. (Vers. 2) “E vi outro anjo subindo do nascente do sol”. Que isto signifique o Divino Amor emanando do Senhor vê-se pela significação de ‘anjo’, que é algum Divino procedendo do Senhor, pois pelo ‘anjo’ na Palavra, num sentido próximo, se entende uma sociedade angélica inteira, mas no sentido geral pelo ‘anjo’ é significado todo aquele que recebe o Divino Vero na doutrina e na vida; e, no sentido supremo, pelo ‘anjos’ é significado algum Divino que procede do Senhor, especialmente o Divino Vero (sobre essas significações de ‘anjo’ vide acima, n. 90, 130, 200, 302 e 307). Aqui, pois, pelo ‘anjo subindo do nascente do sol’ é significado o Divino que procede do Amor do Senhor; ‘nascente do sol’ ou ‘oriente’ significa o Divino Amor do Senhor, e ‘subir daí’ significa emanar e proceder; daí, então, pelo ‘anjo subindo do nascente do sol’ é significado o Divino Amor emanando do Senhor. As coisas que se seguem também pertencem ao Divino Amor, a saber, para que não se fizesse dano aos bons. Que o ‘nascente do sol’ signifique o Divino Amor do Senhor é porque o Senhor no céu angélico é um Sol, e o Senhor aparece como Sol por Seu Divino Amor. No céu, o oriente é onde o Senhor aparece como Sol, e como está constantemente ali, também está constantemente no nascente. [2] Há no mundo espiritual quatro regiões, a saber, oriente, ocidente, meridião9 e setentrião. Todas essas plagas são determinadas pelo Sol, que é o Senhor. E onde está o Sol, aí é o oriente; o oposto daí é o ocidente, à direita é o meio-dia e à esquerda é o setentrião. Na região do oriente habitam os anjos que estão no amor ao Senhor, pelo fato de estarem sob o auspício próximo do Senhor, porque neles o Senhor influi próxima e diretamente pelo Divino Amor. Assim é que pelo ‘nascente do sol’ e pelo ‘oriente’ na Palavra é significado o Divino Amor do Senhor. (Que o Senhor apareça como Sol no céu angélico e que seja o Divino Amor do Senhor que assim apareça, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 116-125; que daí o ‘sol’ signifique na Palavra o Divino Amor, vê-se acima, n. 401; que todas as regiões no mundo espiritual sejam determinadas a partir do oriente, onde o Senhor está como Sol, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 141; que daí na região oriental habitem os que estão no bem do amor ao Senhor, n. 148 e 149 ali). [3] Muitas vezes se nomeiam as regiões na Palavra, isto é, oriente, ocidente, meridião e setentrião, e quem não conhece alguma coisa do sentido espiritual da Palavra acredita que por elas se entendem as regiões em nosso mundo solar, e, assim, supõe que não envolvem coisa alguma dos arcanos do céu e da igreja, quando, todavia, pelas regiões na Palavra são nomeadas as regiões no mundo espiritual, as quais diferem completamente das regiões em nosso mundo. com efeito, todos os anjos e espírito habitam ali em regiões segundo a qualidade de seu bem e vero; os que estão no bem do amor ao Senhor habitam no oriente e no ocidente ali, e os que estão nos veros desse bem habitam no meridião e no setentrião. A razão de habitarem assim é que o Senhor ali é o Sol, e d’Ele como Sol vem todo calor e luz, ou todo bem e vero. O calor ali, que é o calor espiritual ou o bem do amor, influi diretamente do oriente no ocidente, e decresce segundo a recepção pelos anjos, por conseguinte, segundo as distâncias, pois toda distância no mundo espiritual é a partir do Senhor, segundo a recepção do bem e do vero provenientes d’Ele. Esta é a razão por que no oriente ali habitam os que estão no bem do amor interior e, assim, na claridade, e no ocidente os que estão no bem do amor exterior e, assim, na obscuridade. Já a luz, que é a luz espiritual ou o Divino Vero, também influi diretamente do oriente no ocidente, e também influi em ambos os lados, mas com a diferença que o Divino Vero que influi do oriente no ocidente é, em sua essência, o bem do amor, enquanto a que nos lados é, em sua essência, o vero desse bem. Assim, aqueles que habitam no meridião e no setentrião, que são as regiões de ambos os lados, estão na luz do vero; os que habitam no meridião estão na luz clara do vero, e os que habitam no setentrião, numa luz obscura do vero. A luz do vero é a inteligência e a sabedoria. (Sobre essas regiões, porém, veem-se muitas coisas na obra O Céu e o Inferno, n. 141-153). São estas, pois, as regiões que são nomeadas na Palavra, e por isso também significam coisas Divinas tais as que existem nessas plagas, a saber, o ‘oriente’ é o bem do amor na claridade, o ‘ocidente’ é o bem do amor na obscuridade, o ‘meridião’ é o vero desse bem na claridade e o ‘setentrião, é o vero desse bem na obscuridade. [4] Além disso, há regiões no mundo espiritual que diferem dessas agora citadas e, daí, estão distantes cerca de trinta graus, as quais estão sob o auspício do Senhor como Lua, pois o Senhor aparece como Sol àqueles que estão no amor a Ele, mas como Lua àqueles que estão na caridade para com o próximo e, assim, na fé. (Sobre essa aparência, vide também a obra O Céu e o Inferno, n. 118, 119 e 122). Nas regiões oriental e ocidental ali habitam os que estão no bem da caridade para com o próximo, e nas regiões meridional e setentrional ali os que estão nos veros desse bem, os quais se chamam veros da fé. São essas regiões que algumas vezes também se entendem na Palavra, onde se trata desses veros e desse bem. [5] Por aí se pode ver que quem não sabe alguma coisa a respeito das regiões do céu de que agora se disse, não pode saber coisas as espirituais da Palavra onde essas regiões são nomeadas, como nas passagens que se seguem. Em Isaías: “Do oriente trarei a tua semente, e do oriente te ajuntarei. Direi ao setentrião: Dá; e ao meridião: Não retenhas. Traz os Meus filhos de longe, e Minhas filhas da extremidade da terra” (Is. 43:6, 7); aí se trata de Jacob e de Israel. Quem não sabe que por essas regiões se entendem as coisas espirituais que foram mencionadas acima pode crer que aí se entende que os filhos de Israel e de Jacob serão ajuntados de toda parte, mas por ‘Jacob’ e por ‘Israel’ se entende a igreja, que consiste daqueles que estão no bem do amor e nos veros desse bem; pela ‘semente’ deles se entendem todos os que são dessa igreja. Que devam ser trazidos e ajuntados os que estão no bem do amor é o que se entende por ‘do oriente trarei a tua semente, e do ocidente te ajuntarei’; e os que estão nos veros desse bem se entendem por ‘direi ao setentrião: Dá; e ao meridião: Não retenhas’. Que todos os que estão nesses veros e bens, até os que estão nos últimos, devem se trazidos, é significado por ‘traz os Meus filhos de longe, e as Minhas filhas da extremidade da terra’; ao ‘filhos’ são os que estão nos veros, e ‘filhas’ os que estão nos bem; ‘de longe’ e ‘da extremidade da terra’ significa os que estão nos últimos veros e bens da igreja. Coisas semelhantes são significadas pelas regiões nas seguintes passagens. Em David: Jehovah congregará das terras os remidos, “do nascente e do poente, do setentrião e do mar” (Sl. 107:3); em Moisés: Disse Jehovah a Jacob em sonho: “Será a tua semente como o pó da terra, e se expandirá para o ocidente e para o oriente, e para o setentrião e para o meridião” (Gn. 28:14); em Lucas: “Virão do nascente e do poente, e do setentrião e do meridião, reclinando-se [à mesa] no reino de Deus” (Lc. 13:29). [6] Em muitas passagens se diz somente ‘do oriente e do ocidente’ e não ao mesmo tempo ‘do meridião e do setentrião’, e por aqueles se entendem todos os que estão no amor ao Senhor e no bem da caridade para com o próximo. Aquelas regiões envolvem também as outras, porque todos os que estão no bem estão também nos veros, pois o bem e o vero agem como um em toda parte. Isto é que se entende, portanto, onde se nomeia ‘do oriente ao ocidente’. Em Mateus: “Muitos virão do oriente [e] do ocidente ???, e reclinar-se-ão [à mesa] com Abrahão, Isaque e Jacob no reino dos céus” (Mt. 8:1). Em Lucas (na passagem citada acima, 13:29) se diz dos que se reclinarão [à mesa] no reino dos céus, que ‘virão do nascente e do poente, do setentrião e do meridião’, e aqui, somente ‘do oriente e do ocidente’ pelo fato de que por essas duas regiões se entendem ao mesmo tempo as demais, como se disse. É semelhante nas passagens que se seguem. Em Malaquias: “Desde o nascente do sol até o poente é grande o Meu nome entre as nações” (Ml. 1:11); em David: “Desde o nascente do sol até o poente, louvado seja o nome de Jehovah” (Sl. 113:3); em Isaías: “Desde o poente do sol temerão o nome de Jehovah, e desde o nascente do sol a Sua glória” (Is. 59:19); no mesmo: “Para que conheçam, desde o nascente e desde o poente, que não há [outro] além de Mim” (Is. 45:6); em David: “Deus, o Deus Jehovah falou, e convocará a terra deste o nascente do sol até o seu poente” (Sl. 50:1); em Zacarias: “Eis que Eu liberto o Meu povo da terra do oriente e da terra do ocidente” (Zc. 8:7). Nestas passagens, ‘desde o nascente e desde o poente’ significa todos os que estão nos bens e veros do céu e da igreja. Coisas semelhantes são significadas pelas regiões segundo as quais o templo foi medido (Ez. 42) e segundo as quais a terra seria dada em herança (Ez. 47:13 e sequência) e distribuída entre as tribos de Israel (Ez. 48), e também segundo as quais os filhos de Israel mediriam os acampamentos (Nm. 2), segundo as quais partiriam (Nm. 10) e segundo as quais seriam as portas da nova cidade (Ez. 40; Ap. 21:13). Além de coisas semelhantes em outras passagens. [7] Que o templo tenha sido medido (em Ezequiel) segundo as regiões foi porque a terra foi distribuída entre as tribos segundo as regiões (em Ezequiel e também em Josué). Que, também, os filhos de Israel se tenham acampado segundo as regiões e também nessa mesma ordem tenham marchado foi porque todas as coisas no mundo espiritual foram ordenadas segundo as regiões, não somente no geral, mas também no particular. No geral, todos os anjos e espíritos habitam nas regiões correspondentes, segundo os estados de bem e de vero neles, como foi dito acima; no particular se faz do mesmo modo, pois em todas as assembleias os que ali estão são distribuídos segundo os estados de suas vidas. De modo semelhante sentam-se ali nos templos e semelhantemente habitam nas casas. Em suma, todas e cada uma das coisas ali foram ordenadas segundo as regiões do céu, pois a forma do céu está em todo particular tal como está no geral. Por aí se pode ver o que é significado pelas ordenações segundo as regiões na Palavra, e também o que é significado pelas regiões segundo as quais foi edificado o tabernáculo e também segundo as quais o templo foi edificado por Salomão, além de outras coisas. [8] Estas são, em geral, as coisas a respeito das plagas. Que o ‘oriente’ signifique o Senhor quanto ao Divino Amor e, daí, naqueles que o recebem, o bem do amor ao Senhor, pode-se ver pelas passagens que se seguem. Em Ezequiel: “Levou-me à porta” do templo “que olha para o oriente, quando eis que a glória do Deus de Israel veio do caminho do oriente, e a Sua voz como a voz de muitas águas, e a terra foi iluminada por Sua glória... A glória de Jehovah entrou na casa pelo caminho da porta cuja face é voltada para o oriente. Então me levantou o espírito, e me introduziu no átrio interior, quando eis que a glória de Jehovah encheu a casa.” (Ez. 43:1, 2, 4 5); trata-se aí da construção do novo templo, pelo qual é significada uma nova igreja a ser instaurada pelo Senhor; e como a introdução se faz pelo bem do amor ao Senhor pelo vero desse bem, por isso foi vista uma ‘porta que olhava para o oriente, e o Deus de Israel vindo pelo caminho do oriente’; pela ‘porta’ é significada a instrução; por ‘Deus de Israel’ se entende o Senhor; pelo ‘oriente’, o bem do amor a Ele proveniente d’Ele, e por ‘glória’ o vero desse bem, pois o Senhor entra no céu e na igreja por Seu Divino Amor, que aparece nos céus como Sol (como foi dito acima). Daí é todo Divino Bem e todo Divino Vero ali. O mesmo é significado por ‘glória de Jehovah entrar na casa pelo caminho da porta cuja face está voltada para oriente’ e por ‘a glória de Deus encheu o templo’; pela ‘casa’ ou templo é significado o céu e a igreja; pela ‘glória’ na Palavra é significado o Divino Vero procedente do Senhor, pela ‘glória do Deus de Israel’ o Divino Vero que ilumina aqueles que estão no reino espiritual do Senhor, e pela ‘glória de Jehovah”, o Divino Vero que ilumina aqueles que estão no reino celeste do Senhor. Que o Divino Vero seja chamado ‘glória’ é porque o mesmo é a luz do céu. e dessa luz vem todo esplendor, toda magnificência e toda glória ali. De fato, tudo o que se mostra diante dos olhos nos céus procede dessa luz; daí, também, se diz que ‘a terra foi iluminada com a Sua glória’; pela ‘terra’ se entende a igreja. O seu influxo em direção a toda parte nos inferiores é significado por ‘Sua voz como a voz de muitas águas’; ‘voz’ significa o influxo e ‘água’ significa os veros. [9] No mesmo: “Depois trouxe–me de volta pelo caminho da porta do santuário exterior que olha para o oriente, a qual, porém, estava fechada... mas Jehovah Deus de Israel entrou por ela” (Ez. 44:1, 2); no mesmo: “A porta do átrio interior que olha para o oriente será fechada seis dias de trabalho, mas no dia do Sabbath será aberta” (Ez. 46:1); pela ‘porta que olha para o oriente’ é significada, também aqui, a introdução no céu e na igreja, pelo Senhor por meio do bem do amor procedente d’Ele. É isto, pois. o que se entende por ‘oriente’. E que ele venha do Senhor é significado por ‘Jehovah Deus de Israel entrou por essa porta’. Essa introdução se faz pelo culto a Ele a partir desse bem, o que é significado por ‘no dia do Sabbath será aberta’; e quando não há culto por esse bem não se dá a introdução, o que é significado por ‘essa porta ficaria fechada nos seis dias de trabalho’. [10] No mesmo: “Alçaram os querubins as suas asas... e pararam10 à entrada da porta [da casa] de Jehovah para o oriente, e a glória do Deus de Israel estava acima deles” (Ez. 10:19); pelos ‘querubins’ é significado o Senhor quanto à Divina providência e quanto à proteção a fim de que não haja admissão senão pelo bem do amor (vide acima, n. 152, no fim, e n. 277); e como o Senhor é significado pelos ‘querubins’, e do Senhor como Sol, onde é o oriente, procede todo bem do amor e todo vero desse bem, por isso ‘querubins foram vistos parados à porta da entrada da casa de Jehovah para o oriente, e a gloria do Deus de Israel foi vista acima deles’; pela ‘casa de Jehovah’, pelo ‘oriente’ e pela ‘glória do Deus de Israel’ são significadas coisas semelhantes às de cima. [11] Em Isaías: “Quem suscitou do oriente, quem em justiça chamou para Seu séquito, pôs diante d’Ele, e O fez dominar sobre os reis?” (Is. 41:2); essas palavras são a respeito do Senhor, que é chamado ‘suscitado do oriente’ porque foi concebido pelo Divino mesmo, que é, em sua essência, o Divino Amor, pelo qual também o Senhor é o Sol do céu angélico; ‘chamar em justiça’ significa para restaurar o céu e a igreja, pois a ‘justiça’ do Senhor na Palavra significa que pelo próprio poder salvaria o gênero humano, o que foi feito quando repôs em ordem todas as coisas nos céus e nos infernos (vide acima, n. 293). (O que as demais coisas significam, explicou-se acima, n. 357). [12] No Livro Segundo de Samuel: “O espírito de Jehovah falou em mim... disse o Deus de Israel, a mim me falou a Rocha de Israel... como a luz da manhã nasce o Sol, uma manhã sem nuvens, depois da chuva, pelo resplendor, a erva [brota] da terra” (II Sm. 23:2-4); “Deus de Israel” e “Rocha de Israel” é o Senhor, de Quem se diz ‘como a luz da manhã, quando nasce o Sol, uma manhã sem nuvens, depois da chuva, pelo resplendor a erva [brota] da terra’, porque Ele é o Sol do céu angélico e d’Ele como Sol procede e influi todo Divino Vero que ilumina anjos e homens e dá inteligência e reforma; luz da manhã, quando nasce o sol’ significa o Divino Vero proveniente do Senhor como Sol; ‘manhã sem nuvens’ significa o Divino Vero puro; ‘chuva’ significa o seu influxo; e ‘erva da terra’ significa a inteligência daí e a reforma, pois estas são significadas pela ‘erva’, porque a erva nasce da terra pelo sol do mundo, após a chuva, e a inteligência pelo Senhor como Sol por meio do influxo do Divino Vero. [13] Em Isaías: “Jehovah surgirá sobre Ti, e a Sua glória se verá sobre Ti; e as nações andarão para a Tua luz, e os reis para o esplendor de Tua aurora” (Is. 60:2, 3); essas palavras são a respeito do Senhor; o Divino n’Ele se entende por ‘sobre Ti surgirá Jehovah, e a Sua glória se verá sobre Ti’; o Divino Bem do Divino Amor se entende por ‘ sobre Ti surgirá Jehovah’, e o Divino Vero desse Bem se entende por ‘a Sua glória se verá sobre Ti’; ‘nações’ significam os que estão no bem, e ‘reis’ os que estão nos veros do bem; dos primeiros se diz que ‘andarão para a Tua luz’, pelo que é significada a vida segundo o Divino Vero, e dos outros se diz ‘andarão para o esplendor de Tua aurora’, pelo que é significada a vida da inteligência proveniente do Divino Bem; ‘andar’ significa viver, ‘luz’ significa o Divino Vero e ‘esplendor da aurora’ o Divino Vero proveniente do Divino Bem, donde há a inteligência. [14] Em Ezequiel: “Alçaram os querubins as suas asas... e a glória do Deus de Israel estava acima deles; e subiu a glória de Jehovah sobre o meio da cidade, e parou sobre o monte, do oriente da cidade” (Ez. 11:22, 23); pelos ‘querubins’ é significado o Senhor quanto a Divina providência e a proteção, e pela ‘glória do Deus de Israel’ é significado o Divino Vero procedente do Senhor (como acima). e visto que o Divino Vero, que é luz, procede do Senhor como Sol no céu angélico, por isso foi visto que ‘a glória de Jehovah subiu de sobre o meio da cidade, e parou sobre o monte, do oriente da cidade’; pela ‘cidade’ se entende Jerusalém, pela qual é significada a igreja quanto à doutrina; e como a doutrina da igreja procede do Divino Vero, por isso foi visto que ‘a glória de Jehovah subia do meio da cidade’. E como todo Divino Vero procede do Senhor como Sol, onde é o oriente, por isso foi visto que ela ‘parou sobre o monte, do oriente da cidade’. O ‘monte do oriente da cidade’ era o Monte das Oliveiras. Que o ‘Monte das Oliveiras’ signifique o Divino Amor do Senhor, e que por isso o Senhor costumava ficar sobre ele, vê-se acima (n. 405); e que o Monte das Oliveiras ficava diante da face de Jerusalém, para o oriente, vide em Zc. 14:4. [15] No mesmo: “Trouxe-me de volta à porta da casa, onde eis que havia águas saindo de sob o limiar da casa, para o oriente, porque as faces da casa eram para o oriente, e águas descendo de sob o lado direito da casa, do meridião do altar. Trouxe-me pelo caminho externo para a porta externa, pelo caminho que olha para o oriente, onde eis que havia águas jorrando do lado direito... Disse-me: Essas águas que saem para o limite oriental, e descem na planície, e vêm na direção do mar, são enviadas ao mar para que as águas sejam curadas; e sucedeu que, toda alma vivente, que rasteja, tudo o que veio ao rio, vive, pelo que houve muitíssimos peixes. ... Junto ao rio, sobre a sua margem, daqui e dali, sobe toda árvore de comida, cuja folha não cai, nem o seu fruto se acaba” (Ez. 47: 1, 2, 8, 9, 12). Aqui está descrita uma nova igreja a ser instaurada pelo Senhor nos céus e nas terras, quando todo Divino procede de Seu Divino Humano, pois antes do advento do Senhor o Divino procedeu do Seu Divino que se chama Pai, mas este não atingiu os últimos quando a igreja foi devastada. Pela ‘casa’ aí é significada a igreja, por ‘sua porta’ a admissão e a introdução; pelo ‘oriente’ o Senhor, onde o Seu Divino Amor aparece como Sol; e pelas ‘águas saindo dali’ é significado o Divino Vero procedendo dali; pela ‘planície’ e pelo ‘mar’ são significados os últimos da igreja, ou onde estão os que se acham nos últimos veros e bens, porque são naturais e sensuais, mas pouco espiritais, os quais o Divino antes não atingia; que ‘as águas do mar tenham sido curadas pelo influxo do rio vindo do oriente’ significa a vida proveniente do Divino também para eles, após o advento do Senhor; ‘muitíssimos peixes’ significa a abundância de cognições e conhecimentos que também adquirem a vida espiritual neles; a frutificação do bem e a multiplicação do vero são significadas por ‘sobre a margem do rio subirá toda árvore de comida, cuja folha não cai e o seu fruto se acaba’. Por aí se pode ver o que uma das coisas aí significa em série, e que o ‘oriente’, de onde todas elas vêm, significa o Senhor e o Seu Divino Amor. [16] O mesmo é significado em Zacarias: “Acontecerá naquele dia que sairão águas vivas de Jerusalém, para delas para o mar oriental” (Zc. 14:6, 8); aí também se trata do Senhor; ‘naquele dia’ significa o Seu advento; ‘mar oriental’ significa o último limite em direção ao oriente no mundo espiritual, onde não havia recepção do Divino Vero antes do advento do Senhor e, depois, a recepção quando o mesmo procedeu de Seu Divino Humano. Que os últimos no mundo espiritual sejam como mares, vide acima (n. 342) e que ali haja lugares áridos e desertos, em João 2:20. [17] Visto que no céu onde estão os anjos o Senhor aparece como Sol e ali é o oriente, por isso Aarão, quando fazia expiação por si e por sua casa, espargia do sangue do bezerro a face do propiciatório voltada para o oriente (Lv. 16:14, 15); E por isso Moisés, Aarão e seus filhos acampavam-se diante da tenda da assembleia, para o oriente (Nm. 3:38); E assim também a tribo de Judah (Nm. 2:3). Por Moisés, Aarão e seus filhos, e pela tribo de Judah era representado o Senhor quanto ao Divino Vero procedente do Divino Vero; assim os seus acampamentos eram para o oriente. Por isso, também, os antigos, nas adorações, voltavam suas faces para o nascente do sol, e por isso edificaram seus templos de modo que a frente, onde havia a entrada, voltasse para o oriente, o que hoje também se faz, por um costume antigo. Além disso, todo o céu angélico se volta para o Senhor como Sol, assim, continuamente para o oriente, bem como todos os interiores dos anjos nos céus se voltam para lá. Assim é que os anjos do céu voltam as suas faces para o Senhor (sobre essa conversão, vide muitas coisas dignas de nota na obra O Céu e o Inferno, n. 17, 123, 142-144 e 272). [18] Visto que o Senhor é o Oriente, por isso se diz em Mateus: “Assim como o relâmpago sai do oriente e aparece até no ocidente, assim será o advento do Filho do homem” (Mt. 24:27). Visto que pelo ‘nascente do sol’, onde se trata dos homens, é significado o bem do amor procedente do Senhor como Sol, recebido por eles, por isso se diz no Livro dos Juízes: “Pereçam todos os Teus inimigos, ó Jehovah; mas os que amam a Ele sejam como o nascer do sol em sua força” (Jz. 5:31); essas palavras estão no cântico profético de Débora e Barak, e dos que amam a Jehovah, que são aqueles que estão no bem do amor ao Senhor, se diz ‘como o nascer do sol em sua força’. [19] Em Moisés: José terá “das primícias dos montes do oriente, e das preciosidades das colinas da eternidade” (Dt. 33:15); por ‘José’, no sentido representativo, é significado o reino espiritual do Senhor; por isso dele se diz que ‘terá das primícias dos montes do oriente, e das preciosidades das colinas da eternidade’, e pelas primícias dos montes do oriente’ são significados os bens genuínos do amor ao Senhor e, assim, da caridade para com o próximo; os ‘montes do oriente’ são os bens do amor ao Senhor, as ‘primícias’ são os genuínos e primários, e as ‘colinas da eternidade’ são os bens da caridade para com o próximo; estes, quando são genuínos, chamam-se ‘preciosidades’. (As demais coisas na bênção a José veem-se explicadas acima, n. 405). [20] Nos tempos antigos existiu uma igreja em muitos reinos da Ásia, como na terra de Canaan, na Síria e na Assíria, na Arábia, na Etiópia, no Egito, na Caldéia, em Tiro e Sidon, e outros lugares. Mas a igreja com eles era uma igreja representativa, porque em cada coisa do seu culto e em cada coisa dos seus estatutos eram representadas coisas espirituais e celestes que são da igreja interna, e, no sentido supremo, o Senhor mesmo. Esses representativos do culto e dos estatutos permaneceram com muitos até o advento do Senhor e, assim, no conhecimento [cognitio] de Seu advento, como se pode ver pelas profecias de Balaão, que era da Síria e que predisse a respeito do Senhor nesses termos: “Vê-Lo-ei, mas não agora; contemplá-Lo-ei, mas não de perto; uma Estrela nascera de Jacob, e um Cetro surgirá de Israel” (Nm. 24:17), o que se tornou evidente depois pelo fato de alguns sábios dentre os orientais, terem visto uma estrela no oriente, quando o Senhor nasceu, e a seguiram, a cujo respeito lê-se assim em Mateus: “Nos dias do rei Herodes, vieram uns sábios dos orientais a Jerusalém, dizendo: Onde está o nascido Rei dos judeus? Vimos a Sua estrela no oriente, e viemos adorá-Lo;... e eis que a estrela que viram no oriente foi adiante deles até que, chegando, parou sobre o lugar onde estava o menino” (Mt. 2:1, 2, 9). Visto que o Senhor é o Oriente, por isso a estrela foi vista por eles no oriente. e como estavam no conhecimento [cognitione] a respeito do advento do Senhor pelos representativos que havia entre eles, por isso a estrela foi vista e ela foi adiante deles, primeiro até Jerusalém, que representava a igreja quanto à doutrina e quanto à Palavra, e depois até o lugar onde estava o Senhor como criança. Além disso, a ‘estrela’ significa as cognições do bem e do vero, e, no sentido supremo, a cognição a respeito do Senhor. (Que as ‘estrelas’ signifiquem na Palavra as cognições do bem e do vero, vê-se acima, n. 72, 179 e 402); e como essas cognições estavam nos orientais, por isso estes foram chamados ‘filhos do oriente’. Que assim tenham sido chamados os da Arábia vê-se em Jeremias 49:28. Pelos ‘filhos do oriente’ na Palavra são também significadas as cognições do vero e bem, do mesmo modo que por ‘Quedar’ ou ‘Arábia’. Que Jó tenha sido um dos filhos do oriente, é evidente no seu livro (Jo 1:3). [21] Assim como a maioria das coisas na Palavra tem também um sentido oposto, também o tem o termo ‘oriente’, e, nesse sentido, significa o amor de si, pelo fato de esse amor ser oposto ao amor ao Senhor. Nesse sentido o ‘oriente’ é citado em Ezequiel 8:16 e em Isaías 2:6. Que o ‘oriente’ signifique o Senhor quanto ao Divino Amor e, assim, o bem do amor a Ele, pode-se ver ainda mais amplamente pelas coisas que foram acima mostradas a respeito do Sol e da manhã (do Sol, no n, 401; e da manhã, n. 176), pois onde está o Sol no céu angélico, aí é o oriente; e como a manhã é onde o sol nasce, e ali o Sol está sempre no nascente e nunca no poente, assim a ‘manhã’ também significa a mesma coisa.