. “Da tribo de Benjamin, doze mil assinalados’. Que isto signifique a conjunção com o Senhor dos que estão no céu mais externo, vê-se pela representação de Benjamin e da tribo nomeada segundo ele, que é o espiritual celeste no homem natural, semelhantemente ao que José é representado no espiritual. O espiritual celeste é o vero conjunto ao bem, pois o vero considerado em si mesmo é espiritual, e o bem é celeste. Daí, por ‘Benjamin’ e sua tribo é significada a conjunção do vero e do bem no natural, aqui, por conseguinte, a conjunção com o Senhor daqueles que estão no céu mais externo, pois no céu mais externo se encontram os que estão no bem e vero naturais pelo espiritual e celeste. Os que estão no céu mais externo são ou espirituais naturais ou celestes naturais. Os espirituais naturais ali pertencem ao reino espiritual do Senhor, e os celestes naturais ali pertencem ao reino celeste do Senhor. Por isso, os espirituais naturais se comunicam com o segundo céu, onde todos são espirituais, enquanto os celestes naturais se comunicam com o terceiro céu, onde todos são celestes (como foi dito num artigo acima). [2] Por aí se pode ver o que os irmãos ‘José’ e ‘Benjamin’ significam na Palavra. Como ‘Benjamin’ significa o vero conjunto ao bem no homem natural e, assim, o vero conjunção ao bem naqueles que estão no céu mais externo, por isso também ele foi o último nascido de Jacob e chamado por ele ‘filho da direita’, pois ‘Benjamin’ na língua original significa ‘filho da direita’. E também nasceu em Belém, cidade pela qual é também significado o vero conjunção ao bem no natural. Que ele tenha nascido em Belém, vê-se em Gênesis 35:16-19. Nasceu por último porque o natural que consiste do vero conjunção ao bem é o último da igreja no homem. Com efeito, há no homem três graus de vida: íntimo, médio e mais externo [ultimus]; estão no grau íntimo os que estão no céu íntimo ou terceiro, no grau médio os que estão no céu médio ou segundo, e no grau mais externo os que estão no céu mais externo ou primeiro. Por isso, os que estão no grau íntimo são chamados celestes, os que estão no grau médio são chamados espirituais, mas os que estão no grau mais externo são chamados ou espirituais naturais ou celestes naturais. A conjunção destes no céu mais externo é significada por ‘Benjamin’. (Sobre os três graus de vida no homem e no anjo, vide a obra O Céu e o Inferno, n. 33, 34, 38, 39, 208, 209, 211 e 435). Daí é, então, que esse filho de Jacob nasceu por último. [3] Que ele seja chamado ‘filho da direita’ é porque ‘filho’ significa o vero, e ‘direita’ significa o poder do vero procedente do bem, e o vero que procede do bem, no homem natural, tem todo poder no mundo espiritual. Que esse vero tenha todo poder que há no homem espiritual é porque no homem espiritual está a causa eficiente, e no natural está o efeito, e todo poder da causa eficiente se exerce pelo efeito. (Que todo poder do homem espiritual esteja no natural e seja pelo natural, vê-se nos Arcanos Celestes, n. 9836). Daí é, pois, que ele foi chamado ‘Benjamin’, isto é, ‘filho da direita’. E visto que ‘Belém’ tem semelhante significação, a saber, o vero conjunção ao bem no homem natural, por isso também David nasceu ali, e também foi ungido rei (I Sm. 16:1-14; 17:12), pois Davi como rei representou o Senhor quanto ao vero do bem, e também ‘rei’ significa isto (vide acima, n. 29, 31 e 205). E também por isso o Senhor nasceu em Belém (Mt. 2:1, 5, 6), porque nasceu Rei, e n’Ele o vero foi conjunto ao bem de nascença. Com efeito, toda criança nasce natural, e o natural, por estar próximo aos sentidos externos e ao mundo, é aberto primeiro, e este em todos os homens é ignorante do vero e está na cobiça do mal, mas somente no Senhor tendo anseio pelo bem e desejo pelo vero, visto que a afeição reinante no homem vem do pai e é a sua alma, mas no Senhor a afeição ou a alma do Pai era o Divino mesmo, que é o Divino Bem do Divino Amor. [4] Uma vez que ‘Benjamin’ e sua tribo significam o ver conjunto ao bem no homem natural, por isso Sua sorte na terra de Canaan era entre os filhos de Judah e os filhos de José; e também a essa tribo Jerusalém foi concedida por herança, onde então havia os jebuseus (Js. 18:11-28), de modo que os filhos habitaram ali com os judeus, os quais depois ocuparam aquela cidade. A razão por que foi concedida a essa tribo porção entre os filhos de José era porque ela representava e, assim significava a conjunção do bem e do vero, pois ‘Judah’ significa a o bem da igreja, e ‘José’ o vero da igreja. Que Jerusalém tenha sido concedida a essa tribo foi porque ‘Jerusalém’ significava a igreja quanto à doutrina e ao culto, e toda doutrina da igreja é a doutrina do vero conjunto ao bem, e todo culto segundo a doutrina se faz pelo homem natural, porque, conforme foi dito acima, o culto é o efeito da causa eficiente no homem espiritual. [5] Por aí se pode ver o que é significado por ‘Benjamin’ nas passagens que se seguem. Em Jeremias: Se santificardes o Sabbath, “eles entrarão das cidades de Judah, e das cercanias de Jerusalém, e da terra de Benjamin, e da planície, e do monte, e do meridião, trazendo holocausto e sacrifício, e minchah e incenso” (Jr. 17:26). Que essas coisas fossem por causa da significação do Sabbath era porque o ‘sabbath’ significava a união do Divino e do Divino Humano no Senhor, e, num sentido relativo, a conjunção do Seu DG com o céu e a com a igreja, e, em geral, a conjunção do bem e do vero (vide Arcanos Celestes, n. 8495, 8510, 10356, 10367, 10370, 10374, 10668 e 10730); pelas ‘cidades de Judah’, pelas ‘cercanias de Jerusalém’ e pela terra de Benjamin’ são significados os veros conjuntos ao bem no homem natural; pelas ‘cidades de Judah’, os veros do bem; pelas ‘cercanias de Jerusalém’, os veros da doutrina no homem natural; e pela ‘terra de Benjamin’, a conjunção deles, porque as ‘cidades’ significam os veros. ‘Judah’ o bem da igreja, ‘Jerusalém’ a doutrina do vero, as ‘cercanias’ as coisas que estão à volta ou abaixo, que são os veros do bem no homem natural, e a ‘terra de Benjamin’ a igreja quanto à conjunção deles no homem natural. ‘Da planície, do monte e do meridião’ significa o bem e o vero no homem natural por origem celeste e por origem espiritual. As ‘planícies’ significam o bem e o vero no homem natural porque planícies no sopé dos montes e colinas habitam os que no céu mais externo, que são chamados celestes naturais e espirituais naturais, de que se tratou acima. O ‘monte’ significa os que estão no bem celeste, e o ‘meridião’ os que estão no bem espiritual e, daí, na luz do vero. ‘Trazer holocausto, sacrifício, minchah e incenso’ significa o culto pelo bem celeste e pelo espiritual no homem natural; ‘holocausto’, o culto pelo bem celeste; ‘sacrifício’, o culto pelo bem espiritual; ‘minchah e incenso’ o bem e o vero do bem no homem natural. Tais são as coisas significadas por aquelas palavras; de outro modo, por que seria dito que, santificassem o sabbath, entrar-se-ia ‘das cidades de Judah, das cercanias de Jerusalém, da terra de Benjamin, da planície, do monte e do meridião’? e por que não de toda a terra de Canaan? [6] Visto que cada palavra aí significa coisas tais que são do céu e da igreja, por isso também em outras passagens no mesmo profeta se dizem coisas semelhantes, como: “Nas cidades do monte, nas cidades da planície, nas cidades do meridião, e na terra de Benjamin, e nas cercanias de Jerusalém, e nas cidades de Judah ainda passarão rebanhos conforme as mãos do numerador” (Jr. 33:13); e, em outra passagem, “Comprarão campos com prata, e escrevendo isto em escritura... e fazendo testemunhas testificarem, na terra de Benjamin, nas cercanias de Jerusalém, e nas cidades de Judah, e nas cidades do monte, e nas cidades da planície, e nas cidades do meridião, porque mudarei o cativeiro deles” (Jr. 32:8, 44). Nessas passagens são significadas coisas semelhantes às que são significadas acima por ‘terra de Benjamin’, ‘cercanias de Jerusalém’, ‘cidades de Judah’, ‘monte’, ‘planície’ e ‘meridião’. Assim, por ‘Benjamin’ é significada a conjunção do vero e do bem no homem natural, por conseguinte a conjunção do vero e do bem nos que estão no céu mais externo. [7] No mesmo: “Reuni-vos, filhos de Benjamin, [saindo] do meio de Jerusalém, e... tocando tocai a trombeta, e sobre a casa da vinha acendei um incêndio... porque o mal espia do setentrião, e grande ruína” (Jr. 6:1). Trata-se aí, no sentido espiritual, da igreja devastada quanto ao vero e ao bem, porque diz-se contra Sião e Jerusalém. Por ‘Sião’ significa o bem da igreja, e ‘Jerusalém’ o seu vero; e como os ‘filhos de Benjamin’ significam a conjunção do bem e do vero, por isso a eles foi dito que ‘se reunissem do meio de Jerusalém, e tocassem a trombeta e sobre a casa da vinha acendessem incêndio’; ‘tocar buzina’ significa a luta pelos veros que procedem do bem contra essa igreja; ‘casa da vinha’ significa essa igreja mesma, e ‘acender um incêndio’ significa a sua destruição pelos maus amores; ‘setentrião’, de onde o mal espia, significa o falso do mal, e ‘grande ruína’ significa a dissipação do bem e do vero. [8] Em David: “Ó Pastor de Israel, dá ouvidos. [Tu], que guias a José como um rebanho; que estás sentado sobre querubins, resplandece. Perante Efraim, Benjamin e Manassés, desperta Teu poder, e vinde em nossa salvação” (Sl. 80:1, 2); por ‘Efraim, Benjamin e Manassés’ não se entendem Efraim, Benjamin e Manassés, mas os que estão no vero e bem naturais e nos quais há a conjunção do vero e do bem (vide acima, n. 440, onde essas palavras são explicadas). [9] No mesmo: “Nas congregações bendizei a Deus, ao Senhor, desde a fonte de Israel. Ali está Benjamin, o menor deles, os príncipes de Judah, os príncipes de Zebulon e os príncipes de Naftali” (Sl. 68:26, 27), tampouco aí se entendem Benjamin ou príncipes de Judah, Zebulon e Naftali, mas as coisas da igreja que são significadas por essas três tribos, e por ‘Benjamin, o menor’25 é significada aí a inocência do homem natural. a inocência do homem natural está na conjunção do bem e do vero ali. (Mas estas coisas, também, veem-se explicadas acima, n. 439). [10] Ne bênção dos filhos de Israel por Moisés: “De Benjamin, disse: Dileto de Jehovah, habitará seguramente com ele; [o Senhor] cobri-lo-á todo dia, e habita entre os seus ombros” (Dt. 33:12); por ‘Benjamin’ aí é significada a Palavra no sentido último, que é o natural, pois nessa bênção proferida por Moisés é descrita a Palavra, e por cada tribo é significado algo da Palavra. E visto que no sentido último da Palavra, que é o natural, existe um casamento do bem e do vero, conforme se mostrou em muitas passagens, por isso se diz ‘dileto de Jehovah’ e que ‘habitará seguramente nele, e cobri-lo-á todo dia, e entre os seus ombros habita’; ‘habitar entre os seus ombros’ é na segurança e no poder. [11] O que é significado por ‘Benjamin’ na profecia de Israel, o pai, a respeito de seus filhos (Gn. 49:27) foi explicado nos Arcanos Celestes (n. 6439-64440). Nessa profecia trata-se por último de Benjamin porque o último da igreja e do céu é significado por ele; o último é o natural, no qual o vero é conjunto ao bem. [12] Como essas coisas foram significadas por ‘Benjamin’, por isso As tribos de Efraim, Manassés e Benjamin se acampavam ao ocidente, ao redor da tenta da assembleia, no deserto (Nm. 2:18-24). Por essas três tribos são significados todos os que estão no vero e bem naturais, e na conjunção destes. Por ‘Efraim’ é significado o vero aí, por ‘Manassés’, o bem aí (como acima se mostrou) e por ‘Benjamin’ a conjunção deste. Que eles se acampavam ‘ao ocidente’ era porque no ocidente e no setentrião, no céu, habitam os que estão na obscuridade do bem e na obscuridade do vero, portanto, os que estão no bem e vero naturais, enquanto os que habitam no oriente e no meridião, no céu, estão na claridade do bem e do vero (de cujo assunto se vê na obra O Céu e o Inferno, n. 141-153). [13] Por aí pode-se ver, agora, o que é significado por ‘Benjamin’ na Palavra, a saber, a conjunção do bem e do vero no homem natural, e, pelo bem, a conjunção com o espiritual, pois todo bem que é bem no homem natural influi do homem espiritual, isto é, pelo homem espiritual desde o Senhor. Sem esse influxo não existe bem no homem natural. Por isso, ‘Benjamin’ também significa a conjunção do homem espiritual com o natural e ‘José’ a conjunção do homem celeste com o espiritual.