. “Para que nenhum vento soprasse”. Que isto signifique para que os bons não fossem prejudicados e os maus não fossem expulsos antes do dia, vê-se pela significação de ‘vento’, que é o Divino procedente, o qual é o Divino Bem unido ao Divino Vero; por isso, ‘para que nenhum vento soprasse’ significa que moderasse influísse suavemente. Que ‘para que nenhum vento soprasse sobre a terra’ signifique para que os bons não fossem prejudicados e os maus não fossem expulsos antes do dia é porque as separações dos bons de entre os maus e as expulsões dos maus no mundo espiritual se fazem por vários graus de moderação e de intensificação do Divino procedente do Senhor como Sol. Quando este influi moderadamente, então os bons são separados dos maus, e como influi intensamente, então os maus são expulsos. As causas disso são: quando o Divino vindo do Senhor influi moderadamente, há então tranquilidade e serenidade em toda parte, quando todos se mostram tais quais são quanto ao estado de seu bem, pois então todos estão na presença da luz. Por esse motivo, então os que se acham no bem por uma origem espiritual são separados daqueles que estão no bem somente por uma origem natural, pois o Senhor visa àqueles que estão no bem espiritual e os chama a Si, e assim os separa. Os que estão no bem por uma origem espiritual são aqueles a cujo respeito se diz na sequência, que ‘são assinalados nas testas’, pois são espirituais e anjos do céu. Mas aqueles que estão no bem somente por uma origem natural, esses não estão no bem, porque não são espirituais, porquanto o bem que aparece neles é o mal, porque visa a si e ao mundo como fim. Com efeito, o agem bem na forma externa por causa de sua glória, honra e lucro, e não por causa do bem do próximo; por conseguinte, fazem o bem somente para serem vistos pelos homens. Esses, que são meramente naturais, são os ‘não assinalados’ e que depois são expulsos. Quando, todavia, o Divino do Senhor influi intensamente, então os bens que há nos maus são dissipados, porque em si mesmos não são bens, mas males, e os males não suportam o influxo do Divino. Daí acontece que os externos neles são fechados, e quando esses são fechados os interiores são abertos, nos quais nada há senão males e, daí, falsos, donde eles têm dores, angústias e tormentos, pelo que se lançam nos infernos, onde há semelhantes males e falsos. [2] Quando o influxo do Divino é aumentado – o que acontece quando os maus devem ser expulsos – então nos lugares mais baixos no mundo espiritual surge um vento que sopra mais fortemente, como uma tempestade e uma procela; esse vento é o que se chama na Palavra ‘vento oriental’, do qual também se tratará na sequência. Daí é, também, que a expulsão dos maus é descrita na Palavra pelos ventos veementes e impetuosos, pelas tempestades e pelas procelas. Pelo ‘vento de Jehovah’ é significado o mesmo que é significado pelo ‘espírito de Jehovah’, pois se entende o vento da respiração, que também se chama ‘fôlego’. Assim é que na língua hebraica e em muitas outras línguas ‘espírito’ é denominado pelo mesmo vocábulo que ‘vento’. É por esta causa que a maior parte dos homens não concebeu outra ideia a respeito do espírito senão a de que é como um vento, como é o vento da respiração; daí vêm as opiniões em todo o mundo erudito também de que os espíritos e os anjos são como ventos nos quais existe somente o vital do pensamento. E esta é também a razão pela qual poucos dentre eles se deixam persuadir de que os espíritos e os anjos são homens, dotados de corpo, faces e órgãos dos sentidos, como os homens na terra. Que os termos ‘vento’ e ‘espírito’, onde se fala a respeito do homem, signifiquem a vida do vero, ou a vida segundo os veros ou preceito do Senhor é porque a respiração, que pertence aos pulmões, corresponde a essa vida, e o coração e seus movimentos correspondem à vida do bem. Com efeito, há duas vidas que fazem uma só no homem, a vida do vero e a vida do bem; a vida do vero é a vida do entendimento do homem, mas a vida do bem é a vida de sua vontade, pois no entendimento residem os veros, porque estes fazem o entendimento, mas na vontade residem os bens, porque estes fazem a vontade. O mesmo é significado na Palavra por ‘alma e coração’ quando ambos são nomeados. [3] Por aí se pode ver o que se entende por ‘vento’ e por ‘espírito de Jehovah’, a saber, o Divino Vero; e pelos ‘quatro ventos’, o Divino Vero unido ao Divino Bem. Visto que pelo ‘vento’ se entende o vento ou fôlego da respiração, e por este é significado o Divino Vero e a vida espiritual para aqueles que o recebem, por isso esse vento também é chamado ‘hálito das narinas de Jehovah’, e também ‘hálito da boca’ e ‘respiração’, como se pode ver pelas seguintes passagens. Em Ezequiel: “Vi, e sobre” os ossos secos “subiram nervos e carne, e pele lhes cobriu por cima, embora não houvesse espírito6 neles. Então me disse: Profetiza sobre o espírito, profetiza, ó filho do homem, e diz ao espírito: Assim diz o Senhor Jehovih: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e sopra nestes mortos, para que vivam” (Ez. 37:8, 9). No artigo imediatamente precedente foi dito o que é significado aí pelos ‘ossos secos’, a saber, aqueles que não têm vida espiritual alguma ou que não têm vida alguma pelo Divino Vero. A inspiração dela pelo Senhor é significada por ‘profetiza sobre o espírito, e diz ao espírito: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e sopra nestes mortos, para que vivam’. É evidente que pelo ‘espírito’, aqui, se entende o fôlego da respiração, pois havia nervos, carne e pele, mas ainda não havia respiração, pelo que foi dito: ‘Diz ao espírito que sopre neles’. Daí se pode ver que esse ‘espírito’ ou ‘vento’ significa a vida espiritual. Que não se entenda a respiração comum vê-se pelo fato de se dizer que ‘a casa de Israel é esses ossos secos’, isto é, que eram desprovidos de vida espiritual; e em seguida se diz deles: “Porei Meu espírito em vós, para que vivais, e vos colocarei sobre a vossa terra, para que vivais” (Ez 37:14), pelo que é significado que haviam de ser regenerados, para que deles houvesse a igreja. A regeneração se faz por uma vida segundo o Divino Vero, da qual vem a vida espiritual; e por ‘trazer de volta sobre a terra’ significa para que façam a igreja. A ‘terra de Canaan’ significa a igreja. [4] Em Moisés: “Soprou” Jehovah “em sua narina a alma de vidas, e o homem tornou-se alma vivente” (Gn. 2:7); aqui também, no sentido da letra se entende o vento da respiração, porquanto se diz; ‘soprou em suas narinas’, mas entende-se a vida espiritual, que á vida da inteligência e da sabedoria pelo Divino Vero, como é evidente pelo fato de se dizer que ‘soprou alma de vidas’ e que daí ‘o homem tornou-se alma vivente’; ‘alma de vidas’ e ‘alma vivente’ é a vida espiritual, pois o homem sem essa alma se chama homem morto, ainda que viva com o corpo e os sentidos. Daí também se pode ver que por ‘alma’, ‘espírito’ e ‘vento’ na Palavra se entende a vida espiritual. [5] Em João: Jesus disse aos discípulos: “Paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio. E, dizendo isto, soprou e lhes disse: Recebei o espírito [ou fôlego] santo” (Jo. 20:21, 22). Que o Senhor ‘tenha soprado e lhes dito: Recebei o espírito santo’ significa o mesmo que Jehovah ‘soprou nas narinas de Adão a alma de vidas’, ou seja, a vida espiritual, pois o ‘espírito [ou fôlego] santo’ significa o Divino Vero procedente do Senhor, do qual há a vida espiritual. Que a ensinassem desde o Senhor, é significado por ‘assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio’, pois o Senhor era o Divino Vero mesmo quando estava no mundo, que Ele ensinou por Seu Divino Bem, que estava n’Ele pela concepção. É a esse Divino que o Senhor chama de ‘Pai’ aqui e em outras passagens na Palavra. E visto que, quando saiu do mundo, uniu o Divino Vero ao Divino Bem para que fossem um n’Ele, e como então o Divino Vero procedeu d’Ele, por isso disse: ‘Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio’. Que o vento da respiração signifique a vida espiritual, isto vem da correspondência (vide nos Arcanos Celestes, n. 3883-3896). Além disso, somente pela respiração todos no mundo espiritual são conhecidos quais são. Os que estão na vida da respiração do céu estão entre os anjos, mas os que não estão nessa respiração, quando vão ao céu não podem respirar ali (assunto que também ser vê nos Arcanos Celestes, n. 1119, 3887, 3889, 3892 e 3893). Dessa correspondência é que se diz ‘inspiração’, que os profetas se chamam ‘inspirados’ e se diz que a Palavra é ‘Divinamente inspirada’. [6] Por aí se pode ver o que é significado pelas Palavras do Senhor em João: “A menos que alguém tenha sido gerado da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus... Importa-vos serdes gerados de novo. O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem e para vai; assim é todo aquele que é gerado do espírito” (Jo. 3:5, 7, 8); por ‘ser gerado de novo’ se entende ser regenerado; e como o homem é regenerado por uma vida segundo o Divino Vero e todo Divino Vero, pelo qual o homem é regenerado, procede do Senhor e influi no homem sem que ele o saiba, daí se diz: ‘o vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem e para onde vai’; assim se descreve a vida do espírito do homem, a qual ele tem pela regeneração. O ‘vento’ é o Divino Vero pelo ele tem essa vida. De que maneira o Divino Vero influi desde o Senhor, o homem ignora completamente enquanto está no muno, porque então pensa pelo homem natural. Percebe somente alguma coisa que do homem espiritual influi no natural. Isto é, também, o que se entende por ‘ouves a sua voz, e não sabes de onde vem e para onde vai’. A ‘água’ da qual se é gerado significa o vero da Palavra, e o ‘espírito’ significa a vida segundo o vero. (Que a ‘água’ signifique o vero, vê-se acima, n. 71). [7] Nas Lamentações: “O fôlego [ou espírito] de nossas narinas, o Ungido de Jehovah, foi capturado em suas covas; [Aquele] do qual disséramos: Na sombra dele viveremos entre as nações” (Lm. 4:20); pelo ‘Ungido de Jehovah’ aqui se entende o Senhor quanto ao Divino Vero, pois por ‘Ungido de Jehovah’ é significado o mesmo que pelo ‘Rei’. (Que o ‘Rei’ no sentido supremo signifique o Senhor quanto ao Divino Vero, vide acima, n. 31; e também o ‘Ungido de Jehovah’, acima, n. 375). Daí é que se diz: ‘o fôlego de nossas narinas, do qual disséramos: Na sombra dele viveríamos’, pois o ‘fôlego’ o ‘vento das narinas’ significa no sentido supremo o Divino Vero, como foi dito acima. Que o Divino Vero pereceria pelos falsos do mal, é significado por ‘foi capturado nas covas deles’ (‘covas’ são os falsos do mal). [8] Em outra passagem nas Lamentações: “Ouviste a minha voz”, Jehovah; “não escondas o Teu ouvido à minha respiração, ao meu clamor” (Lm. 3:56); ‘esconder o ouvido à respiração e ao clamor’ significa ao culto, à confissão e às preces que vêm dos veros e dos bens, e devem proceder de uns e outros para que sejam ouvidos; se procederem dos veros somente não são ouvidos, porque não há vida neles. A vida do vero vem do bem. Aí se diz ‘respiração’ em relação aos veros, e ‘clamor’ em relação aos bens. (Que ‘clamor’ se refira aos bens ver-se-á em outro lugar). [9] Em Moisés: “Tudo o que tinha o sopro do espírito de vidas em suas narinas, de tudo o que havia no seco, morreu” (Gn. 7:22). Qualquer um vê o que essas palavras significam o sentido da letra, ou seja, que pelo dilúvio foram extintas todas as coisas que havia sobre a terra, assim também todos os homens que viviam com exceção de Noach e seus filhos. O que é significado, porém, no sentido espiritual por essas palavras, vê-se nos Arcanos Celestes (n. 805 e 806, onde são explicadas), a saber, pelo ‘sopro do espírito de vidas nas narinas’ se entende a vida espiritual que existia naqueles que eram da Igreja Antiquíssima, porque o ‘dilúvio’ significa o fim daquela igreja e o juízo final, que é feito quanto toda igreja é extinta. Em David: “Têm ouvidos, não ouvem; também não há vento em sua boca” (Sl. 135:17); ‘não haver vento na sua boca’ significa que não há vero no pensamento, pois a ‘boca’ significa o pensamento. [10] Em Jeremias: “Os jumentos selvagens... aspiraram o vento como as baleias; seus olhos se consumiram por não haver erva” (Jr. 14:5, 6); ‘aspirar o vento como as baleias’ significa não haver vero de que se imbuam; ‘por não haver erva’ significa por não haver vero na igreja. Visto que os males são expulsos por um influxo mais veemente do d e do Divino Bem procedente do Senhor como Sol, conforme acima se disse, por isso também a rejeição dos que estão nos falsos do mal é descrita pelo ‘sopro das narinas de Jehovah’, como em Isaías: “Preparada desde ontem a thophet7, a sua pira; fogo e muita madeira” preparada; “o sopro de Jehovah, como um rio de enxofre, os acende” (Jr. 30:33); em David: “Apareceram cursos de águas, e foram reveladas as fundações do mundo, mediante a inflamação de Jehovah, pelo sopro do espírito de Teu nariz” (Sl. 18:15); em Moisés: “Ao sopro de Tuas narinas amontoaram-se as águas... sopraste com o Teu vento, o mar os cobriu” (Êx. 15:8, 10); em Jó: “Os que maquinam iniquidades... perecem pelo hálito de Deus, pelo espírito de Seu nariz são consumidos” (Jó 4:8, 9); também aqui, pelo ‘sopro’, pelo ‘espírito’ e pelo ‘hálito das narinas de Jehovah’ se entende o Divino procedente, pelo qual são dispersos e rejeitados os males, quando influi mais intensa e fortemente. Na sequência, porém, se dirá a respeito desse influxo, onde se tratar das ‘procelas’, das ‘tempestades’ e do ‘vento oriental’. [11] Que o ‘vento da terra’ também signifique o Divino procedente é também pela correspondência com os ventos no mundo espiritual, pois no mundo espiritual também existem ventos, os quais têm origem na direção do influxo Divino e sopram nos ??? inferiores da terra ali. Nos céus raramente existe algum vento, exceto os que são suavemente percebidos, mas são frequentes nos que habitam abaixo sobre as terras, pois aumentam segundo a descida. As suas direções são a partir das regiões em que o Divino influi, principalmente o norte. E visto que ali os ventos são de origem espiritual, por isso também significam coisas espirituais, em geral o Divino Vero de que procede. Em David: Jehovah, “que estabelece nas águas as Suas câmaras, põe as nuvens por Seu carro, anda sobre as asas do vento; faz de Seus anjos ventos, de Seus ministros um fogo flamejante” (Sl. 104:3, 4); as ‘águas’, as ‘nuvens’ e as ‘asas do vento’ significam o Divino Vero nos últimos, que é como o vero do sentido da letra da Palavra. Como este está em seu último, diz-se que ‘estabelece águas as Suas câmaras, põe as nuvens por Seu carro, anda sobre as asas do vento’; as ‘águas’ são os veros nos últimos, do mesmo modo que as ‘nuvens’ e as ‘asas do vento’; o ‘carro’ é o vero da doutrina. Que ‘faça dos Seus anjos ventos, e dos Seus ministros um fogo flamejante’ significa que os faz para que sejam recepções do Divino Vero e do Divino Bem; pelos ‘anjos’ se entendem os que estão no reino espiritual do Senhor, dos quais se diz, por serem recipientes do Divino Vero, que ‘faz deles ventos’; e pelos ‘ministros’ se entendem os que estão no reino celeste do Senhor, dos quais se diz, por serem recipientes do Divino Bem, que ‘faz deles um fogo flamejante’. ‘Fogo flamejante’ significa o bem do amor e o vero daí. (Que aqueles que estão no reino espiritual do Senhor sejam recipientes do Divino Vero, e aquele que estão no reino celeste sejam recipientes do Divino Vero, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 20-28; que os anjos sejam chamados ‘anjos’ por causa da recepção do Divino Vero vê-se acima, n. 130 e 412; e que os ministros sejam chamados ‘ministros’ por causa da recepção do Divino Bem, vê-se também acima, n. 155; e que ‘fogo’ signifique o bem do amor, n. 68). [12] No mesmo: Jehovah “inclinou os céus, desceu, e a escuridão estava sob os Seus pés; e cavalgou sobre um querubim, voou, e foi levado sobre as asas do vento” (Sl. 18:9, 10); ‘Jehovah inclinou os céus, desceu’ significa a visitação que precede o juízo final; a ‘escuridão sob os Seus pés’ significa os falsos do mal nos inferiores; ‘cavalgou sobre um querubim, voou, e foi levado sobre as asas do vento’ significa a onipresença com o Divino; as ‘asas do vento’ são o Divino Vero nos últimos (como acima). [13] Em Jeremias: “O Feitor da terra por Sua virtude, que prepara o mundo por Sua sabedoria; por Sua inteligência estende os céus. À voz que Ele profere há uma multidão de águas nos céus, e faz subir vapores desde o fim da terra. Faz relâmpagos para a chuva, e tira o vento de Seus tesouros” (Jr. 10:12, 13; 51:15, 16); e em David: “Que faz subir os vapores da extremidade da terra, faz relâmpagos para a chuva, que tira o vento de Seus tesouros” (Sl. 135:7). Por essas palavras se descreve, no sentido espiritual, a reforma do homem e a instauração da igreja. Por essa reforma e essa instauração o Senhor é chamado ‘Feitor da terra’ e, em outra passagem, ‘Formador’ e ‘Criador’. A ‘terra’ é a igreja. O Divino Bem, pelo qual há a reforma, é significado por ‘prepara o mundo por Sua sabedoria’; o ‘mundo’ é a igreja, e se diz do bem. O Divino Vero, pelo também há a reforma, é significado por ‘à voz que profere há multidão de águas nos céus’; ‘a voz que profere’ significa o influxo do Divino Vero; a ‘multidão de águas nos céus’ significa a recepção; as ‘águas’ são os veros. Os veros últimos, que são as cognições do sentido da letra da Palavra, são significados pelos ‘vapores do fim da terra’; as coisas espirituais daí são significadas pelos ‘relâmpagos da chuva’ (dizem-se ‘relâmpagos’ pela luz do céu, e ‘chuva’ pelo influxo); a reforma daí pelo Divino Vero proveniente d’Ele é significada por ‘tira o vento de Seus tesouros’. Assim são entendidas no céu todas estas coisas. [14] Em David: “Que lança Seu granizo como bocados; perante o Seu frio, que subsiste? Envia a Sua Palavra, derrete-a; faz soprar o Seu vento, fluem as águas. Anuncia a Sua Palavra a Jacob, Seus estatutos e Seus juízos a Israel” (Sl. 147:17-19); por estas palavras também é descrita a reforma, mas quanto ao homem natural. Aí, os conhecimentos e as cognições que há no homem antes da reforma são significados pelo ‘granizo’ que é ‘como bocados; quem subsiste perante o Seu frio?’, pois o homem antes da reforma é completamente frio; esse frio também é sentido quando o Divino influi do céu, e como essa friagem é dissipada pela recepção do Divino Bem e do Divino Vero, portanto, pela reforma, por isso se diz: ‘Envia a Sua palavra, derrete-os; faz soprar o Seu vento, fluem as águas’; por ‘palavra’ é significado o Divino Bem unido ao Divino Vero; por ‘vento’ é significado o Divino Vero, e por ‘fluem as águas’ é significada a recepção do vero. E como essas coisas são significadas por essas palavras, por isso se acrescenta: ‘Anuncia a Sua Palavra a Jacob, Seus estatutos e juízos a Israel’; por ‘Jacob’ e ‘Israel’ é significada a igreja; por ‘Jacob’, a igreja que está no bem, e por ‘Israel’ a igreja que está nos veros; ‘estatutos e juízos’ são os veros externos e internos que vêm do bem. [15] No mesmo: “Louvai a Jehovah... fogo e granizo, neve e vapor, vento de procela que faz a Sua palavra” (Sl. 148:7, 8). É evidente que por ‘fogo e granizo’, ‘nuvem e vapor’ e ‘vento’ são significadas coisas diferentes destas, pois o que haveria de Divino na Palavra dizer delas que ‘louvassem a Jehovah’? Mas por ‘fogo e granizo’ e por ‘neve e vapores’ são significados os prazerem dos amores naturais do homem e seus conhecimentos e cognições, pois estes são ‘fogo e granizo, neve e vapor’ antes de o homem ser reformado e se tornar espiritual. A esfera de vida deles, quando eflui deles no mundo espiritual, apresenta coisas semelhantes. Adorar o Senhor por tais coisas é significado por ‘eles louvarem a Jehovah’; ‘louvar’ é adorar. Pelo ‘vento de procela’, porém, é significado o Divino Vero quanto à recepção; por isso também se diz: ‘vento de procela que faz a Sua palavra’; ‘fazer a palavra’ é receber na vida as coisas que são da doutrina. [16] Assim como todas as coisas na Palavra também têm um sentido oposto, assim também o ‘vento’, e neste sentido significa o falso, como no que se segue. Em Isaías: “Eis, todos são iniquidades; a obra deles nada é, vento e vazio as suas imagens de fundição” (Is. 41:29); ‘vento e vazio’ são os falsos do mal e os males do falso; ‘vento’ são os falsos do mal, e ‘vazio’ os males do falso, pois onde há o vazio e a vacuidade, isto é, ausência de bem e o vero, aí há o mal e o falso. Que pelos ‘vento’ aí sejam significados os falsos é evidente pelo que é dito: ‘todos são iniquidades, a obra deles nada é’ e também por se dizer que ‘as imagens de fundição são vento e vazio’, pois pelas ‘imagens de fundição’ são significadas as coisas que o homem faz sair da própria inteligência, as quais são, todas, falsos e males. Em Jeremias: “Os profetas serão por vento, nenhuma palavra haverá neles” (Jr. 5:13); pelos ‘profetas’ são significados aqueles que ensinam os veros e, abstratamente, os veros da doutrina, e, aqui, os falsos da doutrina. Os falsos são significados pelo ‘vento’, pelo que se diz: ‘nenhuma palavra neles’; ‘palavra’ significa o Divino Vero. [17] No mesmo: “Dispersá-los-ei como a palha que voa ao vento do deserto” (Jr. 13:24); ‘vento do deserto’ significa onde não há vero, por conseguinte, o falso, pois ‘deserto’, na Palavra, significa onde não há bem por não haver vero. No mesmo: “O vento apascentará todos os teus pastores, e os teus amásios irão a cativeiro” (Jr. 22:22); ‘pastores’, na Palavra, significam os que ensinam o bem da vida e conduzem ao bem, o que se faz por meio dos veros; aqui, todavia, por ‘pastores’ se entendem os que não ensinam o bem da vida e ainda menos conduzem ao bem, porque estão nos falsos; isto é o que se entende por ‘o vento apascentará todos os teus pastores’. O ‘vento’ é o falsos que eles apreendem e amam. Pelo ‘amásios’ que ‘irão a cativeiro’ são significados os prazeres dos amores de si e do mundo, e, assim, os prazeres dos males; ‘amásios’ são esses prazeres, e ‘cativeiro’ é a detenção nos infernos. [18] Em Oséias: “Efraim apascenta vento, e segue após o vento oriental8; todo dia multiplica as mentiras e a devastação; e firmam aliança com a Assíria, e o azeite é levado ao Egito” (Os. 12:1); por ‘Efraim’ é significado o entendimento da igreja, por ‘Assíria’ o raciocínio e pelo ‘Egito’ o conhecimento; por isso ‘Efraim apascenta vento e segue após o vento oriental’ significa que os inteligentes na igreja se imbuem de falsos que dissipam completamente os veros; ‘vento’ é o falso, e ‘vento oriental’ é o falso que seca e dissipa os veros. Visto que pelo ‘vento’ e pelo ‘vento oriental’ são significadas essas coisa, por isso também se diz: ‘todo dia multiplica as mentiras e a vastação’; ‘mentiras’ também significa o falso, e ‘vastação’ significa a dissipação do vero. ‘Firmam aliança com a Assíria e o azeite é levado ao Egito’ significa que pelos raciocínios falsamente aplicados pervertem os veros e bens da igreja; ‘firmar aliança com a Assíria’ significa raciocinar pelos falsos e destruir os veros; o ‘azeite ser levado ao Egito’ significa destruir o bem da igreja pelos conhecimentos, pois quem está nos princípios do falso a eles aplica os conhecimentos de que se imbui desde a infância, porquanto seu entendimento não vê outra coisa. Com efeito, o entendimento é formado ou por veros ou por falsos; se o é por veros, vê os veros; se por falsos, vê os falsos. Estes ele os vê no homem natural, em cuja memória os conhecimentos residem, dentre os quais ele escolhe os que favorecem, e aqueles que não favorecem, ou os perverte ou os rejeita. [19] No mesmo: “Efraim associou-se aos ídolos... retirou-se o vinho deles; escortando cometeram escortação, amaram, acrescentaram ignomínia ao seu escudo, o vento a ligou em suas asas, e ficarão envergonhados por causa de seus sacrifícios” (Os. 4:17-19); por ‘Efraim’ é significada a igreja quanto ao entendimento do vero, aqui que não compreende o vero, mas o falso. Os falsos da igreja são significados pelos ‘ídolos’. Daí é evidente o que é significado por ‘Efraim associou-se aos ídolos’. Pelo ‘vento nas asas’ é significado o raciocínios pelas falácias, de onde vêm os falsos. (O que as demais coisas significam vê-se acima, n. 283, e 376, onde são explicadas). A mesma coisa é também significada por ‘vento nas asas’ em Zacarias 5:9. Em Jeremias: “Os seus camelos serão por presa, e a multidão de seu gado por despojo, e os dispersarei a todo vento, os cortados do canto” (Jr. 49:32); por ‘dispersá-los a todo vento’ é significado a todo falso e mal, sendo dissipados os veros e bens. (As coisas restantes se veem explicadas acima, n. 417). [20] Em Ezequiel: “A terça parte dispersa no vento, e desembainharei a espada após eles” (Ez. 5:2, 12); estas palavras foram ditas a respeito dos cabelos da cabeça e da barba, os quais ele foi mandado raspar com uma navalha, e por esses ‘cabelos’ é significado o vero último na igreja, pois todo o céu e toda a igreja são como um homem diante do Senhor, donde todas as coisas do céu e da igreja correspondem a todas as coisas do homem, tanto as que estão fora quanto as que estão dentro dele. (Sobre essa correspondência, vide na obra O Céu e o Inferno os n. 87-102). Por isso, os ‘cabelos da cabeça’ e da ‘barba’, como são os últimos do homem, correspondem aos últimos do vero e do bem. Os últimos do vero e do bem são tais quais são os veros últimos do sentido da letra da Palavra. Que esses últimos tenham sido pervertidos, falsificados e adulterados pelos judeus é significado pelas coisas que aí se dizem a respeito dos cabelos e da barba do profeta. Que ‘os dispersaria em sua terça parte a todo vento’ significa a dissipação de todo vero; e como o vero é dissipado, meros falsos são tomados, pelo que se diz: ‘desembainharei a espada após eles’. A ‘espada’ significa a destruição do vero pelo falso (vide acima, n. 131). A não ser que se soubesse que as coisas que foram ditas acima são significadas pelos ‘cabelos’, quem haveria de entender o que está envolvido no fato de ao profeta ser ordenado que ‘rapasse os cabelos de sua cabeça e de sua barba, e terça parte queimasse no meio da cidade, terça parte ferisse com espada ao redor dela, e terça parte dispersasse a todo vento, e que a espada seria desembainhada após eles’? [21] Que a falsificação do vero pelos judeus seja significada por isto, vê-se claramente pelo que se segue nesse capítulo, onde, entre outras coisas, si diz: “Isto é Jerusalém;... mudou Meus juízos em impiedade mais do que as nações, e Meus estados maus do que as terras ao redor dela” (Ez. 5:5, 6). No mesmo: “Todas as suas tropas dispersarei a todo vento, e desembainharei a espada após eles” (Ez. 12:14); coisas semelhantes são significadas por essas palavras. Em Mateus: “Desceu a chuva... e sopraram os ventos, e caíram sobre aquela casa, mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha” (Mt. 7:24, 25, 27); por ‘desceu a chuva’ e ‘sopraram os ventos’ são significadas as tentações e, daí, também os falsos que atacam, pois as tentações espirituais não são outras coisas senão infestações da mente pelos falsos e males; por isso, também aqui, pelos ‘ventos’ são significados os falsos. (As demais coisas se veem explicadas acima, n. 411). [22] ??? Como foi dito acima, no mundo espiritual, assim como no mundo natural, existem ventos fortes e procelas, mas as procelas no mundo espiritual existem pelo influxo do Divino nas regiões inferiores ali, onde estão os que se acham nos males e falsos. Esse influxo desce, por assim dizer, dos céus em direção às terras que estão abaixo, torna-se mais denso e aparece como nuvens, sendo que nos maus elas são densas e opacas segundo a qualidade e a quantidade do mal. Essas nuvens são aparências do falso proveniente do mal, oriundas das esferas de vida deles, pois ao redor de cada espírito e anjos existe uma esfera de vida. Quando o Divino é emitido mais fortemente pelo Senhor como Sol, e influi nessas nuvens densas e opacas, dá origem a procelas que os espíritos ali percebem do mesmo modo que os homens em relação às procelas na terra. Foi-me concedido ver essas procelas algumas vezes e também o vento oriental pelo qual os males são dissipados e lançados nos infernos, quando o juízo final estava em andamento. Por aí se pode ver que o significam as ‘procelas’, ‘tempestades’ e ‘vento impetuoso’ nas passagens que se seguem. Em Isaías: “Dispersa-os, para que o vento os leve e a procela os dissipe” (Is. 41:16); em Jeremias: “Eis, em procela saiu a ira de Jehovah, et turbo minans irruere ???, cairá sobre a cabeça dos ímpios” (Jr. 23:19; 30:23); em David: “Apressarei meu escape do vento impetuoso, da procela” (Sl. 55:8); no mesmo: “Deus meu... persegue-os por Tua procela, e por Tua tempestade assombra-os” (Sl. 83:13, 15); em Ezequiel: “Farei um vento de procelas destroçar na Minha inflamação, e em Minha ira se fará uma chuva que inunda... para consumação” (Ez. 13:13); em Jeremias: “O mal sairá de nação a nação, e uma grande procela se levantará dos lados da terra” (Jr. 25:32); em Isaías: “Da parte de Jehovah Zebaoth sereis visitados com... procela e tempestade, e chama de fogo que consome” (Is. 29:6); em Amós: “Porei fogo no muro de Raabe, o qual consumirá os seus palácios... com procela no dia de tempestade” (Am 1:14); em Naum: “O caminho de Jehovah na procela e na tempestade” (Na. 1:3); em Zacarias: “O Senhor Jehovih soará a trombeta, e irá com as procelas do sul” (Zc. 9:14); em David; “Sobre os ímpios... vento de procelas, porção do cálice” dos ímpios (Sl. 11:6); no mesmo: “Nosso Deus virá, e não ficará silente... ao redor d’Ele uma procela soprará veementemente” (Sl. 50:3); em Oséias: “Semeiam vento, por isso ceifarão procela” (Os. 89:17). Nessas passagens, por ‘procela’ e por ‘tempestade’ é significada a dispersão dos falsos e dos maus, em razão de que aqueles que estão nos falsos do mal são lançados no inferno por um vento tempestuoso. [23] Em David: “Os que descem ao mar em barcos, que fazem a obra nas muitas águas;... e disse, e apareceu um vento de procelas, e no alto ergueu as suas ondas;... fez acalmar a procela, de modo que se acalmassem as suas ondas” (Sl. 107:25, 29); estas palavras são a respeito das tentações e da libertação delas; pelo ‘vento de procela’ e, daí, pelas ‘ondas elevadas do mar’ são significadas as tentações, porque as tentações espirituais acontecem pela irrupção dos falsos nos pensamentos, pelos quais há remorso da consciência e dores do ânimo e da mente; elas são significadas por ‘apareceu um vento de procela, e no alto ergueu as suas ondas”. A libertação delas é significado por ‘fez acalmar a procela, de que modo se acalmassem as suas ondas’. [24] O mesmo é significado por estas palavras em Marcos: “Fez-se um grande turbilhão de vento, e as ondas caíram sobre o barco, de modo que o barco já se enchia”; Jesus, “porém, como estivesse na popa, sobre um travesseiro dormia; e eles O despertaram e disseram-Lhe:... Porventura não Te importa que pereçamos? E, tendo despertado, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te; aquieta-te. E o vento se acalmou e fez-se uma grande tranquilidade” (Mc. 4:37-39); e em Lucas: “Quando navegavam”, Jesus “dormiu, quando irrompeu uma procela de vento no lago, de sorte que [o barco] se enchia, e estavam em perigo; e eles, levantando-se, despertaram-No, dizendo: Mestre, Mestre! Perecemos! E Ele, tendo despertado, repreendeu o vento e as ondas do mar, que cessaram, e fez-se bonança” (Lc. 8:23, 24). Este milagre do Senhor envolve semelhantemente arcanos do céu e interiores da igreja, como todas as demais coisas. Os milagres Divinos diferem dos milagres não Divinos no fato de que os milagres Divinos também significam coisas Divinas, pois o Divino está neles, enquanto os milagres não Divinos nada significam, porque dentro deles nada há do Divino. E, além disso, na descrição dos milagres Divinos na Palavra, e em cada uma de suas coisas, há um sentido espiritual. Este milagre envolve as tentações espirituais; o ‘grande turbilhão de vento, de modo que as ondas caíam sobre o barco, de sorte que era cheio’ significa as tentações. E como eles estivessem no maior temor, ‘Jesus, tendo despertado, repreendeu o vero, e disse ao mar: Cala-te! Acalma-te! e o vento se acalmou e fez-se grande tranquilidade’. Isto significa a libertação das tentações. Cada coisa aí também tem um sentido espiritual, mas aqui não é o lugar de se desenvolver isso em detalhes. Dir-se-á somente que o ‘ turbilhão’ e a ‘procela de vento’ significa as tentações porque são irrupções de falsos ou inundações da mente pelos falsos. Isto também é evidente pela repreensão do vento e das ondas pelas palavras do Senhor dirigidas ao mar: ‘Cala-te! Acalma-te!’, como se dissesse a eles, ou aos que induzem as tentações. [25] Além disso, os ventos que existem no mundo espiritual aparentam surgir das diversas regiões, alguns do meridião, outros do setentrião e alguns do oriente. Os que surgem do meridião dispersam os veros naqueles que estão nos falsos e os que surgem do oriente dispersam os bens naqueles que estão nos males. Que os ventos os dispersem é porque eles vêm do influxo forte e poderoso do Divino, pelos céus, nos inferiores, e onde influxo atua, enche com veros e bens, isto é, as mentes e ânimos dos que estão nos veros e bens, com o Divino ???. Por isso não suportam tal influxo do Divino aqueles cujos interiores da mente e do ânimo são meramente falsos e males, e os exteriores são veros misturados com falsos e bens misturados com males, pelo que se refugiam nos seus falsos e males, aos quais amam, e rejeitam os veros e bens, aos que não amam a não ser por causa de si e por causa das aparências. [26] Por aí se vê que efeito produz o vento que vem do oriente, o qual se chama vento oriental, ou seja, dispersa nos maus todos os bens e veros que se apresentam na forma externa perante o mundo e que são pronunciados para aparecerem. Assim é que a esse vento se atribuía a aridez e a sequidão; ‘aridez’ significa onde não há bem, e ‘sequidão’ onde não há vero, como se pode ver pelas passagens na Palavra onde esse vento é mencionado, como em Ezequiel: Eis uma videira plantada, “porventura quando o vento oriental a tocar, secando se secará?” (Ez. 17:10); no mesmo: Videira “arrancada na Minha ira, na terra foi lançada, e o vento oriental secou o seu fruto; foram dilacerados, esgotaram-se as varas de sua força” (Ez. 19:12); em Oséias: Efraim, “feroz entre os irmãos, virá o euro, o vento de Jehovah que sobre do deserto, e esgotará o seu manancial, e a sua fonte se secará; ele depredará o tesouro de todo vaso de desejo” (Os. 13:15); em Jonas: “Aconteceu que, quando nasceu o sol, Deus preparou um vento oriental secante” (Jn. 4:8). [27] Que o vento oriental também destrua todas as coisas onde se acham os maus, suas terras, suas habitações, seus tesouros, vê-se no opúsculo Juízo Final (n. 61). A razão por que os destrói é porque a terra, as habitações e os tesouros no mundo espiritual são correspondentes; por esse motivo, perecendo aqueles, perecem também as coisas que a eles correspondem. Daí vem que, quando é destruída ali a terra onde os males tinham habitado, surge a face de uma nova terra para os bons. Visto que no mundo espiritual existe tal força no vento oriental, por isso, por causa da correspondência, Veio o vento oriental pelo qual se secou o mar de Suph (Ex. 14:21), que produziu gafanhoto (Ex. 10:13), chamado um vento duro (Is. 27:8), quebra as naus de Tharschisch (Sl. 48:7), quebranta no coração dos mares (Ez. 27:26); e dispersa os adversários (Jr. 18:17).