabelecido na eternidade, e por testemunho fiel nas nuvens” (Sl. 89:36-37);
estas coisas foram ditas a respeito do Senhor, do céu e de Sua igreja, pois por ‘David’, de que se trata aí no sentido da letra, entende-se o Senhor (vide acima, n. 205); por ‘Sua semente’, que estará na eternidade, é significado o Divino Vero e também são significados aqueles que a este recebem; por ‘Seu trono, que será como sol perante Mim’ é significado o céu e a igreja que pertencem a Ele, os quais estão no bem celeste, que é o bem do amor; pelo ‘trono que será estabelecido como a lua na eternidade’ é significado o céu e a igreja que está no bem espiritual, que é o Divino Vero; pelo ‘testemunho fiel nas nuvens’ é significada a Palavra no sentido da letra, que se chama ‘testemunho’ porque testifica isso; ‘nuvem’ é o sentido da letra da Palavra.
[9] No mesmo:
“Temer-Te-ão com o sol, e perante a lua na geração das gerações;... florescerá nos seus dias o justo, e muita paz até quando não durar mais a lua;... Seu nome estará na eternidade, diante do sol terá o nome de Filho, e n’Ele serão benditas todas as nações” (Sl. 72:5, 7, 17);
estas também foram ditas a respeito do Senhor, pois em todo esse salmo se trata d’Ele; e como o Senhor no céu aparece aos que estão no Seu reino celeste como Sol, e aos que estão no Seu reino espiritual como Lua, por isso se diz ‘temer-Te-ão com o sol, e perante a lua na geração de gerações’. Que ‘nos seus dias florescerá o justo, e muita paz até quando não durar mais a lua’ significa que aqueles que estão no amor ao Senhor estarão nos veros desse bem, pois os veros nos que estão no reino celeste, ou no amor ao Senhor, estão ínsitos neles. Com efeitos, chamam-se ‘justos’ os que estão no bem do amor, e ‘paz’ se diz desse bem. (Mas, para que se saiba de que maneira se deve entender isto, ou seja, ‘até quando não durar mais lua’, dir-se-á que a luz procedente do Senhor como Sol diferente da luz que procede do Senhor como Lua nos céus, assim como a luz do sol no mundo difere da luz da lua no mundo à noite. De modo semelhante, a inteligência daqueles que estão na luz do Sol do céu difere da inteligência daqueles que estão na luz da Lua ali. Por isso, os que estão na luz do Sol ali, estão no Divino Vero puro, enquanto aqueles que estão na luz da Lua ali estão n o Divino Vero não puro, porque estão muitos falsos que tiraram do sentido da letra da Palavra não compreendido, falsos esses que, todavia, se lhes parecem como veros. Por aí se pode ver que ‘até quando não durar mais a lua’ significa até quando não durar mais neles o falsos que aparece como vero, mas o vero puro, que faz um com o bem do amor. Cumpre saber, porém, que os falsos naqueles que estão no lume da Lua nos céus são falsos nos quais não há o mal, e que, por isso, são aceitos pelo Senhor como se fossem veros (a respeito desses falsos, vide a Doutrina da Nova Jerusalém, n. 21). Isto é, pois, o que é significado por ‘até quando não durar mais a lua’, a saber, naqueles que se entendem pelos ‘justos, nos quais há muita paz’. No sentido supremo, porém, por essas palavras se entende o Senhor quanto ao Seu Divino Humano, que este será o Divino Bem do Divino Amor, pelo que também se acrescenta ‘diante do Sol terá o nome de Filho’; por ‘Filho’ se entende o Divino Humano do Senhor). E visto que pelas ‘nações’ se entendem todos os que estão no bem, ou os que recebem o bem do amor proveniente do Senhor, por isso se diz ‘E serão benditas n’Ele todas as nações’. (Que pelas ‘nações’ sejam significados os que estão no bem, e pelos ‘povos’ os que estão nos veros, vê-se acima, n. 331).
[10] Em Isaías:
“Sobre todo monte alto e sobre toda colina elevada haverá ribeiros, canais de águas, no dia grande matança, quando cairão as torres; e a luz da lua será como a luz do sol, e a luz do sol será sétupla, como a luz de sete dias” (Is. 30: 25, 26);
estas coisas foram ditas a respeito do juízo final, que se entende pelo ‘dia da grande matança, quando cairão as torres’; pelas ‘torres’ que cairão se entendem os que estão nos males e, daí, nos falsos, em particular os que estão no amor de dominar por meio das coisas santas da igreja (vide a obra Do Juízo Final, n. 56, 58). Que, então, aos que estão no amor ao Senhor e na caridade para com o próximo será concedido compreenderem os veros é significado por ‘sobre todo monte alto e sobre toda colina elevada haverá ribeiros, canais de águas’. Os que estão ‘sobre todo monte alto’ são os que estão no bem do amor ao Senhor, pois ‘monte alto’ significa esse bem. Os que estão ‘sobre toda colina elevada’ são os que estão na caridade para com o próximo, porque ‘colina’ significa esse bem; ‘rios e canais de águas’ significam a inteligência oriunda dos veros. Que então haverá o vero no reino espiritual do Senhor assim como foi antes no reino celeste , e que então o vero no reino celeste será o bem do amor, é o que se entende por ‘a luz da lua será como a luz do sol, e a luz do sol será sétupla, como a luz de sete dias’, pois pela ‘luz’ se entende o Divino Vero procedente do Senhor; pela ‘luz da lua’ o Divino Vero no reino espiritual, e pela ‘luz do sol’ o Divino Vero no reino celeste. Pelo ‘sétuplo’ é significado o pleno e perfeito, e o vero é pleno e perfeito quando é o bem, ou o bem na forma. Que aí não se entendem o sol e a lua nas terras, mas o Sol e a Luz nos céus, é o que se pode ver. Cumpre saber que quando um juízo final é executado, o Senhor aparece nos céus com muito maior brilho e esplendor do que em outras ocasiões, e isto porque então os anjos ali devem ser mais fortemente protegidos, pois então os inferiores com os quais os exteriores dos anjos têm comunicação acham-se em perturbação. Como aqui se trata do juízo final, daí é também que se diz que ‘a luz da Lua será como a luz do Sol’, e a ‘luz do Sol será sétupla, como a luz de sete dias’. E por isso se diz que então ‘haverá ribeiros e canais de águas sobre todo monte alto e sobre toda colina elevada’, pelo que se entende a inteligência abundante naqueles que montes superiores e nas colinas superiores, porque então o juízo se faz sobre os que estão nos montes e colinas inferiores. (Que o Senhor apareça aos que estão em Seu reino celeste como Sol, e aos que estão em Seu resino espiritual como Lua, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 116-125; e que a luz destes seja o Divino Vero, n. 127-140 ali).
[11] No mesmo:
“Não mais se porá o teu Sol, e a tua Lua não se recolherá, porque JEHOVAH te será por luz de eternidade, e serão cumpridos os dias de teu luto” (Is. 60:20);
aí se trata do Senhor e do novo céu e da nova terra, isto é, da igreja que deve ser instaurada por Ele. Que não pereceriam o bem do amor ao Senhor e o bem da caridade para com o próximo nos que estão nessa igreja, é o que se entende por ‘não mais se porá o teu Sol, e a tua Lua não se recolherá”, pois o Senhor aparece como Sol àqueles que estão no bem do amor a Ele, e como Lua àqueles que estão nos veros do bem da caridade para com o próximo; assim, por ‘teu Sol’ é significado o amor ao Senhor, e por ‘tua Lua’, o bem da caridade, que é, em sua essência, o vero do bem. Que eles estarão eternamente nos veros do bem do amor e nos veros do bem da caridade, é o que se entende por ‘JEHOVAH te será por luz na eternidade, e serão cumpridos os dias de teu luto’; diz-se ‘luz da eternidade’ a respeito daqueles que estão no bem do amor ao Senhor, e ‘cumpridos os dias de luto’ a respeito naqueles que estão no bem da caridade para com o próximo ou nos veros do bem, porque o ‘luto’, naqueles que foram das Igrejas Antigas, representava a dor por causa da perda ou da destruição do vero e do bem; que ‘foram cumpridos’ significa que acabaram-se e, assim, que estavam nos veros do bem. Por aí se pode ver que é significado por ‘o Sol tornou-se como um saco de cilício, e a Lua tornou-se como sangue’, a saber, que o bem do amor ao Senhor foi separado e, daí, o vero foi falsificado.
[12] Quase as mesmas coisas são significadas na seguintes passagens. Em Isaías:
“Eis que o dia de JEHOVAH vem cruel, e com indignação e inflamação de ira, para por a terra em devastação, e perder dela os seus pecadores. Porque as estrelas dos céus e os seus astros não luzem a sua luz; o sol é escurecido em seu nascimento, e a lua não faz resplandecer o seu lume. Visitarei sobre o mundo a malicia, e sobre os ímpios as suas iniquidades” (Is. 13:9-11);
‘pelo dia cruel de JEHOVAH, com indignação e inflamação de ira’ é significado o dia do juízo final; ‘as estrelas dos céus e os seus astros não luzem a sua luz, e o sol é escurecido em seu nascimento, e a lua não faz resplandecer a sua luz’ significa que perecerão os cognições do vero e do bem, assim como o bem do amor ao Senhor e o bem da caridade para com o próximo, e, assim, o vero que se chama vero, porque pelas ‘estrelas’ são significadas as cognições do bem, pelos ‘astros’ as cognições do vero, pelo ‘sol’ o bem do amor ao Senhor, e pela ‘ luz’ o bem da caridade para com o próximo, que em sua essência é o vero do bem e se chama vero da fé. Diz-se do sol que ‘é escurecido em seu nascimento’, e da luz que ‘não faz resplandecer a sua luz’, não que o Sol e a Lua nos céus angélicos sejam escurecidos, pois o Sol ali está sempre em seu brilho, e a Luz em seu esplendor, mas perante aqueles que estão nos males e, daí, nos falsos, os bens e veros o são, pelo se diz assim segundo a aparência. Com efeito, os que estão no males e, daí, nos falsos, desviam-se do bem do amor e da caridade, por conseguinte, do Senhor, e então não querem senão o mal e não pensam senão o falso; e os que não querem e não pensam outra coisa não veem senão escuridão e trevas nas coisas tais que são do céu e da igreja. Como são esses que se entendem por aqueles em que ‘o sol é escurecido e a lua não faz resplandecer a sua luz’, por isso se diz ‘para por a terram em devastação, e perder dela os pecadores’, e, em seguida, ‘visitarei sobre o mundo a malícia e sobre os ímpios a sua iniquidade’; pela ‘terra’ e pelo ‘mundo’ é significada a igreja, e por ‘pô-la em devastação’ é significado que não há mais bem algum, e ‘visitar sobre a terra a malícia e sobre os ímpios a sua iniquidade’ significa o juízo final.
[13] Em Ezequiel:
“Cobrirei os céus, quando te tiver extinguido, e enegrecerei as suas estrelas; cobrirei o sol com uma nuvem, e a lua não fará luzir a sua luz; todos os luminares de luz nos céus enegrecerei sobre ti, e porei trevas sobre a tua terra” (Ez. 32:7, 8);
estas palavras foram ditas a respeito do rei do Egito, por quem é significado aí o homem natural separado do espiritual. Quando ele é separado, está inteiramente na escuridão e nas trevas quanto a todas coisas que são do céu e da igreja, e quanto mais é separado, mais as nega, pois o homem natural nada vê nelas por si mesmo, mas pelo espiritual proveniente do Senhor. Com efeito, o homem natural está no calor e na luz do mundo, e o espiritual está na luz e no calor do céu. Por aí se vê que se entende por cada coisa aí, a saber, por ‘cobrirei os céus, quando te tiver extinguido’ são significadas as coisas interiores que estão na luz do céu; por enegrecerei as suas estrelas’ são significadas as cognições do bem e do vero; por ‘cobrirei o sol com uma nuvem’ é significado o bem do amor ao Senhor; por ‘a lua não fará luzir a sua luz’ é significado o bem da caridade para com o próximo e, daí, o vero da fé; por ‘todos os luminares de luz enegrecerei sobre ti’ são significados todos os veros; e por ‘porei trevas sobre a tua terra’ são significados os falsos.
[14] Em Joel:
“Vem o dia de JEHOVAH... dia de trevas e de escuridão, dia de nuvem e de obscuridade... diante d’Ele abalou-se a terra.... o sol e a lua foram enegrecidos, e as estrelas retiraram o seu esplendor” (Jl. 2:1, 2, 10);
no mesmo:
“O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia de JEHOVAH” (Jl. 2:31);
no mesmo:
“Perto está o dia de JEHOVAH, no vale da decisão ???; o sol e a lua se enegreceram, e as estrelas retiraram o seu esplendor” (Jl. 3:14, 15);
nos Evangelistas:
“Logo depois da aflição daqueles dias, o sol será escurecido, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu” (Mt. 24:29; Mc. 13:24-25);
no Apocalipse:
“O quarto anjo soou, e foi feria a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas, e a terça parte deles foi escurecida, e o dia não luziu em sua terça parte, semelhantemente à noite” (Ap. 8:12);
e em outra passagem:
“Subiu fumaça do poço do abismo, como a fumaça de uma grande fornalha, e o sol se escureceu, e o ar, pela fumaça” (Ap. 9:2).
Que pelo ‘sol e a lua enegrecidos’ e ‘escurecidos’ nessas passagens se entenda que não há mais bem nem vero, vê-se pelo que foi dito acima, pelo que não são explicadas ulteriormente.
[15] Uma vez que tais coisas são significadas pelo ‘sol escurecido’, por isso, quando o Senhor estava sobre a cruz, por ter sido completamente rejeitado pela igreja que então havia com os judeus e, por isso, estes estavam em densas trevas ou nos falsos, o sol se escureceu. Disso se trata assim, em Lucas:
“À hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona, pois o sol se escureceu” (Lc. 23:44, 45).
Isto aconteceu como sinal e indício de que o Senhor fora negado e que, daí, não havia bem algum bem vero naqueles que eram da igreja, pois todos os sinais dos céus com eles representavam e significavam coisas tais que são da igreja, pelo fato de que a igreja com eles era uma igreja representativa, ou consistia de coisas tais que nos externos representavam e, daí, significam os internos da igreja. Que ‘tenha havido trevas sobre toda a terra’ significava que nada senão os falsos do mal havia naqueles que eram da igreja (‘toda a terra’ é toda a igreja, e ‘trevas’ significam os falsos). As três horas, a saber, ‘da hora sexta à nona’, significavam que havia mero falso e nenhum vero absolutamente, porque ‘três’ significa o pleno, o todo e inteiramente, e ‘seis’ e ‘nove’ significam todas as coisas em conjunto, aqui, os falsos e males. E como neles havia os falsos e males porque o Senhor fora negado, por isso se disse ‘e houve trevas e o sol se escureceu’; pelo ‘sol’ que se escureceu se entende o Senhor, que é dito escurecer quando os falsos na igreja reinam tanto que Ele não é reconhecido, e os males reinam tanto que Ele foi crucificado. (Que todas as coisas relatadas na Palavra a respeito da paixão do Senhor sejam significativas, vê-se acima, n. 64, 83 e 195).
[16] Em Miquéias:
“Disse JEHOVAH contra os profetas que seduzem o povo: A noite será para vós por visão, e as trevas nascerão para vós por adivinhação; e o sol se porá sobre os profetas, e o dia enegrecerá sobre eles” (Mq. 3:5, 6);
o que essas palavras significam no sentido espiritual, vê-se acima (n. 372), onde elas são explicadas. Em Amós:
“Acontecerá naquele dia que farei o sol se pôr ao meio-dia, e escurecerei a terra num dia de luz” (Am. 8:9);
por essas palavras é significado que na igreja onde há a Palavra – pela qual se pode saber o que é o bem e vero – nada haverá senão o mal e o falso; “fazer o sol se pôr e escurecer a terra’ significa o mal da vida e o falso da doutrina na igreja, porque pelo ‘nascer do sol’ é significado o bem do amor, que é o bem da vida, e pelo ‘ocaso do sol’ é significado o mal do amor, que é o mal da vida, e pelo ‘escurecimento da terra’ é significado o falso da doutrina daí (as ‘trevas’ significam os falsos, e a ‘terra’, a igreja); ‘no meio dia e num dia de luz’ significa quando aí podem existir as cognições do bem e do vero, porque eles têm a Palavra (‘meio-dia’ significa onde há as cognições do bem, e ‘dia de luz’ onde há as cognições do vero); que venham da Palavra é porque estas coisas se dizem da igreja onde há a Palavra.
[17] Em Habacuque:
“Os montes foram abalados, uma inundação de águas passou; o sol e a lua param nos seus lugares, na luz vão as tuas flechas, no esplendor o raio de Tua lança” (Hb. 3:10, 11);
neste capítulo se trata do advento do Senhor e do juízo final então feito por ele; ‘os montes foram abalados, uma inundação de águas passou’ significa que foram rejeitados os que que estão no amor de si e do mundo pelos falsos do mal em que se introduziram; os ‘montes’ significam os amores de si e do mundo, e a ‘inundação de águas’ significa a introdução nos falsos daí (‘águas’ são os falsos e ‘inundação’ é a introdução); que então não se lhes apareçam os veros e bens genuínos, mas, em lugar desses, os veros e bens fátuos, que em si são os falsos e males, é significado por ‘na luz vão as tuas flechas, no esplendor o raio da lança’; ‘flechas’ ou ‘relâmpagos’ significam os veros fátuos que em si são falsos, e ‘raio da lança’ significa os bens fátuos que em si são males do falso. Esses sinais até aparecem no mundo espiritual àqueles que estão nos falsos pelos amores de si e do mundo, quando chega o juízo final e esses são rejeitados.
[18] Como se diz nesse profeta que ‘o sol e a lua param em seus lugares’ será explicado também o que é significado pelo fato de “o sol repousou em Gibeon e a lua no vale de Aijalom”, de que se trata assim em Josué:
“Então falou Josué a JEHOVAH... e disse aos olhos de Israel: Sol, repousa em Gibeon, e lua, no vale de Aijalom; e o sol repousou e a lua parou, até que a nação se vingasse de seus adversários. Não está isso escrito no Livro do Reto? E o sol parou no meio do céu, nem se apressou em se por durante quase um dia inteiro” (Js. 10:12, 13).
Dizer ao sol que ‘parasse em Gibeon e a lua no vale de Aijalom’ significava que a igreja tinha sido completamente devastada quanto ao bem e ao vero, pois então se lutava contra o rei de Jerusalém e os reis dos amorreus, e pelo ‘rei de Jerusalém’ é significado o vero da igreja completamente devastado pelos falsos, e pelos ‘reis dos amorreus’ é significado o bem da igreja devastado pelos males; por isso esses reis foram feridos com grandes pedras ???, pelas quais são significados os horríveis falsos do mal. Diz-se que o sol e a lua pararem no lugar, ou seja, perante os filhos de Israel para eles vissem seus adversários, mas isto é uma profecia, ainda que descrita historicamente, como se pode ver pelo fato se dizer ‘não está isso escrito no Livro do Reto’, que foi um livro profético de que essas coisas foram tiradas, pelo que daquele Livro também se tirou o que é dito ‘até que a nação se vingasse de seus adversários’ e não ‘até que os filhos de Israel se vingassem de seus adversários’, pois a ‘nação’ é mencionada profeticamente. O mesmo se pode ver também pelo fato de que esse milagre, se tivessem acontecido exatamente assim, teria invertido toda a natureza do mundo, o que não fizeram os demais milagres na Palavra. Por isso, para que se soubesse que este é um ditado profético, foi dito: ‘Não está escrito assim no Livro do Reto?’ Ninguém duvide, todavia, que lhes foi dada uma luz do céu, luz como a sol em Gibeon e luz como a da luz no vale do Aijalom.
[19] Em Jeremias:
“A que tinha parido sete se enfraqueceu, expirou a sua alma, o seu sol se porá quando ainda for dia; ficará envergonhada e enrubescida, e os restantes deles entregarei à espada perante seus adversários” (Jr. 15:9);
‘enfraqueceu a que parira sete, expirou a sua alma’ significa que está para perecer a igreja a quem foi dada a Palavra e, por esta, todos os veros; ‘parir sete’ é ser dotado de todos os veros da igreja (semelhantemente ao que se vê acima (n. 257) do que está no Primeiro Livro de Samuel, 2:5; ‘pôr-se-á o seu sol quando ainda for dia’ significa que o bem da igreja perecerá, ainda que ela tenha a Palavra e possa por ela estar na luz; ‘ficará envergonhado e enrubescido’, isto é, o sol, significa porque o bem e o vero não são recebidos, mas o mal e o falso (como também é evidente na passagem logo a seguir, de Isaías); ‘os restantes deles entregarei à espada perante seus adversários’ significa que todo bem e vero restantes deve perecer pelo falso proveniente do mal; ‘restantes’ [reliquiae] são todo os restos, ‘entregar à espada’ é perecer pelos falso, ‘adversários’ são os males.
[20] Em Isaías:
“JEHOVAH visitará sobre o exército da altura na altura, e sobre os reis da terra sobre a terra... então a lua ficará enrubescida e o sol ficará envergonhado” (Is. 24:21, 23);
‘visitar’ significa destruir, porque a visitação precede o juízo, quando são destruídos os que estão nos males e, daí, nos falsos; pelo ‘exército da altura na altura’ são significados todos os males; pelos ‘reis da terra’, os falsos de todos os gêneros, e pela ‘terra’ é significada a igreja. Daí se pode ver o que é significado por ‘JEHOVAH visitará sobre o exército da altura na altura, e sobre os reis da terra sobre a terra’. Se se diz ‘sobre o exército da altura na altura’ é porque os que estão no amor de si procuram lugares altos no mundo espiritual; ‘a lua ficará enrubescida e o sol ficará envergonhado’ significa que não haverá mais recepção do Divino Vero e do Divino Bem; ‘lua’ e ‘sol’ significam o vero da fé e o bem do amor, dos quais se diz ‘enrubescer e envergonhar’ quando não são mais recebidos, mas, em seu lugar, o falso e o mal.
[21] Em David:
JEHOVAH, “que fez os céus por sua inteligência... expandiu a terra sobre as águas... fez os grandes luminares... o sol para dominar no dia, a lua e as estrelas para dominarem na noite. ...Feriu o Egito em seus primogênitos e tirou Israel do meio deles” (Sl. 136:5-11).
Quem nada sabe do sentido espiritual da Palavra acha que essas palavras não envolvem outra coisa senão as que se mostram no sentido da letra, mas cada uma dela envolve coisas tais que são da sabedoria angélica, as quais são, todas, Divinas celestes e espirituais. Por essas palavras é descrita a nova criação ou regeneração dos homens da igreja, dos quais a igreja é formada; pelos ‘céus’ que Ele fez por Sua inteligência são significados os internos dos homens da igreja, internos esses que se chamam, em suma, homem espiritual, onde a inteligência reside e onde está o céu deles; pela ‘terra’ que Ele expandiu sobre as águas é significado o externo da igreja, o qual se chama, em suma, homem natural. Aqui se diz ‘expandir sobre as águas’ porque aí estão os veros pelos quais se é regenerado (‘águas’ são os veros); pelos ‘grandes luminares, o sol, a lua e as estrelas’ são significados o bem do amor, o vero desse bem e a cognições do bem e do vero; pelo ‘sol’ o bem do amor, pela ‘lua’ o vero desse bem, e pelas ‘estrelas’ as cognições do bem e do vero. Diz-se que o sol foi feito ‘para dominar no dia’ porque o ‘dia’ significa a luz do homem espiritual, pois ele tem iluminação e percepção pelo bem do amor; e diz-se que a lua e as estrelas foram feitas ‘para dominarem na noite’ porque ‘noite’ significa a luz do homem natural, pois a sua luz, em comparação à luz do homem espiritual, é como a luz da noite oriunda da lua e das estrelas em relação à luz do dia, do sol. Visto que se trata da regeneração dos homens da igreja, por isso também se segue: ‘feriu o Egito nos seus primogênitos, e tirou Israel do meio deles’, pois pelo ‘Egito’ é significado o homem natural como é de nascimento, a saber, está em meros falsos do mal; ‘seus primogênitos’ são os falsos primários; a destruição desses, quando o homem é regenerado, se entende por ‘feriu o Egito em seus primogênitos’; por ‘Israel’ é significado o homem espiritual, e por ‘tirar do meio deles’ é significado abri-lo e, assim, regenerar, porque o homem da igreja é regenerado pelo Senhor por meio da dissipação dos falsos doa males que estão no homem natural e pela abertura do homem espiritual, o que se faz pelo Senhor através da luz espiritual que é o Divino Vero.
[22] Coisas semelhantes são significadas por estas palavras em Gênesis:
“Fez Deus dois luminares grandes; um luminar grande para dominar no dia e um luminar menor para dominar na noite, e as estrelas” (Gn. 1:16),
pois nesse capítulo se trata da nova criação ou regeneração dos homens dos quais se formava a Igreja Antiquíssima, a qual é descrita no sentido da letra pela criação do céu e da terra. Coisas semelhantes, também, são significadas por estas palavras em Jeremias:
“Assim disse o Senhor Jehovih, que dá o sol para luz do dia, os estatutos da lua e das estrelas para luz da noite” (Jr. 31:35);
pelos ‘estatutos da lua e das estrelas’ são significadas todas as coisas se fazem no homem natural segundo as leis da ordem.
[23] Em David:
“Louvai a JEHOVAH, ó todos os Seus anjos; louvai-O, todos os Seus exércitos; louvai-O, sol e lua; louvai-O, todas as estrelas de luz; louvai-O, céus dos céus” (Sl. 148:2-4);
‘louvar JEHOVAH’ significa prestar-Lhe culto; os ‘anjos’ significam os que estão nos Divinos veros provenientes do bem do amor, porque esses são anjos; ‘todos os exércitos’ significam os bens e veros em todo o conjunto; ‘o sol e a lua’ significam o bem do amor e o vero desse bem; as ‘estrelas de luz’ significam as cognições do vero proveniente do bem; os ‘céus dos céus’ significam os bens e veros, tanto internos quanto externos. Uma vez que o homem presta culto ao Senhor pelas coisas que, nele, são provenientes do Senhor, assim, pelos bens e veros que há nele, o homem também é homem por eles, pelo que se lhes diz, a saber, ao sol, à lua e às estrelas – pelos quais são significados os bens e veros – que ‘louvem’, isto é, prestem culto a JEHOVAH. Quem não sabe que o sol, a lua e a estrelas não louvam, isto é, não prestam culto?
[24] Em Moisés:
“De José, disse: Bendita por JEHOVAH seja a tua terra, de preciosidades do céu, de orvalho, do abismo que jaz abaixo, e de preciosidades dos frutos do sol, e de preciosidades do produto dos meses” (Dt. 33:13, 14).
Essas palavras estão na bênção dos filhos de Israel feita por Moisés. Uma vez que por ‘José’ se entendem os espirituais celestes, que são aqueles que estão nas partes mais altas do reino espiritual e, assim, comunicam-se mais de perto com os que estão no reino celeste do Senhor, por ‘sua terra’ é significado esse reino espiritual e também a igreja que é formada por eles; pelas ‘preciosidades do céu, o orvalho e o abismo que jaz abaixo’ são significadas as coisas espirituais celestes no homem interno e externo; pelas ‘preciosidades dos furtos do sol e preciosidades do produto dos meses’ são significadas todas as coisas que procedem do reino celeste e as que procedem do reino espiritual do Senhor, por conseguinte, os bens e veros daí, pois o ‘sol’ significa o bem do amor ao Senhor procedente do Senhor, bem esse que está naqueles que estão no reino celeste do Senhor; por ‘seus frutos’ são significadas todas as coisas que daí procedem; pelos ‘produtos dos meses’ são significadas todas as coisas que procedem do reino espiritual do Senhor; os ‘meses’ aqui significam as mesmas coisas que são significadas pela lua, a saber, os veros do bem, pois a palavra é a mesma para ambos, na língua original. Quem todavia, não sabe alguma coisa a respeito desses dois reinos do céu, o celeste e o espiritual, nem a respeito da conjunção deles por intermediários, ficará na obscuridade a respeito das coisas que agora foram ditas. (Mas sobre esses reinos e sobre os intermediários vide as explicações dadas na obra O Céu e o Inferno, n. 20-28).
[25] Em Isaías:
“Farei de teus sóis um rubi, e as tuas portas de pedras de carbúnculo, e todo o teu limite de pedras de desejo” (Is. 54:12);
essas palavras foram ditas a respeito das nações de fora da igreja, das quais era para ser instaurada uma nova igreja pelo Senhor; ‘farei de teus sóis como um rubi’ significa que os bens brilhariam pelo fogo do amor; ??? os ‘sóis’ aí são os bens do amor, e o ‘rubi’ é o brilho como do fogo; ‘farei as tuas portas de pedras de carbúnculo’ significa que os veros resplandeceriam pelo bem; as ‘portas’ são os veros que introduzem, em particular os doutrinais que procedem do bem (porque todos os veros da doutrina que são genuínos procedem do bem e são do bem); ‘pedras de carbúnculo’ significam o esplendor deles pelo bem, porque todas as pedras preciosas significam os veros provenientes do bem; a cor, o esplendor e o fogo indicam a qualidade do vero proveniente do bem; ‘farei todo o teu limite de pedras de desejo’ significa que os verdadeiros conhecimentos, que pertencem ao homem natural, serão amenos e prazerosos pelo bem, porque pelo ‘limite’ se entende o mesmo que pelo ‘fundamento’, e este é o homem natural, pois nas coisas que estão aí terminam os bens e veros do homem espiritual; e ‘pedras de desejo’ são os veros amenos e prazerosos provenientes do bem. Por essas coisas se entendem os bens e veros da Palavra, que serão assim naqueles dos quais se forma a nova igreja. ??? Que o ‘sol’ signifique o bem do amor, é evidente também pelo fato de se dizer ‘sóis’, no plural.
[26] Em Jó:
“Acaso me alegrei por serem muitos os meus recursos, e por ter a minha mão alcançado muito? Acaso vi a luz que resplandecia, e a lua que caminhava clara? E seduziu-se no oculto o meu coração, e minha boca beijou a minha mão [???]?” (Jó 31:25-27);
por essas palavras entende-se, no sentido espiritual, que ele não tinha adquirido do proprium inteligência para si, e não obteve dela mérito para si, nem se gloriou, porque ‘a caso me alegrei por serem muitos os meus recursos, e por ter a minha mão alcançado muito?’ significa se acaso gloriou-se por ter inteligência, e se do proprium a adquiriu para si; ‘recursos’ são as cognições do bem e do vero, pelas quais há a inteligência, e ‘por ter a minha mão alcançado muito’ é se acaso a adquiriu do proprium; ‘acaso vi a luz que resplandecia, e a lua que caminhava clara?’ significa se acaso [não teve] os veros espirituais, que fazem a inteligência (‘luz’ e ‘lua’ significam os veros espirituais); ‘e seduziu-se no oculto o meu coração, e minha boca beijou a minha mão?’ significa ‘se acaso gloriei-me interiormente por isso, e acaso as reivindiquei para mim’.
[27] Em Mateus:
“Para que sejais filhos de vosso Pai que está nos céus, que faz o Seu sol sair sobre maus e bons, e envia a chuva sobre justos e injustos” (Mt. 5:45);
trata-se aí da caridade para com o próximo, como é evidente pelo que antecede e segue ali, e particularmente a respeito dos judeus, que tinham os gentios59 por inimigas e os seus por amigos; por essa comparação o Senhor ilustrou que eles deviam amar os gentios igualmente aos seus. Como, porém, todas as comparações na Palavra vêm das correspondências e, assim, têm significação, assim como as demais coisas que não são ditas comparativamente, por isso também é feita essa comparação. E que o ‘Pai nos céus faça o Seu sol sair sobre maus e bons, e envie a chuva sobre justos e injustos’ significa que o Senhor influi do céu com o Divino Bem e o Divino Vero naqueles que estavam fora da Igreja Judaica igualmente aos que estavam nela; o ‘sol’ significa também aí o Bem do amor, e a ‘chuva’ o Divino Vero; os ‘maus’ e ‘injustos’ significam no sentido interno os que eram da Igreja Judaica, porque esses não receberam, e os ‘bons’ e ‘justos’ significam os que estavam fora da igreja e receberam. Em geral, entendem-se todos os maus e bons, justos e injustos, pois o Senhor influi igualmente com o bem e o vero em todos, mas nem todos recebem igualmente.
[28] Como o ‘sol’ significa o Senhor quanto ao Divino amor, por isso é chamado “Sol da justiça” (em Malaquias 4:2), e “Sol e Escudo” (em David, Salmo 84:11). Como o ‘sol’ significa o bem do amor ao Senhor no homem, daí ‘desde o nascer do sol até o seu ocaso’ significa todos os que estão no bem do amor ao Senhor, desde os primeiros até os últimos; ‘desde o nascer do sol’, desde os primeiros, e ‘até o ocaso do sol’, até os últimos, como nas seguintes passagens. Em Malaquias:
“Desde o nascer do sol até o ocaso Meu nome será grande entre as nações” (Ml. 1:11);
em David:
“Desde o nascer do sol até o ocaso louvado o nome de JEHOVAH” (Sl. 113:2);
no mesmo:
“Deus, o Deus JEHOVAH fala, e convocará a terra desde o nascer do sol até o seu ocaso” (Sl. 50:1);
em Isaías:
“Para que conheçam desse o nascer do sol e até o ocaso que não há [outro] além de Mim” (Is. 45:6);
no mesmo:
“Temerão o nome de JEHOVAH desde o ocaso do sol, e desde o nascer do sol a Sua glória” (Is. 59:19);
no mesmo:
“Suscitarei do norte um que virá, e do nascer do sol um que invocará o Meu nome” (Is. 41:25).
Que ‘desde o nascer do sol até o seu ocaso’ signifique todos, dos primeiros aos últimos, que estão no bem do amor ao Senhor, é porque todos no céu habitam segundo as plagas; os que estão no bem do amor ao Senhor, do nascer do sol até o ocidente; os que habitam no oriente são os que estão no bem do amor claro, e os que habitam no ocidente, os que estão no bem do amor obscuro; daí é que ‘desde o nascer do sol até o seu ocaso’ são significados todos os que estão no bem do amor, desde os primeiros até os último. Que em Isaías se diga ‘suscitarei do norte um que virá, e do nascer do sol’ significa os que estão fora da igreja e os que estão nela, porque ‘norte’ significa a obscuridade do vero, por conseguinte, os que estão fora da igreja, pois esses estão na obscuridade quanto aos veros pelo fato de não terem a Palavra e, assim, não saberem coisa alguma a respeito do Senhor. O ‘nascer do sol’ significa os que estão na igreja, porque têm a Palavra, na qual o Senhor está sempre presente e, assim, na nascente. (Que por ‘oriente’ ou ‘nascer do sol’ e ‘ocidente’ ou ‘ocaso do sol’ se entenda o bem do amor na claridade e o bem do amor na obscuridade, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 141, 148-150; e que pelo ‘norte’ se entra o vero na obscuridade, vê-se no mesmo capítulo, n. 148-150. Ali também se trata dos quatro pontos cardeais no mundo espiritual). Pelo ‘ocaso do sol’ também é significado o estado da igreja quando está na ignorância, que é o seu primeiro estado, e pelo ‘nascer do sol’ é significado o seu estado quando está na luz. Pelo ‘ocaso do sol’ também é significado o estado da igreja quanto está nos males e, daí, nos falsos, e pelo ‘nascer do sol’, quando está nos bens e, daí, nos veros.
[29] O primeiro estado da igreja, quando ainda está na ignorância, é significado pelo começo da páscoa, na tarde, quando o sol se põe, segundo estas palavras em Moisés:
“Sacrificarás a páscoa na tarde, quando se puser o sol, ao tempo determinado de tua saída do Egito” (Dt. 16:6),
porque pela festividade da ‘páscoa’ era significada a celebração do Senhor por causa da liberação da danação, o que se faz pela regeneração e, no sentido supremo, uma lembrança da glorificação do Humano do Senhor, porque daí vem a libertação (vide n. 7093, 7867, 9286-9292 e 10655). E visto que o primeiro estado da regeneração é um estado de ignorância, por isso a festividade começava nele, ‘na tarde, quando se punha o sol’. Esse estado é também significado pela ‘saída dos filhos de Israel do Egito’, pois no Egito estavam num estado de servidão e, daí, num estado de ignorância, pelo que se diz: ‘no tempo determinado da saída do Egito’.
[30] O último estado da igreja, que é quando a igreja está nos falsos e males, estado que é o seu último, é significado em Moisés pelo ‘ocaso do sol’:
“Como o sol estivesse perto de se pôr, um sono pesado caiu sobre Abrahão; e eis que terror e grandes trevas caíram sobre ele; ... finalmente, quando o sol se pôs e houve trevas, eis uma fornalha de fumaça e uma tocha de fogo, que passaram entre aqueles pedaços” (Gn. 15:12, 17).
Essas palavras foram ditas a respeito da descendência de Abrahão por Jacob, ou seja, da nação israelítica e judaica, e ‘como o sol estivesse perto de se pôr’ e ‘finalmente, quando o sol se pôs’ significam o último estado da igreja com aquela nação, que eles estavam em meros falsos e males; as ‘grandes trevas’ e a ‘fornalha de fumaça’ significam os falsos provenientes do mal, e a ‘tocha de fogo’ significa o horrível amor de si, do qual vêm esses males e falsos.
[31] Assim como a maioria das coisas na Palavra tem também um sentido oposto, assim também ‘sol’ e ‘lua’, e, nesse sentido, o ‘sol’ significa o amor de si, e a ‘lua’ o falso daí. A razão por que ‘sol e lua’ significam isso é porque aqueles que estão na ideia natural somente e não na espiritual não pensam além da natureza; daí, quando eles veem que desses dois luminares, ou, de sua luz e seu calor, todas as coisas nascem e, por assim dizer, vivem na terra, supõem estar aí o domínio do universo; não elevam acima disso os pensamentos. Isto fazem todos aqueles que estão no amor de si e, daí, nos males e falsos, pois são homens meramente naturais e sensuais, e o homem meramente natural e sensual não pensa além da natureza, pois acredita que nada é aquilo que ele não vê nem toca. Os antigos, com os quais todas as coisas da igreja consistiam de representativos de coisas espirituais na naturais, e com quem, por isso, o ‘sol’ significava o Senhor quanto ao Divino Bem, e a ‘lua’ Ele quanto ao Divino Vero, e que, por isso, no culto voltavam as suas faces para a nascente do sol, aqueles que dentre estes se achavam no amor de si e, daí, eram meramente naturais e sensuais, começaram a adorar como deuses altíssimos o sol e a lua que viam com os olhos; e como somente fizeram isso ou persuadiram os outros a fazer aqueles que estavam no amor de si e, daí, nos males e falsos, por isso pelo ‘sol’ é significado o amor de si e, pelo ‘lua’, o falso daí. Isto se vê ainda mais evidentemente pelos espíritos na outra vida, que foram tais no mundo. Esses desviam a face do Senhor e a voltam para algo escuro e tenebroso que ali está em lugar do sol e da lua do mundo, em oposição ao Sol e a Lua do céu angélico (a cujo respeito se veem muitas coisas na obra O Céu e o Inferno, n. 122 e 123). Antigamente, quando todo culto Divino era representativo, foi instituído por tais pessoas um culto do sol e da lua; hoje, porém, quando os representativos cessaram, no mundo cristão não há mais culto do sol e da lua, mas, em lugar desses, o culto a si, que existe naqueles em quem predomina o amor de dominar. Daí agora se vê o que é significado pelo ‘sol’ e a ‘lua’ no sentido oposto.
[32] Que antigamente se tenha cultuado o sol e a lua é manifesto pelas nações que lhes fizeram templos, a cujo respeito há muitas referências históricas. Que também o Egito e os judeus e israelitas, vê-se pela Palavra. O Egito, em Jeremias:
O rei de Babel “virá e ferirá a terra do Egito... e quebrará as estátuas da casa do sol na terra do Egito” (Jr. 43:11, 13);
também os judeus e israelitas, em Ezequiel:
Vi “as suas faces voltadas para o oriente, e os mesmos curvaram-se em direção do nascer do sol” (Ez. 8:16);
aí se trata das abominações de Jerusalém. No segundo Livro do Reis:
O rei Josias60 “destruiu [abolevit] os sacerdotes idólatras... que queimavam incenso a Baal, ao sol, à lua e às estrelas, e a todo o exército dos céus;... destruiu além disso os cavalos que os reis de Judah tinham posto para o sol, à estrada da casa de JEHOVAH, e queimou no fogo os carros do sol” (2 Re. 23:5, 11);
em Jeremias:
“Tirarão os ossos dos reis de Judah, os ossos dos seus príncipes e os ossos dos seus sacerdotes, e os ossos dos seus profetas, e o ossos dos habitantes de Jerusalém... e os espalharão ao sol, e à lua, e a todo o exército dos céus, que eles amaram e a quem serviram” (Jr. 8:1, 2);
e, além disso, em Jr. 44:17-19, 25; Dt. 4:19; 17:3, 5.
[33] Visto que ‘Moabe’ na Palavra significa os que estão na vida do falso proveniente do amor de si e pelo culto deles é significado o culto de si, por isso, quando o povo israelita se chegou ao culto do povo moabita, foi ordenado que os cabeças do povo fossem suspensos diante do sol, a cujo respeito assim se lê em Moisés:
As filhas de Moabe ‘chamaram o povo para o sacrifício aos seu deuses; e o povo comeu, e se curou aos deuses delas; ajuntou-se Israel especialmente a Baalpeor;... por isso disse JEHOVAH a Moisés: Toma todos os cabeças do povo e suspende-os perante o sol” (Nm. 25:1-4).
Que ‘Moabe’ signifique aqueles que estão na vida do falso proveniente do amor de si e, assim, que adulteram os bens da igreja, vê-se nos n. 2468 e 8315).
[34] Daí é também evidente que o ‘sol’ do mundo significa o amor de si. Como o amor de si põe o homem em seu proprium e nele o detém, pois considera continuamente a si mesmo, e o proprium do homem não é outra coisa senão o mal e do mal vem todo falso, por isso o ‘calor do sol’ significa o vero adulterado, o qual em sua essência é o falso do mal. Isto é o que significa o ‘calor do sol’ nas seguintes passagens. No Apocalipse:
“O quarto anjo derramou a sua taça no sol, e foi-lhe dado abrasar os homens pelo fogo” (Ap. 14:8);
e em outra passagem:
“Não mais terão sede... nem cairá sobre eles o sol, nem calor algum” (Ap. 7:16).
Em David:
“De dia o sol não te ferirá, ou a lua de noite; JEHOVAH te guardará de todo mal, guardará a tua alma” (Sl. 111:6, 7);
pelo ‘sol’ aí se entende o amor de si, e pela ‘lua’ o falso daí. Como desse amor vem todo mal e deste o falso, por isso se diz que ‘JEHOVAH te guardará de todo mal, e guardará a tua alma’; pela ‘alma’ se entende a vida do vero.
[35] Em Mateus:
“Outras” sementes “caíram sobre lugares rochosos, onde não tinham muito húmus... e quando saiu o sol, queimaram-se, e, porque não tinham raiz, secaram” (Mt. 13:5, 6; Mc. 4:5, 6);
pelas ‘sementes’ são significados os veros provenientes da Palavra, ou aqueles que o homem recebe do Senhor, pois se diz em seguida que o ‘Filho do homem’ é o que semeia. Pelos ‘lugares rochosos’ é significada a fé histórica, fé essa que é a fé de outrem em si, porque acredita-se que algo é vero não por vê-lo em si, mas porque outro, em quem se confia, assim o disse. Pelo ‘húmus’ é significado o bem espiritual, porque este recebe os veros assim como o húmus recebe as sementes; ‘sair o sol’ significa o amor de si, e ‘queimar-se’ e ‘secar-se’ significa ser adulterado e perecer. Daí é evidente o que é significado por essas palavras do Senhor na série, a saber, que os veros implantados desde a infância pela Palavra ou pela pregação, quando o homem começa a pensar por si mesmo, são adulterados pelas concupiscências provenientes do amor de si e perecem. Na realidade, todas as coisas que há na Palavra são veros, mas são adulterados por ideias do pensamentos a respeito deles e por aplicações, pelo que os veros com eles não são veros a não ser quanto à mera enunciação deles. A razão disso é que toda vida do vero é proveniente do bem espiritual, e o bem espiritual reside na mente superior ou interior, que se chama mente espiritual. Essa mente não pode ser aperta naqueles que estão no amor de si, pois consideram a si mesmos em cada coisa; se elevam os olhos ao céu, mesmo assim o pensamento de seu espírito fica preso na consideração de si mesmo e, daí, pelo fogo de sua glória, excita as coisa sensuais externas e corpóreas que foram ensinadas desde a infância para imitar afeições como são as do homem espiritual.
[36] Lê-se em Jonas que ‘secou-se o kikajon61 que subiu sobre ele, e que o sol feriu sua cabeça a ponto de ele dificilmente suportar”. Como essas coisas não são compreendidas sem explicação pelo sentido interno, serão explicadas em poucas palavras. Sobre isso assim se lê em Jonas:
“JEHOVAH... preparou um kikajon, que subiu sobre Jonas, para que houvesse sombra sobre a sua cabeça, para o desviar do seu mal, e Jonas alegrou-se com o kikajon... e preparou Deus um verme quando a aurora subiu no dia seguinte, o qual feriu o kikajon, para que se secasse. Aconteceu, além disso, quando nasceu o sol, que Deus preparou um vento oriental secante, e o sol feriu a cabeça de Jonas, e desfalecia, pelo que pedia a morte de sua alma... Então disse Deus a Jonas: Acaso é justo que te zangues pelo kikajon? Disse: É justo que me zangue até a morte. Disse JEHOVAH: Tu usas de clemência pelo kikajon, no qual não trabalhaste nem o fizeste crescer, porque foi feito filho da morte, e filho da morte perece. Não usarei pois de clemência por Nínive, grande cidade, na qual há tantos quanto doze milhares de homens?” (Jn. 4:6-11).
Por essas palavras se descreve o gênio da nação judaica, que está no amor de si e, daí, nos falsos. Jonas era dessa nação, pelo que foi também enviado a Nínive. Na nação judaica havia a Palavra, donde poderiam ensinar aos que estavam fora da igreja, os quais eram chamados gentios; estes são significados por ‘Nínive’. Visto que a nação judaica estava, mais do que as outras, no amor de si e nos falsos desse amor, por isso não quiseram bem a outros senão a si mesmos; assim, não aos gentios, mas a estes odiaram; e como essa nação foi assim e Jonas o representou, por isso se zangou muito por JEHOVAH ter poupado Nínive, pois se diz que:
“Desagradou a Jonas com grande desagrado, de modo que ficou irado’, e pelo desagrado da ira, dizer: “Toma de mim, JEHOVAH, a minha alma, porque boa é a minha morte mais do que a minha vida” (Jn. 4: 1, 3).
Esse mal naquela nação é significada pelo ‘kikajon’ que o verme feriu a ponto de se secar. O ‘sol que feriu a cabeça de Jonas’ significa o amor de si que havia naquela nação, e o ‘vento oriental secante’ significa o falso dai; o ‘verme’ que feriu o kikajon significa a destruição do mal e, daí, do falso. Que isto seja significado pela kikajon é evidente pelo que está na descrição, que Jonas primeiro ‘alegrou-se com o kikajon’, e, depois que o kikajon ‘foi ferido por um verme e secou-se’, ele ‘zangou-se até a morte’, e pelo fato de se dizer que ‘usou de clemência pelo kikajon’. Que a nação judaica, por estar num tal amor e, daí, num tal falso, esteja sujeita à danação, é o que se entende por estas palavras a Jonas: “não o fizeste crescer, porque foi feito filho da morte, e filho da morte perece”. (De que natureza foi a nação judaica, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 248).
[37] Que aqui e no que precedeu seja significado o amor de si é porque pelo ‘sol’, no sentido espiritual genuíno, é significado o amor ao Senhor, e esse amor é oposto ao amor de si. Também, o Amor Divino do Senhor, que está presente em cada um, é convertido em amor de si nos maus, porque tudo o que influi num sujeito recipiente é convertido no que convém à sua natureza; é como o puro calor do sol, em mau cheiro nos sujeitos de tal natureza, e a luz do sol pura nas cores feias nos objetos de tal recepção. Daí é que ‘sol que feriu a cabeça de Jonas’ significa o amor de si, a saber, nele; e também o ‘sol nascente’ pelo qual foram queimadas as sementes sobre os lugares rochosos, citado em Mateus.
[38] No Apocalipse:
“A cidade” Nova Jerusalém “não precisa de sol e lua para que a clareiem, porque a glória de Deus a ilumina, e sua lâmpada é o Cordeiro” (Ap. 21:23; 22:5);
pelo ‘sol’ aí, de que a cidade Nova Jerusalém não precisará, é significado o amor natural, que, considerado em si mesmo, é o amor de si e do mundo; e pela ‘lua’ é significa o lume natural, pois o lume natural considerado em si mesmo vem do amor natural, e a qualidade do lume é segundo a qualidade do amor, mas o amor espiritual e a luz espiritual são significados por ‘a glória de Deus a iluminará, e a sua lâmpada é o Cordeiro’.
[39] Que seja este o sentido dessas palavras, é claramente evidente por esta passagem em Isaías:
“Não haverá mais para ti o sol para luz do dia, e não luzirá para ti a lua em esplendor, mas JEHOVAH te será por luz de eternidade, e teu Deus será por teu ornamento. Não mais se porá o teu Sol, e a tua Lua não se recolherá, porque JEHOVAH te será por luz de eternidade, e serão cumpridos os dias de teu luto” (Is. 60:19, 20);
pelo ‘sol’ e pela ‘lua’ são significadas coisas semelhantes que acima, na primeira passagem do Apocalipse, a saber, pelo ‘sol’ o amor meramente natural, e pela ‘lua’ o lume natural daí. Mas pelo ‘Sol’ e pela ‘Lua’ na segunda passagem é significado o Divino amor do Senhor, e pela ‘Lua’ o Divino Vero, como foi explicado acima, porque primeiro se diz: ‘não haverá mais para ti o sol para luz do dia, e não luzirá para ti a lua em esplendor’; e depois se diz: ‘não mais se porá o teu Sol, e a tua Lua não se recolherá’. Por aí é agora evidente o que significam o ‘sol’ e a ‘lua’ em ambos os sentidos.