. “Da tribo de Naftali, doze mil assinalados”. Que isto signifique a regeneração e a tentação, vê-se pela representação e, assim, significação de ‘Naftali’ e sua tribo, que é a tentação e o estado após ela; e visto que as tentações acontecem por causa da regeneração , também a regeneração é significada por ‘Naftali’. (Que sofram tentações os que são regenerados, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 187-201. Que ‘Naftali’ e, assim, a tribo nomeada segundo ele, signifique a tentação e o estado por ela, por conseguinte, também a regeneração, pode-se ver pelas palavras de Raquel quando Bilha, a sua escrava, o deu à luz, palavras que são: “E concebeu ainda, e pariu Bilha, escrava de Raquel, um filho segundo Jacob. E disse Raquel: Com lutas de Deus lutei com minha irmã, e venci. E chamou o seu nome Naftali” (Gn. 30:7, 8); as ‘lutas de Deus’ significam as tentação espirituais; e como Raquel representava a igreja interna, que é espiritual, e Léia a igreja externa, que é natural, é evidente o que é significado por Raquel ter lutado com sua irmã e ter vencido, ou seja, que o homem espiritual lutaria com o natural, porque toda tentação é uma luta entre o homem espiritual e o natural. O homem espiritual ama e quer as coisas que são do céu, pois ele está no céu, e o homem natural ama e quer as coisas que são do mundo, pois ele está no mundo. Assim, são opostos os desejos de um e do outo, pelo que dá-se uma colisão e um combate que se tentação. [2] Que ‘Naftali’ signifique a tentação e o estado após ela, por conseguinte, a regeneração, pode-se ver ainda pelas passagens que se seguem. Pela bênção que foi lhe dada por seu pai, Israel: “Naftali é uma gazela solta, dizendo falas de elegância” (Gn. 49:21); ‘Naftali’ aqui significa o estado após a tentação, estado esse que é cheio de regozijo e pela afeição, por terem sido conjuntos o espiritual e o natural, e o bem e o vero, por meio de tentações; ‘gazela solta’ significa o livre da afeição natural; ‘dizendo falas de elegância’ significa a alegria da mente. (Essas coisas, porém, veem-se mais amplamente explicadas nos Arcanos Celestes, n. 6412-6414). [3] E, também, pela bênção dada a ele por Moisés: “E de Naftali disse: Naftali saciado de beneplácito, e cheio da bênção de Jehovah; possui o ocidente e o meridião” (Dt. 33:23). Também aí se descreve o estado de após a tentação, ou seja, que é cheio de todo bem do amor e dos veros daí, porque após as tentações o homem é cheio de regozijo, e nele se frutifica o bem e se multiplica o vero. Ser cheio de bem do amor entende-se por ‘saciado do beneplácito de Jehovah’, e ser cheio de veros daí, por ‘cheio da bênção de Jehovah’. Que daí haja afeição do vero e iluminação é significado por ‘possui o ocidente e o meridião’; a afeição do vero por ‘ocidente’, e a iluminação por ‘meridião’. Diz-se ‘possui o ocidente e o meridião’ porque aqueles que, após as instruções, são elevados ao céu, são levado pelo ocidente ao meridião, assim, pela afeição do vero à luz do vero. [4] Algo semelhante é significado por ‘Naftali’ no cântico de Débora e Baraque, no Livro dos Juízes: “Zebulon, povo que entregou sua alma à morte, e Naftali, sobre as alturas do campo” (Jz. 5:18). Foram essas duas tribos que lutaram contra Sísera, príncipe do exército de Jabim, rei de Canaan, e venceram, permanecendo passivas as outras dez tribos, e por isso era representada a luta espiritual contra os males que infestam a igreja, como também se vê pelo cântico profético de Débora e Baraque, no qual se trata desse assunto. Que somente as tribos de Zebulon e de Naftali tenham lutado foi porque ‘Zebulon’ significa a conjunção do bem e do vero que faz a igreja, e ‘Naftali’ a luta contra os males e falsos que a infestam e fazem resistência à conjunção do bem e do vero, e, assim, por um e outro é significada a reforma e a regeneração. Pelas ‘alturas do campo’ são significados os interiores da igreja, dos quais há o combate. Por ‘Zebulon e Naftali’, juntamente, é também significada a reforma e a regeneração pela tentações (em Isaías 8:22; 9:1, 2; também em Mateus 4:12-16). [5] No sentido supremo, porém, por ‘Zebulon e Naftali’ é significada a união do Divino com o Humano no Senhor, pois no sentido supremo trata-se unicamente do Senhor, em geral da glorificação de Seu Humano e da subjugação dos infernos e da ordenação dos céus por Ele. Neste sentido Zebulon e Naftali são nomeados em David: “Viram as Tuas marchas, ó Deus, as marchas de meu Deus, meu Rei no santuário; foram na frente os que cantam, atrás os que tocam, no meio das virgens que tocam adufes. Bendizei a Deus nas congregações, ao Senhor desde a fonte de Israel. Ali está Benjamin, o mais pequeno deles; os príncipes de Judah a assembleia deles; os príncipes de Zebulon, os príncipes de Naftali. Ordenaste, ó Deus, a Tua força; reveste-Te de força, ó Deus. Isto fizeste a nós desde o Teu templo, sobre Jerusalém. Os reis Te trarão presentes. Repreende a fera dos caniçais, a congregação dos fortes, entre os bezerros dos povos; o que calca aos pés as lâminas de prata, dispersa os povos, desejam as guerras. Virão gordos do Egito; a Etiópia apressará suas mãos a Deus” (Sl. 68:24-31). No sentido espiritual, aí se trata do advento do Senhor, da glorificação de Seu Humano e também da subjugação dos infernos e, assim, da salvação. A celebração do Senhor por causa de Seu advento é descrita nestes termos: ‘viram as Tuas marchas, ó Deus, as marchas do meu Deus, meu Rei no santuário; foram na frente os que cantam, atrás os que tocam, no meio as virgens que tocam adufes. Bendizei a Deus nas congregações, ao Senhor desde a fonte de Israel’; (o que, porém, essas coisas significam, veem-se explicadas acima, n. 340). A Sua inocência, pela qual opera todas e age todas as coisas, é significada por ‘Benjamin, mais pequeno que eles’; o Divino Vero do Divino Bem é significado pelos ‘príncipes de Judah a assembleia deles’; a glorificação ou a união do Divino ao Humano pelo próprio poder, pelos ‘príncipes de Zebulon e príncipes de Naftali’; que daí o Humano do Senhor tem o Divino poder, por ‘ordenaste, ó Deus, a Tua força; reveste-Te de força, ó Deus. Isto fizeste a nós desde o Teu templo, sobre Jerusalém’; pelo ‘templo’ aí se entende o Divino Humano do Senhor, e por ‘Jerusalém’ a igreja pela qual o fez; a subjugação dos infernos é significada por ‘repreende a fera dos caniçais, a congregação dos fortes, entre os bezerros dos povos; o que calca aos pés as lâminas de prata, dispersa os povos, desejam as guerras’; ‘fera dos caniçais e congregação dos fortes’ é o conhecimento do homem natural que perverte os veros e bens da igreja; ‘bezerro dos povos’ são os bens da igreja; ‘lâminas de prata’ são os veros da igreja; ‘dispersa os povos, desejam as guerras’ significa perverter e raciocinar contra eles. [6] Pela subjugação dos infernos se entende a subjugação do homem natural, pois ali estão os males do inferno. Com efeito, estão ali os prazeres de si e do mundo, e estão ali os conhecimentos que os confirmam. Esses prazeres, quando são tidos como fins e predominam, são contra os bens e veros da igreja. Que o homem natural, quando é subjugado, ponha a serviço os conhecimentos concordantes e as cognições do vero e do bem, é significado por ‘virão gordos do Egito, a Etiópia apressará suas mãos a Deus’; o ‘Egito’ é o homem natural quanto aos conhecimentos, e a ‘Etiópia’ é o homem natural quanto às cognições do bem e do vero. Por essas poucas explicações pode-se ver o que é significado por ‘Naftali’ e sua tribo na Palavra, a saber, no sentido supremo é significado o próprio poder do Senhor, pelo qual subjugou os infernos e glorificou o Seu Humano. No sentido interno é significada a tentação e o estado após a tentação; e no sentido externo é significada a resistência pelo homem natural. Daí, ‘Naftali’ significa também a reforma e a regeneração, que são os efeitos das tentações.