AE 403

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Como a figueira, sacudida por grande vento, lança seus figos verdes”. Que isto signifique as quais o homem natural assolou pelos raciocínios, vê-se pela significação de ‘figueira’, que é o homem natural, de que se tratará a seguir; pela significação de ‘seus figos verdes’, que são as coisas que estão no homem natural, sendo principalmente as cognições do homem natural implantadas desde a infância e ainda não amadurecidas, porquanto foram somente ouvidas e, daí, recebidas; e pela significação de ‘sacudida por grande vento’ que são as [cognições] que o homem natural assolou pelos raciocínios; ‘sacudida por grande vento’ significa aqui os raciocínios pelos falsos do mal, pois ‘grande’, na Palavra, se diz do bem e do mal, e ‘vento’ se diz do vero e do falso’, e ‘sacudida por ele’ se diz do raciocínio daí. Que tais coisas sejam significadas por essas palavras, ainda que tenham sido ditas comparativamente, é porque todas as comparações na Palavra têm significação, assim como as demais coisas ali, pois as comparações são igualmente correspondências. Em relação a isto, o caso é assim: todo homem nasce natural por seus pais, mas torna-se espiritual pelo Senhor, o que se chama ser nascido de novo ou se regenerado. E como nasce natural, por isso as cognições que absorveu desde infância, antes de se tornar espiritual, são implantadas em sua memória natural. Quando, porém, avança em idade e começa a examinar racionalmente as cognições do bem e do vero que absorveu da Palavra ou da pregação, se então vive uma vida má, apossa-se e imbui-se de falsos que são opostos e contrárias a essas cognições; então, como é dotado da capacidade de raciocinar, raciocina pelos falsos contras as cognições de sua infância e da meninice. Quando se faz isso, as cognições são expelidas e em lugar deles sobrevêm os falsos. Estas são, pois, as coisas significadas por ‘as estrelas caírem na terra como a figueira, sacudida por grande vento, lança os figos verdes’.
[2] Que a ‘figueira’ signifique o homem natural, isto vem da correspondência, porque no céu aparecem jardins e paraísos, onde há todos os gêneros de árvores, e cada árvore significa algo do Divino que é comunicado aos anjos pelo Senhor. Em geral, a ‘oliveira’ significa o celeste, que é do bem do amor; a ‘videira’, o espiritual, que é do vero desse bem; e a ‘figueira’, o natural, que é derivado ou do espiritual ou do celeste. E uma vez que essas árvores significam essas coisas, por isso também significam o anjo ou o homem em que essas coisas se acham. Num sentido geral, porém, significam toda a sociedade, porque cada sociedade nos céus é formada de modo a apresentar a imagem de um homem. Mas no sentido espiritual essas árvores significam a igreja: a ‘oliveira’, a igreja celeste; a ‘videira’ a igreja espiritual, e a ‘figueira’ a igreja natural, que é a igreja externa correspondente à interna. Por aí se pode ver de onde vem dizer que a ‘figueira’ significa o homem natural, isto é, o natural no homem.
[3] Que a ‘figueira’ signifique isso e, no geral, signifique a igreja externa, é evidente também por outras passagens na Palavra onde ela é nomeada, como nas que se seguem. Em Isaías:
“Desfar-se-á todo o exército dos céus, e os céus se enrolarão como um livro; e todo o exército deles cairá, como cai a folha da videira, e como o que cai da figueira’ (Is. 34:4);
tais palavras foram ditas a respeito do juízo final que viria e que também veio, pois o juízo final predito pelos profetas do Velho Testamento foi efetuado pelo Senhor quando Ele esteve no mundo. E como aconteceram coisas semelhantes às que houve no juízo final predito no Apocalipse e que hoje é efetuado pelo Senhor, por isso aqui se dizem quase as mesmas coisas. Por exemplo, em Isaías se diz que ‘todo o exército dos céus cairá como cai a folha da videira e como o que cai da figueira’, e depois que ‘os céus se enrolarão como um rolo de livro’. No Apocalipse, diz-se que ‘as estrelas cairão na terra como a figueira lança seus figos verdes’ e que ‘o céu se retirará como um livro enrolado’. Que ‘desfar-se-á’ todo o exército dos céus significa foram corrompidos todos os bens e veros, que são do amor e da fé, porque pelo ‘exército dos céus’ se entendem todos os bens e todos os veros que são do amor e da fé. Com efeito, o sol, a lua e as estrelas, pelas quais eram significadas, chamavam-se ‘exército dos céus’. Que ‘os céus se enrolarão como um rolo de livro’ significa a dissipação deles; ‘todo o exército cairá como a folha da videira, e como o que cai da figueira’ significa a assolação pelos falsos do mal.
[4] Em Jeremias:
“Consumindo os consumirei; não há uvas na videira, nem figos na figueira, e a folha cairá” (Jr. 8:13);
‘não há uvas na videira’ significa que não há bem espiritual, pois a ‘videira’ significa o homem espiritual, e a ‘uva’, por ser seu fruto, o bem dele, que se chama bem espiritual; ‘não há figo na figueira’ significa que não há bem natural, pois a ‘árvore figueira’ significa o homem natural, e o ‘fruto, o figo’ significa o bem dele, que se chama bem natural. Que a ‘videira’ não signifique uma videira nem ‘figueira’ signifique uma figueira, é evidente, pois se diz: ‘consumindo os consumirei; não há uvas na videira, nem figos na figueira’, pois elas não seriam por isso consumidas. Trata-se da devastação da igreja, como se vê claramente pelas coisas que precedem e se seguem ali.
[5] Em Oséias:
“Farei cessar todo o seu regozijo, a sua festa, a sua lua nova, o seu sabbath... e devastarei a sua videira e a sua figueira, das quais disse: Elas são minha paga de meretrício... e farei dela uma floresta, e a fera do campo a comerá” (Os. 2:11, 12);
trata-se aí das igrejas e da falsificação do vero aí. Que se trate de igreja é evidente pelo segundo versículo desse capítulo, onde se diz:
“Contendei com vossa mãe, porque ela não é Minha esposa, e Eu não sou seu marido” (Os. 2:2);
por ‘mãe’ e ‘esposa’ se entende a igreja. Também as coisas santas da igreja, pelas quais se prestava o culto, são significadas pela ‘festa’, a ‘lua nova’ e o ‘sabbath’, que cessarão. Por isso, ‘devastarei a sua videira e sua figueira’ significa que tanto o bem espiritual quanto o bem natural iriam perecer; ‘farei dela uma floresta, e a fera do campo a comerá’ significa que ambos serão meramente natural, e que o espiritual seria consumido pelas falsidades e pelas cobiças; a ‘floresta’ significa o meramente natural, e a ‘fera do campo’ significa as falsidades e cobiças. E visto que as falsidades na igreja são principalmente veros falsificados, e disto se trata nesse capítulo, por isso se diz: ‘das quais disse: Elas são minha paga de meretrício’; ‘paga de meretrício’ significa a falsificação.
[6] Em Joel:
“Uma nação subirá sobre a Minha terra, forte e sem número; seus dentes são como dentes de leão, e tem queixadas de leoa feroz. ??? Fez da Minha videira uma devastação, e de minha figueira, espuma. ... Embranqueceram-se os seus ramos... a videira se secou e a figueira enfraqueceu-se, e também a romãzeira, a palmeira e a macieira, todas as árvores do campo se secaram” (Jl. 1:6, 7, 12);
Trata-se em todo esse capítulo da igreja devastada, e pela ‘nação que sobe sobre a terra, que é forte e sem número, cujos dentes são como dentes de leão e queixadas ferozes de leão’ não é significada alguma nação que seja assim, mas o mal medonho e a falso daí; pela ‘terra’ sobre a qual sobe é significada a igreja; pelos ‘dentes de leão’ são significados os falsos desse mal, e como esses destroem todos os veros e bens da igreja, são chamados ‘dentes de leão e suas queixadas ferozes’; pelo ‘leão’ é significado o que destrói. Assim, ‘fez da Minha videira uma devastação, e de minha figueira, espuma’ significa que a igreja interna e externa foi devastada por eles, pois a ‘videira’ significa a igreja interna e a ‘figueira’ a externa; ‘espuma’ significa onde não há interiormente o vero. ‘Desnudando desnudou-a, e a lançou fora’ significa que não há mais bem nem vero que não tenha sido destruído; ‘desnudar’, ou seja, dos frutos e das folhas, é fazê-lo em relação aos bens e veros, e ‘lançar fora’ é destruir completamente; ‘embranqueceram-se os seus ramos’ significa não há mais espiritual algum. ‘A romãzeira, a palmeira e a macieira, todas as árvores do campo se secaram’ significam espécies de bens e de veros da igreja e as suas cognições, que foram consumidas pelos males e falsos; as ‘árvores do campo’ significa em geral as cognições do bem e do vero.
[7] No mesmo:
“Não temais, bestas dos Meus campos, porque herbosas se tornaram as habitações do deserto, porque a árvore dá o seu fruto, e a figueira e a videira darão a sua força” (Jl. 2:22);
aí se trata da instauração da igreja; por isso, pelas ‘bestas do campo’ não se entendem bestas do campo, mas afeições do bem no homem natural, assim, aqueles em que se acham essas afeições. Quem não vê que são às bestas que se diz ‘não temais, bestas dos Meus campos?’ Pelas ‘habitações do deserto que se tornaram herbosas’ é significado que neles haverá cognições do vero onde não havia antes; ‘habitáculos do deserto’ são os interiores da mente daqueles em quem não havia antes; ‘herboso’ significa o crescimento e a multiplicação delas; ‘porque a árvore dá o seu fruto, e a figueira e a videira darão a sua força’ significa que terão o bem natural e o bem espiritual, pois a ‘força’ aí é a produção do fruto.
[8] Em Amós:
“Vossos muitos jardins, e vossas vinhas, e vossas figueiras, e vossas oliveiras a lagarta comeu, todavia não vos convertestes a Mim” (Am. 4:9);
pelos ‘jardins’ são significadas todas as coisas da igreja que fazem a inteligência e a sabedoria; pelas ‘vinhas’, os bens e veros espirituais; pelas ‘figueiras’ os bens e veros naturais; pelas ‘oliveiras, os bens e veros celestes; a ‘lagarta’ é o falso que destrói; ‘figueira’, ‘videira’ e ‘oliveira’ significam propriamente a igreja e o homem da igreja, mas como a igreja é igreja e o homem é homem pelos bens e veros, por isso também estes são significados por essas árvores, os bens pelos seus ‘frutos’ e os veros pelos seus ‘ramos’ e ‘folhas’.
[9] Em Ageu:
“Ponde... vosso coração desde este dia em diante;... há ainda semente no celeiro? e mesmo para a videira, e a figueira, e a romãzeira e a árvore da oliva?” (Ag. 2:18, 19);
por essas palavras, no sentido espiritual, entende-se que ainda há bens e veros restantes. Todos os bens e veros, dos primeiros aos últimos, se entendem por ‘videira, figueira, romãzeira e árvore da oliva’; pela ‘videira’, o bem e o vero espirituais; pela ‘figueira’ o bem e o vero naturais; pela ‘romãzeira’ em geral o cognitivo e o perceptivo, e em especial as cognições e as percepções do bem e do vero, e pela ‘árvore da oliva’ a percepção do bem e do vero celestes; o ‘celeiro’ significa onde estão tais coisas, seja na igreja, seja no homem em quem há a igreja, seja na mente do homem às quais está sujeito ??? [dif inglês].
[10] Em Habacuque:
“A figueira não florescerá, nem haverá produto nas videiras; o trabalho da oliveira mentiu, e os campos não darão comida” (Hb. 3:17);
‘a figueira não florescerá’ significa que não haverá o bem natural; ‘nem haverá produto nas videiras’ significa que não haverá o bem espiritual; ‘o trabalho da oliveira mentiu’ significa que não haverá bem celeste; ‘os campos não darão comida’ significa que nenhuma nutrição espiritual haverá.
[11] Em Moisés:
“JEHOVAH Deus... que te conduz a uma terra boa, terra de correntes de água, de fontes e de abismos, que saem do vale e do monte; terra de trigo e de cevada, e de videira e figueira e romãzeira, terra de azeite de oliveira e de mel” (Dt. 8:7, 8);
pela ‘terra boa’ à qual eram conduzidos se entende a terra de Canaan, pela qual é significada a igreja; por isso, coisas semelhantes às que foram vistas logo acima são significadas aqui pela ‘videira’, pela ‘figueira’, pela ‘romãzeira’ e pela ‘oliveira’. (As demais veem-se explicadas no n. 374). Visto que pela ‘terra de Canaan’ é significada a igreja, e pela ‘videira’, pela ‘figueira’ e pela ‘romãzeira’ são significadas as igrejas interna e externa, por isso aconteceu que os exploradores daquela terra trouxeram dali tais coisas, das quais assim se lê em Moisés:
Os exploradores da terra de Canaan ‘vieram à corrente Escol e cortaram dali um ramo e um só cacho de uvas que dois carregaram numa verga, e das romãzeiras e das figueiras” (Nm. 13:23).
[12] Como a ‘videira’ e a ‘figueira’ significam isso, por isso se diz na Palavra a respeito dos que estão nos bens e veros da igreja e, daí, na proteção contra os males e falsos, que eles se assentam sob a sua videira e sob a sua figueira em segurança e nada há que os atemorize. Por exemplo, no Primeiro Livro dos Reis:
“Judah e Israel habitaram em segurança, cada um debaixo de sua videira e debaixo de sua figueira, desde Dan até Berseba, por todos os dias de Salomão” (I Re. 4:25).
Em Zacarias:
“Removerei a iniquidade desta terra em um só dia; naquele dia... clamará o varão ao companheiro, à videira e à figueira” (Zc. 3:9, 10).
E em Miquéias:
“No fim dos dias acontecerá que o monte da casa de JEHOVAH será estabelecido como cabeça dos montes;... nação não levantará a espada sobre nação, nem aprenderão mais a guerra, mas assentar-se-ão, cada um debaixo de sua videira e debaixo de sua figueira, nem haverá quem os atemorize” (Mq. 4:1, 3, 4);
estas coisas foram ditas a respeito do reino do Senhor, que existe naqueles que, nos céus e nas terras, estão no amor a Ele. O reino do Senhor é significado pelo ‘monte de JEHOVAH, que será estabelecido na cabeça dos montes’, pois ‘monte de JEHOVAH’ significa o reino do Senhor composto daqueles que estão no amor a Ele; e como esses habitam acima dos demais, nos céus, por isso se diz daquele monte que ‘será estabelecido como cabeça dos montes’ (vide na obra O Céu e o Inferno, n. 188). Como esses têm os veros inscritos nos corações e, por isso, não disputam a respeito deles, diz-se que ‘nação não levantará espada contra nação, nem aprenderão mais a guerra’, que significa que naquele reino não haverá disputa a respeito dos veros (vide na mesma obra os n. 25, 26, 270 e 271). Que serão protegidos dos males e falsos pelos veros e bens em que estão, é o que significa ‘assentar-se-ão, cada um debaixo de sua videira e debaixo de sua figueira, nem haverá quem os atemorize’;
[13] Em Jeremias:
“Eis que Eu trago sobre vós uma nação de longe... que comerá a tua seara e o teu pão; comerá os teus filhos e as tuas filhas; comerá teu rebanho e tua manada; comerá tua videira e tua figueira” (Jr. 5:15, 17);
a ‘nação de longe’ significa o mal oposto ao bem celeste; ‘de longe’ significa distante e removido dos bens e veros, assim, oposto; ‘que comerá a tua seara e o teu pão’ significa que destruirá todos os veros e bens pelos quais há a nutrição espiritual; ‘que comerá teus filhos e tuas filhas’ significa todas as afeições do vero e do bem espirituais; ‘que comerá teu rebanho e tua manada’ significa os veros e bem internos e externos; ‘que comerá tua videira e tua figueira’ significa, portanto, a igreja interna e externa.
[14] Em Oséias:
“Como uvas no deserto achei Israel, como primícias na figueira, no início vi vossos pais” (Os. 9:10);
por ‘Israel’ e pelos ‘pais’ aí não se entendem os pais das tribos dos filhos de Jacob, mas os que foram da Igreja Antiga, porque eles estiveram no bem (vide nos Arcanos Celestes, n. 6050, 6075, 6846, 6876, 6884, 7649 e 8055). Como eles estiveram no bem, mas, no princípio, na ignorância do vero pela qual, todavia, há o bem, por isso se diz: ‘como uvas no deserto achei Israel, como primícias na figueira, no início vi vossos pais’; as ‘uvas’ significam o bem espiritual; o ‘deserto’ significa a ignorância do vero; a ‘primícia na figueira’ significa o bem natural proveniente do bem espiritual na infância.
[15] Em Lucas:
“Quando todas essas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças;... e disse uma parábola: Olhai a figueira e todas as árvores; quando já brotaram, vendo sabeis por vós mesmos que já está próximo o verão; assim também vós, quando virdes isso acontecer, sabei que está próximo o reino de Deus” (Lc. 21:28-31; Mt. 24:32; Mc. 13:28-29);
trata-se aí da consumação do século, que é o tempo do juízo final, e são enumerados os sinais que precedem, os quais se entendem por ‘quando todas essas coisas começarem a acontecer’. Que então deva nascer uma nova igreja, a qual será externa no início, é o que significa ‘olhai a figueira e todas as árvores, quando já brotaram’. Essa ‘parábola’ ou similitude foi proferida porque a ‘figueira’ significa a igreja externa, e as ‘árvores’ significam as cognições do vero e do bem; o ‘reino de Deus’ que então está próximo significa uma nova igreja do Senhor, porque no tempo do juízo final a velha igreja perece e uma nova começa.
[16] Em Lucas:
“Toda árvore pelo próprio fruto é conhecida, porque não se colhem figos dos espinhos, nem da sarça se vindima a uva” (Lc. 6:44; Mt. 7:16).
Como o ‘fruto’ significa o bem da vida, e o bem da vida é o bem externo proveniente do interno, ou o bem natural proveniente do espiritual, e visto que por esse bem se conhece o homem, por isso o Senhor diz: ‘toda árvore pelo próprio fruto é conhecida, porque não se colhem figos dos espinhos, nem da sarça se vindima a uva’, porque o figo’ aqui é o bem do homem externo ou natural, e a ‘uva’ é o bem do homem interno ou espiritual; ‘espinhos’ e ‘sarça’ são os males opostos a esses bens.
[17] Uma vez que os reis de Judah e Israel representavam o Senhor quanto ao Divino Vero, e o Divino Vero se aflige, por assim dizer, e padece ??? no homem quando não aplicado à vida e se torna bem da vida, mas vive quando se torna bem da vida, isto é significado pelo fato de que
Por ordem de JEHOVAH trouxessem para Ezequias, rei de Judah, estado este doente, uma pasta de figos, e aplicassem-na sobre a úlcera, e assim viveria (II Re. 20:7; Is. 38:21).
Por aí se pode ver que a ‘figueira’, no sentido genuíno, significa o homem natural quanto bem e ao vero; a ‘figueira’ mesma, como árvore, o homem natural, o ‘figo’, como fruto, o bem do homem natural, e a sua ‘folha’, o vero desse bem.
[18] Que, porém, no sentido oposto, a ‘figueira’ signifique o homem natural quanto ao mal e ao falso, a ‘figueira’ como árvore esse homem natural, o seu ‘figo’ ou fruto o mal desse homem natural, e a sua ‘folha’ o falso desse mal, é o que se pode ver pelas seguintes passagens. Em Jeremias:
“JEHOVAH me mostrou, e eis dois cestos de figos postos diante do templo de JEHOVAH... um cesto com figos muito bons, como de figueiras produzindo primícias; e o outro de figos muito maus, que não se poderiam comer, por causa da malícia. ... Disse JEHOVAH: ... Assim como os figos são bons, assim reconhecerei a migração de Judah ... para a terra dos caldeus para o bem, e porei Meu olho sobre eles para o bem, e os trarei de volta sobre esta terra, e os edificarei... e os plantarei; ... e assim como os figos maus, assim porei... os que forem deixados nesta terra... em comoção e em mal para todas as nações, e enviarei a eles a espada, a fome e a peste, para que sejam consumidos” (Jr. 24:1-10);
O cativeiro dos judeus na terra dos caldeus significa o mesmo que o cativeiro espiritual ou a remoção dos bons de entre os maus, no mundo espiritual, segundo o que foi relatado acima (n. 391, 392, 294 e 397), ou seja, que aqueles que eram interiormente maus, ainda que pudessem levar uma vida moral semelhante à vida moral nos externos, permaneceram sobre a terra, no mundo espiritual, e fizeram para si habitações sobre os lugares mais elevados ali. Os que eram interiormente bons, porém, foram removidos de entre os maus e ocultos pelo Senhor na terra inferior. Isto foi representado pela transposição dos judeus para a terra dos caldeus e pela permanência dos que restaram na terra. Por isso se diz daqueles que se deixaram transportar à terra dos caldeus: ‘reconheço a transmigração de Judah à terra dos caldeus como um bem, e porei Meu olho sobre eles para o bem, e os trarei de volta sobre esta terra, e os edificarei e os plantarei’; mas, a respeito dos permaneceram, foi dito: ‘Porei os que forem deixados nesta terra em comoção, e em mal de todas as nações, e enviarei a eles a espada, a fome e a peste, para que sejam consumidos’. Que tenham sido representadas essas coisas, vê-se também por isso, que o templo de Salomão foi destruído antes da deportação, e um novo foi edificado quando eles voltaram. Pelo ‘templo’ é significado o culto Divino, e pelo ‘novo templo’ esse culto restaurado.
[19] Por aí se pode ver o que é significado pelos ‘dois cestos de figos postos diante do templo de JEHOVAH, em um dos quais havia figos muito bons, como de figueiras produzindo primícias, e no outro figos muito maus, que não se poderiam comer por causa da malícia’, a saber, que aqueles que são interiormente bons, dos quais foi formado o novo céu, se entendem pelo ‘cesto de figos bons’, e aqueles que são interiormente maus, que foram precipitados no inferno, se entendem pelo ‘cesto de figos maus’. Por isso se diz destes que ‘não se poderiam comer por causa da malícia’, que significa que são interiormente maus, e daqueles se diz que são ‘como de figueiras produzindo primícias’, que significa que são interiormente bons, de modo que o novo céu é formado por eles. Com efeito, o ‘figo’, como fruto, significa o bem da vida na forma interna e externa ao mesmo tempo, e, no sentido oposto, significa o bem da vida somente na forma externa, que é o mal da vida, porque é interiormente mau, pois todo externo tira sua qualidade do interno, porque é o seu efeito. Que o mal neles apareça nos externos como bem é porque simulam o bem por causa do mal, que é interior, para obterem um fim cujo bem aparente serve como meio. Em outra passagem no mesmo livro se diz algo semelhante sobre aqueles que permaneceram na terra de Canaan:
“Assim disse JEHOVAH a respeito do rei... e de todo o povo que habita nesta cidade, que não saíram convosco para o cativeiro... Eis que Eu envio a eles a espada, a fome e a peste, e os farei como figos ruins, que não se podem comer por causa da malícia” (Jr. 29:16-17).
[20] Que a ‘figueira’, como árvore, signifique no sentido oposto o homem meramente natural, e a igreja composta de semelhantes pessoas, ou nas quais não existe o bem natural por não haver interiormente o bem, vê-se em Lucas:
Jesus “disse esta parábola: Alguém tinha uma figueira plantada na vinha; veio, pois, buscando fruto nela mas não achou. Disse ao vinhateiro: Eis que por três anos venho buscando fruto nesta figueira, mas não acho. Corta-a. Por que faz também a terra infrutífera? Mas ele, respondendo, disse: Senhor, deixa-a também este ano, para que eu cave à volta dela, e ponha esterco, se talvez dá fruto; se não, no futuro, cortá-la-ás” (Lc. 13:6-9);
pela ‘vinha’ na qual estava a ‘figueira’ é significada a igreja onde também se acham os que estão nos externos, pois na igreja do Senhor há o interno e o externo; o interno da igreja é a caridade e, daí, a fé, mas o externo da igreja é o bem da vida. Como as obras da caridade de fá, que são o bem da vida, pertencem ao homem natural, e a caridade mesma e a fé daí pertencem ao homem espiritual, assim, pela ‘vinha’ é significado o interno da igreja e pela ‘figueira’ o seu externo. Na nação judaica havia somente o externo da igreja, porque ela estava no culto externo representativo; por isso, pela ‘figueira’ se entenda a igreja com aquela nação. Como, porém, eles estavam no culto externo e em nenhum interno, eram interiormente maus; e como o culto externo sem o interno não é culto, e com os maus o culto é mal, por isso neles não havia bem natural algum. Por isso disse que ‘por três anos não achou fruto na figueira’, e ‘disse ao vinhateiro que fosse cortada’, pelo que é significado que do início ao fim não havia bem natural naquela nação. Com efeito, ‘por três anos’ significa todo o período ou o tempo do início ao fim, e pelo ‘figo, o fruto’ é significado o bem natural. Pelo bem natural se entende o bem espiritual natural, ou o bem no natural pelo espiritual. E visto que a igreja composto de tais que não estão no bem natural, como era a nação judaica, não é igreja, por também foi dito: ‘Por que faz a terra infrutífera?’; a ‘terra’ é a igreja. O fato de o ‘vinhateiro ter dito que a deixasse ainda, e que cavaria à volta dela’ significa que fossem deixados e que seria instruídos depois pelos cristãos, em cujo meio estariam. Como, porém, nada foi respondido a isso, entende-se que a figueira ainda sim não produziria fruto, isto é, que aquele nação não produziria bem algum que procedesse algum espiritual.
[21] Isto é significado pela ‘figueira que se secou’ porque o Senhor não achou fruto algum nela, em Mateus:
Jesus, “voltando pela manhã à cidade, teve fome; e, vendo uma figueira no caminho, veio a ela, mas nada achou nela senão folhas; por isso lhe disse: Nunca mais nasça [fruto] de ti, eternamente, pelo que se secou desde o tempo de figos” (Mt. 21:18, 19; Mc. 11:12-14);
também aí, pela ‘figueira’ se entende a igreja na nação judaica; que naquela nação não havia bem natural algum, mas somente o vero falsificado, o qual em si é o falso, é significado pelo fato de o Senhor ter vindo à figueira mas nada encontrar nela senão folhas. O fruto que não foi achado significa o bem natural, como o que foi descrito acima, e a ‘folha’ significa o vero falsificado, que em si é o falso, pois a ‘folha’ na Palavra significa o vero, mas a folha da árvore que está sem fruto significa o falso, e, naquela nação, o vero falsificado, porque eles tinham a Palavra, na qual estão os veros, mas os falsificaram pela aplicação a si mesmos, donde vieram as suas tradições. Que aquela nação nunca faria bem algum de origem espiritual, o qual se chama espiritual natural, é o que significa as palavras que o Senhor disse a ela: ‘Nunca mais nasça [fruto] de ti, eternamente, pelo que ela se secou desde aquele tempo’. “Secar-se’ significa não ter mais bem e vero. Que o Senhor tenha visto e dito isso quando voltou à cidade e teve fome é porque pela ‘cidade de Jerusalém’ é significada a igreja, e por ‘ter fome’, quando se trata do Senhor, é significado desejar o bem na igreja (vide acima, n. 386). Quem não sabe o que significa a ‘figueira’ e que por essa ‘figueira’ se entende a igreja com aquela nação não pensa outra coisa senão que o Senhor fez isso por indignação por ter tido fome. Mas isso não aconteceu por esse motivo, mas para que fosse significado que a nação judaica era tal. Com efeito, todos os milagres do Senhor envolvem e significam coisas tais que são do céu e da igreja, pelo que esses milagres foram Divinos (vide n. 7337, 8364 e 9051 no fim).
[22] A igreja pervertida ou o homem da igreja pervertido quando ao seu homem natural ou externo é também significado pela ‘figueira’ em David:
“Deu a chuva deles por saraiva, fogo de chamas na sua terra; e feriu a sua videira e a sua figueira; quebrou a árvore de seu limite” (Sl. 105:32, 33);
essas palavras foram ditas a respeito do Egito, pelo qual é significado o homem natural que está nos falsos e males; pela ‘videira’, pela ‘figueira’ e pela ‘árvore do limite’ são significadas todas as coisas da igreja; pela ‘videira’, suas coisas internas ou espirituais, pela ‘figueira’ suas coisas externas ou naturais, e pela ‘árvore do limite’ todo o cognitivo e perceptivo; pelo ‘limite’ é significado o último, no qual os interiores terminam e no qual estão simultaneamente, e pelas ‘árvores’ as cognições e percepções. Como todas essas coisas foram pervertidas e, por isso, condenadas, foi dito que que foram ‘feridas e quebradas’, pelo que são significadas a destruição e a danação. Que isto ocorreu por causa dos falsos do mal que vêm do amor do mundo é significado por ‘a chuva deles por saraiva, fogo de chamas na sua terra’; ‘chuva como saraiva’ significa os falsos do mal, e ‘fogo de chamas’ significa o amor do mundo.
[23] Em Naum:
“Todas as tuas fortalezas como figueiras com as primícias, que, se abaladas, caem sobre a boca dos que comem” (Na. 3:12);
essa palavras são a respeito da ‘cidade de sangues’, pela qual é significada a doutrina na qual os veros foram falsificados e os bens adulterados. Ela é comparada às ‘figueiras com as primícias, que, se abaladas, caem sobre a boca dos que comem’, e por isto é significado que os bens aí não são bens, ainda que pareçam bens; não são recebidos, e, se forem recebidos, o são somente na memória e não no coração. Que ‘caiam quando abaladas’ significa que não são bens ainda que pareçam bens, porque são ‘primícias’; e ‘sobre a boca dos que comem’ significa a não recepção, nem mesmo na memória. Que a ‘boca dos que comem’ signifique não receber, vê-se pelas aparências no mundo espiritual, porque ali parece que se recebe na boca aquilo que levam à memória; por isso, ‘cair sobre a sua boca’ significa não receber sequer na memória, mas somente ouvir; e, também, se o recebem, é somente na memória e não de coração. Pela ‘figueira com as primícias’ se podem entender também os bens genuínos, com os quais se dá o mesmo que com os que estão nos falsos do mal.

[VERSAO IMPRESSA]

Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.